Cita√ß√Ķes sobre Museus

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Frases sobre museus, poemas sobre museus e outras cita√ß√Ķes sobre museus para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Lisboa perto e longe

Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem pal√°cios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa Рbranca e rota
a blusa de seu povo – essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as √°guas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa est√£o voltadas
contra as m√£os desarmadas – povo armado
de vento revoltado violas astros
Рmeu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das pris√Ķes tem velas rios
dentro das m√£os navios prisioneiros
ai olhos marinheiros – mar aberto
– com Lisboa t√£o longe em Lisboa t√£o perto.

Lisba é uma palavra dolorosa
Lisboa s√£o seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada m√£o
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde h√° versos que s√£o cravos vermelhos
Lisboa que ninguem ver√° de joelhos.

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Para ter um gosto pr√≥prio e julgar com alguma finura das coisas de arte √© necess√°ria uma prepara√ß√£o, uma cultura adequada. E onde tem o homem de trabalho, no nosso tempo, vagares para esse complicada educa√ß√£o, que exige viagens, mil leituras, a longa frequenta√ß√£o dos museus, todo um afinamento particular do esp√≠rito? Os pr√≥prios ociosos n√£o t√™m tempo ‚Äď porque, como se sabe, n√£o h√° profiss√£o mais absorvente do que a vadiagem. Os interesses, os neg√≥cios, a loja, a reparti√ß√£o, a fam√≠lia, a profiss√£o liberal, os prazeres n√£o deixam um momento para as exig√™ncias de uma inicia√ß√£o art√≠stica.

Os quadros que eles penduram nos restaurantes n√£o s√£o muito melhores do que a comida servida nos museus.

De Um T√£o Felice Engenho, Produzido

De um t√£o felice engenho, produzido
de outro, que o claro Sol n√£o viu maior,
é trazer cousas altas no sentido,
todas dinas de espanto e de louvor.

Museu foi antiquíssimo escritor,
filósofo e poeta conhecido,
disc√≠pulo do M√ļsico amador
que co som teve o Inferno suspendido.

Este p√īde abalar o monte mudo,
cantando aquele mal, que eu j√° passei,
do mancebo de Abido mal sisudo.

Agora contam j√° (segundo achei),
Passo, e o nosso Bosc√£o, que disse tudo
dos segredos que move o cego Rei.

Silêncio

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;
redoma de cristal este silêncio imposto.
Que lívido museu! Velado, sepulcral.
Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

Um h√°lito de medo embaciando o vidrado
d√°-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.
Na silente armadura, e sobre si fechado,
ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós
que a pr√≥pria voz do mar segue o risco de um disco…
N√£o cessa de tocar; n√£o cessa a sua voz.
Mas j√° ningu√©m pretende exp’rimentar-lhe o risco!

Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia

N√≥s estamos num estado compar√°vel, correlativo √† Gr√©cia: mesma pobreza, mesma indignidade pol√≠tica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem p√ļblica, mesma agiotagem, mesma decad√™ncia de esp√≠rito, mesma administra√ß√£o grotesca de desleixo e de confus√£o. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um pa√≠s cat√≥lico e que pela sua decad√™ncia progressiva poder√° vir a ser riscado do mapa ‚Äď citam-se ao par a Gr√©cia e Portugal. Somente n√≥s n√£o temos como a Gr√©cia uma hist√≥ria gloriosa, a honra de ter criado uma religi√£o, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.

Estive agora no M√©xico e vi escrito nas paredes de um museu um pensamento dos maias, muito simples, muito correcto, mas ao mesmo tempo perfeito, profundo. Dizia: “Semeia para colheres, colhe para comeres, come para viveres”. √Č um fundamento da vida. A gente vive no sentido inverso: vive para comer, come para colher e colhe porque semeia. Aqui p√Ķe-se o problema do que transcende isso.

A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

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Poema Final

√ď cores virtuais que jazeis subterr√Ęneas,
_ Fulgura√ß√Ķes azuis, vermelhos de hemoptise,
Represados clar√Ķes, crom√°ticas ves√Ęnias,
No limbo onde esperais a luz que vos batize,

As p√°lpebras cerrai, ansiosas n√£o veleis.
Abortos que pendeis as frontes cor de cidra,
T√£o graves de cismar, nos bocais dos museus,
E escutando o correr da √°gua na clepsidra,

Vagamente sorris, resignados e ateus,
Cessai de cogitar, o abismo n√£o sondeis.
Gemebundo arrulhar dos sonhos n√£o sonhados,

Que toda a noite errais, doces almas penando,
E as asas lacerais na aresta dos telhados,
E no vento expirais em um queixume brando,
Adormecei. N√£o suspireis. N√£o respireis.

√Č In√ļtil Querer Parar o Homem

√Č in√ļtil querer parar o Homem,
o que transforma a pedra em piso,
o piso em casa e a casa em fonte
de novas m√ļsicas da carne
sob as velocidades da luz e da sombra.
√Č in√ļtil querer parar o Homem
acolher sempre um pouco de si próprio
no mistério da vida a cavalgar
os cavalos a√©reos da sem√Ęntica
sob uma indeferida eternidade.
√Č in√ļtil querer parar o Homem
e o impulso que o transforma sempre
na p√°tria sem fim do ato livre
que arranca a vida e o tempo e as coisas
do espelho imóvel dos conceitos.
Ah, que mistério maior é este
que liga a liberdade e o homem
e une o homem a outros homens
como o curso de um rio ao mar!
(quando a noite é una e indivisível,
nos olhos da mulher que eu amo
acende-se o deus deste segredo
-e uma sombra só nos transporta
ao fundo sem nome da vida.)

√Č in√ļtil querer parar o Homem.
Do que morre fica o gesto alto
a ser o germe de outro gesto
que ainda nem vemos no tempo.

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A Ordem pela Ordem é Caricatura da Vida

A ordem √© o sinal e n√£o a causa da exist√™ncia. Da mesma maneira que o plano do poema √© sinal de que ele est√° acabado e marca da sua perfei√ß√£o. N√£o √© em nome de um plano que tu trabalhas, tu trabalhas para obter um plano. Mas aquelas criaturas dizem dos alunos: ¬ęOlhem para esta grande obra e reparem na ordem que revela. Fabriquem-me, primeiro que tudo, uma ordem, e a vossa obra ser√° grande¬Ľ. Uma obra dessas n√£o passar√° de esqueleto sem vida e detrito de museu.
Não tropeces na tua linguagem. Se impuseres a vida, fundarás a ordem; se impuseres a ordem, imporás a morte. A ordem pela ordem é caricatura da vida.

O Incêndio De Roma

Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,
As muralhas de pedra, o espaço adormecido
De eco em eco acordando ao medonho estampido,
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.

E os templos, os museus, o Capitólio erguido
Em mármor frígio, o Foro, as erectas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.

Longe, reverberando o clar√£o purpurino,
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte.
Impassível, porém, no alto do Palatino,

Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.