Cita√ß√Ķes sobre N√°degas

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Frases sobre n√°degas, poemas sobre n√°degas e outras cita√ß√Ķes sobre n√°degas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

F√°bula

Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seio de Maria ca√≠am nus da blusa. Uma das m√£os do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo d√® homem: r√≠gido e fremente, ao mesmo tempo, √† for√ßa de concentrar todo o √≠mpeto nas n√°degas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas da rapariga. Parecia um cavalo ofegante ‚ÄĒ os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espa-lhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o c√©u branco de agosto. Mas a terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante.

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Nádegas é importantíssimo. Grave, porém, é o problema das saboneteiras. Uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes.

O Tabu e a Met√°fora

A metáfora é provavelmente a potência mais fértil que o homem possui. A sua eficiência chega a raiar os confins da taumaturgia e parece uma ferramenta de criação que Deus deixou esquecida dentro de uma das suas criaturas na ocasião em que a formou, como o cirurgião distraído deixa um instrumento no ventre do operado.
Todas as demais potências nos mantêm inscritos no interior do real, do que já é. O mais que podemos fazer é somar ou subtrair as coisas entre si. Só a metáfora nos facilita a evasão e cria entre as coisas reais recifes imaginários, floração de leves ilhas.
√Č verdadeiramente estranha a exist√™ncia no homem desta actividade mental que consiste em substituir uma coisa por outra, n√£o tanto no esfor√ßo de chegar √† segunda como no intento de esquivar a primeira. A met√°fora escamoteia um objecto mascarando-o por meio de outro, e n√£o teria sentido se n√£o v√≠ssemos nela um instinto que induz o homem a evitar as realidades.
Ao interrogar-se sobre qual poderia ser a origem da metáfora, um psicólogo recentemente descobriu, surpreendido, que uma das suas raízes se encontra no espírito do tabu. Houve uma época em que o medo foi a máxima inspiração humana,

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Soneto Do Breve Momento

Plumas de ninhos em teus seios; urnas
De rubras flores em teu ventre; flores
Por todo corpo teu, terso das dores
De primaveras loucas e noturnas.

P√Ęntanos vegetais em tuas pernas
A fremir de serpentes e de sa√ļrios
Itinerantes pelos multiv√°rios
Rios de √°guas est√°ticas e eternas.

Feras bramindo nas estepes frias
De tuas brancas n√°degas vazias
Como um deserto transmudado em neve.

E em meio a essa inumana fauna e flora
Eu, nu e só, a ouvir o Homem que chora
A vida e a morte no momento breve.

Contrariamente ao que sup√Ķe uma √≥ptica inocente e folhetinesca, o poder n√£o √© tanto uma quest√£o de punhos quanto de n√°degas.

Quando Me Ergui Ela Dormia, Nua

Quando me ergui ela dormia, nua
E sorria, em seu sono desmaiada
Tinha a face longínqua e iluminada
E alto, sseu sexo sugava a Lua.

Toquei-a, ela fremiu, gemeu, na sua
Doce fala, e bateu a mão alçada
No ar, e foi deix√°-la de guardada
Sob a n√°dega fria, forte e crua

T√£o louca a minha amiga, linda e louca
Minha amiga, em seu branco devaneio
De mim, eu de amor pouco e vida pouca

Mas que tinha deixado sem receio
Um segredo de carne em sua boca
E uma gota de leite no seu seio

O Amor entre o Trigo

Cheguei ao acampamento dos Hern√°ndez antes do meio-dia, fresco e alegre. A minha cavalgada solit√°ria pelos caminhos desertos, o repouso do sono, tudo isso refulgia na minha taciturna juventude.
A debulha do trigo, da aveia, da cevada, fazia-se ainda com éguas. Nada no mundo é mais alegre que ver rodopiar as éguas, trotando à volta do calcadouro do cereal, sob o grito espicaçante dos cavaleiros. Brilhava um sol esplêndido e o ar era um diamante silvestre que fazia brilhar as montanhas. A debulha é uma festa de ouro. A palha amarela acumula-se em montanhas douradas. Tudo é actividade e bulício, sacos que correm e se enchem, mulheres que cozinham, cavalos que tomam o freio nos dentes, cães que ladram, crianças que a cada momento é preciso livrar, como se fossem frutos da palha, das patas dos cavalos.

Oe Hernández eram uma tribo singular. Os homens, despenteados e por barbear, em mangas de camisa e com revólver à cinta, andavam quase sempre besuntados de óleo, de poeiras, de lama, ou molhados até aos ossos pela chuva. Pais, filhos, sobrinhos, primos, eram todos da mesma catadura. Estavam horas inteiras ocupados debaixo de um motor, em cima de um tecto,

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N√£o se Pode Mandar Contrariando a Opini√£o P√ļblica

A verdade √© que n√£o se manda com os jan√≠zaros. Assim, dizia Talleyrand a Napole√£o: ¬ęCom as baionetas, Sire, pode-se fazer tudo, menos uma coisa: sentar-se sobre elas¬Ľ. E mandar n√£o √© atitude de arrebatar o poder, mas tranquilo exerc√≠cio dele. Em suma, mandar √© sentar-se. Trono, cadeira curul, banco azul, poltrona ministerial, sede. Contra o que uma √≥ptica inocente e folhetinesca sup√Ķe, o mandar n√£o √© tanto quest√£o de punhos como de n√°degas. O Estado √©, em definitivo, o estado da opini√£o: uma situa√ß√£o de equil√≠brio, de est√°tica.
O que sucede √© que √†s vezes a opini√£o p√ļblica n√£o existe. Uma sociedade dividida em grupos discrepantes, cuja for√ßa de opini√£o fica reciprocamente anulada, n√£o d√° lugar a que se constitua um mando. E como a Natureza tem horror ao v√°cuo, esse oco que deixa a for√ßa ausente de opini√£o p√ļblica enche-se com a for√ßa bruta. Em suma, pois, avan√ßa esta como substituta daquela.
Por isso, se se quer expressar com toda a precis√£o a lei da opini√£o p√ļblica como lei da gravita√ß√£o hist√≥rica, conv√©m ter em conta esses casos de aus√™ncia, e ent√£o chega-se a uma f√≥rmula que √© o conhecido, vener√°vel e ver√≠dico lugar comum: n√£o se pode mandar contrariando a opini√£o p√ļblica.

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