Passagens sobre Ninhos

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Frases sobre ninhos, poemas sobre ninhos e outras passagens sobre ninhos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Conversa Nunca é Imparcial

√Č espantoso qu√£o f√°cil e rapidamente a homogeneidade ou a heterogeneidade de esp√≠rito e de √Ęnimo entre os homens se faz manifesta na conversa√ß√£o: ela torna-se sens√≠vel √† menor situa√ß√£o. Entre duas pessoas de natureza substancialmente heterog√©nea, que conversam sobre os assuntos mais estranhos e indiferentes, cada frase de uma desagradar√° mais ou menos √† outra, em muitos casos irritar√°. Naturezas homog√©neas, pelo contr√°rio, sentem de imediato, em tudo, uma certa concord√Ęncia, que, tratando-se de grande homogeneidade, logo converge para a harmonia perfeita, para o un√≠ssono.
A partir disso, explica-se, em primeiro lugar, porque os tipos ordin√°rios s√£o t√£o soci√°veis e em qualquer lugar encontram boa companhia com tanta facilidade – gente estimada, am√°vel e honesta. Com os indiv√≠duos incomuns acontece o contr√°rio, e tanto mais quanto mais distintos forem, de tal maneira que, de tempos em tempos, no seu isolamento, podem alegrar-se por terem descoberto em algu√©m, uma fibra, por menor que seja, homog√©nea √† sua! De facto, cada um s√≥ pode ser para outrem o que este √© para ele. Esp√≠ritos verdadeiramente eminentes fazem o seu ninho nas alturas, como as √°guias, solit√°rios. Em segundo lugar, isso explica por que os indiv√≠duos de disposi√ß√£o igual se re√ļnem de imediato,

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Soneto XXXX

Num seco ramo, n√ļ de fruto e folha,
Ua queixosa rola geme e sente
Do casto ninho seu parceiro ausente,
E vê-lo a cada sombra se lhe antolha.

Dali dece a ua fonte onde recolha
Algum alento, e porque n√£o consente
A dor ver √°gua clara, juntamente
A envolve c’os p√©s e o bico molha.

Se ausência e amor sentida a rola tem,
Que nem de ausência, nem de amor conhece,
Em quem pesar nem sentimento cabe,

Que far√£o em quem sente o que padece
Quem de seu mal conhece, e de seu bem
Temo que venha a n√£o sentir, e acabe.

À Memória De Uma Ave

Quando morre uma criança,
Diz-se que o p√°lido anjinho
Voou como uma esperança.
Foi para o céu direitinho.

Mas nossa mente se cansa
A voar de ninho em ninho,
Interrogando a lembrança,
Quando morre um passarinho.

Só eu, se alguém diz que a vida
De uma avesinha querida
Se extingue como um clar√£o.

Ponho-me a rir, pois, divina!
Ouço cantar, em surdina,
Tu’alma em meu cora√ß√£o.

A Morte o Amor a Vida

Julguei que podia quebrar a profundeza a
[imensidade
Com o meu desgosto nu sem contacto sem eco
Estendi-me na minha pris√£o de portas virgens
Como um morto razo√°vel que soube morrer
Um morto cercado apenas pelo seu nada
Estendi-me sobre as vagas absurdas
Do veneno absorvido por amor da cinza
A solid√£o pareceu-me mais viva que o sangue

Queria desunir a vida
Queria partilhar a morte com a morte
Entregar meu coração ao vazio e o vazio à vida
Apagar tudo que nada houvesse nem o vidro
[nem o orvalho
Nada nem à frente nem atrás nada inteiro
Havia eliminado o gelo das m√£os postas
Havia eliminado a invernal ossatura
Do voto de viver que se anula

Tu vieste o fogo ent√£o reanimou-se
A sombra cedeu o frio de baixo iluminou-se de
[estrelas
E a terra cobriu-se
Da tua carne clara e eu senti-me leve
Vieste a solid√£o fora vencida
Eu tinha um guia na terra
Sabia conduzir-me sabia-me desmedido
Avançava ganhava espaço e tempo
Caminhava para ti dirigia-me incessantemente
[para a luz
A vida tinha um corpo a esperança desfraldava
[as suas velas
O sono transbordava de sonhos e a noite
Prometia à aurora olhares confiantes
Os raios dos teus braços entreabriam o nevoeiro
A tua boca estava h√ļmida dos primeiros orvalhos
O repouso deslumbrado substituía a fadiga
E eu adorava o amor como nos meus primeiros
[tempos

Os campos est√£o lavrados as f√°bricas irradiam
E o trigo faz o seu ninho numa vaga enorme
A seara e a vindima t√™m in√ļmeras testemunhas
Nada é simples nem singular
O mar espelha-se nos olhos do céu ou da noite

A floresta dá segurança às árvores
E as paredes das casas têm uma pele comum
E as estradas cruzam-se sempre
Os homens nasceram para se entenderem
Para se compreenderem para se amarem
Têm filhos que se tornarão pais dos homens
Têm filhos sem eira nem beira
Que h√£o-de reinventar o fogo
Que h√£o-de reinventar os homens
E a natureza e a sua p√°tria
A de todos os homens
A de todos os tempos.

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Marília

√ď Mar√≠lia! √ď Dirceu! Eram dois ninhos
Os vossos cora√ß√Ķes, ninhos de flores;
Mas, entre os quais, sentíeis os rigores
Lacerantes de incógnitos espinhos;

Tremiam, como em fl√°cidos arminhos,
Promiscuamente, neles os amores,
As saudades, os c√Ęnticos, as dores,
Como uma multid√£o de passarinhos…

O sulco profundíssimo que traça
Nos cora√ß√Ķes amantes a desgra√ßa,
Ambos nos cora√ß√Ķes tra√ßados vistes,

Quando os vossos olhares, no momento,
Cruzaram-se, do negro afastamento,
Marejados de l√°grimas e tristes…

Soneto Ao Nosso Encontro

Desenrolam-se as curvas do caminho
√† propor√ß√£o que aos poucos avan√ßamos…
Um dia, – e eu vinha ent√£o triste e sozinho,
– um dia, – vinhas s√≥… nos encontramos…

Desde esse dia, juntos, simulamos
duas asas de um mesmo passarinho,
Рnesse destino que entrançou dois ramos
que d√£o a mesma flor… e o mesmo espinho…

Depois de tantas curvas j√° vencidas
que sejamos ao fim de nossas vidas
na perfeição do amor que nos conduz,

Рcomo a folhagem que um só ninho esconde,
ou dois galhos que vêm da mesma fronde
para juntos morrer na mesma cruz!

Baladas Rom√Ęnticas – Verde…

Como era verde este caminho!
Que calmo o céu! que verde o mar!
E, entre fest√Ķes, de ninho em ninho,
A Primavera a gorjear!…
Inda me exalta, como um vinho,
Esta fatal recordação!
Secou a flor, ficou o espinho…
Como me pesa a solid√£o!

√ďrf√£o de amor e de carinho,
√ďrf√£o da luz do teu olhar,
РVerde também, verde-marinho,
Que eu nunca mais hei de olvidar!
Sob a camisa, alva de linho,
Te palpitava o cora√ß√£o…
Ai! coração! peno e definho,
Longe de ti, na solid√£o!

Oh! tu, mais branca do que o arminho,
Mais p√°lida do que o luar!
– Da sepultura me avizinho,
Sempre que volto a este lugar…
E digo a cada passarinho:
“N√£o cantes mais! que essa can√ß√£o
Vem me lembrar que estou sozinho,
No ex√≠lio desta solid√£o!”

No teu jardim, que desalinho!
Que falta faz a tua m√£o!
Como inda √© verde este caminho…
Mas como o afeia a solid√£o!

Realidade

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura p√°lida do linho.

Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,
E a minha cabeleira desatada
P√īs a teus p√©s a sombra dum caminho.

Minhas p√°lpebras s√£o cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci…

Tens sido vida fora o meu desejo,
E agora, que te falo, que te vejo,
N√£o sei se te encontrei, se te perdi…

Os Figos Pretos

РVerdes figueiras soluçantes nos caminhos!
Vós sois odiadas desde os seculos avós:
Em vossos galhos nunca as aves fazem ninhos,
Os noivos fogem de se amar ao pé de vós!

– √ď verdes figueiras! √≥ verdes figueiras
Deixae-o fallar!
√Ā vossa sombrinha, nas tardes fagueiras,
Que bom que é amar!

– O mundo odeia-vos. Ninguem nos quer, vos ama:
Os paes transmittem pelo sangue esse odio aos moços.
No sitio onde medraes, ha quazi sempre lama
E debruçaes-vos sobre abysmos, sobre poços.

– Quando eu for defunta para os esqueletos,
Ponde uma ao meu lado:
Tristinha, chorando, dar√† figos pretos…
De luto pezado!

– Os alde√Ķes para evitar vosso perfume
Sua respira√ß√£o suspendem, ao passar…
Com vossa lenha n√£o se accende, √° noite, o lume,
Os carpinteiros n√£o vos querem aplainar.

– Oh cheiro de figos, melhor que o do incenso
Que incensa o Senhor!
Podesse eu, quem dera! deital-o no lenço
Para o meu amor…

– As outras arvores n√£o s√£o vossas amigas…
M√£os espalmadas, estendidas, supplicantes,

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O Céu e o Ninho

√Čs ao mesmo tempo o c√©u e o ninho.

Meu belo amigo, aqui no ninho,
o teu amor prende a alma
com mil cores,
cores e m√ļsicas.

Chega a manh√£,
trazendo na m√£o a cesta de oiro,
com a grinalda da formosura,
para coroar a terra em silêncio!

Chega a noite pelas veredas n√£o andadas
dos prados solit√°rios,
j√° abandonados pelos rebanhos!
Traz, na sua bilha de oiro,
a fresca bebida da paz,
recolhida
no mar ocidental do descanso.

Mas onde o céu infinito se abre,
para que a alma possa voar,
reina a branca claridade imaculada.
Ali n√£o h√° dia nem noite,
nem forma, nem cor,
nem sequer nunca, nunca,
uma palavra!

Tradu√ß√£o de Manuel Sim√Ķes

Caminho Do Sert√£o

A meu irm√£o Jo√£o Cancio

Tão longe a casa! Nem sequer alcanço
Vê-la através da mata. Nos caminhos
A sombra desce; e, sem achar descanso,
Vamos nós dois, meu pobre irmão, sozinhos!

√Č noite j√°. Como em feliz remanso,
Dormem as aves nos pequenos ninhos…
Vamos mais devagar… de manso e manso,
Para n√£o assustar os passarinhos.

Brilham estrelas. Todo o céu parece
Rezar de joelhos a chorosa prece
Que a Noite ensina ao desespero e a dor…

Ao longe, a Lua vem dourando a treva…
Turíbulo imenso para Deus eleva
O incenso agreste da jurema em flor.

Hoje

Fiz anos hoje… Quero ver agora
Se este sofrer que me atormenta tanto
Me n√£o deixa lembrar a paz, o encanto,
A doce luz de meu viver de outr’ora.

Tão moça e mártir! Não conheço aurora,
Foge-me a vida no correr do pranto,
Bem como a nota de choroso canto
Que a noite leva pelo espaço em fora.

Minh’alma voa aos sonhos do passado,
Em busca sempre d’esse ninho amado
Onde pousava cheia de alegria.

Mas, de repente, num pavor de morte,
Sente cortar-lhe o v√īo a m√£o da sorte…
Minha ventura só durou um dia.

D√≠vidas de amor s√≥ as paga o amor, o amor silencioso, o amor cuja linguagem balbuciam os anjos, o amor, que faz seu ninho nas fibras √≠ntimas do seio, e a√≠ morre, quando o peso de uma pedra fria lhe esmaga o santo asilo. (…) √Č esse amor que impele o homem; todos os c√°lculos da cabe√ßa abortam, n√£o vingam, se os n√£o sancciona o benepl√°cito da for√ßa motriz, que roda os eixos desta m√°quina quebradi√ßa, chamada vida.

Flores Velhas

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um v√īo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.

Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibra√ß√Ķes, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.

Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados…

Eu, por n√£o ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decep√ß√Ķes e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

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Natal

1

A voz clamava no Deserto.

E outra Voz mais suave,
Lírio a abrir, esvoaçar incerto,
Tímido e alvente, de ave
Que larga o ninho, melodia
Nascente, docemente,
Uma outra Voz se erguia…

A voz clamava no Deserto…

Anunciando
A outra Voz que vinha:
Balbuciar de fonte pequenina,
Dando
√Ä luz da Terra o seu primeiro beijo…
Inef√°vel an√ļncio, dealbando
Entre as estrelas moribundas.

2

Das entranhas profundas
Do Mundo, eco do Verbo, a profecia,
– √Ä dist√Ęncia de S√©culos, – dizia,
Pressentia
Fragor de sismos, o dum mundo ruindo,
Redimindo
Os c√°rceres do mundo…

A voz dura e ardente
Clamava no Deserto…

Natal de Primavera,
A nova Luz nascera.
Voz do céu, Luz radiante,
Mais humana e mais doce
E irm√£ dos Poetas
Que a voz trovejante
Dos profetas
Solit√°rios.

3

A divina alvorada
Trazia
Lírios no regaço
E rosas.
Natal. Primeiro passo
Da secular Jornada,
Era um canto de Amor
A anunciar Calv√°rios,

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Ninho Abandonado

À distinta família Simas, pela morte de seu chefe,
o Ilmo. Sr. Jo√£o da Silva Simas.

O vosso lar harm√īnico e tranq√ľilo
Era um ninho de luz e de esperanças
Que como abelhas iriadas, mansas,
Nos vossos cora√ß√Ķes tinham asilo.

Havia lá por dentro tanta crença
E tanto amor puríssimo, cantando,
Que parecia um largo sol faiscando
Por majestosa catedral imensa.

Agora o ninho est√° desamparado!
Sumiu-se dele o p√°ssaro adorado,
O mais ideal dos p√°ssaros do ninho.

N√£o se ouve mais a m√ļsica sonora
Da sua voz — dentro do ninho, agora,
Paira a saudade como um bom carinho.