Passagens sobre Ninhos

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Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
√Č sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as m√£os, Amor, devagarinho…
como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho…

Beija-mas bem!…Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas m√£os,
Os beijos que sonhei pr√° minha boca!…

Nunca Estamos Contentes

J√° ouvistes dizer: ¬ęNinho feito, pega morta¬Ľ. Que me dizeis ao contentamento do mundo, onde toda a dura√ß√£o dele est√° enquanto se alcan√ßa? Porque, acabado de passar, acabado de esquecer. E com raz√£o, porque, acabado de alcan√ßar, √© passado; e maior saudade deixa do que √© o contentamento que deu. Esperai, por me fazer merc√™, que lhe quero dar umas palavrinhas de prop√≥sito:

Mundo, se te conhecemos,
porque tanto desejamos
teus enganos?
E, se assim te queremos,
muito sem causa nos queixamos
de teus danos.

Tu não enganas ninguém,
pois a quem te desejar
vemos que danas;
se te querem qual te vem,
se se querem enganar,
ninguém enganas.

Vejam-se os bens que tiveram
os que mais em alcançar-te
se esmeraram;
que uns, vivendo, n√£o viveram,
e os outros, só com deixar-te,
descansaram.

E se esta tão clara fé
te aclara teus enganos,
desengana ;
sobejamente mal vê
quem, com tantos desenganos,
se engana.

Mas como tu sempre morres
no engano em que andamos e que vemos,
n√£o cremos o que tu podes,

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Velha P√°gina

Chove. Que m√°goa l√° fora!
Que m√°goa! Embruscam-se os ares
Sobre este rio que chora
Velhos e eternos pesares.

E sinto o que a terra sente
E a tristeza que diviso,
Eu, de teus olhos ausente,
Ausente de teu sorriso…

As asas loucas abrindo,
Meus versos, num longo anseio,
Morrer√£o, sem que, sorrindo,
Possa acolhê-los teu seio!

Ah! quem mandou que fizesses
Minh’alma da tua escrava,
E ouvisses as minhas preces,
Chorando como eu chorava?

Por que é que um dia me ouviste,
Tão pálida e alvoroçada,
E, como quem ama, triste,
Como quem ama, calada?

Tu tens um nome celeste…
Quem é do céu é sensível!
Por que é que me não disseste
Toda a verdade terrível?

Por que, fugindo impiedosa,
Desertas o nosso ninho?
– Era t√£o bela esta rosa!…
J√° me tardava este espinho!

Fora melhor, porventura,
Ficar no antigo degredo
Que conhecer a ventura
Para perdê-la tão cedo!

Por que me ouviste, enxugando
O pranto das minhas faces?

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Soneto XXV

O nosso ninho, a nossa casa, aquela
nossa despretensiosa √°gua-furtada,
tinha sempre ger√Ęnios na sacada
e cortinas de tule na janela.

Dentro, rendas, cristais, flores… Em cada
canto, a m√£o da mulher amada e bela
punha um riso de graça. Tagarela,
teu cenário cantava à minha entrada.

Cantava… E eu te entrevia, √† luz incerta,
braços cruzados, muito branca, ao fundo,
no quadro claro da janela aberta.

Vias-me. E ent√£o, num s√ļbito tremor,
fechavas a janela para o mundo
e me abrias os braços para o amor!

Despondency

Deix√°-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade…
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram…

Deix√°-la ir, a vela, que arrojaram
Os tuf√Ķes pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul levantaram…

Deix√°-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
√Ä morte queda, √† morte silenciosa…

Deix√°-la ir, a nota desprendida
D’um canto extremo… e a √ļltima esperan√ßa…
E a vida… e o amor… Deix√°-la ir, a vida!

√öltima P√°gina

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me… e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
√ď Laura, a vez primeira em que nos abra√ßamos…

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus l√°bios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor…

Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?
Passas as esta√ß√Ķes e passam as mulheres…
E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!

Renascimento

A Oleg√°ria Siqueira

Manhã de rosas. Lá no etéreo manto,
O sol derrama l√ļcidos fulgores,
E eu vou cantando pela estrada, enquanto
Riem crianças e desabrocham flores.

Quero viver! H√° quanto tempo, quanto!
N√£o venho ouvir na selva os trovadores!
Quero sentir este consolo santo
De quem, voltando à vida, esquece as dores.

Ouves, minh’alma? Que prazer no ninhos!
Como é suave a voz dos passarinhos
Neste tranq√ľilo e pl√°cido deserto!

Ah! entre os risos da Natura em festa,
Entoa o hino da alegria honesta,
Canta o Te Deum, meu coração liberto!

A Acção é o Segredo da Felicidade

Felicidade √© a plena expans√£o dos instintos – e isso confunde-se com mocidade. Para a maioria dos homens, √© o √ļnico per√≠odo da vida em que realmente vivemos; depois dos quarenta anos tudo s√£o reminisc√™ncias, cinzas do que j√° foi chama. A trag√©dia da vida est√° em que s√≥ nos vem a sabedoria quando a mocidade se afasta.
A sa√ļde est√° na ac√ß√£o e portanto a sa√ļde enfeita a mocidade. Ocupar-se sem parar √© o segredo da gra√ßa e metade do segredo do contentamento. N√£o pe√ßas aos deuses riquezas – e sim coisas para fazer.
Na Utopia, disse Thoreau, cada criatura construir√° a sua pr√≥pria casa – e o canto brotar√° espont√Ęneo do cora√ß√£o do homem, como brota do p√°ssaro que constr√≥i o ninho. Mas se n√£o podemos construir a nossa casa, podemos, pelo menos, andar, pular, saltar, correr – velho √© quem apenas assiste a isso. Brinquemos √© t√£o bom como Rezemos – e de resultados mais seguros. Por isso a mocidade tem muita raz√£o em preferir os campos desportivos √†s salas de aula – e em colocar o futebol acima da filosofia.

Cuidado!

√ď namorados que passais, sonhando,
quando bóia, no céu, a lua cheia!
Que andais tra√ßando cora√ß√Ķes na areia
e cora√ß√Ķes nos peitos apagando!

Desperta os ninhos vosso passo… E quando
pelas bocas em flor o amor chilreia,
nem sei se é o vosso beijo que gorjeia,
se s√£o as aves que se est√£o beijando…

Mais cuidado! N√£o v√° vossa alegria
afligir tanta gente que seria
feliz sem nunca ouvir nem nunca ver!

Poupai a ingenuidade delicada
dos que amaram sem nunca dizer nada,
dos que foram amados sem saber!

Riqueza Ilimitada mas Mortal

Eu n√£o posso, pensando bem, descobrir como √© poss√≠vel a n√≥s, que demos tanta import√Ęncia √† riqueza ilimitada e que, para falar a verdade, a divinizamos, n√£o admitir nas nossas almas os males que crescem com ela. Acompanha, com efeito, a riqueza sem medida e sem cora√ß√£o, ligada a ela, e como se diz marchando no mesmo passo, a prodigalidade, e √† medida que a riqueza abre o acesso √†s cidades e √†s casas ela entra junto e coabita. Depois, com o tempo, segundo os s√°bios, esses seres fazem os seus ninhos nas vidas humanas e rapidamente engendram outros seres, no momento da procria√ß√£o, como a cupidez, o orgulho e a lux√ļria, que n√£o s√£o seus bastardos mas filhos leg√≠timos.
Mas se permitir que esses filhos da riqueza avancem na idade, logo para as almas eles engendrar√£o tiranos inexor√°veis, a viol√™ncia, a ilegalidade e a imprud√™ncia. Pois √© assim necessariamente; os homens n√£o olham mais para o alto e n√£o d√£o import√Ęncia ao renome na posteridade, mas a destrui√ß√£o das vidas (dos homens) completa-se pouco a pouco num tal ciclo e a grandeza das almas fenece, enfraquece e n√£o √© mais assunto de emula√ß√£o, quando se reserva a sua admira√ß√£o √†s partes mortais de si mesmo,

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√Čs como o Ar que Respiro

Qual √© a for√ßa extraordin√°ria que possuis? ‚ÄĒ pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou tr√™s princ√≠pios crist√£os inabal√°veis ‚ÄĒ e por tr√°s milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os p√°ssaros aquecem o ninho. Sua vida d√° luz, para alumiar os outros. Foi assim com t√£o pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com sil√™ncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos √°geis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.

E como tu milhares de seres t√™em cumprido a vida em sil√™ncio, aceitando-a sem exageros. Nas m√£os das mulheres at√© as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o p√£o, lan√ßar a teia ‚ÄĒ assumem um car√°cter sagrado. Elas passam desconhecidas e disp√Ķem dum poder extraordin√°rio. Mant√™em a vida ordenada com um sorriso t√≠mido. A mulher est√° mais perto que n√≥s da natureza e de Deus.

Cada vez me aproximo mais de ti. O que h√° de puro em mim a ti o devo.

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Iniciação ao Diálogo

I

De início bastará que olhes mais vezes
na mesma direcção hoje evitada
(estandartes nos olhos s√£o mais leves
do que no coração duros tambores),
ainda que o teu olhar próprio não rompa
as lajes de ódio com que te muraste.

II

O vento e chuva e tempo, sobre a pedra
passando sempre, h√£o-de gast√°-la: um dia,
antes que a obture o musgo ou algum p√°ssaro
aí faça o ninho fofo, encontrarás,
entre o lado que afirmas teu e o outro,
uma r√©stia de azul ‚ÄĒ o azul de todos.

III

Talvez rumor de passos, para além
do muro atravessado aos teus des√≠gnios…
N√£o por√°s terra onde se p√īs o c√©u:
ver o que diz o ouvido agora queres,
e onde a rocha fendeu-se cabe um olho
humano e mais a boca do fuzil.

IV

Provando fr√°gil o que acreditavas
inexpugn√°vel, eis que em ti se fixam
atentos outro olho e outro fuzil!

V

Contemplador e contemplado, hesitas
aprendendo na espera o inesperado:
lares como os que tens,

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Como os ninhos, que s√£o a casa da ave, e que todos diferem consoante a ave que o fabricou e o habita, a casa do homem reproduz com fidelidade a vida, a ocupa√ß√£o, o car√°cter, o sentimento dos moradores. Toda a casa tem, como os donos, uma fisionomia especial, que as gera√ß√Ķes lhe imprimiram.

Quem √© que pode parar os caminhos? E os rios cantando e correndo? E as folhas ao vento? E os ninhos? E a poesia? A poesia como um seio nascendo…

À Variedade do Mundo

Este nasce, outro morre, acol√° soa
Um ribeiro que corre, aqui suave,
Um rouxinol se queixa brando e grave,
Um le√£o c’o rugido o monte atroa.

Aqui corre uma fera, acol√° voa
C’o gr√£ozinho na boca ao ninho √ľa ave,
Um demba o edifício, outro ergue a trave,
Um caça, outro pesca, outro enferoa.

Um nas armas se alista, outro as pendura
An soberbo Ministro aquele adora,
Outro segue do Paço a sombra amada,

Este muda de amor, aquele atura.
Do bem, de que um se alegra, o outro chora…
Oh mundo, oh sombra, oh zombaria, oh nada!

Vita Nuova

De onde e veio esse tremor de ninho
A alvorecer na morta madrugada?
Era todo o meu ser… N√£o era nada,
Sen√£o na pele a sombra de um carinho.

Ah, bem velho carinho! Um desalinho
De dedos tontos no painel da escada…
Batia a minha cor multiplicada,
– Era o sangue de Deus mudado em vinho!

Bandeiras tatalavam no alto mastro
Do meu desejo. No fervor da espera
Clareou √† dist√Ęncia o s√ļbito alabastro.

E na memória, em nova primavera,
Revivesceu, candente como um astro,
A flor do sonho, o sonho da quimera.

Campesinas IV

Através das romãzeiras
E dos pomares floridos
Ouvem-se as vezes ruídos
E bater d’asas ligeiras.

S√£o as aves forasteiras
Que dos seus ninhos queridos
Vêm dar ali os gemidos
Das ilus√Ķes passageiras.

Vêm sonhar leves quimeras,
Idílios de primaveras,
Contar os risos e os males.

Vêm chorar um seio de ave
Perdida pela suave
Carícia verde dos vales.

O Segredo é Amar

O segredo é amar. Amar a Vida
com tudo o que há de bom e mau em nós.
Amar a hora breve e apetecida,
ouvir os sons em cada voz
e ver todos os céus em cada olhar.

Amar por mil raz√Ķes e sem raz√£o.
Amar, só por amar,
com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade
e ver, na própria sombra, claridade.

O segredo é amar, mas amar com prazer,
sem limites, fronteiras, horizonte.
Beber em cada fonte,
florir em cada flor,
nascer em cada ninho,
sorver a terra inteira como o vinho.

Amar o ramo em flor que h√°-de nascer,
de cada obscura, tímida raiz.
Amar em cada pedra, em cada ser,
S. Francisco de Assis.

Amar o tronco, a folha verde,
amar cada alegria, cada m√°goa,
pois um beijo de amor jamais se perde
e cedo refloresce em p√£o, em √°gua!