Cita√ß√Ķes sobre Orgia

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Frases sobre orgia, poemas sobre orgia e outras cita√ß√Ķes sobre orgia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Carta (a um Amigo que me Pediu Versos)

Como hei-de ser um Petrarca,
Cantar como um rouxinol,
Se o meu termómetro marca
Quarenta e dois graus ao sol!

Da lira b√°rbara e tosca
Nem saem trovas d’Alfama.
Enxota o Pégaso a mosca,
E eu durmo a sesta na cama.

A hipocondria maciça
Conduzo-a, não há remédio,
Na jumenta da preguiça
Pelas charnecas do tédio.

Eu trago a inspiração oca,
Ando abatido, ando mono;
Meus versos abrem a boca,
Como os porteiros com sono.

N√£o tenho a rima imprevista,
Os guizos d’oiro ou de opala,
Que à asa da estrofe o artista
Sublime prende ao larg√°-la.

P’ra lapidar √† vontade
Um belo verso radiante,
Falta-me a tenacidade,
Que é como o pó do diamante.

A musa foi-se-me embora;
Para onde foi nem me lembro;
Só a torno a ver agora
L√° para os fins de Setembro.

Anda talvez nas florestas
Fazendo orgias pag√£s,
Entre os aromas das giestas
E os braços dos Egipãs.

Deix√°-la andar l√° dois meses
Colhendo imagens e flores,

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Depois Da Orgia

O prazer que na orgia a hetaíra goza
Produz no meu sensorium de bacante
O efeito de uma t√ļnica brilhante
Cobrindo ampla apostema escrofulosa!

Troveja! E anelo ter, s√īfrega e ansiosa,
O sistema nervoso de um gigante
Para sofrer na minha carne estuante
A dor da força cósmica furiosa.

Apraz-me, enfim, despindo a √ļltima alfaia
Que ao comércio dos homens me traz presa,
Livre deste cadeado de peçonha,

Semelhante a um cachorro de atalaia
√Äs decomposi√ß√Ķes da Natureza,
Ficar latindo minha dor medonha!

Ins√Ęnia De Um Simples

Em cismas patológicas insanas,
√Č-me grato adstringir-me, na hierarquia
Das formas vivas, à categoria
Das organiza√ß√Ķes liliputianas;

Ser semelhante aos zoófitos e às lianas,
Ter o destino de uma larva fria,
Deixar enfim na cloaca mais sombria
Este feixe de células humanas!

E enquanto arremedando Eolo iracundo,
Na orgia heliogab√°lica do mundo,
Ganem todos os vícios de uma vez,

Apraz-me, adstricto ao tri√Ęngulo mesquinho
De um delta humilde, apodrecer sozinho
No silêncio de minha pequenez!

O Vinho De Hebe

Quando do Olimpo nos festins surgia
Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia…

A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e pródiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa ta√ßa estendemos-lhe, vazia…

E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa…
Passa, e n√£o torna atr√°s o seu caminho.

Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tímidos ressábios,
Como recorda√ß√Ķes daquele vinho.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Liberta

Noutros cen√°rios a minha alma vive!
Outros caminhos…
Por outras luzes iluminada!
– Eu vim daquele mundo onde estive
tanto tempo emparedada…

Andavam de negro
As minhas horas…
A esquecer-me da vida –
N√£o me encontrava!
Meus sonhos amortalhados
Em crep√ļsculo,
A noite n√£o os levava!

………………………..

Um entardecer triste e doloroso
Enrubesceu o céu!
E o meu olhar ansioso
Fundiu-se no teu!

………………………..

E as tuas lindas m√£os,
Esguias e nevróticas,
Pintam-me telas rubras
Bizarras e exóticas
De largos horizontes…

………………………..

Hoje, ergue-me a √Ęnsia enorme
De outras horas viver!
– Sensualizando a vida,
Descobrindo novas fontes
De dor e de prazer…

– Orgias de estranha cor
de que tu fosses somente
o extraordin√°rio inventor!

O Abraço

O abra√ßo. O abra√ßo que parece estar a acabar. O abra√ßo raro, o abra√ßo verdadeiro. Da m√£e que recebe o filho, da mulher que recebe o marido, do amigo que recebe o amigo. O abra√ßo que n√£o se pensa, que n√£o se imagina. O abra√ßo que n√£o √©; o abra√ßo que tem de ser. O abra√ßo que serve para viver. O abra√ßo que acontece ‚Äď e que n√£o se esquece. Um dia hei-de passar todo o dia a ensinar o abra√ßo. A visitar as escolas e a explicar que abra√ßar n√£o √© dois corpos unidos e apertados pelos bra√ßos. Abra√ßar √© dois instantes que se fundem por dentro do que une dois corpos. Abra√ßar √© um orgasmo de vida, um cl√≠max de partilha ‚Äď uma orgia de gente. Abra√ßar √© fechar os olhos e abrir a alma, apertar os m√ļsculos e libertar o sonho. Abra√ßar √© fazer de conta que se √© her√≥i ‚Äď e s√™-lo mesmo. Porque nada √© mais her√≥ico do que um abra√ßo que se deixa ser. Porque nada √© mais her√≥ico do que ter a coragem de abra√ßar, em frente do mundo, em frente da dor, em frente do fim, em frente da derrota. Abra√ßar √© a vit√≥ria do homem sobre o homem,

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M√°rio

Entre meditabundo e sonolento
Sobre a fofa delícia da almofada
Ele vai perseguindo na jornada
Através do Ottocento e o Novecento

N√£o o tires dali que d√° pancada
Todo o resto prá ele é sofrimento
Vai colhendo da flor do pensamento
Toda a filosofia desejada

Só abandona voluntário o élan
Para o banho de poço da manhã
“Mens sana…” disse Fran√ßois Leblon

E às vezes, Carnaval, diz na folia
E passeia porrado pela orgia
Sob o signo pag√£o do rei Mammon.

4A Sombra РFabíola

Como teu riso d√≥i… como na treva
Os lêmures respondem no infinito:
Tens o aspecto do p√°ssaro maldito,
Que em s√Ęnie de cad√°veres se ceva!

Filha da noite! A ventania leva
Um solu√ßo de amor pungente, aflito…
Fab√≠ola!… √Č teu nome!… Escuta √© um grito,
Que lacerante para os c√©us s’eleva!…

E tu folgas, Bacante dos amores,
E a orgia que a mantilha te arregaça,
Enche a noite de horror, de mais horrores…

√Č sangue, que referve-te na ta√ßa!
√Č sangue, que borrifa-te estas flores!
E este sangue √© meu sangue… √© meu… Desgra√ßa!

Quia Aeternus

(A Joaquim de Ara√ļjo)

Não morreste, por mais que o brade à gente
Uma orgulhosa e v√£ filosofia…
N√£o se sacode assim t√£o facilmente
O jugo da divina tirania!

Clamam em v√£o, e esse triunfo ingente
Com que a Raz√£o ‚ÄĒ coitada! ‚ÄĒ se inebria,
√Č nova forma, apenas, mais pungente,
Da tua eterna, tr√°gica ironia.

N√£o, n√£o morreste, espectro! o Pensamento
Como d’antes te encara, e √©s o tormento
De quantos sobre os livros desfalecem.

E os que folgam na orgia ímpia e devassa
Ai! quantas vezes ao erguer a taça,
Param, e estremecendo, empalidecem!

Hora Vermelha

Por que vieste, pensamento?
J√° me bastava o Mar violento,
Já me bastava o Sol que ardia…
P’los meus sentidos escorria
n√£o sei l√° bem que seiva forte
que a carne toda me deixava
qual uma flor ou uma lava
num riso aberto contra a Morte.

J√° me bastava tudo isto.
Mas tu vieste, pensamento,
e vieste duro, turbulento.
Vieste com formas e com sangue:
erectos seios de mulher,
as carnes róseas como frutos.

Boca rasgada num pedido
a que se quer e se n√£o quer
dizer que n√£o.
Os braços longos estendidos.
A m√£o em concha sobre o sexo
que nem a V√©nus de Cam√Ķes.

Aí!, pensamento,
deixa-me a calma da Poesia!
Aqui na praia só com ela,
virgem castíssima, sincera!…
Sua m√£o branca saberia
chamar cordeiro ao Mar violento,
P√īr meigo, meigo, o Sol que ardia.
Mas tu vieste, pensamento.
Tua nudez, que me obsidia,
logo, subtil, encheu de alento
velhos desejos recalcados,
beijos mordidos
antes de os ver a luz do Dia.

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O Fim da Civilização

Quando se extinguir√° esta sociedade corrompida por todas as devassid√Ķes, devassid√Ķes de esp√≠rito, de corpo e de alma? Quando morrer esse vampiro mentiroso e hip√≥crita a que se chama civiliza√ß√£o, haver√° sem d√ļvida alegria sobre a terra; abandonar-se-√° o manto real, o ceptro, os diamantes, o pal√°cio em ru√≠nas, a cidade a desmoronar-se, para se ir ao encontro da √©gua e da loba.
Depois de ter passado a vida nos palácios e gasto os pés nas lajes das grandes cidades, o homem irá morrer nos bosques. A terra estará ressequida pelos incêncios que a devastaram e coberta pela poeira dos combates; o sopro da desolação que passou sobre os homens terá passado sobre ela e só dará frutos amargos e rosas com espinhos, e as raças extinguir-se-ão no berço, como as plantas fustigadas pelos ventos, que morrem antes de ter florido.
Porque tudo tem de acabar e a terra, de tanto ser pisada, tem de gastar-se; porque a imensid√£o deve acabar por cansar-se desse gr√£o de poeira que faz tanto alarido e perturba a majestade do nada. De tanto passar de m√£os e de corromper, o outro esgotar-se-√°; este vapor de sangue abrandar√°, o pal√°cio desmoronar-se-√° sob o peso das riquezas que oculta,

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Confiss√£o

Meus l√°bios, meus olhos (a flor e o veludo…)
Minha ideia turva, minha voz sonora,
Meu corpo vestido, meu sonho desnudo…
Senhor confessor! Sabeis tudo ‚ÄĒ tudo!
Quanto o vulgo, ingénuo, ao saudar-me, ignora!

Sabeis que em meus beijos a fome dormira
Antes que da orgia a f√© despertasse…
Sabeis que sem oiro o mundo é mentira
E, como do fruto que Deus proibira,
Um luar tombou, manchando-me a face.

P√°ssaro, cativo da noite infinita!
√Āguia de asa in√ļtil, pela noite presa!
√ď cruz dos poetas! √≥ noite infinita!
√ď palavra eterna! minha √ļnica escrita!
Beleza! Beleza! Beleza! Beleza!

Eis as minhas mãos! Quem pode prendê-las?
S√£o fr√°geis, mas nelas h√° dedos inteiros.
Senhor confessor! Quem n√£o conta estrelas?
Meus dedos, um dia, contaram estrelas…
Quem conta as estrelas n√£o conta dinheiros!

A guerra é apetecível. Não me venham dizer que a guerra é obra de generais e de caudilhos. A multidão sabe perfeitamente que vai para uma orgia.

Metempsicose

Ausentes filhas do prazer: dizei-me!
Vossos sonhos quais s√£o, depois da orgia?
Acaso nunca a imagem fugidia
Do que fostes, em vós se agita e freme?

N’outra vida e outra esfera, aonde geme
Outro vento, e se acende um outro dia,
Que corpo tinheis? que matéria fria
Vossa alma incendiou, com fogo estreme?

Vós fostes nas florestas bravas feras,
Arrastando, le√īas ou pantheras,
De dentadas de amor um corpo exangue…

Mordei pois esta carne palpitante,
Feras feitas de gaze flutuante…
Lobas! le√īas! sim, bebei meu sangue!

Tulipa Real

Carne opulenta, majestosa, fina,
Do sol gerada nos febris carinhos,
H√° m√ļsicas, h√° c√Ęnticos, h√° vinhos
Na tua estranha boca sulferina.

A forma delicada e alabastrina
Do teu corpo de límpidos arminhos
Tem a frescura virginal dos linhos
E da neve polar e cristalina.

Deslumbramento de lux√ļria e gozo,
Vem dessa carne o travo aciduloso
De um fruto aberto aos tropicais mormaços.

Teu cora√ß√£o lembra a orgia dos tricl√≠nios…
E os reis dormem bizarros e sang√ľ√≠neos
Na seda branca e pulcra dos teus braços.