Cita√ß√Ķes sobre Overdose

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O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o caf√© descafeinado. J√° ningu√©m quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paix√£o. As emo√ß√Ķes fortes s√£o fracas e as pr√≥prias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, s√£o igualmente namorados da monotonia e amigos √≠ntimos da disciplina. O que est√° fora de controlo causa-lhes confus√£o, e afecta-lhes uma certa zona do c√©rebro, mas quase nunca lhes toca o cora√ß√£o. O amor devia ser sonhado e devia faz√™-los voar; em vez disso √© planeado, e quanto muito, f√°-los pensar.
Sobre o amor n√£o se tem controlo. √Č um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois d√°-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais al√©m. Deixamo-nos cair em tenta√ß√£o, e n√£o nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor tamb√©m se tem f√©, mas n√£o se conhecem ora√ß√Ķes: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor n√£o √© justo,

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Se voc√™ fosse uma bebida eu repetiria a dose. Se voc√™ fosse uma droga, entraria em overdose. Voc√™ √©, meu v√≠cio sem fim…

Amar é Raro

Amar √© dar, derramar-me num vaso que nada ret√©m e sou um fio de cana por onde circulam ventos e mar√©s. Amar √© aspirar as for√ßas generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ub√©rrimas que v√™m do fundo e do alto, √°gua e ar, e derram√°-las no corpo irm√£o, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equil√≠brio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de emin√™ncia, fulgura√ß√£o, mas n√£o tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato ‚ÄĒ o dif√≠cil equil√≠brio dos amantes! Amar √© raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas plan√≠cies com a metade do seu pulm√£o; e amar √© raro porque poucos aceitam a presen√ßa do seu g√©meo, a boca insaci√°vel de um irm√£o que todos os dias o vento esculpe e destr√≥i.

Hora de Ponta

Apanhar um lugar a esta hora é uma sorte, poder olhar
pela janela e fingir que tenho imunidade diplom√°tica,
que estou de l√° do vidro com o h√°lito das folhas, o sabor
a hortel√£ e um ar fresco interrompido pela velha senhora
a quem cedo o assento e um sorriso enquanto me agradece
de nada, de ir agora em pé empurrada, de cá do vidro
a apanhar uma overdose de realidade com o bafo quente
do homem gordo na minha orelha, com a m√£o livre
apertada contra o peito, contra o visco da hora apinhada
na minha pele p√ļblica, na minha pele de todos.
No banco em frente uma mulher afaga a neta com o sorriso
doce e cansado, os olhos brilhantes, a candura intacta
toma-me toda como se eu fosse um anjo
descendo à terra com um corpo real para que a minha pele
receba a d√°diva da tua, aceite os cheiros de um dia de trabalho,
o calor excessivo, a proximidade insustent√°vel e leia no teu rosto
cada mandamento nos solavancos que nos atiram uns para
os outros. No teu rosto √£ hora de ponta aprendo a compaix√£o
até sair na próxima paragem com um suspiro de alívio.

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