Textos sobre Drogas

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Textos de drogas escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o caf√© descafeinado. J√° ningu√©m quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paix√£o. As emo√ß√Ķes fortes s√£o fracas e as pr√≥prias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, s√£o igualmente namorados da monotonia e amigos √≠ntimos da disciplina. O que est√° fora de controlo causa-lhes confus√£o, e afecta-lhes uma certa zona do c√©rebro, mas quase nunca lhes toca o cora√ß√£o. O amor devia ser sonhado e devia faz√™-los voar; em vez disso √© planeado, e quanto muito, f√°-los pensar.
Sobre o amor n√£o se tem controlo. √Č um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois d√°-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais al√©m. Deixamo-nos cair em tenta√ß√£o, e n√£o nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor tamb√©m se tem f√©, mas n√£o se conhecem ora√ß√Ķes: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor n√£o √© justo,

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A Decadência do Espírito de Competição

O esp√≠rito de competi√ß√£o, considerado como a principal raz√£o da vida, √© demasiado inflex√≠vel, demasiado tenaz, demasiado composto de m√ļsculos tensos e de vontade decidida para servir de base poss√≠vel √† exist√™ncia durante mais de uma ou duas gera√ß√Ķes. Depois desse espa√ßo de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, v√°rios fen√≥menos de evas√£o, uma procura de prazeres, t√£o tensa e t√£o penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se imposs√≠vel) e finalmente a desapari√ß√£o da ra√ßa devido √† esterilidade. N√£o somente o trabalho √© envenenado pela filosofia que exalta o esp√≠rito de competi√ß√£o mas os √≥cios s√£o-no na mesma medida.
O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação duma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.

N√£o h√° Felicidade sem Verdadeira Vida Interior

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movi¬≠mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos feli¬≠zes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelec¬≠to que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entret√©m ininter¬≠ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa¬≠ra tanto, o mero √≥cio, isto √©, o intelecto n√£o ocupado com o servi√ßo da vontade, n√£o √© suficiente; √© necess√°rio um excedente real de for√ßa, pois apenas este capacita a uma ocupa√ß√£o puramente espiritual, n√£o subordinada ao ser¬≠vi√ßo da vontade.

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As Infelizes Necessidades do Homem Civilizado

Um autor c√©lebre, calculando os bens e os males da vida humana, e comparando as duas somas, achou que a √ļltima ultrapassa muito a primeira, e que tomando o conjunto, a vida era para o homem um p√©ssimo presente. N√£o fiquei surpreendido com a conclus√£o; ele tirou todos os seus racioc√≠nios da constitui√ß√£o do homem civilizado. Se subisse at√© ao homem natural, pode-se julgar que encontraria resultados muito diferentes; porque perceberia que o homem s√≥ tem os males que se criou para si mesmo, o que √† natureza se faria justi√ßa. N√£o foi f√°cil chegarmos a ser t√£o desgra√ßados. Quando, de um lado, consideramos o imenso trabalho dos homens, tantas ci√™ncias profundas, tantas artes inventadas, tantas for√ßas empregadas, abismos entulhados, montanhas arrasadas, rochedos quebrados, rios tornados naveg√°veis, terras arroteadas, lagos cavados, pantanais dissecados, constru√ß√Ķes enormes elevadas sobre a terra, o mar coberto de navios e marinheiros, e quando, olhando do outro lado, procuramos, meditando um pouco as verdadeiras vantagens que resultaram de tudo isso para a felicidade da esp√©cie humana, s√≥ nos podemos impressionar com a espantosa despropor√ß√£o que reina entre essas coisas, e deplorar a cegueira do homem, que, para nutrir o seu orgulho louco, n√£o sei que v√£ admira√ß√£o de si mesmo,

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O Mais F√°cil de Resolver

De quanta imagina√ß√£o n√£o √© feita uma vida para se compensar o que se n√£o realizou! J√° todos o sabemos e nunca ningu√©m o sabe. Se fosse coisa de se saber, n√£o havia man√≠acos da droga, do fumo ou do √°lcool. Projecta-se milimetricamente uma reac√ß√£o a ter, uma ofensa a vingar, uma desconsidera√ß√£o a menosprezar, uma conquista a fazer. E sai sempre outra coisa: nem nos vingamos porque se interp√īs uma fraqueza, nem menosprez√°mos a desconsidera√ß√£o porque nos menosprezaram o nosso menosprezo, nem conquist√°mos nada porque amanh√£ √© que √©. Mas falhada a nossa reac√ß√£o, logo congeminamos de novo efectiv√°-la e com acr√©scimo de efeito. At√© que o tempo e a morte tudo decidam irremediavelmente por n√≥s. E acabamos por achar que decidiu bem, porque o mais f√°cil de resolver √© sempre o n√£o resolver.

O Estado de Transe

O estado de transe √© um estado quase normal no ser humano; basta muito pouco para provoc√°-lo. Uma coisa de nada, um pouco de √°lcool no sangue, um pouco de droga, excesso de oxig√©nio, a c√≥lera, o cansa√ßo. Mas este estado √© interessante na medida em que √© orient√°vel. Trata-se de um balan√ßo, mas esse lan√ßa m√£o das regi√Ķes desconhecidas do nosso esp√≠rito. De facto, n√£o h√° fundamentalmente nenhuma diferen√ßa, entre um homem intoxicado pelo √°lcool e um santo que se entregue ao √™xtase. E no entanto h√° apesar de tudo uma diferen√ßa: a da interpreta√ß√£o. O momento de loucura √© preparado por uma etapa onde o assunto √© mergulhado numa esp√©cie de vacila√ß√£o da consci√™ncia, de excita√ß√£o cerebral violenta. √Č esse momento que fabrica verdadeiramente o √™xtase e lhe d√° o sentido. Enquanto o √™xtase em si mesmo √© cego. √Č o vazio total, sem ascens√£o nem queda. A calma plana. Tanto quanto se possa dizer que o santo nunca conhecer√° Deus. Aproxima-O, depois regressa. E estas duas etapas s√£o as que s√£o. Entre as duas, √© o nada. O vazio, a amn√©sia completa. No momento X do √™xtase, o santo e o intoxicado s√£o semelhantes, est√£o no mesmo local.

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As Mulheres S√£o Profundamente Diferentes dos Homens

S√£o profundamente diferentes, felizmente. At√© o c√©rebro tem uma outra organiza√ß√£o. A mulher √© extraordin√°ria… Gosto muito da est√°tua da V√©nus de Milo, a√≠ √© que est√° o sentido. N√£o h√° nada dela que eu tire para o sexo. O sexo √© um prazer, um v√≠cio, como fumar, tomar caf√©, beber uma droga. A V√©nus de Milo: a gente n√£o sabe a posi√ß√£o das m√£os, mas o seio √© muito bonito, nada provocativo, nem a cara, que √© muito serena, muito feminina; mas o ventre √© o que sobressai mais. E √© o ventre onde se gera a humanidade. A Agustina Bessa-Lu√≠s diz mesmo que Cristo, Deus, nasceu do ventre da mulher. Veja a import√Ęncia que tem e que se n√£o d√° √† mulher: a de criar humanidade. E essa est√°tua, por coincid√™ncia, √© a mais conhecida de todas as do mundo ocidental.

Atingir a Felicidade

Embora seja poss√≠vel atingir a felicidade, a felicidade n√£o √© uma coisa simples. Existem muitos n√≠veis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfa√ß√£o mundana, a espiritualidade e a ilumina√ß√£o. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspira√ß√Ķes √ļltimas a n√≠vel religioso ou espiritual, como a perfei√ß√£o e a ilumina√ß√£o, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a n√≠vel mundano. A este n√≠vel, existem certos elementos-chave que n√≥s reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A sa√ļde, por exemplo, √© considerada como um factor necess√°rio para o bem-estar. Um outro factor s√£o as condi√ß√Ķes materiais ou os bens que possu√≠mos. Ter amigos e companheiros, √© outro. Todos n√≥s concordamos que para termos uma vida feliz precisamos de um c√≠rculo de amigos com quem nos possamos relacionar emocionalmente e em quem possamos confiar.

Portanto, todos estes factores s√£o causas de felicidade. Mas para que um indiv√≠duo possa utiliz√°-los plenamente e gozar de uma vida feliz e preenchida, a chave √© o estado de esp√≠rito. √Č crucial. Se utilizarmos as condi√ß√Ķes favor√°veis que possu√≠mos,

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Religi√£o Emocional

Os dirigentes das religi√Ķes bem sucedidas nunca, pode‚ąíse realmente dizer, dispensaram de todo as armas fisiol√≥gicas nas suas tentativas de conferir gra√ßa espiritual aos seus semelhantes. Jejum, castigo da carne por flagela√ß√£o ou desconforto f√≠sico, regula√ß√£o da respira√ß√£o, revela√ß√£o de mist√©rios terr√≠veis, toque de tambor, dan√ßas, cantos, provoca√ß√£o de medo, p√Ęnico, ilumina√ß√£o fant√°stica ou gloriosa, incenso, drogas inebriantes ‚Äď esses s√£o apenas alguns dos in√ļmeros m√©todos empregados para modificar a fun√ß√£o cerebral normal em prop√≥sitos religiosos. Algumas seitas prestam mais aten√ß√£o que outras √† estimula√ß√£o de emo√ß√Ķes como meio de afectar o sistema nervoso superior; mas poucas a desprezam inteiramente.

M√°ximo de Felicidade no M√°ximo de Lucidez

O que √© a sabedoria? √Č a felicidade na verdade, ou ¬ęa alegria que nasce da verdade¬Ľ. Esta √© a express√£o que Santo Agostinho utiliza para definir a beatitude, a vida verdadeiramente feliz, em oposi√ß√£o √°s nossas pequenas felicidades, sempre mais ou menos fact√≠cias ou ilus√≥rias. Sou sens√≠vel ao facto de que √© a mesma palavra beatitude que Espinoza retomar√°, bem mais tarde, para designar a felicidade do s√°bio, a felicidade que n√£o √© a recompensa da virtude mas a pr√≥pria virtude… a beatitude √© a felicidade do s√°bio, em oposi√ß√£o √†s felicidades que n√≥s, que n√£o somos s√°bios, conhecemos comumente, ou, digamos, √†s nossas apar√™ncias de felicidade, que √†s vezes s√£o alimentadas por drogas ou √°lcoois, muitas vezes por ilus√Ķes, divers√£o ou m√°-f√©. Pequenas mentiras, pequenos derivativos, remedinhos, estimulantezinhos… n√£o sejamos severos demais. Nem sempre podemos dispens√°-los. Mas a sabedoria √© outra coisa. A sabedoria seria a felicidade na verdade.
A sabedoria? √Č uma felicidade verdadeira ou uma verdade feliz. N√£o fa√ßamos disso um absoluto, por√©m. Podemos ser mais ou menos s√°bios, do mesmo modo que podemos ser mais ou menos loucos. Digamos que a sabedoria aponta para uma direc√ß√£o: a do m√°ximo de felicidade no m√°ximo de lucidez.

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Ambição e Poder

Examinemo-nos no momento em que a ambi√ß√£o nos trabalha, em que lhe sofremos a febre; dissequemos em seguida os nossos ¬ęacessos¬Ľ. Verificaremos que estes s√£o precedidos de sintomas cuirosos, de um calor especial, que n√£o deixa nem de nos arrastar nem de nos alarmar. Intoxicados de porvir por abuso de esperan√ßa, sentimo-nos de s√ļbito respons√°veis pelo presente e pelo futuro, no n√ļcleo da dura√ß√£o, carregada esta dos nossos fr√©mitos, com a qual, agentes de uma anarquia universal, sonhamos explodir. Atentos aos acontecimentos que se passam no nosso c√©rebro e √†s vicissitudes do nosso sangue, virados para o que nos altera, espiamos-lhe e acarinhamos-lhe os sinais. Fonte de perturba√ß√Ķes, de transtornos √≠mpares, a loucura pol√≠tica, se afoga a intelig√™ncia, favorece em contrapartida os instintos e mergulha-os num caos salutar. A ideia do bem e sobretudo do mal que imaginamos ser capazes de cumprir regozijar-nos-√° e exaltar-nos-√°; e o feito das nossas enfermidades, o seu prod√≠gio, ser√° tal que elas nos instituir√£o senhores de todos e de tudo.
À nossa volta, observaremos uma alteração análoga naqueles que a mesma paixão corrói. Enquanto sofrerem o seu império, serão irreconhecíves, presas de uma embriaguez diferente de todas as outras. Tudo mudará neles, até o timbre da voz.

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A Destruição de Tudo

√Č a palavra de ordem para o homem de hoje. Destruir. Tudo. Os deuses, as artes, diferen√ßas culturais, ou a s√≥ cultura, diferen√ßas sexuais, diferen√ßas liter√°rias ou a s√≥ literatura que leva hoje tudo, valores de qualquer esp√©cie, filosofias, o simples pensamento, a simples palavra – tudo alegremente ao caixote. Entretanto, ou por isso, prolifera√ß√£o das gentes com a forma que lhes pertence, devasta√ß√£o da sida, que foi o que de melhor a natureza arranjou para equilibrar a demografia, droga dura para se avan√ßar na vida mais depressa, criminalidade para esse avan√ßo, juventude de esgotos nocturnos, velhos em excesso e que n√£o h√° maneira de se despacharem e atulham os chamados lares de idosos ou simplesmente os dep√≥sitos em que s√£o largados at√© mudarem de cemit√©rio, politiqueiros que t√™m a verdade do erro que se segue e o mais e o mais. √Č tempo de cair um pedregulho como o que acabou com os dinossauros h√° sessenta milh√Ķes de anos e de poder dar-se a hip√≥tese de a vida recome√ßar. At√© que venha outra vez a destrui√ß√£o e Deus definitivamente se farte do brinquedo. Entretanto v√™ se v√™s ainda alguma flor ao natural e demora-te um pouco a admirar-lhe a beleza e estupidez.

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