Cita√ß√Ķes sobre Pal√°cios

70 resultados
Frases sobre pal√°cios, poemas sobre pal√°cios e outras cita√ß√Ķes sobre pal√°cios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Pris√£o Dourada

Tenta fazer esta experi√™ncia, construindo um pal√°cio. Equipa-o com m√°rmore, quadros, ouro, p√°ssaros do para√≠so, jardins suspensos, todo o tipo de coisas… e entra l√° para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair da√≠. Talvez, de facto, nunca mais saisses de l√°. Est√° l√° tudo! “Estou muito bem aqui sozinho!”. Mas, de repente – uma ninharia! O teu castelo √© rodeado por muros, e √©-te dito: ‘Tudo isto √© teu! Desfruta-o! Apenas n√£o podes sair daqui!”. Ent√£o, acredita-me, nesse mesmo instante querer√°s deixar esse teu para√≠so e pular por cima do muro. Mais! Tudo esse luxo, toda essa plenitude, aumentar√° o teu sofrimento. Sentir-te-√°s insultado como resultado de todo esse luxo… Sim, apenas uma coisa te falta… um pouco de liberdade.

Na M√£o de Deus

Na m√£o de Deus, na sua m√£o direita,
Descansou afinal meu coração.
Do pal√°cio encantado da Ilus√£o
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignor√Ęncia infantil, despojo v√£o,
Depois do Ideal e da Paix√£o
A forma transitória e imperfeita.

Como crian√ßa, em l√ībrega jornada,
Que a m√£e leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto…
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na m√£o de Deus eternamente!

Se fazer fosse tão fácil quanto saber o que seria bom fazer, as capelas seriam igrejas, e as choupanas dos pobres, palácios de príncipes.

Vocês vão ver os palácios de Brasília, deles podem gostar ou não, mas nunca dizer terem visto antes coisa parecida.

Lisboa perto e longe

Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem pal√°cios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa Рbranca e rota
a blusa de seu povo – essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as √°guas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa est√£o voltadas
contra as m√£os desarmadas – povo armado
de vento revoltado violas astros
Рmeu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das pris√Ķes tem velas rios
dentro das m√£os navios prisioneiros
ai olhos marinheiros – mar aberto
– com Lisboa t√£o longe em Lisboa t√£o perto.

Lisba é uma palavra dolorosa
Lisboa s√£o seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada m√£o
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde h√° versos que s√£o cravos vermelhos
Lisboa que ninguem ver√° de joelhos.

Continue lendo…

Por Todos os Caminhos do Mundo

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia
pelo mundo,

por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
num jardim nocturno,

ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do o√°sis,
ora os pés cansados, sem forças para além.

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na m√£o o profetizado
de que a tempestade n√£o lhe abalar√° o pal√°cio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

Na minha vida nem sempre a b√ļssola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.

N√£o sei caminhos de cor.

No Lugar dos Pal√°cios Desertos

No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos dos sinais
De quem sabe amar.

Qualquer que ele seja, o destino daqueles
Que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer fosse o v√īo.

Por certo eles foram mais reais e felizes.

A atual arquitetura cuida da casa, da casa normal e rotineira dos homens normais e rotineiros. Ela largou os palácios. Este é um sinal dos tempos.

Teus Olhos

Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus pal√°cios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d’Al√©m-Mundos ignorados!

Olhos do meu Amor! Fontes… cisternas..
Enigm√°ticas campas medievais…
Jardins de Espanha… catedrais eternas…

Ber√ßo vinde do c√©u √† minha porta…
√ď meu leite de n√ļpcias irreais!…
Meu sumptuoso t√ļmulo de morta!…

A M√°scara Falsa da Felicidade

Um erro sem d√ļvida bem grosseiro consiste em acreditar que a ociosidade possa tornar os homens mais felizes: a sa√ļde, o vigor da mente, a paz do cora√ß√£o s√£o os frutos tocantes do trabalho. S√≥ uma vida laboriosa pode amortecer as paix√Ķes, cujo jugo √© t√£o rigoroso; √© ela que mant√©m nas cabanas o sono, fugitivo dos grandes pal√°cios. A pobreza, contra a qual somos prevenidos, n√£o √© tal como pensamos: ela torna os homens mais temperantes, mais laboriosos, mais modestos; ela os mant√©m na inoc√™ncia, sem a qual n√£o h√° repouso nem felicidade real na terra.
O que √© que invejamos na condi√ß√£o dos ricos? Eles pr√≥prios endividados na abund√Ęncia pelo luxo e pelo fasto imoderados; extenuados na flor da idade por sua licenciosidade criminosa; consumidos pela ambi√ß√£o e pelo ci√ļme na medida em que est√£o mais elevados; v√≠timas orgulhosas da vaidade e da intemperan√ßa; ainda uma vez, povo cego, que lhe podemos invejar?
Consideremos de longe a corte dos príncipes, onde a vaidade humana exibe aquilo que tem de mais especioso: aí encontraremos, mais do que em qualquer outro lugar, a baixeza e a servidão sob a aparência da grandeza e da glória, a indigência sob o nome da fortuna,

Continue lendo…

O Pal√°cio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O pal√°cio encantado da Ventura!

Mas j√° desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada j√°, rota a armadura…
E eis que s√ļbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão Рe nada mais!

Londres

Vagueio por estas ruas violadas,
Do violado Tamisa ao derredor,
E noto em todas as faces encontradas
Sinais de fraqueza e sinais de dor.

Em toda a revolta do Homem que chora,
Na Criança que grita o pavor que sente,
Em todas as vozes na proibição da hora,
Escuto o som das algemas da mente.

Dos Limpa-chaminés o choro triste
As negras Igrejas atormenta;
E do pobre Soldado o suspiro que persiste
Escorre em sangue p’los Pal√°cios que sustenta.

Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais
√Č da jovem Prostituta o seu fad√°rio,
Maldiz do tenro Filho os tristes ais,
E do Matrimónio insulta o carro funerário.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

Nona Sinfonia

√Č por dentro de um homem que se ouve
o tom mais alto que tiver a vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.

Num pal√°cio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que s√£o ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.

Para o alto se voltam as volutas
hieráticas    sagradas    impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.

Mas de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas.
Por deus n√£o basta. √Č mais preciso o Homem.

Os Supermercados

Os supermercados s√£o os pal√°cios dos pobres. N√£o s√£o s√≥ os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das gera√ß√Ķes foram reduzindo os gastos da imagina√ß√£o, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superf√≠cies. As grandes superf√≠cies com a sua √°rea iluminada e sempre em festa; a concentra√ß√£o dos prazeres correntes, como a alimenta√ß√£o e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambi√ß√Ķes do quotidiano. N√£o h√° euforia mas h√° um sentimento de parentesco face √†s limita√ß√Ķes de cada um. A chuva e o calor s√£o poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; h√° uma emo√ß√£o pr√≥pria que paira nas naves das grandes superf√≠cies. S√£o as catedrais da conveni√™ncia, d√£o a ilus√£o de que o sol quando nasce √© para todos e que a cultura e a seguran√ßa est√£o ao alcance das pequenas bolsas. N√£o h√° pol√≠cia, h√° uma paz de transeunte que a cidade j√° n√£o oferece.

Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.

A Tirania Intelectual do N√ļmero

¬ęUma das mais estranhas ideias do vulgo, previu Henry Maine, √© que o sufr√°gio universal pode promover e promover√° progresso, criando novas ideias, novas inven√ß√Ķes, novas artes. Mas as probabiblidades s√£o para que s√≥ produza uma forma nociva de conservantismo¬Ľ. Temos de admitir, com os ingleses ricos em preconceitos, que a democracia √© hostil ao g√©nio e √† arte. Porque ela s√≥ d√° valor ao que cabe dentro da compreens√£o dos esp√≠ritos m√©dios; quando v√™ erguer-se o pal√°cio de um cinema, julga tratar-se do P√°rtenon; ¬ęse dependesse da assembleia ateniense nunca o mundo teria a Acr√≥pole¬Ľ (Plutarco, Vida de P√©ricles).
A tirania intelectual do n√ļmero pode tornar-se t√£o torturante como a dos monarcas; em alguns estados americanos o conhecimento acima de um certo limite j√° √© considerado coisa perigosa. A desconfian√ßa que a democracia tem da individualidade decorre da teoria da igualdade; desde que todos s√£o iguais, basta a contagem dos narizes para a descoberta da verdade ou a santifica√ß√£o de um costume. E a democracia n√£o √© apenas uma filha da era da m√°quina que governa por meio de ¬ęm√°quinas¬Ľ; ainda encerra em si a potencialidade da mais terr√≠vel das m√°quinas – a compuls√£o dos ignorantes contra a diferen√ßa,

Continue lendo…

Ela, em meu Sonho

Ela vivia num pal√°cio mouro…
Nas harpas, os seus dedos a espreitarem
como pajens curiosos, a afastarem
os cortinados todos fios de ouro.

As suas m√£os, t√£o leves como as aves,
ora fugiam volitando, frias,
ora pesam, trêmulas, suaves,
nas cordas, a sonharem melodias…

E os sons que ela tangia, aos seus ouvidos
chegaram, receosos de senti-la,
voltavam a n√£o ser nunca tangidos.

√Č que ela, as suas m√£os, as harpas de ouro,
n√£o eram mais do que um supor ouvi-la
e o meu julg√°-la num pal√°cio mouro.

Conselhos A Qualquer Tolo Para Parecer Fidalgo, Rico E Discreto

Bote a sua casaca de veludo,
E seja capit√£o sequer dois dias,
Converse à porta de Domingos Dias,
Que pega fidalguia mais que tudo.

Seja um magano, um pícaro, um cornudo,
Vá a palácio, e após das cortesias
Perca quanto ganhar nas mercancias,
E em que perca o alheio, esteja mudo.

Sempre se ande na caça e montaria,
Dê nova solução, novo epíteto,
E diga-o, sem propósito, à porfia;

Quem em dizendo: “fac√ß√£o, pretexto, efecto”.
Ser√° no entendimento da Bahia
Mui fidalgo, mui rico, e mui discreto.

Minha grande altivez: prefiro ser achada na rua. Do que neste fictício palácio onde não me acharão porque Рporque mando dizer que não estou, ela acabou de sair.

O mundo inteiro é como um palácio com imensos quartos cujas portas se abrem de uns para os outros. Somos capazes de passar de um quarto para outro exercitando as nossas memórias e imaginação, mas a maioria de nós, na nossa preguiça, raramente exercita estas capacidades, e ficam para sempre no mesmo quarto.