Passagens sobre Partidos

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Frases sobre partidos, poemas sobre partidos e outras passagens sobre partidos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O partido é a mente, a honra e a consciência da nossa época.

O Governo do Estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a burguesia (veja: Manifesto do partido comunista)

Fartos da Demagogia e do Sectarismo

E os Portugueses? Fartos dos malabarismos que os partidos do poder fizeram para a ele se manterem agarrados, fartos da demagogia e do sectarismo, correspondem a esta crise pol√≠tica com uma atitude de profunda indiferen√ßa, que √© altamente preocupante em democracia. (…) Face a esta crise nacional, face a um pa√≠s angustiado, desagregado e √† deriva, em que se fracionaram os sentidos de solidariedade e de interesse nacional para serem substitu√≠dos por uma pol√≠tica do salve-se quem puder, o Povo Portugu√™s esperava que este debate lhe trouxesse finalmente uma esperan√ßa nova de ver os partidos discutirem aqui os verdadeiros problemas nacionais, de ver os partidos reconsiderarem aqui as suas posi√ß√Ķes, reconhecerem os seus erros, disporem-se a encetar vida nova.

X√°cara das Mulheres Amadas

Quem muitas mulheres tiver,
em vez de uma amada esposa,
mais se afirma e se repousa
pera amar sua mulher;
Quem isto n√£o entender…
em cousas d’amor n√£o ousa,
em cousas d’amor n√£o quer!

Quantas mais, mais se descansa,
mais a gente serve a todas;
quantas mais forem as bodas,
quantos mais os pares da dança,
menos a dança nos cansa
O gosto d’andar nas rodas.

Que quantas mais, mais detido
a cada uma per si;
nem cansa tanto o que vi,
nem fica o gosto partido;
ao contrário, é acrescido
a cada uma per si!

No paladar de mudar
mais se sente o gosto agudo:
que amar nada ou amar tudo
é estar pronto a muito amar;
o enjoo vem de n√£o estar
a par do nada e do tudo.

Mais facilmente se chega
pera muitas que pera uma;
e a razão é porque, em suma,
se esta raz√£o me n√£o cega,
quem quer que muitas adrega
√© como tendo…nenhuma!

Com muitas, descanso vem,

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A Inutilidade do Viajar

Que utilidade pode ter, para quem quer que seja, o simples facto de viajar? N√£o √© isso que modera os prazeres, que refreia os desejos, que reprime a ira, que quebra os excessos das paix√Ķes er√≥ticas, que, em suma, arranca os males que povoam a alma. N√£o faculta o discernimento nem dissipa o erro, apenas det√©m a aten√ß√£o momentaneamente pelo atractivo da novidade, como a uma crian√ßa que pasma perante algo que nunca viu! Al√©m disso, o cont√≠nuo movimento de um lado para o outro acentua a instabilidade (j√° de si consider√°vel!) do esp√≠rito, tornando-o ainda mais inconstante e incapaz de se fixar. Os viajantes abandonam ainda com mais vontade os lugares que tanto desejavam visitar; atravessam-nos voando como aves, v√£o-se ainda mais depressa do que vieram. Viajar d√°-nos a conhecer novas gentes, mostra-nos forma√ß√Ķes montanhosas desconhecidas, plan√≠cies habitualmente n√£o visitadas, ou vales irrigados por nascentes inesgot√°veis; proporciona-nos a observa√ß√£o de algum rio de caracter√≠sticas invulgares, como o Nilo extravasando com as cheias de Ver√£o, o Tigre, que desaparece √† nossa vista e faz debaixo de terra parte do seu curso, retomando mais longe o seu abundante caudal, ou ainda o Meandro, tema favorito das lucubra√ß√Ķes dos poetas, contorcendo-se em incont√°veis sinuosidades,

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Tudo Tem de Ser a Favor da Humanidade

Quando fiz o Crist√≥v√£o Colombo, e depois fiz uma apresenta√ß√£o em Fran√ßa, defendi que a hip√≥tese de o navegador ter nascido em Portugal n√£o era uma quest√£o de patriotismo. O m√©rito est√° na pessoa, seja ela de que nacionalidade for. E o m√©rito de qualquer pessoa d√° m√©rito √† na√ß√£o a que pertence, e d√° m√©rito √† humanidade. Essas figuras n√£o s√£o cativas delas pr√≥prias. √Č isto o fundo humanista, porque tudo tem de ser a favor da humanidade. Se for contra, √© mau. Isso √© muito importante. √Č assim que, quando um realizador portugu√™s recebe um pr√©mio, est√° a receb√™-lo a cinematografia portuguesa, est√° a receb√™-lo Portugal, a Europa, o mundo cinematogr√°fico. Isto n√£o √© assim t√£o individual como parece. Quando se fala muito de Cam√Ķes, estamos a falar dos portugueses, mas tamb√©m do m√©rito dos humanos. As pessoas est√£o obcecadas com o patriotismo: “Eu √© que sou.” N√£o √© nada disso. O humanismo √© que √© fundamental e, √†s vezes, √© esquecido. Mesmo nos partidos pol√≠ticos, que muitas vezes caem no sectarismo. A natureza humana, em qualquer um dos partidos, √© sempre a mesma. N√£o muda. √Č nela que est√° o mal e o bem. Mas concordo com a exist√™ncia dos partidos,

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Os Dias Zangados S√£o Dias de Amor

Raios partam os dias zangados. Nada há que se possa fazer para fugir deles. Esperam por nós, como credores ajudados por juros injustificáveis, para nos cortarem a fatia do nosso coração que lhes cabe.
Não são como os dias tristes, que não conseguem habituar-se a uma realidade qualquer, que se revelou, sem querer, desiludindo-nos de uma ilusão que nós próprios inventámos, para mais facilmente podermos acreditar, falsamente, nela. Mas assemelham-se para mais bem nos poderem magoar. Depois. Quase ao mesmo tempo. Bem.
Quem não tem um dia zangado, em que ninguém ou nada corresponde ao que esperávamos? A felicidade é a excepção e o engano. Resulta mais de um esquecimento do que de uma lembrança.
Pouco h√° de certo neste mundo. S√£o muitos os pobres, mas n√£o s√£o poucos os ricos. As pessoas do sexo masculino n√£o se entendem nem com as pessoas do sexo masculino, nem com as do sexo feminino. As pessoas, sejam de que sexo e sexualidade forem, compreendem-se mal. D√£o-se mal, por muito bem que se d√™em. As mais apaixonadas umas pelas outras s√£o as que menos bem aceitam as diferen√ßas, as incompreens√Ķes, os dias zangados e as noites zangadas que apenas servem para nos relembrar que todos n√≥s nascemos e morremos sozinhos.

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Os Partidos Forçaram-me à Ditadura

Sinceramente desejei evitar a ditadura, para onde os acontecimentos pareciam querer arrastar-me, e tive para isso de suportar duas crises ministeriais sucessivas. S√£o esses mesmos, os partidos, que me for√ßam agora a ela. Um, recusando-se a colaborar no governo, contra o que eu desejava e devia esperar; o outro, fazendo causa comum nos tumultos da C√Ęmara. N√£o h√°, por agora, outro meio de governar. Chegassem os republicanos ao poder, e teriam de recorrer √† ditadura. Pois bem: se qualquer governo tem de a usar, e sem governo n√£o se passa, ningu√©m com mais direito a faz√™-lo do que voc√™s. Deram uma sess√£o parlamentar ininterrupta de seis meses. Ningu√©m poder√° acus√°-los de fugir do parlamento, onde tiveram os seus melhores dias, e que ainda hoje estaria aberto, se materialmente lho n√£o houvessem impedido. T√™m governado com tal lisura e t√£o firmes prop√≥sitos de acertar, que ganharam a simpatia e a confian√ßa geral. Mostraram larga iniciativa de governo nos numerosos e complexos projectos apresentados nas C√Ęmaras. T√™m, enfim, unidade de vistas, resolu√ß√£o de mando, vontade de governar. Continuem a governar bem, como at√© aqui, e dar-lhes-ei todo o meu apoio.

Um partido de pobres nunca ganharia uma eleição, porque os pobres não têm nada para prometer. Quem faz promessas são os ricos, ou, mais exactamente, é o poder.

Os Interesses na Actividade Política

Os jornais feitos com os pol√≠ticos criam nos seus meios restritos um estado de sobreexcita√ß√£o doentia que cada qual julga partilhado por todos os outros, e da√≠ vem que dum canto da capital, por defini√ß√£o a cabe√ßa do pa√≠s, o mais reduzido grupo partid√°rio convictamente julga falar em nome da Na√ß√£o. Mas h√° interesses mais directos e palp√°veis em jogo na actividade pol√≠tica, e o que √© pior √© que √† medida que o poder se corrompe e que o interesse colectivo √© sacrificado a interesses individuais, ao mundo pol√≠tico que espera e provoca as muta√ß√Ķes governativas, junta-se o outro mundo √°vido dos neg√≥cios. Na alta finan√ßa, nos bancos, no com√©rcio de especula√ß√£o nos grandes empreiteiros, entre os grandes fornecedores, mesmo no campo da produ√ß√£o propriamente dita, em ramos cuja vida depende em grande parte de actos governativos, existem j√° numerosos indiv√≠duos a interessar-se activamente pela pol√≠tica dos partidos. A influ√™ncia corrosiva da sua ac√ß√£o traz mais duma dificuldade grave √† governa√ß√£o p√ļblica.

Dói-me a Vida aos Poucos

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. H√° s√≥ um presente im√≥vel com um muro de ang√ļstia em torno. A margem de l√° do rio nunca, enquanto √© a de l√°, √© a de c√°, e √© esta a raz√£o intima de todo o meu sofrimento. H√° barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida n√£o doer, nem h√° desembarque onde se esque√ßa. Tudo isto aconteceu h√° muito tempo, mas a minha m√°goa √© mais antiga.
Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.
No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto, e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.
Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo,

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O Valor do que Se Ama

O homem que ama apaixonadamente, n√£o cura de saber o valor que os outros d√£o √† mulher que ama. (…) Se o amor, por qualquer condescend√™ncia, declina, o amante, cego ontem, abre hoje um olho, e duvida se ela efectivamente √© aquillo que lhe parecia ontem. Na d√ļvida, pergunta aos outros: ¬ęQue vos parece aquela mulher?¬Ľ Se a delicadeza, ou boa f√© responde: ¬ę√© uma excelente mulher¬Ľ, a cristaliza√ß√£o continua. Se a m√° f√©, ou a grosseria responde: ¬ęn√£o presta¬Ľ, o amador indeciso odeia a indiscreta resposta, e persiste na d√ļvida, que √© sempre de pior partido para a mulher, sujeita √° alta e baixa do mercado.

Soneto XXXI

Fujo de mi, quando me n√£o precato
Sem querer outra vez me acho comigo,
Tenho-me por suspeito e inimigo,
E comigo perpétua guerra trato.

Entrando em mi destruo, prendo e mato,
Mas eu quando me vejo em tal pirigo
Contra mi me levanto e me persigo
A ferro e sangue, sem querer contrato.

Por mi tenho os sentidos, que me acodem;
A raz√£o co’a vontade e co’a mem√≥ria
Sustentam contra mi outro partido.

Ai civil guerra sem despojo e glória,
Onde os que podem mais contra si podem,
Onde o que é vencedor fica vencido.

Valem Mais as Vidas do que os Livros

Defende Cleantes a opini√£o de que em nada nos interessam as ideias dos homens e que acima de tudo devemos p√īr o seu car√°cter, a honestidade e a firmeza, a independ√™ncia e a lisura do seu procedimento. Se de pol√≠tica tratamos, Cleantes, que, por defini√ß√£o, √© honesto, sentir-se-√° muito bem representado ou muito bem governado n√£o por aquele que, incluindo nos seus programas de elei√ß√£o ou nas suas declara√ß√Ķes ideias que perfeitamente se harmonizam com as dele, depois aparece apenas como um membro de toda a ra√ßa infinita dos que sobem por fora, mas por aquele que, tendo-o porventua irritado com a sua maneira de pensar, em seguida vem habitar a ilha min√ļscula dos que sobem por dentro. Se de dois candidatos que se apresentam, um est√° no partido contr√°rio ao nosso mas √© um honesto, seguro cidad√£o, e o outro se proclama correligion√°rio, mas nos deixa d√ļvidas sobre a integridade moral, diz Cleantes que ningu√©m deve hesitar: o nosso voto deve ir para o que d√° garantias de uma fiscaliza√ß√£o s√©ria dos neg√≥cios e n√£o deixar√° que se maltrate a Justi√ßa. Sobretudo se formos moralistas, isto √©, se acreditarmos que o mundo se salvar√° pela moral; e, como cumpre a moralistas,

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Musa Impassível I

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o c√Ęndido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.

Em teus olhos n√£o quero a l√°grima; n√£o quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.

D√°-me o hemist√≠quio d’ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d’alma; a estrofe limpa e viva;

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o √°spero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de m√°rmores partidos.

A Vontade de Escrever

Quando conscientemente, aos treze anos de idade, tomei posse da vontade de escrever Рeu escrevia quando era criança, mas não tomara posse de um destino Рquando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade. Comecei, e nem sequer era pelo começo. Os papéis se juntavam um ao outro Рo sentido se contradizia, o desespero de não poder era um obstáculo a mais para realmente não poder: a história interminável que então comecei a escrever (com muita influência de O Lobo das Estepes de Hermann Hesse), que pena eu não ter conservado: rasguei, desprezando todo um esforço quase sobre-humano de aprendizagem, de autoconhecimento. E tudo era feito em tal segredo. Eu não contava a ninguém, vivia aquela dor sozinha. Uma coisa eu já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento,

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O Incêndio De Roma

Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,
As muralhas de pedra, o espaço adormecido
De eco em eco acordando ao medonho estampido,
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.

E os templos, os museus, o Capitólio erguido
Em mármor frígio, o Foro, as erectas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.

Longe, reverberando o clar√£o purpurino,
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte.
Impassível, porém, no alto do Palatino,

Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.

Os Comunistas

… Passaram bastantes anos desde que ingressei no Partido… Estou contente… Os comunistas constituem uma boa fam√≠lia… T√™m a pele curtida e o cora√ß√£o valoroso… Por todo o lado recebem pauladas… Pauladas exclusivamente para eles… Vivam os espiritistas, os mon√°rquicos, os aberrantes, os criminosos de v√°rios graus… Viva a filosofia com fumo mas sem esqueletos… Viva o c√£o que ladra e que morde, vivam os astr√≥logos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camar√£o, viva toda a gente menos os comunistas… Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que n√£o lavam os p√©s ideol√≥gicos h√° quinhentos anos… Vivam os piolhos das popula√ß√Ķes miser√°veis, viva a for√ßa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva Andr√© Gide com o seu coribantismo, viva qualquer misticismo… Tudo est√° bem… Todos s√£o her√≥icos… Todos os jornais devem publicar-se… Todos devem publicar-se, menos os comunistas… Todos os pol√≠ticos devem entrar em S√£o Domingos sem algemas… Todos devem festejar a morte do sanguin√°rio Trujillo, menos os que mais duramente o combateram… Viva o Carnaval, os derradeiros dias do Carnaval… H√° disfarces para todos… Disfarces de idealistas crist√£os, disfarces de extrema-esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas… Mas, cuidado, n√£o deixem entrar os comunistas…

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