Passagens sobre Perigo

362 resultados
Frases sobre perigo, poemas sobre perigo e outras passagens sobre perigo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Perigo nas Rela√ß√Ķes Humanas

Nas rela√ß√Ķes humanas o perigo √© coisa de todos os dias. Deves precaver-te bem contra este perigo, deves estar sempre de olhos bem abertos: n√£o h√° nenhum outro t√£o frequente, t√£o constante, t√£o enganador! A tempestade amea√ßa antes de rebentar, os edif√≠cios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o inc√™ndio pr√≥ximo: o mal causado pelo homem √© s√ļbito e disfar√ßa-se com tanto mais cuidado quanto mais pr√≥ximo est√°. Fazes mal em confiar na apar√™ncia das pessoas que se te dirigem: t√™m rosto humano, mas instintos de feras. S√≥ que nestas apenas o ataque directo √© perigoso; se nos passam adiante n√£o voltam atr√°s √† nossa procura. Ali√°s, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo √© que as for√ßam a lutar. O homem, esse, destr√≥i o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa tamb√©m nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te fa√ßam mal, evita, por outro, que fa√ßas tu mal a algu√©m. Alegra-te com a satisfa√ß√£o dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esque√ßas dos servi√ßos que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganhar√°s tu vivendo segundo esta norma?

Continue lendo…

Amor o Quis assim

Agravos de Colopêndio
Pois Amor o quis assi,
que meu mal tanto me dura,
n√£o tardes triste ventura,
que a dor n√£o se doi de mi,
e sem ti n√£o tenho cura.

Foges-me, sabendo certo
que passo perigo marinho,
e sem ti vou t√£o deserto
que, quando cuido que acerto,
vou mais fora de caminho.
Porque tais carreiras sigo,
e com tal dita naci
nesta vida, em que n√£o vivo,
que eu cuido que estou comigo,
e ando fora de mi.

Quando falo, estou calado;
quando estou, entonces ando;
quando ando, estou quedado;
quando durmo, estou acordado;
quando acordo, estou sonhando;
quando chamo, ent√£o respondo;
quando choro, entonces rio;
quando me queimo, hei frio;
quando me mostro, me escondo;
quando espero, desconfio.

N√£o sei se sei o que digo,
que cousa certa n√£o acerto;
se fujo de meu perigo,
cada vez estou mais perto
de ter mor guerra comigo.
Prometem-me uns v√£os cuidados
mil mundos favorecidos,
com que ser√£o descansados;
e eu acho-os todos mudados
em outros mundos perdidos.

Continue lendo…

Sinto certa tranquilidade. Não existe segurança no meio do perigo. Como seria a vida se nós não tivéssemos coragem de tentar coisa alguma? Será uma difícil partida para mim; A maré sobe alto, quase até os lábios e talvez ainda mais alto, como posso saber? Mas eu devo lutar minha batalha, vender caro a minha vida, e tentar ganhar e tirar o melhor dela.

Noite Afora

A quem devo dizer que em tua carne
se sobreleva o tempo e o duradouro,
mancha de óleo no azul, alaga e intensifica
o contratempo a que chamei amor?

A quem devo dizer dos meus perigos
quando, o corcel furioso, olhei ao longe
e n√£o vi mais limites que o oceano
nem mais convites que o das ondas frias?

Como antepor o corte nas montanhas
‚ÄĒ Liberdade ‚ÄĒ ao dever que a si mesma imp√Ķe a terra
de estender-se conforme o espaço havido?

Mal√≠cia do destino, ardil composto outrora…
Arde a grama da noite em que te vais embora,
e essa chama caminha, essa chama, essas vinhas,

essas uvas, cortadas noite afora.

Medida e Moderação

A mocidade √© rom√Ęntica, sempre dominada pelo sentimento; a velhice √© cl√°ssica nos seus gostos, mais amiga da ordem e da restri√ß√£o que da paix√£o e da liberdade; a idade madura paira entre os dois extremos, e com a vontade disciplinada, o esp√≠rito claro e os desejos coordenados, pacientemente constr√≥i. A regra do conhecimento, disse Descartes, √© pensar com clareza; s√≥ o que √© claramente compreendido √© verdade; s√≥ assim os desejos se fundem no car√°cter e na vontade.
A grande qualidade dos anos maduros está na moderação; e o grande defeito, na mediocridade. Nada mais fácil do que fugir ao esforço para cair na rotina, passando da vida vertical para a horizontal. Este perigo ameaça a maior parte dos homens; a sesta durante a tarde é um símbolo e um começo. Mas moderação de nenhum modo implica mediocridade; pode significar força e profundidade de espírito. A acção resoluta combina-se com a moderação no desejar e no falar. O próprio Nietzsche, tão imoderado, dizia que poucos conhecem a força e a significação de duas coisas muito altas Рmedida e moderação.

Perigos e dificuldade não nos travaram no passado e não nos assustarão agora, mas devemos preparar-nos para eles, como homens determinados quanto ao que pretendem e que não perdem tempo com conversas vãs e inacção.

A Busca da Glória

Com que pensamento nas suas mentes supor√≠amos que esta tropa de homens ilustres perdeu a vida pelo bem p√ļblico? Seria para que o seu nome ficasse restrito aos limites estreitos de sua vida? Ningu√©m jamais se teria exposto √† morte pelo seu pa√≠s sem uma boa esperan√ßa de alcan√ßar a imortalidade. Tem√≠stocles poderia ter levado uma vida tranquila (…) e eu poderia ter feito o mesmo. Mas acontece que, de algum modo, foi implantado na mente dos homens um pressentimento profundamente arraigado sobre as eras futuras, e tal sentimento torna-se mais forte e mais patente nos homens dotados de g√©nio e esp√≠rito mais elevado. Retire-se tal sentimento, e quem seria louco de passar a vida em constante perigo e labuta? At√© aqui falei de estadistas, mas e os poetas? N√£o possuem eles algum desejo de fama ap√≥s a morte? (…) Mas porqu√™ parar nos poetas? Os artistas anseiam tornar-se famosos ap√≥s a morte.

Atenção aos Detalhes do Comportamento dos Outros

Devemos ter muito cuidado para n√£o emitir uma opini√£o demasiado favor√°vel de um homem que acabamos de conhecer; pelo contr√°rio, na maioria das vezes, seremos desiludidos, para nossa pr√≥pria vergonha ou at√© para nosso dano. A esse respeito, uma senten√ßa de S√©neca merece ser mencionada: Podem-se obter provas da natureza de um car√°cter tamb√©m a partir de miudezas. Justamente nestas √© que o homem, quando n√£o se procura conter, √© que revela o seu car√°cter. Nas ac√ß√Ķes mais insignificantes, em simples maneiras, pode-se ami√ļde observar o seu ego√≠smo ilimitado, sem a menor considera√ß√£o para com os outros e que, em seguida, embora dissimulado, n√£o se desmente nas grandes coisas.
N√£o se deve perder semelhante oportunidade. Quando algu√©m procede sem considera√ß√£o nos pequenos acontecimentos e circunst√Ęncias da vida di√°ria, intentando obter vantagens ou comodidade, em preju√≠zo de outrem, nas coisas em que se aplica a m√°xima de a lei n√£o se ocupa com ninharias, ou ainda apropriando-se do que existe para todos, etc., podemos convencer-nos de que no cora√ß√£o de tal indiv√≠duo n√£o reside justi√ßa alguma; ele ser√° um patife tamb√©m nas grandes situa√ß√Ķes, caso as suas m√£os n√£o sejam atadas pela lei e pela autoridade. N√£o lhe permitamos, pois,

Continue lendo…

A Intuição é mais Forte que a Razão

Devemos sempre dominar a nossa impress√£o perante o que √© presente e intuitivo. Tal impress√£o, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, √© incomparavelmente mais forte; n√£o devido √† sua mat√©ria e ao seu conte√ļdo, ami√ļde bastante limitados, mas √† sua forma, ou seja, √† sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus prop√≥sitos. Pois o que √© presente e intuitivo, enquanto facilmente apreens√≠vel pelo olhar, faz efeito sempre de um s√≥ golpe e com todo o seu vigor. Ao contr√°rio, pensamentos e raz√Ķes requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, n√£o se pode t√™-los a todo o momento e integralmente diante de n√≥s. Em virtude disso, deve-se notar que a vis√£o de uma coisa agrad√°vel, √† qual renunciamos pela pondera√ß√£o, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um ju√≠zo cuja inteira incompet√™ncia conhecemos; somos irritados por uma ofensa de car√°cter reconhecidamente desprez√≠vel; e, do mesmo modo, dez raz√Ķes contra a exist√™ncia de um perigo caem por terra perante a falsa apar√™ncia da sua presen√ßa real, e assim por diante. Em tudo se faz valer a irracionalidade origin√°ria do nosso ser.

Quanto maior o conhecimento com que somos distinguidos, tanto maior o perigo a que estamos expostos

Quanto maior o conhecimento com que somos distinguidos, tanto maior o perigo a que estamos expostos.

Os Doentes S√£o o Maior Perigo da Humanidade

Se t√£o normal √© o homem em estado morboso, tanto mais de devem estimar os raros exemplos de pot√™ncia f√≠sica e corpural, os acidentes felizes da esp√©cie humana, e tanto mais devem ser preservados do ar infecto os seres robustos. Faz-se assim ?…
Os doentes s√£o o maior perigo para os s√£os; daqueles v√™m todos os males. J√° se reparou suficientemente nisto?… Decerto se n√£o deve desejar que diminua a viol√™ncia entre os homens; porque esta viol√™ncia obriga os homens a serem fortes, e mant√©m na sua integridade o tipo do homem robusto. O tem√≠vel e desastroso √© o grande t√©dio do homem e a sua grande compaix√£o. Se algum dia estes elementos se unirem, dar√£o √° luz irremissivelmente a monstruosa ¬ę√ļltima¬Ľ vontade, a sua vontade do nada, o niilismo.
E efectivamente tudo est√° j√° preparado para este fim. Os que t√™m olhos, ouvidos, nariz, percebem por todos os lados a atmosfera de um manic√≥mio e de um hospital, em todas as partes do mundo civilizado, europeizado. Os doentes s√£o o maior perigo da humanidade; n√£o os maus, n√£o as ¬ęferas de rapina¬Ľ. Os desgra√ßados, os vencidos, os impotentes, os fracos s√£o os que minam a vida e envenenam e destroem a nossa confian√ßa.

Continue lendo…

O Futuro da Espécie Humana

N√£o sei se as popula√ß√Ķes est√£o a aumentar ou a diminuir. √Č claro que, com o aborto, com a p√≠lula, com as “camisas de V√©nus”, com a soma dessas coisas todas, a procria√ß√£o diminui, a velhice aumenta; a receita dos impostos diminui, porque h√° menos jovens no trabalho e h√° mais velhos a ser remunerados. √Č preciso que a popula√ß√£o aumente sempre e que n√£o se fa√ßa a desertifica√ß√£o da prov√≠ncia, como est√° a acontecer. Tiram escolas, hospitais e as pessoas desertificam essas cidades. Porque √© da prov√≠ncia, da cultura da terra, que n√≥s vivemos, e ela est√° desertificada.

[Mas eu referia-me mesmo à sobrevivência do planeta Terra. Acha que ele está em perigo?]

Está em perigo, claro. De tal modo que a gente pergunta: onde está a inteligência do homem? Há um progresso, é certo, mas esse progresso encaminha-se para a morte.

Não Somos Capazes de Distinguir o que é Bom e o que é Mau

Quantas vezes um pretenso desastre n√£o foi a causa inicial de uma grande felicidade! Quantas vezes, tamb√©m, uma conjuntura saudada com entusiasmo n√£o constituiu apenas um passo em direc√ß√£o ao abismo ‚ÄĒ elevando um pouco mais ainda algu√©m em posi√ß√£o eminente, como se em tal posi√ß√£o pudesse estar certo de cair dela sem risco! A pr√≥pria queda, ali√°s, n√£o tem em si mesma nada de mal se tomares em considera√ß√£o o limite para l√° do qual a natureza n√£o pode precipitar ningu√©m. Est√° bem perto de n√≥s o termo de tudo quanto h√°, est√° bem perto, garanto-te, o limite desta exist√™ncia donde o venturoso se julga expulso e o desgra√ßado liberto; n√≥s √© que, ou por esperan√ßas ou por receios desmesurados, a fazemos mais extensa do que realmente √©. Se agires com sabedoria, medir√°s tudo em fun√ß√£o da condi√ß√£o humana, e assim limitar√°s o espa√ßo tanto das alegrias como dos receios. Vale bem a pena privarmo-nos de duradouras alegrias a troco de n√£o sentirmos duradouros receios!
Por que motivo procuro eu restringir este mal que √© o medo? √Č que n√£o h√° raz√£o v√°lida para temeres o que quer que seja; n√≥s, isso sim, deixamo-nos abalar e atormentar apenas por v√£s apar√™ncias.

Continue lendo…

A solid√£o concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar s√≥ consigo mesmo; segundo, a de n√£o estar com os outros. Esta √ļltima ser√° altamente apreciada se pensarmos em quanta coer√ß√£o, quanto dano e at√© mesmo quanto perigo toda a conviv√™ncia social traz consigo.