Cita√ß√Ķes sobre Princesas

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E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz, você era a princesa que eu fiz coroar e era tão linda de se admirar!

A Dama de Elche

Seus olhos
pararam no limiar. Mas a morte
participa também do mistério da vida,
e essas amêndoas que mantém
explícitas ao nada, anunciam
outra árvore em nós.

Toda a feição já se concentra
no que os olhos n√£o dizem. Antes
fossem fechados,
como os l√°bios na dureza do mento,
e a ciência ou a razão que nos perturba
n√£o deixariam no berloque aguerrido
essa espantosa serenidade gélida de amor.

Mulher-senhora. M√£e?
Nos adornos
da espera, (nossa
a d√ļvida) fica a vida
que freme, e os abismos
que a beleza flanqueiam. Até que os pés
alados
despertem a princesa. Ent√£o,
Deus a recolhe,
e roça
nossas parcas medidas. A morte
desancora. Pela rigidez
da inacessível máscara, escorre
como as chuvas
o seu íntimo trabalho de existir.

Conto de Fadas

Eu trago-te nas m√£os o esquecimento
Das horas m√°s que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos s√£o ondas de Sorrento…
Trago no nome as letras de uma flor…
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento…

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crep√ļsculos da tarde,
O sol que √© d’oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
– Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: ‚ÄúEra uma vez…‚ÄĚ

Os Artistas Verdadeiros não Têm Ideologia

Dia entre pescadores. Eles a pescarem sardinha para a fome org√Ęnica do corpo, e eu a pescar imagens para uma necessidade igual do esp√≠rito. Tisnados de sa√ļde, os homens olham-me; e eu, amarelo de doen√ßa, olho-os tamb√©m. Certamente que se julgam mais justificados do que eu, e que o mundo inteiro lhes d√° raz√£o. Mas da mesma maneira que eles, sem que ningu√©m lhes pe√ßa sardinha, se metem √†s ondas, tamb√©m eu, sem que ningu√©m me pe√ßa poesia, me lan√ßo a este mar da cria√ß√£o. H√° uma coisa que nenhuma ideologia pode tirar aos artistas verdadeiros: √© a sua consci√™ncia de que s√£o t√£o fundamentais √† vida como o p√£o. Podem acus√°-los de servirem esta ou aquela classe. Pura cal√ļnia. √Č o mesmo que dizer que uma flor serve a princesa que a cheira. O mundo n√£o pode viver sem flores, e por isso elas nascem e desabrocham. Se olhos menos avisados passam por elas e as n√£o podem ver, a trai√ß√£o n√£o √© delas, mas dos olhos, ou de quem os mant√©m cegos e incultos.

Ela no meu Olhar

Os meus olhos s√£o √ćndias de segredos.
√Č Portugal seu Corpo esguio e brando.
E as cinco quinas, seus compridos dedos
Em suas m√£os, bandeiras tremulando.

Seus gestos lembram lan√ßas. E ela passa…
Seu perfil de princesa faz lembrar
Batalhas que travaram ao luar,
Epopeia-marfim da minha Raça.

O seu olhar é tão doente e triste
Que me parece bem que n√£o existe
Maior mistério do que o de prendê-lo.

Nos meus sentidos vive o seu sentir
E, √†s vezes, quando chora, p√Ķe-se a ouvir
Seu coração, velhinho do Restelo.

O que é Viver?

Viver é só sentir como a Morte caminha
E como a Vida a quer e como a vida a chama…
Viver, minha princesa pobrezinha,
√Č esta morte triste de quem ama‚Ķ

Viver é ter ainda uma quimera erguida
Ou um sonho febril a soluçar de rastos;
√Č beijar toda a dor humana, toda a Vida,
Como eu beijo a chorar os teus cabelos castos…

Viver é esperar a Morte docemente,
Beijando a luz, beijando os cardos, e beijando
Alguém, corpo ou fantasma, que nos venha amando…

√Č sentir a nossa alma presa tristemente
Ao mistério da Vida que nos leva
Perdidos pelo sol, perdidos pela treva…

As Tuas M√£os Terminam Em Segredo

As tuas m√£os terminam em segredo.
Os teus olhos s√£o negros e macios
Cristo na cruz os teus seios (?) esguios
E o teu perfil princesas no degredo…

Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vendo p√Ķe o seu arrastado medo
Saudoso o longes velas de navios.

Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,

Ser√° o haver cais num mar distante…
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante !

Parabéns, Amada Minha

Hoje é a Maria João, meu amor que me deu a sorte de gostar de ser amada por mim Рe a ilusão, mais frequente do que a felicidade, de amar-me também Рque faz anos, coincidindo com o dia em que nasceu, sempre o primeiro verdadeiro dia de Verão.
Parab√©ns, Maria Jo√£o, Amada minha, rainha das minhas mai√ļsculas e das paci√™ncias do P√öBLICO; princesa de todos os pequenos momentos que se juntam para fazer a minha felicidade permanentemente instant√Ęnea e amea√ßada.

Pensava que ias morrer e matar-me. Não só não morreste como me deixaste viver. O teu amor é a Primavera constante do meu coração mas a tua vida e o teu viver, como se não houvesse nada que te pudesse atrapalhar Рtão longe da sobrevivência que inexplicavelmente é Рé o ano inteiro, desde que nasci, desde a primeira vez que respirei o ar do mundo. E vivi. Facilmente. À tua espera. À espera da tua dificuldade. E do teu génio. E do teu espírito. E de tudo o que tens, sem saber, sem mostrar, sem fazer ideia do que vales, achando apenas que vales muito mais do que mereces. Merecendo, como tu mereces,

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Tabacaria

N√£o sou nada.
Nunca serei nada.
N√£o posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milh√Ķes do mundo que ningu√©m sabe quem √©
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a p√īr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje l√ļcido, como se estivesse para morrer,
E n√£o tivesse mais irmandade com as coisas
Sen√£o uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.

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A Minha Estrela

A meu irmão Aprígio A.

E eu disse – Vai-te, estrela do Passado!
Esconde-te no Azul da Imensidade,
L√° onde nunca chegue esta saudade,
– A sombra deste afeto estiolado.

Disse, e a estrela foi p’ra o C√©u subindo,
Minh’alma que de longe a acompanhava,
Viu o adeus que do Céu ela enviava,
E quando ela no Azul foi-se sumindo

Surgia a Aurora – a m√°gica princesa!
E eu vi o Sol do Céu iluminando
A Catedral da Grande Natureza.

Mas a noute chegou, triste, com ela
Negras sombras também foram chegando,
E nunca mais eu vi a minha estrela!

Inter-Sonho

Numa incerta melodia
T√īda a minh’alma se esconde
Reminiscencias de Aonde
Perturbam-me em nostalgia…

Manh√£ d’armas! Manh√£ d’armas!
Romaria! Romaria!

. . . . . . . . . . . . . . .

Tacteio… dobro… resvalo…

. . . . . . . . . . . . . . .

Princesas de fantasia
Desencantam-se das flores…

. . . . . . . . . . . . . . .

Que pesad√™lo t√£o bom…

. . . . . . . . . . . . . . .

Pressinto um grande intervalo,
Deliro todas as c√īres,
Vivo em roxo e morro em som…

Angulo

Aonde irei neste sem-fim perdido,
Neste mar √īco de certezas mortas? –
Fingidas, afinal, todas as portas
Que no dique julguei ter construido…

РBarcaças dos meus impetos tigrados,
Que oceano vos dormiram de Segrêdo?
Partiste-vos, transportes encantados,
De embate, em alma ao r√īxo, a que roch√™do?…

– √ď nau de festa, √≥ ruiva de aventura
Onde, em Champanhe, a minha √Ęnsia ia,
Quebraste-vos também ou, por ventura,
Fundeaste a Ouro em portos d’alquimia?…

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Chegaram √† ba√≠a os gale√Ķes
Com as sete Princesas que morreram.
Regatas de luar n√£o se correram…
As bandeiras velaram-se, ora√ß√Ķes…

Detive-me na ponte, debruçado,
Mas a ponte era falsa – e derradeira.
Segui no cais. O cais era abaulado,
Cais fingido sem mar √° sua beira…

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Distante Melodia

Num sonho d’Iris, morto a ouro e brasa,
Vem-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre v√©us de tule –
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.

Ent√£o os meus sentidos eram c√īres,
Nasciam num jardim as minhas ansias,
Havia na minh’alma Outras distancias –
Distancias que o segui-las era fl√īres…

Caía Ouro se pensava Estrelas,
O luar batia sobre o meu alhear-me…
Noites-lag√īas, como √©reis belas
Sob terra√ßos-liz de recordar-me!…

Idade acorde d’Inter sonho e Lua,
Onde as horas corriam sempre jade,
Onde a neblina era uma saudade,
E a luz – anseios de Princesa nua…

Bala√ļstres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume…
Dominio inexprimivel d’√ďpio e lume
Que nunca mais, em c√īr, hei de habitar…

Tap√™tes doutras Persias mais Oriente…
Cortinados de Chinas mais marfim…
Aureos Templos de ritos de setim…
Fontes correndo sombra, mansamente…

Zimb√≥rios-panth√©ons de nostalgias…
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar…
Escadas de honra, escadas s√≥, ao ar…
Novas Byzancios-alma, outras Turquias…

Lembran√ßas fluidas…

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Todo o Mal Provém não da Privação mas do Supérfluo

Ser feliz √©, afinal, n√£o esperar muito da felicidade, ser feliz √© ser simples, desambicioso, √© saber dosear as aspira√ß√Ķes at√© √†quela medida que p√Ķe o que se deseja ao nosso alcance. Pegando de novo em Tolstoi, que vem sendo em mim um padr√£o tutelar, lembremos de novo um dos seus her√≥is, o pr√≠ncipe Pedro Bezoukhov (do romance ‘Guerra e Paz’). As circunst√Ęncias fizeram-no conviver no cativeiro com um s√≠mbolo da sabedoria popular, um tal Karataiev. Pois esse companheirismo desinteressado e genu√≠no, esse encontro com a vida crua mas desmistificadora, n√£o s√≥ modificaram o pr√≠ncipe Pedro como lhe revelaram o que ele precisava de saber para atingir o que n√≥s, pobres humanos, debalde perseguimos: a coer√™ncia, a pacifica√ß√£o interior, que s√£o correctivos da desventura.
Tolstoi salienta-nos que Pedro, ap√≥s essa viv√™ncia, apreendera, n√£o pela raz√£o mas por todo o seu ser, que o homem nasceu para a felicidade e que todo o mal prov√©m n√£o da priva√ß√£o mas do sup√©rfluo, e que, enfim, n√£o h√° grandeza onde n√£o haja verdade e desapego pelo ef√©mero. Isto, ali√°s, nos √© repetido por outra figura de Tolstoi, a princesa Maria, ao acautelar-nos com esta s√≠ntese desoladora: ¬ęTodos lutam, sofrem e se angustiam,

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Princesa Desalento

Minh’alma √© a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
√Č revoltada, tr√°gica, sombria,
Como galopes infernais de vento!

√Č fr√°gil como o sonho dum momento,
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria!
Minh’alma √© a Princesa Desalento…

Altas horas da noite ela vagueia…
E ao luar suavíssimo, que anseia,
P√Ķe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve a minh’alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz √† tua porta…

A Lua de Londres

√Č noite; o astro saudoso
Rompe a custo um pl√ļmbeo c√©u,
Tolda-lhe o rosto formoso
Alvacento, h√ļmido v√©u:
Traz perdida a cor de prata,
Nas √°guas n√£o se retrata,
N√£o beija no campo a flor,
N√£o traz cortejo de estrelas,
N√£o fala d’amor √†s belas,
N√£o fala aos homens d’amor.

Meiga lua! os teus segredos
Onde os deixaste ficar?
Deixaste-os nos arvoredos
Das praias d’al√©m do mar?
Foi na terra tua amada,
Nessa terra t√£o banhada
Por teu límpido clarão?
Foi na terra dos verdores,
Na p√°tria dos meus amores,
Pátria do meu coração?

Oh! que foi!… deixaste o brilho
Nos montes de Portugal,
L√° onde nasce o tomilho,
Onde h√° fontes de cristal;
L√° onde viceja a rosa,
Onde a leve mariposa
Se espaneja à luz do sol;
L√° onde Deus concedera
Que em noites de Primavera
Se escutasse o rouxinol.

Tu vens, ó lua, tu deixas
Talvez há pouco o país,
Onde do bosque as madeixas
Já têm um flóreo matiz;
Amaste do ar a doçura,

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O Sentido Tr√°gico do Amor

Todo o homem tende naturalmente para o amor. Acontece que o conceito comum de amor corresponde de forma quase universal a uma ideia genérica, ambivalente e, tantas vezes, errada, porque tão irreal.

Amar √© dar-se. Entregar a pr√≥pria ess√™ncia a um outro, lutando em favor dele. De forma pura e gratuita, sem esperar outra recompensa sen√£o a de saber que se conseguir√° ser o que se √©. Amar, ao contr√°rio do que julgam muitos, n√£o √© uma fonte de satisfa√ß√£o… Amar √© algo s√©rio, arrebatador e tremendamente desagrad√°vel. Quem ama sabe que isso mais se parece com uma esp√©cie de maldi√ß√£o do que com narrativas infantis de final invariavelmente feliz…

Cavaleiros valentes e princesas encantadas são, no entanto, excelentes metáforas que pretendem passar a ideia da coragem e da nobreza de carácter essenciais a quem ama. Ama-se quando se é capaz de se ser quem é, verdadeiramente.
Esta luta heróica pelo valor da essência do outro não está ao alcance de todos. A maior parte das pessoas são egocêntricas, alegram-se a entrançar os seus egoísmos em figuras improvisadas de resultado sempre disforme a que teimam chamar amor. Talvez porque assim consigam disfarçar o vazio que é a prova de quão frustrante,

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Falo de Ti às Pedras das Estradas

Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solid√£o das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados f√ļlgidos da gl√≥ria,
São astros que me tombam do regaço!

R√ļstica

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho…
– Com o luar matar a sede ao gado,
Dar √†s pombas o sol num gr√£o de milho…

Ser pura como a √°gua da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer √† “terra da verdade”…

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.