Cita√ß√Ķes sobre Recife

7 resultados
Frases sobre recife, poemas sobre recife e outras cita√ß√Ķes sobre recife para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

25 De Março

25 DE MARÇO
(Recife, 1885)
Em Pernambuco para o Cear√°

Bem como uma cabeça inteiramente nua
De sonhos e pensar, de arroubos e de luzes,
O sol de surpreso esconde-se, recua,
Na √≥rbita tra√ßada — de fogo dos obuses.

Da enérgica batalha estóica do Direito
Desaba a escravatura — a lei cujos fossos
Se ergue a consci√™ncia — e a onda em mil destro√ßos
Resvala e tomba e cai o branco preconceito.

E o Novo Continente, ao largo e grande esforço
De gera√ß√Ķes de her√≥is — presentes pelo dorso
√Ä rubra luz da gl√≥ria — enquanto voa e zumbe.

O inseto do terror, a treva que amortalha,
As l√°grimas do Rei e os bravos da canalha,
O velho escravagismo estéril que sucumbe.

A magnificência de um relacionamento sagrado se despedaça nos recifes dos conflitos egocêntricos triviais.

O Tabu e a Met√°fora

A metáfora é provavelmente a potência mais fértil que o homem possui. A sua eficiência chega a raiar os confins da taumaturgia e parece uma ferramenta de criação que Deus deixou esquecida dentro de uma das suas criaturas na ocasião em que a formou, como o cirurgião distraído deixa um instrumento no ventre do operado.
Todas as demais potências nos mantêm inscritos no interior do real, do que já é. O mais que podemos fazer é somar ou subtrair as coisas entre si. Só a metáfora nos facilita a evasão e cria entre as coisas reais recifes imaginários, floração de leves ilhas.
√Č verdadeiramente estranha a exist√™ncia no homem desta actividade mental que consiste em substituir uma coisa por outra, n√£o tanto no esfor√ßo de chegar √† segunda como no intento de esquivar a primeira. A met√°fora escamoteia um objecto mascarando-o por meio de outro, e n√£o teria sentido se n√£o v√≠ssemos nela um instinto que induz o homem a evitar as realidades.
Ao interrogar-se sobre qual poderia ser a origem da metáfora, um psicólogo recentemente descobriu, surpreendido, que uma das suas raízes se encontra no espírito do tabu. Houve uma época em que o medo foi a máxima inspiração humana,

Continue lendo…

Soneto das Metamorfoses

A Edmundo Morais

Carolina, a cansada, fez-se espera
e nunca se entregou ao mar antigo.
N√£o por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada que ent√£o era,
despiu, humildemente, as vestes pretas
e incendiou navios e corvetas
j√° cansada, por fim, de tanta espera.

E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.

Comecei a escrever pequenos contos logo que me alfabetizaram, e escrevi-os em portugu√™s, √© claro. Criei-me em Recife. […] E nasci para escrever. A palavra √© meu dom√≠nio sobre o mundo.

Por Entre O Beberibe, E O Oceano

Por entre o Beberibe, e o Oceano
Em uma areia sáfia, e lagadiça
Jaz o Recife povoação mestiça,
Que o Belga edificou ímpio tirano.

O Povo é pouco, e muito pouco urbano,
Que vive √† merc√™ de uma ling√ľi√ßa,
Unha de velha insípida enfermiça,
E camar√Ķes de charco em todo o ano.

As damas cortes√£s, e por rasgadas
Olhas podridas, são, e pestilências,
Elas com purga√ß√Ķes, nunca purgadas.

Mas a culpa têm vossas reverências,
Pois as trazem rompidas, e escaladas
Com cord√Ķes, com bentinhos, e indulg√™ncias.