Passagens sobre Reflexos

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Que lindas n√£o devem ser estas cria√ß√Ķes et√©reas da vaporosa imagina√ß√£o de uma virgem! Como ser√° aquele ansiar indefinido que ela tem pela realidade de uns sonhos di√°fanos, em que lhe sorriam lindos mancebos de cabelos louros, em pal√°cios de missanga, e nuvens cambiantes de todos os reflexos da inoc√™ncia!…

gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te

gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.
homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.
silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.
destruição contra o caos, destruição contra o caos e eu amo-te.
reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.
envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.
toda a cidade se destina à noite e eu amo-te.

Rio Abaixo

Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga…
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da √°gua, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo, h√° pouco, de p√ļrpura, sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento…
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo p√°lido, embebido
Como um gl√°dio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.

Amo-te

Talvez n√£o seja pr√≥prio vir aqui, para as p√°ginas deste livro, dizer que te amo. N√£o creio que os leitores deste livro procurem informa√ß√Ķes como esta. No mundo, h√° mais uma pessoa que ama. Qual a relev√Ęncia dessa not√≠cia? √Ä sombra do guarda-sol ou de um pinheiro de piqueniques, os leitores n√£o dever√£o impressionar-se demasiado com isso. Depois de lerem estas palavras, os seus pensamentos instant√Ęneos poder√£o diluir-se com um olhar em volta. Para eles, este texto ser√° como iniciais escritas por adolescentes na areia, a onda que chega para cobri-las e apag√°-las. E poss√≠vel que, perante esta longa afirma√ß√£o, alguns desses leitores se indignem e que escrevam cartas de protesto, que reclamem junto da editora. Dou-lhes, desde j√°, toda a raz√£o.
Eu sei. Talvez não seja próprio vir aqui dizer aquilo que, de modo mais ecológico, te posso afirmar ao vivo, por email, por comentário do facebook ou mensagem de telemóvel, mas é tão bom acreditar, transporta tanta paz. Tu sabes. Extasio-me perante este agora e deixo que a sua imensidão me transcenda, não a tento contrariar ou reduzir a qualquer coisa explicável, que tenha cabimento nas palavras, nestas pobres palavras. Em vez disso, desfruto-a, sorrio-lhe. Não estou aqui com a expectativa de ser entendido.

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O Primeiro Beijo

Durante todas as noites desse verão, as estrelas foram líquidas no céu. Quando eu as olhava, eram pontos líquidos de brilho no céu. Na primeira vez, encontrámo-nos durante o dia: eu sorri-lhe, ela sorriu-me. Dissemos duas ou três palavras e contivemo-nos dentro dos nossos corpos. Os olhos dela, por um instante, foram um abismo onde fiquei envolto por leveza luminosa, onde caía como se flutuasse: cair através do céu dentro de um sonho.

Naquela noite, fiquei a esper√°-la, encostado ao muro, alguns metros depois da entrada da pens√£o. As pessoas que passavam eram alegres. Eu pensava em qualquer coisa que me fazia sentir maior por dentro, como a noite. As folhas de hera que cobriam o cimo do muro, e que se suspendiam sobre o passeio, eram uma √ļnica forma nocturna, feita apenas de sombras. Primeiro, senti as folhas de hera a serem remexidas; depois, vi os bra√ßos dela a agarrarem-se ao muro; depois, o rosto dela parado de encontro ao c√©u claro da noite. E faltou uma batida ao cora√ß√£o.

O mundo parou. Sombras pousavam-lhe, transparentes, na pele do rosto. O ar fresco, arrefecido, moldava-lhe a pele do rosto. E o mundo continuou. Ajudei-a a descer.

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Luto por uma Novidade de Espírito

Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros, e essa agonia que lhes parece um jogo de vida e morte mascara uma outra realidade, t√£o extraordin√°ria essa verdade que os outros cairiam de espanto diante dela, como num esc√Ęndalo. Enquanto isso, ora estudam, ora trabalham, ora amam, ora crescem, ora se afanam, ora se alegram, ora se entristecem. A vida com letra mai√ļscula nada pode me dar porque vou confessar que tamb√©m eu devo ter entrado por um beco sem sa√≠da como os outros. Porque noto em mim, n√£o um bocado de fatos, e sim procuro quase tragicamente ser. √Č uma quest√£o de sobreviv√™ncia assim como a de comer carne humana quando n√£o h√° alimento. Luto n√£o contra os que compram e vendem apartamentos e carros e procuram se casar e ter filhos mas luto com extrema ansiedade por uma novidade de esp√≠rito. Cada vez que me sinto quase um pouco iluminada vejo que estou tendo uma novidade de esp√≠rito.
Minha vida é um reflexo deformado assim como se deforma num lago ondulante e instável o reflexo de um rosto. Imprecisão trémula. Como o que acontece com a água quando se mergulha a mão na água.

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Toda a pessoa tem uma estrela, e toda a estrela tem um amigo, e para cada pessoa que transporte uma estrela existe outra que a reflecte, e toda a gente transporta este reflexo como um confidente secreto no seu coração.

Agrada-me ver a santidade no paciente povo de Deus: nos pais que criam com tanto amor os filhos, nos homens e nas mulheres que trabalham para levar o p√£o para casa, nos doentes, nas religiosas idosas que continuam a sorrir. Nessa const√Ęncia para andar em frente dia ap√≥s dia vejo a santidade da Igreja. Esta √© tantas vezes a santidade ¬ęda porta ao lado¬Ľ, daqueles que vivem perto de n√≥s e s√£o um reflexo da presen√ßa de Deus.

Minha Culpa

A Artur Ledesma

Sei l√°! Sei l√°! Eu sei l√° bem
Quem sou?! Um fogo-f√°tuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cen√°rio! Um vaiv√©m…

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei l√° quem Sou?! Sei l√°! Sou a roupagem
Dum doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei l√° quem!…

Sou um verme que um dia quis ser astro…
Uma est√°tua truncada de alabastro…
Uma chaga sangrenta do Senhor…

Sei l√° quem sou?! Sei l√°! Cumprindo os fados,
Num mundo de vaidades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador…

A Inveja n√£o tem Passado

Ainda não tendes advertido, que a inveja faz grande diferença dos mortos aos vivos, e dos presentes aos passados? Os olhos da inveja são como os do Sacerdote Heli, dos quais diz o Texto sagrado, que não podiam ver a luz do Templo, senão depois que se apagava: Oculi ejus caligaverant, nec poterat videre lucernam Dei, antequam extingueretur. Enquanto as luzes são vivas, cada reflexo delas é um raio, que cega os olhos da inveja: porém depois que elas se apagaram, e muito mais se se metem largos anos em meio, então abre a inveja, como ave nocturna, os olhos; então vê o que não podia ver: então venera e celebra essas mesmas luzes, e levanta sobre as Estrelas seus resplendores. Por isso disse com grande juízo S. Zeno Veronense, que todo o invejoso é inimigo dos presentes, e amigo dos passados: In omnibus se inimicum praesentium servat, amicum vero pereuntium. Os mesmos que agora amam, e veneram tanto a Santo António, se viveram em seu tempo, o haviam de aborrecer e perseguir; e as mesmas maravilhas, que tanto celebram e encarecem, se foram obradas na sua Pátria, as haviam de escurecer e aniquilar.

A felicidade que inspiramos tem algo de encantador que, longe de enfraquecer, como todos os reflexos, volta para nós mais radiosa.

A diferença de capacidade entre o indivíduo A e o indivíduo B é mero reflexo da diferença de suas atitudes mentais. Quem se considera capaz de alcançar o ponto 100, chega até o ponto 100; quem possui a convicção de alcançar o ponto 1000, chega até o ponto 1000.

A Monotonia

A monotonia é o que há de mais belo ou de mais terrível. De mais belo, se for um reflexo da eternidade. De mais terrível, se for indício de uma perenidade imutável. Tempo ultrapassado ou tempo esterilizado. O círculo é o símbolo da bela monotonia, a oscilação pendular da monotonia atroz.

A Vida não Passa de um Reflexo da Nossa Memória

H√° uma coisa que me humilha: a mem√≥ria √© muitas vezes a qualidade da tolice; pertence em geral aos esp√≠ritos grosseiros, os quais torna mais pensantes pela bagagem com a qual os sobrecarrega. E, no entanto, sem a mem√≥ria, o que ser√≠amos? Esquecer√≠amos as nossas amizades, os nossos amores, os nossos prazeres, os nossos neg√≥cios; o g√©nio n√£o poderia reunir as suas ideias; o cora√ß√£o mais afectuoso perderia a sua ternura, caso n√£o se recordasse mais dela; a nossa exist√™ncia reduzir-se-ia aos momentos sucessivos de um presente que transcorre sem cessar; n√£o haveria mais passado. √ď que mis√©ria a nossa! A nossa vida √© t√£o v√£ que n√£o passa de um reflexo da nossa mem√≥ria.

Em Busca do Outro

N√£o √© √† toa que entendo os que buscam caminho. Como busquei arduamente o meu! E como hoje busco com sofreguid√£o e aspereza o meu melhor modo de ser, o meu atalho, j√° que n√£o ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido. O Caminho, com letra mai√ļscula, hoje me agarro ferozmente √† procura de um modo de andar, de um passo certo. Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as √°rvores, o atalho onde eu seja finalmente eu, isso n√£o encontrei. Mas sei de uma coisa: meu caminho n√£o sou eu, √© outro, √© os outros. Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei: eis o meu porto de chegada.

O Maior Triunfo do Homem

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade Рo ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se Рsubmeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

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As mulheres: bolas de sab√£o; o dinheiro: bolas de sab√£o; o sucesso: bolas de sab√£o. Os reflexos sobre as bolas de sab√£o s√£o o mundo em que vivemos.

O inferno √© n√£o se amar mais. Enquanto estamos vivos, podemos nos iludir, acreditar que amamos por nossas pr√≥prias for√ßas, que amamos sem Deus. Mas nos assemelhamos aos loucos, que estendem os bra√ßos para o reflexo da lua na √°gua…

A Vida Grata

Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tribut√°ria
Transpor seu √°trio por que a Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prémio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor
Aos mais antigos Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno ‚ÄĒ
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expia√ß√£o ‚ÄĒ at√© que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem ‚ÄĒ
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a vi√ļva lhe p√Ķe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
N√£o deita terra o viandante.

Comportamento Humano Condicionado

Muito do comportamento humano resulta de padr√Ķes de comportamento condicionado implantados no c√©rebro especialmente durante a inf√Ęncia. Estes podem persistir quase sem modifica√ß√£o, mas muito frequentemente v√£o-se adaptando gradualmente √†s mudan√ßas de ambiente. Por√©m, quanto mais velha a pessoa tanto menos facilmente pode improvisar novas respostas condicionadas a tais mudan√ßas; a tend√™ncia, ent√£o, √© fazer o ambiente ajustar-se √†s suas respostas cada vez mais previs√≠veis. Muito da nossa vida consiste na aplica√ß√£o inconsciente de padr√Ķes de reflexo condicionado adquiridos originalmente por estudo √°rduo. Exemplo claro √© a maneira como um motorista acumula in√ļmeras e variadas respostas condicionadas antes de ser capaz de conduzir um carro atrav√©s de uma rua cheia de gente sem prestar muita aten√ß√£o consciente ao processo ‚Äď o que muitas vezes se chama ¬ęconduzir automaticamente¬Ľ. Se passar depois para um campo aberto, o motorista mudar√° para um novo padr√£o de comportamento autom√°tico. De facto, o c√©rebro humano vive em constante adapta√ß√£o de modo reflexo √†s mudan√ßas de ambiente, embora as primeiras li√ß√Ķes em qualquer processo ‚Äď como o de conduzir um autom√≥vel ‚Äď possam exigir dif√≠ceis e at√© tediosos esfor√ßos de concentra√ß√£o.