Cita√ß√Ķes sobre Rolos

9 resultados
Frases sobre rolos, poemas sobre rolos e outras cita√ß√Ķes sobre rolos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Incensos

Dentre o chorar dos trêmulos violinos,
Por entre os sons dos órgãos soluçantes
Sobem nas catedrais os neblinantes
Incensos vagos, que recordam hinos…

Rolos d’incensos alvadios, finos
E transparentes, fulgidos, radiantes,
Que elevam-se aos espaços, ondulantes,
Em Quimeras e Sonhos diamantinos.

Relembrando turíbulos de prata
Incensos arom√°ticos desata
Teu corpo eb√ļrneo, de sedosos flancos.

Claros incensos imortais que exalam,
Que l√Ęnguidas e l√≠mpidas trescalam
As luas virgens dos teus seios brancos.

Fim-de-Semana em Casa

√Č s√°bado. √Č Inverno. √Č dia de acastelar. Sa√≠mos com sacos, ¬ętupper-wares¬Ľ, rolos de notas e troco, listas.
Vamos aos mercados, às lojas, aos restaurantes. O objectivo é enchermo-nos de víveres, jornais e revistas, queijinhos frescos, nozes e avelãs, coentros e beringelas, feijoadas de chocos e caldeiradas, velharias, bolos e pilhas sobressalentes.
S√≥ o bastante para nos acastelarmos em casa, repimp√Ķes, com tudo ao nosso alcance, at√© √† long√≠nqua segunda-feira. Dia em que sa√≠remos – talvez – quando todos os forasteiros e fim-de-semaneiros tiverem voltado para casa deles.
Não temos um fosso ou sequer um ferrolho na porta Рmas corremo-lo à mesma, idealmente, tropeçando de verdade nas cabeças de alhos-porros e nas ramas das beterrabas, protuberando dos sacos de plástico deitados, mortos, no chão da cozinha.
Ser√° a mentalidade medieval do campismo ou o ideal ¬ęhippy¬Ľ da auto-sufici√™ncia? N√£o. Constitui a√ßambarcamento? √Č anti-social? Tamb√©m n√£o. √Č apenas o prazer do ninho. Com ameias.
Quanto pior o tempo, melhor sabe fecharmo-nos no nosso castelinho, seguros que estamos abastecidos, de tudo, para dois dias inteiros, prontos para sobrevivermos alegremente até ao fim do fim-de-semana. Cá nos acastelamos e cá nos vamos arranjando.
Noutra dimensão, graças a compras sabichonas,

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10

A nuvem anuncia a secura das casas.
Um homem desloca-se devagar,
atravessa uma plantação de café em
silêncio, como as aves da noite. A sua fome
é igual à dos pássaros que reflectem no espelho
uma m√°scara de dor. Quando o homem desperta
dessa travessia apenas encontra um rolo de tabaco
velho e um machado quebrado em cima de uma
mesa. E n√£o volta nunca mais a esse lugar.

Meridional

Cabelos

√ď vagas de cabelo esparsas longamente,
Que sois o vasto espelho onde eu me vou mirar,
E tendes o cristal dum lago refulgente
E a rude escurid√£o dum largo e negro mar;

Cabelos torrenciais daquela que me enleva,
Deixai-me mergulhar as mãos e os braços nus
No b√°ratro febril da vossa grande treva,
Que tem cintila√ß√Ķes e meigos c√©us de luz.

Deixai-me navegar, morosamente, a remos,
Quando ele estiver brando e livre de tuf√Ķes,
E, ao plácido luar, ó vagas, marulhemos
E enchamos de harmonia as amplas solid√Ķes.

Deixai-me naufragar no cimo dos cachopos
Ocultos nesse abismo eb√Ęnico e t√£o bom
Como um licor renano a fermentar nos copos,
Abismo que se espraia em rendas de Alençon!

E, ó mágica mulher, ó minha Inigualável,
Que tens o imenso bem de ter cabelos tais,
E os pisas desdenhosa, altiva, imperturb√°vel,
Entre o rumor banal dos hinos triunfais;

Consente que eu aspire esse perfume raro,
Que exalas da cabeça erguida com fulgor,
Perfume que estonteia um milion√°rio avaro
E faz morrer de febre um louco sonhador.

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O Amor Nunca Salva, mas alguém Tem uma Ideia Melhor?

Descobri, um pouco tarde, que afinal todos os meus livros s√£o hist√≥rias de amor. S√≥ que as daninhas estavam t√£o bem disfar√ßadas que eu pr√≥prio n√£o tinha reparado. √Äs vezes, amo entre duas pessoas, outras de amor entre uma pessoa e uma ideia. Idalina enamora-se por ¬ęuma dan√ßa sem m√ļsica¬Ľ. Sam Espinosa apaixona-se por uma mulher uns anitos mais velha (duzentos, coisa pouca), Greg quase √© salvo da perdi√ß√£o por uma s√≥sia de Angelina Jolie. O amor est√° no ar e tamb√©m, como diria um poeta, o amor est√° no mar. O amor n√£o salva, nunca salva, mas algu√©m tem uma ideia melhor?
Tão sensacional descoberta levou-me a cogitar no seguinte: e qual será a melhor forma de amar? Carente de modelos reais na vida humana, decidi procurá-los na natureza. Com a ajuda da televisão, claro, Canal Odisseia, National Geographic, Canal Panda, essas coisas. Pode-se lá chegar à natureza, nos dias que correm, senão pela televisão! Três rolos modelos logo me saltaram à vista: o Amor do Louva-a-deus; o Amor do Cisne; o Amor do Urso Polar.
Após alguma esmiuçação, concluí que qualquer um me parece bem, e tem as suas vantagens e desvantagens.
No romance do louva-a-deus,

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Abnegação

Chovam lírios e rosas no teu colo!
Chovam hinos de glória na tua alma!
Hinos de glória e adoração e calma,
Meu amor, minha pomba e meu consolo!

Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
Cantos e aroma o ar e sombra a palmar.
E quando surge a lua e o mar se acalma,
Sonhos sem fim seu preguiçoso rolo!

E nem sequer te lembres de que eu choro…
Esquece at√©, esquece, que te adoro…
E ao passares por mim, sem que me olhes,

Possam das minhas lágrimas cruéis
Nascer sob os teus pés flores fiéis,
Que pises distraída ou rindo esfolhes!

A Realidade Transfigurada

N√£o quero ter a terr√≠vel limita√ß√£o de quem vive apenas do que √© pass√≠vel de fazer sentido. Eu n√£o: quero √© uma verdade inventada. O que te direi? te direi os instantes. Exorbito-me e s√≥ ent√£o √© que existo e de um modo febril. Que febre: conseguirei um dia parar de viver? ai de mim, que tanto morro. Sigo o tortuoso caminho das ra√≠zes rebentando a terra, tenho por dom a paix√£o, na queimada de tronco seco contor√ßo-me √†s labaredas. A dura√ß√£o de minha exist√™ncia dou uma significa√ß√£o oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: re√ļno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos rel√≥gios.
Para me interpretar e formular-me preciso de novos sinais e articula√ß√Ķes novas em formas que se localizem aqu√©m e al√©m de minha hist√≥ria humana. Transfiguro a realidade e ent√£o outra realidade, sonhadora e son√Ęmbula, me cria. E eu inteira rolo e √† medida que rolo no ch√£o vou me acrescentando em folhas, eu, obra an√īnima de uma realidade an√īnima s√≥ justific√°vel enquanto dura a minha vida. E depois? depois tudo o que vivi ser√° de um pobre sup√©rfluo.
Mas por enquanto estou no meio do que grita e pulula.

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Dispers√£o

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
√Č com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na √Ęnsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida…

Para mim é sempre ontem,
N√£o tenho amanh√£ nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é familia,
√Č bem-estar, √© singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).

O pobre mo√ßo das √Ęnsias…
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas √Ęnsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho,

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Como posso acreditar em Deus se, na semana passada, prendi a língua no rolo de minha máquina de escrever?