Cita√ß√Ķes de Samuel Beckett

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Samuel Beckett para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

As lágrimas do mundo são inalteráveis. Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára. O mesmo vale para o riso.

A virtude absoluta mata o ser humano com tanta segurança como o vício absoluto, pela letargia e pomposidade que provocam.

A arte sempre foi isto Рinterrogação pura, questão retórica sem a retórica Рembora se diga que aparece pela realidade social.

Quem √Č Que Tu Amas?

РQuem é que tu amas? Рcontinuou Murphy. РEu, tal como sou. Podes desejar o que não existe, não podes amá-lo. РNada mal, para um Murphy. РSe assim é, por que diabo te esforças tanto para me modificar? Para poderes deixar de me amar Рaqui, a voz subiu e atingiu uma nota bastante honrosa Рpara deixares de estar condenada a amar-me, para seres dispensada de me amar.

√Č o Fim que Confere o Significado √†s Palavras

Apenas as palavras quebram o sil√™ncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, n√£o ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recome√ßariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, n√£o, nunca, nem um segundo. Tamb√©m choro sem interrup√ß√£o. √Č um fluxo incessante de palavras e l√°grimas. Sem pausa para reflex√£o. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Tamb√©m mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. √Č-me dif√≠cil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as s√≠labas, as l√°grimas, confundo-as, palavras e l√°grimas, as minhas palavras s√£o as minhas l√°grimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se √© o sil√™ncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, n√£o √© assim que acontece, √© sempre o mesmo murm√ļrio, fluindo ininterruptamente, como uma √ļnica palavra infind√°vel e, por isso, sem significado, porque √© o fim que confere o significado √†s palavras.

√Č de mim agora que eu preciso falar, mesmo se eu tiver que faz√™-lo com sua l√≠ngua, ser√° um come√ßo, um passo em dire√ß√£o ao sil√™ncio e ao fim da loucura.

Sim, a partir do momento em que se conhece o porquê, tudo se torna mais fácil, uma simples questão de magia.

A Vida é um Hábito

O h√°bito √© o balastro que prende o c√£o ao seu v√≥mito. Respirar √© um h√°bito. A vida √© um h√°bito. Ou melhor, a vida √© uma sucess√£o de h√°bitos, porque o indiv√≠duo √© uma sucess√£o de indiv√≠duos […] ¬ęH√°bito¬Ľ √© pois o termo gen√©rico para os in√ļmeros contratos celebrados entre os in√ļmeros sujeitos que constituem o indiv√≠duo e os seus in√ļmeros objectos correlativos. Os per√≠odos de transi√ß√£o que separam as consecutivas adapta√ß√Ķes […] representam as zonas perigosas na vida do indiv√≠duo, perigosas, penosas, misteriosas e f√©rteis, em que, por um momento, o t√©dio de viver √© substitu√≠do pelo sofrimento de ser.