Cita√ß√Ķes sobre Sucess√£o

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Frases sobre sucess√£o, poemas sobre sucess√£o e outras cita√ß√Ķes sobre sucess√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

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O √öltimo N√ļmero

Hora da minha morte. Hirta, ao meu lado,
A id√©ia estertorava-se… No fundo
Do meu entendimento moribundo
jazia o √ļltimo n√ļmero cansado.

Era de vê-lo, imóvel, resignado,
Tragicamente de si mesmo oriundo,
Fora da sucess√£o, estranho ao mundo,
Com o reflexo f√ļnebre do Increado:

Bradei: – Que fazes ainda no meu cr√Ęnio?
E o √ļltimo n√ļmero, atro e subterr√Ęneo,
Parecia dizer-me: “√Č tarde, amigo!

Pois que a minha ontogênica Grandeza
Nunca vibrou em tua língua presa,
N√£o te abandono mais! Morro contigo!”

Eu leio nos jornais que a sucess√£o vai ser decidida em 1978. A√≠, consulto minha folhinha e vejo que n√£o estamos em 1978, mas em novembro de 1977. A√≠ leio de novo o que voc√™s est√£o escrevendo (jornalistas), e percebo que se baseiam em ‚Äėconversas de jantares √≠ntimos‚Äô. Como eu n√£o ou√ßo conversas √≠ntimas, nem pesquiso atividades n√£o oficiais, n√£o posso nem confirmar, nem desmentir o que leio.

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças, pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.

N√£o Tenhas Medo do Passado

N√£o tenhas medo do passado. Se as pessoas te disserem que ele √© irrevog√°vel, n√£o acredites nelas. O passado, o presente e o futuro n√£o s√£o mais do que um momento na perspectiva de Deus, a perspectiva na qual dever√≠amos tentar viver. O tempo e o espa√ßo, a sucess√£o e a extens√£o, s√£o meras condi√ß√Ķes acidentais do pensamento. A imagina√ß√£o pode transcend√™-las, e mais, numa esfera livre de exist√™ncias ideais. Tamb√©m as coisas s√£o na sua ess√™ncia aquilo em que decidimos torn√°-las. Uma coisa √© segundo o modo como olhamos para ela.

Que Encanto é o Teu?

Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. N√£o finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um c√Ęntico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante h√° que inventar de novo,

t√£o quase √© coisa ou sucess√£o que passa…
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.

O Significado do Progresso

Que devemos entender por essa palavra? Se a definirmos como bons gramáticos, diremos que é um acréscimo de bem ou de mal, na medida em que possamos discernir entre o bem e o mal; e estaremos assim a representar o próprio avanço da humanidade. Mas se, como se faz nesta época em que não se sabe mais pensar nem falar, dissermos que o progresso é o movimento da humanidade que se aperfeiçoa sem cessar, estaremos a dizer uma coisa que não corresponde à realidade. Esse movimento não se observa na História, a qual só nos apresenta uma sucessão de catástrofes e de avanços seguidos de retrocessos.

H

Sei que dez anos nos separam de pedras
e raízes nos ouvidos

e ver-te, ó menina do quarto vermelho,
era ver a tua bondade, o teu olhar terno
de Borboleta no Infinito

e toda essa sucessão de pontos vermelhos no espaço
em que tu eras uma estrela que caiu
e incendiou a terra

l√° longe numa fonte cheia de fogos-f√°tuos.

Tudo o que Somos é Ficção

Há que entender que tudo o que somos é ficção.
Pessoas atrás de pessoas pedem-me conselhos. Acreditam que o que escrevo me torna em alguém especial, capaz de lhes entender o que fazem, o que sentem, até o que escrevem. Fico perdido, sem saber o que fazer, sem saber o que dizer. E é por isso que escrevo. Escrever é estar perdido e procurar, a cada frase, um caminho. Ou um simples sinal de que pode haver um caminho, de que pode haver uma esperança. Escrever é procurar a esperança, todos os dias, no que não existe, no que se escreve para ver se existe. Não sou escritor, nunca fui escritor, não quero ser escritor. Sou apenas o gajo que escreve porque tem de escrever, porque os dias exigem que escreva, porque uma urgência qualquer o obriga a escrever. Escrevo como necessidade biológica, e às vezes custa tanto ter de escrever. Não dói mas custa, é uma dor de fora para dentro, como se as letras saíssem da pele, do por dentro dos ossos. E a literatura. O que raios é a literatura? Estou-me nas tintas para a literatura. Não quero escrever literatura, não quero os intelectuais do meu lado.

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A criatividade √© erro ‚Äď √© sucess√£o de erros. √Č procurar, por entre aquilo que nunca foi feito, a solu√ß√£o para ti, para mim ‚Äď e para quem nos apanhar.

Quem n√£o Ama a Solid√£o, n√£o Ama a Liberdade

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.
Assim como o nosso corpo est√° envolto em vestes, o nosso esp√≠rito est√° revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ac√ß√Ķes, todo o nosso ser √© mentiroso, e s√≥ por meio desse inv√≥lucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomoda√ß√£o m√ļtua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha ser√°. Cada um s√≥ pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, n√£o ama a solid√£o, tamb√©m n√£o ama a liberdade: apenas quando se est√° s√≥ √© que se est√° livre.
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade.

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O Inventário da Nossa Civilização

Fazer o invent√°rio ou uma an√°lise da nossa civiliza√ß√£o, quer dizer o qu√™? Procurar esclarecer, de uma maneira rigorosa, a armadilha que fez do homem escravo das suas pr√≥prias cria√ß√Ķes. Por onde se infiltrou a inconsci√™ncia entre a ac√ß√£o e o pensamento met√≥dicos? Na vida selvagem, a evas√£o constitui uma solu√ß√£o pregui√ßosa. √Č preciso reencontrar, na pr√≥pria civiliza√ß√£o em que vivemos, o pacto original entre o esp√≠rito e o mundo. De resto, trata-se de uma tarefa imposs√≠vel de concretizar, por causa da brevidade da vida e da impossibilidade da colabora√ß√£o e da sucess√£o. O que n√£o √© raz√£o para n√£o a empreender. Estamos todos em situa√ß√£o an√°loga √† de S√≥crates, o qual, enquanto esperava a morte na pris√£o, aprendeu a tocar lira… pelo menos, teremos vivido…

A Um Mascarado

Rasga esta máscara ótima de seda
E atira-a √† arca ancestral dos palimpsestos…
√Č noite, e, √† noite, a esc√Ęndalos e incestos
√Č natural que o instinto humano aceda!

Sem que te arranquem da garganta queda
A interjeição danada dos protestos,
H√°s de engolir, igual a um porco, os restos
Duma comida horrivelmente azeda!

A sucess√£o de hebd√īmadas medonhas
Reduzir√° os mundos que tu sonhas
Ao microcosmos do ovo primitivo…

E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,
Ter√° somente uma vontade cega
E uma tendência obscura de ser vivo!

Liberdade e Eternidade

A liberdade que √†s vezes sentia n√£o vinha de reflex√Ķes n√≠tidas, mas de um estado como feito de percep√ß√Ķes por demais org√Ęnicas para serem formuladas em pensamentos. √Äs vezes no fundo da sensa√ß√£o tremulava uma ideia que lhe dava leve consci√™ncia de sua esp√©cie e de sua cor.

O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade. O pr√≥prio pensamento adquiria uma qualidade de eternidade. Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conte√ļdo e uma forma, mas sem dimens√Ķes tamb√©m. A impress√£o de que se conseguisse manter-se na sensa√ß√£o por mais uns instantes teria uma revela√ß√£o ‚ÄĒ facilmente, como enxergar o resto do mundo apenas inclinando-se da terra para o espa√ßo. Eternidade n√£o era s√≥ o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de n√£o poder cont√™-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e tamb√©m era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstracto. Sobretudo dava ideia de eternidade a impossibilidade de saber quantos seres humanos se sucederiam ap√≥s seu corpo, que um dia estaria distante do presente com a velocidade de um b√≥lido.

Definia eternidade e as explica√ß√Ķes nasciam fatais como as pancadas do cora√ß√£o. Delas n√£o mudaria um termo sequer,

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Imitadores

Os homens n√£o descendem dos macacos, mas desenvolvem todos os esfor√ßos para o fazer crer. O pecado original aproximou-nos dos animais e toda a alma √©, de uma maneira ou de outra, uma crestomia zool√≥gica. O que Dante diz das ovelhas – ¬ęe o que uma faz primeiro as outras imitam¬Ľ – poder-se-ia aplicar a quase todos n√≥s.
Desde que Ad√£o resolveu imitar Eva e mordeu o fruto, somos, a despeito da nossa ilus√£o em contr√°rio, uma sucess√£o infinita de c√≥pias. Um √ļnico cunho – em regra, chamado g√©nio – basta para imprimir milhares e milhares daquelas moedas vulgares que circulam pela Terra. E o g√©nio nem sempre se liberta da servid√£o universal da imita√ß√£o. Toda a vida √© um mosaico de pl√°gios.
A maioria imita por preguiça, para se poupar o trabalho de procurar e inventar, ou por prudência, que aconselha os caminhos percorridos e as experiências coroadas de êxito. Compreende-se que a humildade, embora rara, leve naturalmente quem a possui a imitar aqueles que reconhece superiores, mas a própria soberba, que deveria afastar da repetição, torna-nos macacos. Se viver é distinguir-se, o orgulhoso deveria providenciar para não se parecer com ninguém. Mas a inveja, sob a sonante designação da emulação,

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