Cita√ß√Ķes sobre Sepulturas

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Frases sobre sepulturas, poemas sobre sepulturas e outras cita√ß√Ķes sobre sepulturas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Manh√£ de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detr√°s das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fant√°stica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, l√°grimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras √ļmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o ch√£o recebe o pranto da vi√ļva.

Gelo n√£o cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
V√£o subindo as que encheram todo o vale;
J√° se v√£o descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;

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Um Infinito Domingo à Tarde

Regra geral, um ser humano agora vive tanto que acaba por arrastar muito mais penas do que as que lhe dizem respeito, e isso acaba por notar-se-lhe no rosto. Uma das consequ√™ncias da crescente longevidade do habitante das sociedades desenvolvidas, em que, por outro lado, n√£o se costuma pensar demasiado, √© que, contrariamente ao que sucedia h√° algumas d√©cadas, os velhos de hoje t√™m tempo para assistir √† devasta√ß√£o da vida dos filhos, veem-nos praticamente envelhecer, fracassar, cansar-se da luta. Antes, na hora da morte dos pais, os filhos eram ainda fortes, tinham projetos, mulheres bonitas, um futuro aparentemente luminoso. Agora √© f√°cil que um av√ī contemple antes de morrer o div√≥rcio do neto (v√™-o aos domingos sentar-se √† mesa na casa da fam√≠lia, sem um c√™ntimo, com a camisa amarrotada), enquanto no mundo anterior a este, por raz√Ķes de tempo, o neto n√£o era mais do que uma crian√ßa que √†s vezes ia buscar √£ escola, a quem dava a m√£o no regresso a casa e ajudava a conseguir nos alfarrabistas os cromos que lhe faltavam na sua cole√ß√£o de futebolistas. Hoje, o velho que morre n√£o abandona um mundo em marcha cheio de projetos e promessas, como sucedia dantes,

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Tentei fugir da mancha mais escura

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de n√£o poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escurid√£o…

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro

Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as n√°iades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abra√ßa e c’roa
A malfadada Inês na sepultura.

A Vaidade Acompanha-nos Até na Morte

Sendo o termo da vida limitado, n√£o tem limite a nossa vaidade; porque dura mais, do que n√≥s mesmos, e se introduz nos aparatos √ļltimos da morte. Que maior prova, do que a f√°brica de um elevado mausol√©u? No sil√™ncio de uma urna depositam os homens as suas mem√≥rias, para com a f√© dos m√°rmores fazerem seus nomes imortais: querem que a sumptuosidade do t√ļmulo sirva de inspirar venera√ß√£o, como se fossem rel√≠quias as suas cinzas, e que corra por conta dos jaspes a continua√ß√£o do respeito. Que fr√≠volo cuidado! Esse triste resto daquilo, que foi homem, j√° parece um √≠dolo colocado em um breve, mas soberbo domic√≠lio, que a vaidade edificou para habita√ß√£o de uma cinza fria, e desta declara a inscri√ß√£o o nome, e a grandeza. A vaidade at√© se estende a enriquecer de adornos o mesmo pobre horror da sepultura.

Vivemos com vaidade, e com vaidade morremos; arrancando os √ļltimos suspiros, estamos dispondo a nossa pompa f√ļnebre, como se em hora t√£o fatal o morrer n√£o bastasse para ocupa√ß√£o; nessa hora, em que estamos para deixar o mundo, ou em que o mundo est√° para nos deixar, entramos a compor, e a ordenar o nosso acompanhamento,

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Saudade Extrema

1

Gentil Rola, que sobre o ramo seco,
Desse vi√ļvo freixo, brandas queixas
Espalhas toda a noite, e escutas o eco
Repetir-te mavioso iguais endechas:

2

N√£o chores. Ouve a meu saudoso canto,
Que excede quanta m√°goa arroja a sorte:
Ninguém, como eu padece extremo tanto,
Que a ninguém roubou tanto a crua Morte,

3

Tu viste M√°rcia: a M√°rcia, oh Rola, ouviste,
Quanta beleza, oh Céus! quanta doçura!
Tem coração de bronze quem resiste
À dor de a ver no horror da sepultura.

4

Tu podes ter formosa companhia
Terna e fiel. Filinto desgraçado
Te perdeu a sperança lisonjeira
De achar M√°rcia em transunto inanimado.

A Sabedoria do Homem Comum

Os ignorantes e o homem comum n√£o t√™m problemas. Para eles na Natureza tudo est√° como deve estar. Eles compreendem as coisas pela simples raz√£o delas existirem. E, na realidade, n√£o d√£o eles provas de mais raz√£o do que todos os sonhadores, que chegam a duvidar do seu pr√≥prio pensamento? Morre um dos seus amigos, e como julgam saber o que √© a morte √† dor que sentem por o perderem n√£o acrescentam a cruel ansiedade que resulta da impossibilidade de aceitar um acontecimento t√£o natural… Estava vivo, e agora encontra-se morto; falava-me, o seu esp√≠rito prestava aten√ß√£o ao que eu lhe dizia, mas hoje j√° nada disso existe: resta apenas aquele t√ļmulo – mas repousa ele nesse t√ļmulo, t√£o frio como a pr√≥pria sepultura? Erra a sua alma em redor desse monumento? Quando eu penso nele √© a sua alma que vem assolar a minha mem√≥ria? O h√°bito traz-nos de novo, contudo, ao n√≠vel do homem comum.
Quando o seu rasto se tiver apagado – n√£o h√° d√ļvidas de que ele morreu! – ent√£o a coisa deixar√° de nos incomodar. Os s√°bios e os pensadores parecem portanto menos avan√ßados que o homem comum, j√° que eles pr√≥prios n√£o t√™m a certeza,

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N√£o h√° Felicidade sem Verdadeira Vida Interior

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movi¬≠mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos feli¬≠zes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelec¬≠to que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entret√©m ininter¬≠ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa¬≠ra tanto, o mero √≥cio, isto √©, o intelecto n√£o ocupado com o servi√ßo da vontade, n√£o √© suficiente; √© necess√°rio um excedente real de for√ßa, pois apenas este capacita a uma ocupa√ß√£o puramente espiritual, n√£o subordinada ao ser¬≠vi√ßo da vontade.

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Nós somos sepulturas vivas de bestas assassinadas, abatidas para satisfazer nossos apetites. Como podemos esperar neste mundo, a paz de que tanto ansiamos

Apenas Vi Do Dia A Luz Brilhante

Apenas vi do dia a luz brilhante
L√° de T√ļbal no emp√≥rio celebrado,
Em sanguíneo carácter foi marcado
Pelos Destinos meu primeiro instante.

Aos dois lustros a morte devorante
Me roubou, terna m√£e, teu doce agrado;
Segui Marte depois, e em fim meu fado
Dos irm√£os e do pai me p√īs distante.

Vagando a curva terra, o mar profundo,
Longe da p√°tria, longe da ventura,
Minhas faces com l√°grimas inundo.

E enquanto insana multid√£o procura
Essas quimeras, esses bens do mundo,
Suspiro pela paz da sepultura.

Baladas Rom√Ęnticas – Azul…

Lembra-te bem! Azul-celeste
Era essa alcova em que te amei.
O √ļltimo beijo que me deste
Foi nessa alcova que o tomei!
√Č o firmamento que a reveste
Toda de um c√°lido fulgor:
– Um firmamento, em que puseste
Como uma estrela, o teu amor.

Lembras-te? Um dia me disseste:
“Tudo acabou!” E eu exclamei:
“Se vais partir, por que vieste?”
E √†s tuas plantas me arrastei…
Beijei a fimbria à tua veste,
Gritei de espanto, uivei de dor:
“Quem h√° que te ame e te requeste
Com febre igual ao meu amor?”

Por todo o mal que me fizeste,
Por todo o pranto que chorei,
– Como uma casa em que entra a peste,
Fecha essa casa em que fui rei!
Que nada mais perdure e reste
Desse passado embriagador:
E cubra a sombra de um cipreste
A sepultura deste amor!

Desbote-a o inverno! o est√£o a creste!
Abale-a o vento com fragor!
– Desabe a igreja azul-celeste
Em que oficiava o meu amor!

Tatuagens Complicadas Do Meu Peito

Tatuagens complicadas do meu peito:
Trof√©us, emblemas, dois le√Ķes alados…
Mais, entre cora√ß√Ķes engrinaldados,
Um enorme, soberbo, amor-perfeito…

E o meu bras√£o… Tem de oiro, num quartel
Vermelho, um lis; tem no outro uma donzela,
Em campo azul, de prata o corpo, aquela
Que é no meu braço como que um broquel.

Timbre: rompante, a megalomania…
Divisa: um ai, – que insiste noite e dia
Lembrando ru√≠nas, sepulturas rasas…

Entre castelos serpes batalhantes,
E √°guias de negro, desfraldando as asas,
Que realça de oiro um colar de besantes!

O Condenado

Folga a justiça e geme a natureza РBocage

Alma feita somente de granito,
Condenada a sofrer cruel tortura
Pela rua sombria d’amargura
РEi-lo que passa Рréprobo maldito.

Olhar ao ch√£o cravado e sempre fito,
Parece contemplar a sepultura
Das suas ilus√Ķes que a desventura
Desfez em pó no hórrido delito.

E, à cruz da expiação subindo mudo,
A vida a lhe fugir j√° sente prestes
Quando ao golpe do algoz, calou-se tudo.

O mundo é um sepulcro de tristeza,
Ali, por entre matas de ciprestes,
Folga a justiça e geme a natureza.

De Martins Pena Foi Bem Triste A Sorte

De Martins Pena foi bem triste a sorte:
Moço, bem moço, quando o seu talento
Desabrochava n’um deslumbramento,
Caiu, ferido pela m√£o da morte!

Era, entretanto, um lutador, um forte,
E, como n√£o merece o esquecimento,
Que a nossa festa, ao menos um momento,
O seu risonho espírito conforte.

Quem o amou e o leu em v√£o procura
O seu nome na placa de uma esquina
Ou sobre a pedra de uma sepultura!

Porém, voltando à brasileira cena,
H√° de brilhar a estrela peregrina
Que se chamou Luiz Carlos Martins Pena!

O poeta asseteado por amor

√ď C√©us! Que sinto n’alma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: “A que se exp√Ķe quem n√£o receia
Contemplar Ursulina um só momento!

“Insano! Eu bem te vi dentre a luz pura
De seus olhos travessos, e cum tiro
Puni tua sacrílega loucura:

“De morte, por piedade hoje te firo;
Vai pois, vai merecer na sepultura
√Ä tua linda ingrata algum suspiro.”

À Sua Velhice

Meu corpo assaz tem sido espicaçado
Com buídos punhais, por mão da Morte,
Que arrebatado tem, da minha corte,
Grande rancho de quanto tenho amado.

N√£o me poupa a cruel no triste estado
Do caduco viver da minha Sorte:
Quando era vigoroso, moço forte,
Suportava com mais valor meu Fado.

Ent√£o as minhas √°speras feridas
N√£o tinham para mim tardias curas,
Porque o Tempo receitas tem, sabidas.

Mas velho e c’o vapor das sepulturas,
Como posso curar as desabridas
Chagas, das minhas novas amarguras?

Baladas Rom√Ęnticas – Verde…

Como era verde este caminho!
Que calmo o céu! que verde o mar!
E, entre fest√Ķes, de ninho em ninho,
A Primavera a gorjear!…
Inda me exalta, como um vinho,
Esta fatal recordação!
Secou a flor, ficou o espinho…
Como me pesa a solid√£o!

√ďrf√£o de amor e de carinho,
√ďrf√£o da luz do teu olhar,
РVerde também, verde-marinho,
Que eu nunca mais hei de olvidar!
Sob a camisa, alva de linho,
Te palpitava o cora√ß√£o…
Ai! coração! peno e definho,
Longe de ti, na solid√£o!

Oh! tu, mais branca do que o arminho,
Mais p√°lida do que o luar!
– Da sepultura me avizinho,
Sempre que volto a este lugar…
E digo a cada passarinho:
“N√£o cantes mais! que essa can√ß√£o
Vem me lembrar que estou sozinho,
No ex√≠lio desta solid√£o!”

No teu jardim, que desalinho!
Que falta faz a tua m√£o!
Como inda √© verde este caminho…
Mas como o afeia a solid√£o!