CitaçÔes sobre Soluços

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Frases sobre soluços, poemas sobre soluços e outras citaçÔes sobre soluços para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Versos

Versos! Versos! Sei lĂĄ o que sĂŁo versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pĂ©talas que caem uma a uma…

Versos!… Sei lĂĄ! Um verso Ă© o teu olhar,
Um verso Ă© o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lĂĄ tambĂ©m que sĂŁo…
Sei lĂĄ! Sei lĂĄ!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços sĂŁo talvez…

Versos! Versos! Sei lĂĄ o que sĂŁo versos…
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que nĂŁo crĂȘs…

Saudades TrĂĄgico-MarĂ­timas

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
Na praia, de bruços,
fico sonhando, fico-me escutando
o que em mim sonha e lembra e chora alguém;
e oiço nesta alma minha
um longĂ­nquo rumor de ladainha,
e soluços,
de alĂ©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

SĂŁo meus AvĂłs rezando,
que andaram navegando e que se foram,
olhando todos os céus;
sĂŁo eles que em mim choram
seu fundo e longo adeus,
e rezam na Ăąnsia crua dos naufrĂĄgios;
choram de longe em mim, e eu oiço-os bem,
choram ao longe em mim sinas, pressĂĄgios,
de alĂ©m, de alĂ©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

Naufraguei cem vezes jĂĄ…
Uma, foi na nau S. Bento,
e vi morrer, no trĂĄgico tormento,
Dona Leonor de SĂĄ:
vi-a nua, na praia ĂĄspera e feia,
com os olhos implorando
– olhos de esposa e mĂŁe –
e vi-a, seus cabelos desatando,
cavar a sua cova e enterrar-se na areia.
– E sozinho me fui pela praia alĂ©m…

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Conciliação

Se essa angĂșstia de amar te crucifica,
NĂŁo Ă©s da dor um simples fugitivo:
Ela marcou-te com o sinete vivo
Da sua estranha majestade rica.

És sempre o Assinalado ideal que fica
Sorrindo e contemplando o céu altivo;
Dos Compassivos Ă©s o compassivo,
Na Transfiguração que glorifica.

Nunca mais de tremer terĂĄs direito…
Da Natureza todo o Amor perfeito
AdorarĂĄs, venerarĂĄs contrito.

Ah! Basta encher, eternamente basta
Encher, encher toda esta Esfera vasta
Da convulsão do teu soluço aflito!

O Homem Amesquinhado

Apesar do quadro negro de uma cĂșpula polĂ­tica e intelectual desvairada e grossa e de um povo abandonado a seu prĂłprio destino, ainda havia ali, no paĂ­s, naquele espantoso verĂŁo de 1955, uma considerĂĄvel energia vital, uma exaltada alegria de viver, acentuada, em alguns lugares e num ou noutro indivĂ­duo, ainda mais possuĂ­do do gozo pleno de um extraodinĂĄrio senso lĂșdico tropical. EstĂĄvamos, poderĂ­amos nos considerar como estando, num dos Ășltimos redutos do ser humano. Depois disso viria o fim, nĂŁo, como todos pensavam, com um estrondo, mas com um soluço. A densa nuvem desceria, nĂŁo, como todos pensavam, feita de molĂ©culas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, vĂ­tima da mesquinharia do seu semelhante, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a um ato de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a uma palavra dita com uma precisa propriedade. E tudo começou a ficar densamente escuro, porque tudo era terrivelmente patrocinado por enlatadores de banha, fabricantes de chouriço e vendedores de desodorante, de modo que toda a pretensa graça da vida se dirigia apenas Ă  barriga dos gordos, Ă  tripa dos porcos, ou, no mĂĄximo de finura e elegĂąncia,

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A Voz do Amor

Nessa pupila rĂștila e molhada,
RefĂșgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.

E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo Ă s vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De soluços e cĂąnticos, murmura…

É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de sĂșplicas e gritos
Conta a histĂłria de todos os amores;

E vĂȘm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, coraçÔes aflitos,
Tempestades de lĂĄgrimas e flores…

O Sono de Percival

O justo Ă© injusto, o injusto justo Ă©.
DĂ©bil julguei ouvir tua voz a desoras.
Um lamento lento, por certo a voz
do vento. Secarei, talvez como o feno,
nĂŁo dormindo, nem noites, nem dias.

Soluço abafado, sussurro apenas
perceptĂ­vel apĂłs a brancura
obliterante do relĂąmpago,
quando cessa o fragor que o excede
e a chuva cai e tudo se cala,

terei ouvido tua voz. Secarei,
talvez, como o feno. O justo
Ă© injusto, o injusto justo Ă©.
Procurei no horto e no deserto,
sob o cavo ruĂ­do das torrentes

subterrĂąneas, na imemorial
pedra circular com que o humano
terror balizou os horizontes
do tempo. No espectro da rosa
dos ventos, no vento espectral

da rosa. Seria a voz do vento,
pintura da minha imaginação
doente, a vigĂ­lia do sono,
a febre dos sentidos,
nĂŁo dormindo noites e dias

para ouvir tua voz. O justo
Ă© injusto, o injusto justo Ă©
para ouvir tua voz.
Secarei como o feno.
Para ouvir tua voz.

Noite De Chuva

Chuva…Que gotas grossas!…Vem ouvir:
Uma …duas…mais outra que desceu…
É Viviana, Ă© Melusina, a rir,
SĂŁo rosas brancas dum rosal do CĂ©u…

Os lilases deixaram-se dormir…
Nem um frĂ©mito…a terra emudeceu…
Amor! Vem ver estrelas a cair:
Uma…duas…mais outra que desceu…

Fala baixo, juntinho ao meu ouvido,
Que essa fala de amor seja um gemido,
Um murmĂșrio, um soluço, um ai desfeito…

Ah! deixa Ă  noite o seu encanto triste!
E a mim…o teu amor que mal existe,
Chuva a cair na noite do meu peito!

A Anto!

Poeta da saudade, Ăł meu poeta quÂŽrido
Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal,
Ao escrever o SĂł pensaste enternecido
Que era o mais triste livro deste Portugal,

Pensaste nos que liam esse teu missal,
Tua bĂ­blia de dor, teu chorar sentido
Temeste que esse altar pudesse fazer mal
Aos que comungam nele a soluçar contigo!

Ó Anto! Eu adoro os teus estranhos versos,
Soluços que eu uni e que senti dispersos
Por todo o livro triste! Achei teu coração…

Amo-te como não te quis nunca ninguém,
Como se eu fosse, Ăł Anto, a tua prĂłpria mĂŁe
Beijando-te jĂĄ frio no fundo do caixĂŁo!

Somos uma Turba e Ninguém

Somos uma turba e ninguĂ©m: um ninguĂ©m que vive, porque Ă© sangue e carne, e existe porque Ă© esqueleto ou pedra; e uma turba da espectros que nos acompanha desde a Origem, e Ă© a nossa mesma pessoa multiplicada em mil tendĂȘncias incoerentes, forças contraditĂłrias, em vĂĄrios sentidos ignotos… E lĂĄ vamos, a tactear as trevas, ladeando, avançando, recuando, como pobres jumentos aflitos e Ă s escuras, sob as esporas que o espicaçam para a frente e as rĂ©deas que o puxam para trĂĄs.
Pobres jumentos aflitos e às escuras! Escouceiam, orneiam, levantam a garupa. De que serve? As patas ferem o ar e aquela voz de soluços, que faz rir, não chega ao céu.
(…) Deus, criando as almas, condenou-as Ă  suprema solidĂŁo. Algumas iludem a pena. Imaginam conviver com as ĂĄrvores e os penedos. Falam Ă s ĂĄrvores e aos penedos, queixando-se dos seus desgostos. (…) Somos uma turba e ninguĂ©m. Somos Deus e o DemĂłnio, o CĂ©u e a Terra e outras letras grandes e NinguĂ©m.

Ode MarĂ­tima

Sozinho, no cais deserto, a esta manhĂŁ de VerĂŁo,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nĂ­tido, clĂĄssico Ă  sua maneira.
Deixa no ar distante atrĂĄs de si a orla vĂŁ do seu fumo.
Vem entrando, e a manhĂŁ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolĂĄ, acorda a vida marĂ­tima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de trĂĄs dos navios que estĂŁo no porto.
HĂĄ uma vaga brisa.
Mas a minh’alma estĂĄ com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele estĂĄ com a DistĂąncia, com a ManhĂŁ,
Com o sentido marĂ­timo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma nåusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independĂȘncia de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manhĂŁ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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VisĂŁo

(A J. M. Eça de Queiroz)

Eu vi o Amor — mas nos seus olhos baços
Nada sorria jĂĄ: sĂł fixo e lento
Morava agora ali um pensamento
De dor sem trégua e de íntimos cansaços.

Pairava, como espectro, nos espaços,
Todo envolto n’um nimbo pardacento…
Na atitude convulsa do tormento,
Torcia e retorcia os magros braços…

E arrancava das asas destroçadas
A uma e uma as penas maculadas,
Soltando a espaços um soluço fundo,

Soluço de Ăłdio e raiva impenitentes…
E do fantasma as lĂĄgrimas ardentes
CaĂ­am lentamente sobre o mundo!

you are welcome to elsinore

Entre nĂłs e as palavras hĂĄ metal fundente
entre nós e as palavras hå hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nĂłs o mais Ăștil segredo
entre nĂłs e as palavras hĂĄ perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
Ă  espera do seu tempo e do seu precipĂ­cio

Ao longo da muralha que habitamos
hĂĄ palavras de vida hĂĄ palavras de morte
hĂĄ palavras imensas, que esperam por nĂłs
e outras, frĂĄgeis, que deixaram de esperar
hĂĄ palavras acesas como barcos
e hĂĄ palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nĂłs e as palavras, surdamente,
as mĂŁos e as paredes de Elsenor
E hĂĄ palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegĂ­veis Ă  boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossĂ­veis de escrever
por nĂŁo termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
sĂł espasmo sĂł amor sĂł solidĂŁo desfeita

Entre nĂłs e as palavras,

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A Harpa

Prende, arrebata, enleva, atrai, consola
A harpa tangida por convulsos dedos,
Vivem nela mistérios e segredos,
É berceuse, Ă© balada, Ă© barcarola.

Harmonia nervosa que desola,
Vento noturno dentre os arvoredos
A erguer fantasmas e secretos medos,
Nas suas cordas um soluço rola…

Tu’alma Ă© como esta harpa peregrina
Que tem sabor de mĂșsica divina
E sĂł pelos eleitos Ă© tangida.

Harpa dos céus que pelos céus murmura
E que enche os cĂ©us da mĂșsica mais pura,
como de uma saudade indefinida.

Elegia

Vae em seis mezes que deixei a minha terra
E tu ficaste lĂĄ, mettida n’uma serra,
Boa velhinha! que eras mais uma criança…
Mas, tĂŁo longe de ti, n’este Payz de França,
Onde mal viste, entĂŁo, que eu viesse parar,
Vejo-te, quanta vez! por esta sala a andar…
Bates. Entreabres de mansinho a minha porta.
VirĂĄs tratar de mim, ainda depois de morta?
Vens de tĂŁo longe! E fazes, sĂł, essa jornada!
Ajuda-te o bordĂŁo que te empresta uma fada.
Altas horas, emquanto o bom coveiro dorme,
Escapas-teĂŁda cova e vens, Bondade enorme!
Atravez do MarĂŁo que a lua-cheia banha,
Atravessas, sorrindo, a mysteriosa Hespanha,
Perguntas ao pastor que anda guardando o gado,
(E as fontes cantam e o cĂ©u Ă© todo estrellado…)
Para que banda fica a França, e elle, a apontar,
Diz: «Vå seguindo sempre a minha estrella, no Ar!»
E ha-de ficar scismando, ao ver-te assim, velhinha,
Que Ă©s tu a Virgem disfarçada em probrezinha…
Mas tu, sorrindo sempre, olhando sempre os céus,
Deixando atraz de ti, os negros Pyrineus,
Sob os quaes rola a humanidade,

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Piedade

O coração de todo o ser humano
Foi concebido para ter piedade,
Para olhar e sentir com caridade
Ficar mais doce o eterno desengano.

Para da vida em cada rude oceano
Arrojar, através da imensidade,
Tåbuas de salvação, de suavidade,
De consolo e de afeto soberano.

Sim! Que não ter um coração profundo
É os olhos fechar à dor do mundo,
ficar inĂștil nos amargos trilhos.

É como se o meu ser campadecido
Não tivesse um soluço comovido
Para sentir e para amar meus filhos!

MemĂłria

I

Na cristalina, líquida presença,
crescente lua no abismo enquanto
o mar se cala, desconheço a margem
onde me espera no desejo
esguio do poente a deusa branca…

À ínfima visão dum lírio encosto
o meu soluço! O espaço Ă© grande…
NĂŁo invoco o lugar mas a verdade
surge aquĂ©m da espera…

Gaivotas sussurrantes, deixo a mĂșsica
morrer, pegadas frescas, desperdĂ­cios
quentes na relva da minha alma…

II

Quando se oculta julgando a noite
indefesa enorme, a fugidia
estrela me ilumina e desce!

Vem até mim, quebrada a natural
cadĂȘncia do seu mundo, e cresce… cresce…
TentĂĄculos de luz me envolvem. Comovido,
aperto em minhas mĂŁos o elanguescente
ardor do seu chegar…

III

Reconquisto agora o teu rosto, um horizonte,
silĂȘncio de grito suspenso, labirinto,
mais desfeito
no hĂĄlito das nuvens…

Me surges tĂŁo sem ti
que envolve o dia a espessura deste longe…
E afogo assim na Ă­ntima, na Ășnica
beleza do teu rasto,
o meu soluço de ĂĄgua…

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MĂșsica Brasileira

Tens, Ă s vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadĂȘncia, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volĂșpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bårbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes sĂŁo desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixÔes consistes,
Lasciva dor, beijo de trĂȘs saudades,
Flor amorosa de trĂȘs raças tristes.

Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquĂ­ssima e idĂȘntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silĂȘncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rĂĄpidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mĂŁos caĂ­das
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das årvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco sĂł do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as vĂĄrias ĂĄrvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as ĂĄrvores,
E deixa sĂł uma luz e outra luz e mais outra,
Na distĂąncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distĂąncia subitamente impossĂ­vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossĂ­veis que procuramos em vĂŁo,
Dos sonhos que vĂȘm ter conosco ao crepĂșsculo, Ă  janela,
Dos propĂłsitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das mĂșsicas e das vozes longe e perto,

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Na Luz

De soluço em soluço a alma gravita,
De soluço em soluço a alma estremece,
Anseia, sonha, se recorda, esquece
E no centro da Luz dorme contrita.

Dorme na paz sacramental, bendita,
Onde tudo mais puro resplandece,
Onde a Imortalidade refloresce
Em tudo, e tudo em cĂąnticos palpita.

Sereia celestial entre as sereias,
Ela só quer despedaçar cadeias,
De soluço em soluço, a alma nervosa.

Ela só quer despedaçar algemas
E respirar nas amplidÔes supremas,
Respirar, respirar na Luz radiosa.

À Tua Porta Há um Pinheiro Manso

À tua porta há um pinheiro manso
De cabeça pendida, a meditar,
Amor! Sou eu, talvez, a contemplar
Os doces sete palmos do descanso.

Sou eu que para ti atiro e lanço,
Como um grito, meus ramos pelo ar,
Sou eu que estendo os braços a chamar
Meu sonho que se esvai e não alcanço.

Eu que do sol filtro os ruivos brilhos
Sobre as louras cabeças dos teus filhos
Quando o meio-dia tomba sobre a serra…

E, Ă  noite, a sua voz dolente e vaga
É o soluço da minha alma em chaga:
Raiz morta de sede sob a terra!