Sonetos sobre Seios

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Sonetos de seios escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Passei Ontem A Noite Junto Dela.

Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divis√£o se erguia
Apenas entre nós Рe eu vivia
No doce alento dessa virgem bela…

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
M√ļsica mais do c√©u, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!

Como era doce aquele seio arfando!
Nos l√°bios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
√Č sentir todo o seio palpitando…
Cheio de amores! E dormir solteiro!

Eu Planto no Teu Corpo

Como se arrasta no sol morno um verme
Por sobre a polpa de uma fruta, eu durmo
A tua carne e sinto o teu contorno
Entre os meus braços como um fruto morno.

E a minha boca sobre a pele, um verme,
Vai percorrendo o teu sorriso, e torno
Ao longo do nariz, depois contorno
Os teus olhos fechados por querer-me.

E desço o teu pescoço, feito um mono,
Para os teus seios mornos, como um verme
Por sobre os frutos prontos para o tombo.

Vertendo a unção da morte nos teus membros,
E estremecendo numa cruz de febre,
Eu planto no teu corpo a flor de um pombo.

Esta Saudade

Esta saudade √©s tu… E √© toda feita
de ti, dos teus cabelos, dos teus olhos
que permanecem como estrelas vagas:
dos anseios de amor, coagulados.

Esta saudade √©s tu… √Č esse teu jeito
de pomba mansa nos meus braços quieta;
é a tua voz tecida de silêncio
nas palavras de amor que ainda sussurram…

Esta saudade s√£o teus seios brancos;
tuas carícias que ainda estão comigo
deixando insones todos os sentidos.

Esta saudade √©s tu… √© a tua falta
viva, em meu corpo, na minha alma, viva,
… enquanto eu morro no meu pensamento.

A um Poeta

Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! √Č tempo! O sol, j√° alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares…
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera s√≥ um aceno…

Escuta! √Č a grande voz das multid√Ķes!
S√£o teus irm√£os, que se erguem! S√£o can√ß√Ķes…
Mas de guerra… e s√£o vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

Noites Amadas

√ď noites claras de lua cheia!
Em vosso seio, noites chorosas,
Minh’alma canta como a sereia,
Vive cantando n’um mar de rosas;

Noites queridas que Deus prateia
Com a luz dos sonhos das nebulosas,
√ď noites claras de lua cheia,
Como eu vos amo, noites formosas!

Vós sois um rio de luz sagrada
Onde, sonhando, passa embalada
Minha Esperan√ßa de m√°goas nua…

√ď noites claras de lua plena
Que encheis a terra de paz serena,
Como eu vos amo, noites de lua!

M√£os

V

√ď M√£os eb√ļrneas, M√£os de claros veios,
Esquisitas tulipas delicadas,
L√Ęnguidas M√£os sutis e abandonadas,
Finas e brancas, no esplendor dos seios.

Mãos etéricas, diáfanas, de enleios,
De efl√ļvios e de gra√ßas perfumadas,
Relíquias imortais de eras sagradas
De amigos templos de relíquias cheios.
M√£os onde vagam todos os segredos,
Onde dos ci√ļmes tenebrosos, tredos,
Circula o sangue apaixonado e forte.

Mãos que eu amei, no féretro medonho
Frias, j√° murchas, na fluidez do Sonho,
Nos mistérios simbólicos da Morte!

No Seio Da Terra

Do pélago dos pélagos sombrios,
C√° do seio da Terra, olhando as vidas,
Escuto o murmurar de almas perdidas,
Como o secreto murmurar dos rios.

Trazem-me os ventos negros calafrios
E os loluços das almas doloridas
Que têm sede das terras prometidas
E morrem como abutres erradios.

As √Ęnsias sobem, as tremendas √Ęnsias!
Velhices, mocidades e as inf√Ęncias
Humansa entre a Dor se despeda√ßam…

Mas, sobre tantos convulsivos gritos,
Passam horas, espaços, infinitos,
Esferas, gera√ß√Ķes, sonhando, passam!

Incensos

Dentre o chorar dos trêmulos violinos,
Por entre os sons dos órgãos soluçantes
Sobem nas catedrais os neblinantes
Incensos vagos, que recordam hinos…

Rolos d’incensos alvadios, finos
E transparentes, fulgidos, radiantes,
Que elevam-se aos espaços, ondulantes,
Em Quimeras e Sonhos diamantinos.

Relembrando turíbulos de prata
Incensos arom√°ticos desata
Teu corpo eb√ļrneo, de sedosos flancos.

Claros incensos imortais que exalam,
Que l√Ęnguidas e l√≠mpidas trescalam
As luas virgens dos teus seios brancos.

Amor Algébrico

Acabo de estudar Рda ciência fria e vã,
O gelo, o gelo atroz me gela ainda a mente,
Acabo de arrancar a fronte minha ardente
Das páginas cruéis de um livro de Bertrand.

Bem triste e bem cruel decerto foi o ente
Que este Saara atroz – sem aura, sem manh√£,
A √Ālgebra criou – a mente, a alma mais s√£
Nela vacila e cai, sem um sonho virente.

Acabo de estudar e p√°lido, cansado,
Dumas dez equa√ß√Ķes os v√©us hei arancado,
Estou cheio de spleen, cheio de tédio e giz.

√Č tempo, √© tempo pois de, tr√™mulo e amoroso,
Ir dela descansar no seio venturoso
E achar do seu olhar o luminoso X.

A Tua Voz de Primavera

Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus l√°bios √ļmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo n√£o repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo… olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a vis√£o dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
T√™m a firmeza el√°stica dos gamos…

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!

Marat

Foia a alma¬†cruel das barricadas!…
Misto de luz e lama!… se ele ria,
As p√ļrpuras gelavam-se e rangia
Mais de um trono, se dava gargalhadas!…

Fan√°tico da luz… por√©m seguia
Do crime as torvas, lívidas pisadas.
Armava, √† noite, aos cora√ß√Ķes ciladas,
Batia o despotismo à luz do dia.

No seu cérebro tremente negrejavam
Os planos mais cruéis e cintilavam
As idéias mais bravas e brilhantes.

H√° muito que um punhal gelou-lhe o seio.
Passou… deixou na hist√≥ria um rastro cheio
De l√°grimas e luzes ofuscantes.

Nox

Noite, v√£o para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E in√ļteis tantos √°speros tormentos…

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da tr√°gica enxovia…
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos…

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalter√°vel,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviol√°vel,
Noite sem termo, noite do N√£o-ser!

Conchita

Adeus aos filtros da mulher bonita;
A esse rosto espanhol, pulcro e moreno;
Ao p√© que no bolero… ao p√© pequeno;
P√© que, al√≠gero e c√©lere, saltita…

Lira do amor, que o amor n√£o mais excita,
A um silêncio de morte eu te condeno;
Despede-te; e um adeus, no √ļltimo treno,
Soluça às graças da gentil Conchita:

A esses, que em ondas se levantam, seios
Do mais cheiroso jambo; a esses quebrados
Olhos meridionais de ardência cheios;

A esses l√°bios, enfim, de n√°car vivo,
Virgens dos l√°bios de outrem, mas corados
Pelos beijos de um sol quente e lascivo.

Soneto da Nudez

H√° um misto de azul e trevas agitadas
Nesse felino olhar de l√ļbrica bacante.
Quando lhe cai aos pés a roupa flutuante,
Contemplo, mudo e absorto, as formas recatadas.

Nessa mulher esplende um poema deslumbrante
De vol√ļpia e langor; em noites tresloucadas
Que suave não é nas rosas perfumadas
De seus l√°bios beber o aroma inebriante!

Fascina, quando a vejo à noite seminua,
Postas as m√£os no seio, onde o desejo estua,
A boca descerrada, amortecido o olhar…

Fascina, mas sua alma é lodo, onde não pousa
Um raio dessa aurora, o amor, sublime cousa!
Raio de luz perdido em tormentoso mar!

XV

Inda hoje, o livro do passado abrindo,
Lembro-as e punge-me a lembrança delas;
Lembro-as, e vejo-as, como as vi partindo,
Estas cantando, soluçando aquelas.

Umas, de meigo olhar piedoso e lindo,
Sob as rosas de neve das capelas;
Outras, de l√°bios de coral, sorrindo,
Desnudo o seio, l√ļbricas e belas…

Todas, formosas como tu, chegaram,
Partiram… e, ao partir, dentro em meu seio
Todo o veneno da paix√£o deixaram.

Mas, ah! nenhuma teve o teu encanto,
Nem teve olhar como esse olhar, t√£o cheio
De luz t√£o viva, que abrasasse tanto.

Encarnação

Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpita√ß√Ķes e fr√™mitos e enleios,
Das harpas da emo√ß√£o tantos arpejos…

Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
A noite, ao luar, intumescer os seios
L√°cteos, de finos e azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos…

Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Vis√Ķes do amor dormem geladas…

Sonhos, palpita√ß√Ķes, desejos e √Ęnsias
Formem, com claridades e fragr√Ęncias,
A encarnação das lívidas Amadas!

O Grande Momento

Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
Entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
Os Dons que v√£o te consagrar Artista.

Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
Os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
Abrem-te as portas da imortal Conquista.

Eis o grande Momento prodigioso
Para entrares sereno e majestoso
Num mundo estranho d’esplendor sid√©reo.

Borboleta de sol, surge da lesma…
Oh! vai, entra na posse de ti mesma,
Quebra os selos augustos do Mistério!

As Ondas

Entre as trêmulas mornas ardentias,
A noite no alto-mar anima as ondas.
Sobem das fundas √ļmidas Golcondas,
Pérolas vivas, as nereidas frias:

Entrelaçam-se, correm fugidias,
Voltam, cruzando-se; e, em lascivas rondas,
Vestem as formas alvas e redondas
De algas roxas e glaucas pedrarias.

Coxas de vago √īnix, ventres polidos
De alabastro, quadris de argêntea espuma,
Seios de d√ļbia opala ardem na treva;

E bocas verdes, cheias de gemidos,
Que o f√≥sforo incendeia e o √Ęmbar perfuma,
Solu√ßam beijos v√£os que o vento leva…

Este Livro

Este livro é de mágoas.Desgraçados os
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo…e compreend√™-lo.

Este livro é para vós. Abençoados
Os que o sentirem, sem ser bom nem belo!
B√≠blia de tristes…√ď Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!

Livro de M√°goas…Dores…Ansiedades!
Livro de Sombras…N√©voas e Saudades!
Vai pelo mundo…(Trouxe-o no meu seio…)

Irm√£os na Dor, os olhos rasos de √°gua,
Chorai comigo a minha imensa m√°goa,
Lendo o meu livro s√≥ de m√°goas cheio!…

Bem Sei, Amor, que é Certo o que Receio

Bem sei, Amor, que é certo o que receio;
Mas tu, porque com isso mais te apuras,
De manhoso, mo negas, e mo juras
Nesse teu arco de ouro; e eu te creio.

A m√£o tenho metida no meu seio,
E não vejo os meus danos às escuras;
Porém porfias tanto e me asseguras,
Que me digo que minto, e que me enleio.

Nem somente consinto neste engano,
Mas inda to agradeço, e a mim me nego
Tudo o que vejo e sinto de meu dano.

Oh poderoso mal a que me entrego!
Que no meio do justo desengano
Me possa inda cegar um moço cego?