Cita√ß√Ķes sobre Vision√°rios

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Frases sobre vision√°rios, poemas sobre vision√°rios e outras cita√ß√Ķes sobre vision√°rios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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Luta

Fluxo e refluxo eterno…
Jo√£o de Deus.

Dorme a noite encostada nas colinas.
Como um sonho de paz e esquecimento
Desponta a lua. Adormeceu o vento,
Adormeceram vales e campinas…

Mas a mim, cheia de atrac√ß√Ķes divinas,
D√°-me a noite rebate ao pensamento.
Sinto em volta de mim, tropel nevoento,
Os Destinos e as Almas peregrinas!

Insond√°vel problema!… Apavorado
Rec√ļa o pensamento!… E j√° prostrado
E est√ļpido √° for√ßa de fadiga,

Fito inconsciente as sombras vision√°rias,
Enquanto pelas praias solit√°rias
Ecoa, ó mar, a tua voz antiga.

Voz de Outono

Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
‚ÄĒ ¬ęMais te valera, n√ļ e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima soidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o ch√£o
Frio e cruel da mais cruel
deveza, Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visionária
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba v√°ria,

(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com √≥dio e raiva e dor… que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!¬Ľ ‚ÄĒ

Como Nasce o Amor?

Nem eu nem vós sabemos como nasce o amor. Em fisiologia, que é a ciência do homem físico, não se sabe. A psicologia também não diz nada a este respeito. Os romances, que são os mais amplos expositores da matéria, não avançam cousa nenhuma ao que está dito desde Labão e Rachel até á neta do arcediago e o filho de Ricarda.
Dizer que o amor √© a sensualidade, al√©m de grosseira defini√ß√£o, √© falsidade desmentida pela experi√™ncia. H√° um amor que n√£o rasteja nunca no raso estrado das propens√Ķes org√Ęnicas.
Dizer que o amor é uma operação puramente espiritual é um devaneio de visionários, que trazem sempre as mulheres pelas estrelas, ao mesmo tempo que elas, gravitando materialmente para o centro do globo, comem e bebem á maneira dos mortais, e até das divindades do cantor de Aquiles.
Eu conhe√ßo homens, sem fa√≠sca de esp√≠rito, que se abrazam tocados pelo amor como o f√≥sforo em presen√ßa do ar. Eis aqui um fen√≥meno eminentemente importante. Ele, s√≥, sustenta em tese que o amor n√£o tem nada com o corpo nem com o espirito. Eu creio que √© um fluido. √Č pena, por√©m, que eu n√£o saiba o que √© fluido para me dar aqui uns ares pedantescos,

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Portugal

Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa p√°tria… E que p√°tria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abund√Ęncia, amor, conc√≥rdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
P√°tria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torre√£o de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, basti√Ķes, barbac√£s, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor,

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Exaltação Ao Amor

Sofro, bem sei…Mas se preciso for
sofrer mais, mal maior, extraordin√°rio,
sofrerei tudo o quanto necess√°rio
para a estrela alcan√ßar…colher a flor…

Que seja imenso o sofrimento, e v√°rio!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco, talvez, ou um vision√°rio
hei de alcan√ßar o amor…com o meu Amor!

Nada me impedir√° que seja meu,
se é fogo que em meu peito se acendeu,
e lavra, e cresce, e me consome o Ser…

Deus o p√īs…Ningu√©m mais h√° de dispor…
Se esse amor n√£o puder ser meu viver,
h√° de ser meu para eu morrer de Amor!

Vision√°rios

Armam batalhas pelo mundo adiante
Os que vagam no mundos vision√°rios,
Abrindo as √°ureas portas de sacr√°rios
Do Mistério soturno e palpitante.

O coração flameja a cada instante
Com brilho estranho, com fervores v√°rios,
Sente a febre dos bons mission√°rios
Da ardente catequese fecundante.

Os vision√°rios v√£o buscar frescura
De √°gua celeste na cisterna pura
Da Esperan√ßa, por horas nebulosas…

Buscam frescura, um outro novo encanto…
E livres, belos através do pranto,
Falam baixo com as almas misteriosas!

O Interior da Alma

O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espectáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma.
Fazer o poema da consci√™ncia humana, mas que n√£o fosse sen√£o a respeito de um s√≥ homem, e ainda nos homens o mais √≠nfimo, seria fundir todas as epopeias numa epopeia superior e definitiva. A consci√™ncia √© o caos das quimeras, das ambi√ß√Ķes e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: √© o pandem√≥nio dos sofismas, √© o campo de batalha das paix√Ķes. Penetrai, a certas horas, atrav√©s da face l√≠vida de um ser humano, e olhai por tr√°s dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade. H√° ali, sob a superf√≠cie l√≠mpida do sil√™ncio exterior, combates de gigante como em Homero, brigas de drag√Ķes e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais vision√°rias como em Dante.

O Paradoxo da Verdade

O homem deseja e odeia a verdade. Quer mentir aos outros Рquer que o enganem (prefere a ficção à realidade), mas por outro lado receia o engano, quer o fundo das coisas, o verdadeiro verdadeiro, etc.
Somente a raz√£o conduz √† verdade. Mas s√≥ os fan√°ticos, os vision√°rios e os iluminados fazem as coisas grandiosas, mudan√ßas, descobertas. A verdade, de tanto se tornar necess√°ria, conduz √† secura, √† d√ļvida, √† in√©rcia – √† morte.
√Č muito natual que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade. A verdade √© triste (dizia Renan) – mas, com maior frequ√™ncia, √© horr√≠vel, tem√≠vel, anti-social. Destr√≥i as ilus√Ķes, os afectos. Os homens defendem-se como podem. Isto √©, defendem a sua pequena vida, apenas suport√°vel √† for√ßa de compromissos, de embustes, de fic√ß√Ķes, etc. N√£o querem sofrer, n√£o querem ser her√≥is. Rejei√ß√£o do hero√≠smo-mentira.

Mente Est√°vel e Mente Inst√°vel

O homem capaz de sacrificar de √Ęnimo leve um h√°bito mental h√° muito tempo formado constitui uma excep√ß√£o. A grande maioria dos seres humanos n√£o gosta e, na realidade, at√© detesta todas as no√ß√Ķes com as quais n√£o est√£o familiarizados. .
A tend√™ncia do homem de mente est√°vel, quer seja introvertido ou extrovertido, vision√°rio ou n√£o vision√°rio, ser√° sempre para verificar que ¬ęaquilo que est√°, est√° certo¬Ľ. Menos sujeito aos h√°bitos de racioc√≠nio formados na mocidade, os de mente inst√°vel naturalmente que sentem prazer em tudo o que √© novo e revolucion√°rio. √Č aos de mente inst√°vel que devemos o progresso em todas as suas formas, assim como todas as formas de revolu√ß√£o destrutiva. Os de mente est√°vel, devido √† sua relut√Ęncia em aceitar modifica√ß√Ķes, d√£o √† estrutura social a sua s√≥lida durabilidade. H√° no mundo muito mais gente de mente est√°vel que inst√°vel (se as propor√ß√Ķes fossem trocadas viver√≠amos num caos); mas em todos menos em alguns momentos muito excepcionais, eles possuem o poder e a riqueza mais do que proporcional ao seu n√ļmero. Da√≠ resulta que, ao aparecerem pela primeira vez, os inovadores foram geralmente perseguidos e sempre escarnecidos como lun√°ticos e loucos.
Um herético, de acordo com a admirável definição de Bossuet,

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To Sleep, To Dream

Dormir, sonhar — o poeta ingl√™s o disse…
Ah! Mas se a gente nunca mais sonhasse
Ah! Mas se a gente nunca mais dormisse
E a ilus√Ķes n√£o mais acalentasse?

E o que importava que o futuro risse
De um vision√°rio que tal cousa ideasse;
Se n√£o seria o √ļnico que abrisse
Uma exce√ß√£o da vida humana √† face?…

Se os imortais filósofos modernos
Que derrubaram todos os infernos,
Que destruíram toda a teogonia.

Orientando a triste humanidade,
Deixaram, mais e mais, a piedade
Inteiramente desolada e fria?

Alma Solit√°ria

√ď alma doce e triste e palpitante!
Que cítaras soluçam solitárias
Pelas Regi√Ķes long√≠nquas, vision√°rias
Do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
Quantos silêncios, quantas sombras várias
De esferas imortais imagin√°rias
Falam contigo, ó Alma cativante!

Que chama acende os teus faróis noturnos
E veste os teus mistériosa taciturnos
Dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
Como um arcanjo infante, adolescente,
Esquecido nos vales da Esperança?!

O Sentido de Possibilidade

Poderia definir-se o sentido de possibilidade como aquela capacidade de pensar tudo aquilo que tamb√©m poderia ser e de n√£o dar mais import√Ęncia √†quilo que √© do que √†quilo que n√£o √©. Como se v√™, as consequ√™ncias desta disposi√ß√£o criadora podem ser not√°veis; infelizmente, n√£o √© raro que fa√ßam aparecer como falso aquilo que as pessoas admiram e como l√≠cito aquilo que elas pro√≠bem, ou ent√£o as duas coisas como sendo indiferentes. Esses homens do poss√≠vel vivem, como se costuma dizer, numa trama mais subtil, numa teia de n√©voa, fantasia, sonhos e conjuntivos; se uma crian√ßa mostra tend√™ncias destas, acaba-se firmemente com elas, e diz-se-lhe que tais pessoas s√£o vision√°rios, sonhadores, fracos, gente que tudo julga saber melhor e em tudo p√Ķe defeito.
Quando se quer elogiar estes loucos, chama-se-lhes também idealistas, mas é claro que com isso só se alude à sua natureza débil, incapaz de compreender a realidade, ou que a evita por melancolia, uma natureza na qual a falta do sentido de realidade é um verdadeiro defeito. O possível, porém, não abarca apenas os sonhos dos neurasténicos, mas também os desígnios ainda adormecidos de Deus. Uma experiência possível ou uma verdade possível não são iguais a uma experiência real e uma verdade real menos o valor da sua realidade,

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Nua E Crua

Doire a Poesia a escura realidade
E a mim a encubra! Um vision√°rio ardente
Quis vê-la nua um dia; e, ousadamente,
Do √°ureo manto despoja a divindade;

O estema da perpétua mocidade
Tira-lhe e as galas; e ei-la, de repente,
Inteiramente nua e inteiramente
Crua, como a Verdade! E era a Verdade!

Fita-a em seguida, e at√īnito recua…
– √ď Musa! exclama ent√£o, magoado e triste,
Traja de novo a louçainha tua!

Veste outra vez as roupas que despiste!
Que olhar se apraz em ver-te assim t√£o nua?…
À nudez da Verdade quem resiste?!

Elogio da Morte

I

Altas horas da noite, o Inconsciente
Sacode-me com força, e acordo em susto.
Como se o esmagassem de repente,
Assim me pára o coração robusto.

N√£o que de larvas me pov√īe a mente
Esse v√°cuo nocturno, mudo e augusto,
Ou forceje a raz√£o por que afugente
Algum remorso, com que encara a custo…

Nem fantasmas nocturnos vision√°rios,
Nem desfilar de espectros mortu√°rios,
Nem dentro de mim terror de Deus ou Sorte…

Nada! o fundo dum po√ßo, h√ļmido e morno,
Um muro de silêncio e treva em torno,
E ao longe os passos sepulcrais da Morte.

II

Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento.
Nas regi√Ķes do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a fantasia.

Atravesso, no escuro, a névoa fria
D’um mundo estranho, que pov√īa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
S√≥ das vis√Ķes da noite se confia.

Que místicos desejos me enlouquecem?
Do Nirvana os abismos aparecem,
A meus olhos, na muda imensidade!

N’esta viagem pelo ermo espa√ßo,

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