Passagens sobre Abandono

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Frases sobre abandono, poemas sobre abandono e outras passagens sobre abandono para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Junta os Dons do Espírito às Vantagens do Corpo

Para ser amado, s√™ am√°vel, para o que n√£o bastar√° a beleza do rosto ou do corpo. Se pretendes conservar a tua amiga e n√£o teres nunca a surpresa de ser abandonado, mesmo que sejas Nireu, amado pelo velho Homero, ou o Hilas de delicada beleza que as N√°iades raptaram por meio de um crime, junta os dons do esp√≠rito √†s vantagens do corpo. A beleza √© um bem muito fr√°gil, tudo o que se acrescenta aos anos a diminui, murcha com a pr√≥pria dura√ß√£o. As violetas e os l√≠rios com as suas corolas abertas n√£o florescem sempre; e na rosa, depois de ca√≠da, s√≥ o espinho permanece. Tamb√©m tu, belo adolescente, cedo conhecer√°s cabelos brancos, cedo conhecer√°s as rugas que sulcam o teu corpo. Forma desde j√° um esp√≠rito que dure e fortalece a beleza; s√≥ ele subsiste at√© √† fogueira f√ļnebre.

O Amigo

Embora seja teu amigo
n√£o nos encontraremos nunca.
Jamais ver√°s a minha sombra
quando eu caminhar ao teu lado
nem ouvir√°s minhas palavras
se um dia eu te gritar bem alto.
Só no momento em que morreres
é que irei ao teu encontro.
E para sempre ficarei
em teu silêncio e solidão
de homem morto e abandonado.

O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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Os Amantes de Novembro

Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes s√£o sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados t√£o engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma est√°tua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.

Um pai pode negligenciar seu filho, irm√£os e irm√£s podem se tornar inimigos inveterados; maridos podem abandonar suas esposas, e esposas os seus maridos. Mas o amor de uma m√£e resiste a tudo.

O Menino de Sua M√£e

No plano abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
‚ÄĒ Duas, de lado a lado ‚ÄĒ,
Jaz morto e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

T√£o jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho √ļnico, a m√£e lhe dera
Um nome e o mantivera:
¬ęO menino da sua m√£e¬Ľ.

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a m√£e. Est√° inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um len√ßo… Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

L√° longe, em casa, h√° a prece:
¬ęQue volte cedo, e bem!¬Ľ
(Malhas que o império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua m√£e.

O Demónio do Artifício

Não são muitas as pessoas dotadas para a apreensão da Natureza e para a sua utilização imediata. A maior parte gosta de descobrir entre o conhecimento e a utilização uma espécie de castelo nas nuvens, que se entretêm a aperfeiçoar, esquecendo assim ao mesmo tempo o objecto e a respectiva utilização.
Do mesmo modo, n√£o √© f√°cil compreender-se que o que acontece nos grandes dom√≠nios da Natureza √© o mesmo que sucede nos mais pequenos. Mas se a experi√™ncia o indica com prem√™ncia, os indiv√≠duos acabam por aceitar tal ideia de bom grado. H√° um parentesco entre a atrac√ß√£o de fragmentos de palha por uma vareta de √Ęmbar depois de friccionada e a mais terr√≠vel das tempestades. Em certo sentido s√£o o mesmo fen√≥meno. E h√° outros casos em que n√£o temos dificuldade em aceitar essa micromegalogia. Mas rapidamente somos abandonados pelo puro esp√≠rito da Natureza e apodera-se de n√≥s o dem√≥nio do artif√≠cio, que sabe sempre insinuar-se em todos os campos.

Romance

Fruto de solid√£o
preso à fronde do vento,
lua, tu nos d√°s
a medida do eterno,
essa altura que jogas
contra o espaço celeste
em nós refere a terra,
que em nossa √Ęnsia integras.
E ao nosso amor integras
tudo o que n√£o sofremos,
tudo o que n√£o tivemos
e apenas pressentimos,
em tua marcha sentimos
tudo o que n√£o teremos
e tudo o que j√° viveram
cora√ß√Ķes noutros tempos.
Flanco de solid√£o,
maçã casta e sensual
presa ao ramo oscilante
entre a alma e o carnal,
em ti, suprema altura,
os olhos v√£o reunindo
as trilhas do abandono
e alguns ecos da inf√Ęncia.

Pata branca de touro
extraviada no azul.

Sofrer Por Sofrer

Parti. Quis te deixar abandonada
às lembranças do amor que nos prendeu.
Trouxe comigo, na alma torturada,
um ci√ļme atroz ciumentamente meu…

Fugi… fuga cruel, desesperada,
quando supus que nosso amor morreu…
Fuga in√ļtil, se ainda √©s a minha amada,
se continuo inteiramente seu!

N√£o, n√£o me livro deste amor nefasto,
nem dessa ang√ļstia, dessa luta, desse
ci√ļme que aumenta quanto mais me afasto…

E hoje concluí, fugindo de meus passos,
que sofrer por sofrer, antes sofresse
como sempre sofri… mas nos teus bra√ßos!

Na intimidade com Deus e na escuta da sua Palavra, come√ßamos gradualmente a abandonar a nossa l√≥gica pessoal, ditada muitas vezes pelos nossos fechamentos, preconceitos e ambi√ß√Ķes, e aprendemos a perguntar ao Senhor: ¬ęQual √© o teu desejo? Qual √© a tua vontade? O que te agrada?¬Ľ

Se um homem quiser ocupar-se incessantemente de coisas sérias e não se abandonar de vez em quando ao divertimento, fica, sem perceber, louco ou idiota.

Quando a comunicação tem como principal objetivo induzir ao consumo ou à manipulação das pessoa, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a sofrida pelo homem espancado por bandidos e abandonado na berma da estrada, como lemos na parábola. Corremos o risco, hoje em dia, de alguns meios de comunicação nos condicionarem ao ponto de nos fazerem ignorar o nosso verdadeiro próximo.

N√£o Julgues Segundo a Soma

N√£o h√°s-de julgar segundo a soma. Vens-me dizer que n√£o h√° nada a esperar daqueles acol√°. S√£o grosseria, gosto do lucro, ego√≠smo, aus√™ncia de coragem, fealdade. Mas se me podes falar assim das pedras, as quais s√£o rudeza, peso morno e espessura, j√° o n√£o podes daquilo que tiras das pedras: est√°tua ou templo. Quase nunca vi o ser comportar-se como o teriam feito prever as suas partes. Se pegares em vizinhos √† parte, vir√°s a concluir que cada um deles odeia a guerra e n√£o est√° disposto a abandonar o lar, porque ama os filhos e a esposa e as refei√ß√Ķes de anivers√°rio; nem a derramar o sangue, porque √© bom, d√° de comer ao c√£o e faz car√≠cias ao burro, nem a roubar outrem, pois tu bem v√™s que ele apenas preza a sua pr√≥pria casa e puxa o lustro √†s suas madeiras e manda pintar as paredes e perfuma o jardim de flores.
E dir-me-√°s: ¬ęEles representam no mundo o amor √† paz…¬Ľ No entanto, o imp√©rio deles n√£o passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra. E a bondade deles e a do√ßura deles pelo animal ferido e a emo√ß√£o deles √† vista de flores n√£o passam de ingrediente de uma magia que prepara o tilintar das armas,

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Dizem que a vida se ganha assim, a fazer coisas pelas quais somos pagos mesmo quando isso implica abandonar uma cama com a mulher da nossa vida dentro, que estupidez.

√Ä solid√£o n√£o se op√Ķe a multid√£o, mas o amor. Aquilo de que algu√©m abandonado est√° √† procura √© de algu√©m pr√≥ximo, n√£o do aplauso de um monte de gente.

Rumor dos Fogos

hoje à noite avistei sobre a folha de papel
o drag√£o em celul√≥ide da inf√Ęncia
escuro como o interior polposo das cerejas
antigo como a ins√≥nia dos meus trinta e cinco anos…

dantes eu conseguia esconder-me nas paisagens
podia beber a humidade aérea do musgo
derramar sangue nos dedos magoados
foi h√° muito tempo
quando corria pelas ruas sem saber ler nem escrever
o mundo reduzia-se a um berlinde
e as m√£os eram pequenas
desvendavam os nocturnos segredos dos pinhais

n√£o quero mais perceber as palavras nem os corpos
deixou de me pertencer o choro longínquo das pedras
prossigo caminho com estes ossos cor de malva
som a som o vegetal silêncio sílaba a sílaba o abandono
desta obra que fica por construir… o receio
de abrir os olhos e as rosas n√£o estarem onde as sonhei
e teu rosto ter desaparecido no fundo do mar

ficou-me esta m√£o com sua sombra de terra
sobre o papel branco… como √© louca esta m√£o
tentando aparar a tristeza antiga das l√°grimas

A Um Moribundo

N√£o tenhas medo, n√£o! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, √† tarde, uma pomba que tem sono…

A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono…

O que h√° depois? Depois?… O azul dos c√©us?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?

Que importa? Que te importa, ó moribundo?
– Seja o que for, ser√° melhor que o mundo!
Tudo ser√° melhor do que esta vida!…