Cita√ß√Ķes sobre Argumenta√ß√£o

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Frases sobre argumenta√ß√£o, poemas sobre argumenta√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre argumenta√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Qualquer argumenta√ß√£o filos√≥fica que n√£o tenha como preocupa√ß√£o principal abordar terapeuticamente o sofrimento humano √© in√ļtil

O objectivo da argumentação, ou da discussão, não deve ser a vitória, mas o progresso.

Se nos cai nas m√£os um volume, por exemplo, de teologia ou de metaf√≠sica escol√°stica, perguntamo-nos: Cont√©m alguma argumenta√ß√£o abstracta sobre a quantidade ou os n√ļmeros? N√°o. Cont√©m alguma argumenta√ß√£o experimental sobre quest√Ķes de facto e exist√™ncia? N√£o. Ent√£o, que seja jogado ao fogo, pois cont√©m apenas sofismas e ilus√Ķes.

A Arte e a Filosofia

Nunca ser√° de mais insistir no car√°cter arbitr√°rio da antiga oposi√ß√£o entre arte e a filosofia. Se quisermos interpret√°-la num sentido muito preciso, √© certamente falsa. Se quisermos simplesmente significar que essas duas disciplinas t√™m, cada uma delas, o seu clima particular, isso √© verdade sem d√ļvida, mas muito vago. A √ļnica argumenta√ß√£o aceit√°vel residia na contradi√ß√£o levantada entre o fil√≥sofo fechado no meio do seu sistema e o artista colocado diante da sua obra. Mas isto era v√°lido para uma certa forma de arte e de filosofia, que aqui consideramos secund√°ria. A ideia de uma arte separada do seu criador n√£o est√° somente fora de moda. √Č falsa. Por oposi√ß√£o ao artista, dizem-nos que nunca nenhum fil√≥sofo fez v√°rios sistemas.
Mas isto √© verdade, na pr√≥pria medida em que nunca nenhum artista exprimiu mais de uma s√≥ coisa sob rostos diferentes. A perfei√ß√£o instant√Ęnea da arte, a necessidade da sua renova√ß√£o, s√≥ √© verdade por preconceito. Porque a obra de arte tamb√©m √© uma constru√ß√£o, e todos sabem como os grandes criadores podem ser mon√≥tonos. O artista, tal como o pensador, empenha-se e faz-se na sua obra. Essa osmose levanta o mais importante dos problemas est√©ticos. Al√©m disso,

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Versos Curtos e Compridos

Como poeta actuante, combati o meu pr√≥prio ensimesmamento. Por isso, o debate entre o real e o subjectivo se decidiu dentro do meu pr√≥prio ser. Sem pretens√Ķes de aconselhar ningu√©m, os resultados podem auxiliar as minhas experi√™ncias Vejamo-los de relance.
√Č natural que a minha poesia esteja exposta tanto √† opini√£o da cr√≠tica elevada como submetida √† paix√£o do libelo. Isto faz parte do jogo. Sobre este aspecto da discuss√£o n√£o tenho voz, mas tenho voto. Para a cr√≠tica essencial, o meu voto s√£o os meus livros, a minha poesia inteira. Para o libelo inamistoso, tenho tamb√©m direito de voto ‚ÄĒ e este tamb√©m √© constitu√≠do pela minha pr√≥pria e constante cria√ß√£o.
Se soa a vaidade o que digo, pode ser que tenham razão. No meu caso, trata-se da vaidade do artesão que exerceu um oficio por muitos anos com amor indelével.
Mas há uma coisa com que estou satisfeito: de uma maneira ou outra, fiz respeitar, pelo menos na minha pátria, o ofício de poeta, a profissão da poesia.

Na época em que comecei a escrever, o poeta era de dois géneros. Uns, eram poetas grandes senhores que se faziam respeitar pelo seu dinheiro,

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Obstinação e calor na argumentação são provas seguras de loucura. Há lá alguma coisa tão teimosa, porfiada, desdenhosa, contemplativa, grave e séria, como um burro?

A Verdade é um Modo de Estarmos a Bem Connosco

Cada √©poca, como cada idade da vida, tem o seu secreto e indiz√≠vel e injustific√°vel sentido de equil√≠brio. Por ele sabemos o que est√° certo e errado, sensato e rid√≠culo. E isto n√£o √© s√≥ vis√≠vel no que √© produto da emotividade. √Č vis√≠vel mesmo na manifesta√ß√£o mais neutral como uma not√≠cia ou um an√ļncio de jornal. Donde nasce esse equil√≠brio? Que √© que o constitui? O destr√≥i? Porque √© que se n√£o rebentava a rir com os an√ļncios de h√° cento e tal anos?¬†¬†¬†(Rebent√°mos n√≥s, aqui h√° uns meses, em casa dos Paix√Ķes, ao ler um jornal de 186…). Mas a raz√£o deve ser a mesma por que se n√£o rebentou a rir com a moda que h√° anos us√°mos, os livros rid√≠culos que nos entusiasmaram, as anedotas com que rimos e de que dev√≠amos apenas rir. O homem √©, no corpo como no esp√≠rito, um equil√≠brio de tens√Ķes. S√≥ que as do esp√≠rito, mais do que as do corpo, se reorganizam com mais frequ√™ncia. Equilibrado o esp√≠rito, mete-se-lhe uma ideia nova. Se n√£o √© expulsa, h√° nela a verdade. Porque a verdade √© isso: a inclus√£o de seja o que for no nosso mecanismo sem que lhe rebente as estruturas.

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O objetivo da argumentação, ou da discussão, não deve ser a vitória, mas o progresso.

O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

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