Passagens sobre AusĂȘncia

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Alheamento

Meu corpo estiraçado, lùnguido, ao logo do leito.

O cigarro vago azulando os meus dedos.

O rĂĄdio… a mĂșsica…

A tua presença que esvoaça
em torno do cigarro, do ar, da mĂșsica…

AusĂȘncia!, minha doce fuga!

Estranha coisa esta, a poesia,
que vai entornando mĂĄgoa nas horas
como um orvalho de lĂĄgrimas, escorrendo dos vidros
duma janela,

numa tarde vaga, vaga…

A ausĂȘncia estĂĄ para o amor como o vento estĂĄ para o fogo: apaga o pequeno, abrasa o grande.

A MĂĄscara do Esquecimento e do EquĂ­voco

Sob a mĂĄscara do esquecimento e do equĂ­voco, invocando como justificação a ausĂȘncia de mĂĄs intençÔes, os homens expressam sentimentos e paixĂ”es cuja realidade seria bem melhor, tanto para eles prĂłprios como para os outros, que confessassem a partir do momento em que nĂŁo estĂŁo Ă  altura de os dominar.

A liberdade nĂŁo Ă© uma mera ausĂȘncia de aprisionamento, tal como se diz que a paz nĂŁo Ă© uma mera ausĂȘncia de guerra.

Carta Ă  Minha Filha

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na metĂĄfora dada
pela infĂąncia, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausĂȘncia
de razĂŁo nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite tĂŁo quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguirĂĄ.

Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda Ă s vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas – Ă© sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontĂ­nua
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te Ă© dos nexos da vida,
de quem a habita para além do ar.

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Pequenos Poemas Mentais

Mental: nada, ou quase nada sentimental.

I

Quem nĂŁo sai de sua casa,
nĂŁo atravessa montes nem vales,
nĂŁo vĂȘ eiras
nem mulheres de infusa,
nem homens de mangual em riste, suados,
quem vive como a aranha no seu redondel
cria mil olhos para nada.
Mil olhos!
ImplacĂĄveis.
E hoje diz: odeio.
Ontem diria: amo.
Mas odeia, odeia com indĂŽmitos Ăłdios.
E se se aplaca, como acha o tempo pobre!
E a liberdade inĂștil,
inĂștil e vĂŁ,
riqueza de miserĂĄveis.

II

Como sempres, hĂĄ-de-chegar, desde os tempos!
Vozes, cumprimentos, ofegantes entradas.
Mas que vos reunirĂĄ, pensamentos?
Chegais a existir, pensamentos?
É provável, mas desconfiados e inválidos,
Rosnando estĂșpidos, com cĂŁes.

Ó inĂșteis, aquietai-vos!
Voltai como os cĂŁes das quintas
ao ponto da partida, decepcionados.
E enrolai-vos tristonhos, rabugentos, desinteressados.

III

Esse gesto…
Esse desĂąnimo e essa vaidade…
A vaidade ferida comove-me,
comove-me o ser ferido!

A vaidade nĂŁo Ă© generosa, Ă© egoĂ­sta,
Mas chega a ser bela,

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A fĂ© Ă© uma das forças pelas quais os homens vivem, e a sua ausĂȘncia total significa colapso!

Tudo, aliĂĄs, Ă© a ponta de um mistĂ©rio, inclusive os fatos. Ou a ausĂȘncia deles. Duvida? Quando nada acontece hĂĄ um milagre que nĂŁo estamos vendo.

Se a morte Ă© a ausĂȘncia da vida a vida deveria ser a ausĂȘncia da morte. Logo, por que pensamos na morte ?

Mantém uma Certa Distùncia dos teus Superiores

NinguĂ©m deve poder imaginar que, de acordo com os teus superiores, participaste na elaboração de novas leis, sobretudo se forem impopulares. Mostra-te o menos possĂ­vel na companhia do verdadeiro detentor do poder, mas conta-lhe Ă  discrição rumores e anedotas, desde que nĂŁo tragam consequĂȘncias. Sobretudo, nĂŁo te gabes diante de ninguĂ©m de teres conquistado a sua amizade.
Se a tua influĂȘncia sobre os poderosos for notada, serĂĄs apontado como responsĂĄvel pelas suas mĂĄs acçÔes. Procuca, pois, que o teu senhor escute atentamente os teus conselhos, tenha em conta as tuas observaçÔes, mas sĂł provoque grandes reviravoltas polĂ­ticas na tua ausĂȘncia.

As ĂĄrvores parecem indefesas, mas a sua ausĂȘncia Ă© o nosso castigo, o seu desaparecimento Ă© o pior dos venenos.

Lågrimas Tristes Tomarão Vingança

Se somente hora alguma em vĂłs piedade
De tĂŁo longo tormento se sentira,
Amor sofrera, mal que eu me partira
De vossos olhos, minha saudade.

Apartei-me de vĂłs, mas a vontade,
Que por o natural na alma vos tira,
Me faz crer que esta ausĂȘncia Ă© de mentira;
Porém venho a provar que é de verdade.

Ir-me-ei, Senhora; e neste apartamento
Lågrimas tristes tomarão vingança
Nos olhos de quem fostes mantimento.

Desta arte darei vida a meu tormento,
Que, enfim, cå me acharå minha lembrança
Sepultado no vosso esquecimento.

As Verdadeiras Qualidades ao Alcance de qualquer Ser Humano

Ao avaliar o nosso progresso como indivĂ­duos, tendemos a concentrar-nos nos factores externos como a nossa posição social, a influĂȘncia e a popularidade, a riqueza e o nĂ­vel de instrução. Como Ă© evidente, sĂŁo importantes para medir o nosso sucesso nas questĂ”es materiais, e Ă© bem compreensĂ­vel que muitas pessoas se esforcem principalmente por alcançar todos eles. Mas os factores internos podem ser ainda mais cruciais para determinar o nosso desenvolvimento como seres humanos. A honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a pura generosidade, a ausĂȘncia de vaidade, a prontidĂŁo para servir os outros – qualidades que estĂŁo facilmente ao alcance de qualquer criatura -, formam a base da nossa vida espiritual.

O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausĂȘncia Ă© uma eternidade.

As quatro condiçÔes elementares para a felicidade sĂŁo: vida ao ar livre, amor de mulher, ausĂȘncia de qualquer ambição e a criação de um novo e belo ideal.

Eu aprendi que a coragem nĂŁo Ă© a ausĂȘncia de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso nĂŁo Ă© aquele que nĂŁo sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo.