Passagens sobre Crentes

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Frases sobre crentes, poemas sobre crentes e outras passagens sobre crentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Quem se sente predestinado para a contemplação e não para a fé acha todos os crentes demasiado barulhentos e impertinentes: evita-os.

Anoitecer

A luz desmaia num fulgor d’aurora,
Diz-nos adeus religiosamente…
E eu, que n√£o creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui… outrora…

N√£o sei o que em mim ri, o que em mim chora
Tenho b√™n√ß√£os d’amor pra toda a gente!
Como eu sou pequenina e t√£o dolente
No amargo infinito desta hora!

Horas tristes que s√£o o meu ros√°rio…
√ď minha cruz de t√£o pesado lenho!
Meu áspero e intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que n√£o tenho…
Sonhos que s√£o os sonhos dos que eu tive…

Tu, V√£ Filosofia

Tu, v√£ Filosofia, embora aviltes
Os crentes nas vis√Ķes do pensamento,
Turvo clarão de raciocínios tristes
Por entre sombras nos conduz, e a mente,
Rastejando a verdade, a desencanta;
Nem doloroso espírito se ilude,
Se o que, dormindo, creu, crê, despertando.
Até no afortunado a vida é sonho
(Sonho, que l√° no fim se verifica),
E ansioso pesadelo em mim, que a choro,
Em mim, que provo o fel da desventura,
Desde que levantei, que abri, carpindo,
Os olhos infantis à luz primeira;
Em mim, que fui, que sou de Amor o escravo,
E a vítima serei, e o desengano
Da suprema paix√£o, por ti cantada
Em versos imortais, como o princípio
Etéreo, criador, de que emanaram.

O crente está pronto, num paciente silêncio, para ouvir a voz de Deus e, de saída, para a anunciar aos outros, consciente de que a fé é um encontro.

Estas três atitudes encorajam e relançam a vida de todos aqueles que se sentem subjugados pelo medo nos momentos difíceis.

A oração é o encontro com Deus, com o Deus que nunca desilude. Perguntava Jesus:

¬ęDeus n√£o far√° porventura justi√ßa aos seus eleitos; que a Ele clamam dia e noite?¬Ľ (Lucas 18,7). Na ora√ß√£o, o crente exprime a sua f√©, a sua confian√ßa, e Deus exprime a Sua proximidade atrav√©s, tamb√©m, do dom dos anjos, Seus mensageiros e nossos amigos.

Suavidade

Poisa a tua cabeça dolorida
T√£o cheia de quimeras, de ideal
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irm√£ compadecida.

H√°s de contar-me nessa voz t√£o q’rida
Tua dor infantil e irreal,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.

E h√°s de adormecer nos meus joelhos…
E os meus dedos enrugados, velhos,
H√£o de fazer-se leves e suaves…

H√£o de poisar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente
Sobre o teu rosto, como penas d’aves…

Sol do Meu Dia

Se eu fosse nuvem tinha imensa m√°goa
N√£o te servindo de asas maternais
Que te pudessem abrigar da √°gua
Que chovesse das mais!

E sendo eu onda, tinha m√°goa suma
N√£o te podendo a ti, mulher, levar
De praia em praia sobre a alva espuma,
Sem nunca te molhar!

E sendo aragem eu, que pela face
Te roçasse de rijo alguma vez
Que o Senhor com mais for√ßa respirasse…
Que m√°goa imensa… V√™s?

E a luz do teu olhar que me n√£o luza
Um r√°pido momento a mim sequer,
Como a √°guia no ar, que passa e cruza
A terra sem na ver!

Mas que me importa a mim! Se me esmagasses
Um dia aos pés o coração a mim,
As vozes que lhe ouviras, se escutasses,
Era o teu nome… sim;

O teu nome gemido docemente,
Com toda a fé de um mártir em Jesus.
Se acaso j√° em Cristo p√īs um crente
A fé que eu em ti pus!

A fé, mais o amor! Porque ele expira
Sem que a ninguém lhe estale o coração;

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Todos nós Somos Crentes

Todos os homens da terra est√£o conscientes do infinito e da eternidade. A √ļnica diferen√ßa que existe entre eles √© saber at√© que ponto essa consci√™ncia abala cada indiv√≠duo considerado isoladamente. Um acredita num deus pessoal acima das coisas e dos homens, o outro acredita no seu pr√≥prio querer como no seu deus, uns s√£o humildes, outros revoltam-se, e todos, seja qual for o comportamento individual de cada um – todos s√£o crentes.

Desejos V√£os

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastid√£o imensa!
Eu queria ser a Pedra que n√£o pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a √°rvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar tamb√©m chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem l√°grimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

Deus

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E ent√£o eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

Solemnia Verba

Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos v√£os and√°mos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos…

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!

Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,

Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.

Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.

Deixai a Vida aos Crentes Mais Antigos

Vós que, crentes em Cristos e Marias,
Turvais da minha fonte as claras √°guas
Só para me dizerdes
Que há águas de outra espécie

Banhando prados com melhores horas
Dessas outras regi√Ķes pra que falar-me
Se estas √°guas e prados
S√£o de aqui e me agradam?

Esta realidade os deuses deram
E para bem real a deram externa.
Que ser√£o os meus sonhos
Mais que a obra dos deuses?

Deixai-me a Realidade do momento
E os meus deuses tranq√ľilos e imediatos
Que n√£o moram no Vago
Mas nos campos e rios.

Deixai-me a vida ir-se pag√£mente
Acompanhada pelas avenas tênues
Com que os juncos das margens
Se confessam de P√£.

Vivei nos vossos sonhos e deixai-me
O altar imortal onde é meu culto
E a visível presença
Os meus próximos deuses.

In√ļteis procos do melhor que a vida,
Deixai a vida aos crentes mais antigos
Que a Cristo e a sua cruz
E Maria chorando.

Ceres, dona dos campos, me console
E Apolo e Vênus,

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Cinismos

Eu hei de lhe falar lugubremente
Do meu amor enorme e massacrado,
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.

Hei de expor-lhe o meu peito descarnado,
Chamar-lhe minha cruz e meu Calv√°rio,
E ser menos que um Judas empalhado.

Hei de abrir-lhe o meu íntimo sacrário
E desvendar a vida, o mundo, o gozo,
Como um velho filósofo lendário.

Hei de mostrar, t√£o triste e tenebroso,
Os pegos abismais da minha vida,
E hei de olh√°-la dum modo t√£o nervoso,

Que ela h√° de, enfim, sentir-se constrangida,
Cheia de dor, tremente, alucinada,
E h√° de chorar, chorar enternecida!

E eu hei de, ent√£o, soltar uma risada.

Para mim, um determinado grau de cren√ßa constitui actualmente uma objec√ß√£o a essa cren√ßa; antes de mais, inspira-me d√ļvidas relativas √† integridade mental do crente.

A publicidade √© uma f√°brica de perfeitos fregueses, √°vidos e est√ļpidos; a educa√ß√£o, que lhe √© paralela, fabrica cidad√£os servis e crentes.

Risadas

Às criaturas alegres

Fantasia, ó fantasia, tropo ardente
Da aurora alegre undiflavando as bandas
Do adamascado e r√ļbido oriente,
√ď fantasia, √°guia das asas pandas.

Tu que os clarins do sonho mais fulgente
Das Julietas, feres, nas varandas,
√ď fantasia dos Romeus, √≥ crente,
Por que países meridionais tu andas?!

Vem das esferas, entre os sons que vibras.
Vem, que desejo emocionar as fibras,
Quero sentir como este sangue impulsas.

Noiva do sol que os sóis preclaros gozas
Para rimar umas can√ß√Ķes de rosas,
Como risadas de cristal, avulsas…

Crê!

Vê como a Dor te transcendentaliza!
Mas no fundo da Dor crê nobremente.
Transfigura o teu ser na força crente
Que tudo torna belo e diviniza.

Que seja a Crença uma celeste brisa
Inflando as velas dos batéis do Oriente
Do teu Sonho supremo, onipotente,
Que nos astros do céu se cristaliza.

Tua alma e coração fiquem mais graves,
Iluminados por carinhos suaves,
Na do√ßura imortal sorrindo e crendo…

Oh! Crê! Toda a alma humana necessita
De uma Esfera de c√Ęnticos, bendita,
Para andar crendo e para andar gemendo!

O Tumulto

O tumulto concentrado da minha imagina√ß√£o intelectual…
Fazer filhos √† raz√£o pr√°tica, como os crentes en√©rgicos…
Minha juventude perpétua
De viver as coisas pelo lado das sensa√ß√Ķes e n√£o das responsabilidades.
(√Ālvaro de Campos, nascido no Algarve, educado por um tio-av√ī, padre,
que lhe instilou um certo amor √†s coisas cl√°ssicas.) (Veio para Lisboa muito novo …)
A capacidade de pensar o que sinto, que me distingue do homem vulgar
Mais do que ele se distingue do macaco.
(Sim, amanh√£ o homem vulgar talvez me leia e compreenda a subst√Ęncia do meu ser,
Sim, admito-o,
Mas o macaco j√° hoje sabe ler o homem vulgar e lhe compreende a subst√Ęncia do ser.)

Se alguma coisa foi por que é que não é
Ser não é ser?

As flores do campo da minha inf√Ęncia, n√£o as terei eternamente,
Em outra maneira de ser?
Perderei para sempre os afetos que tive, e até os afetos que pensei ter?
H√° algum que tenha a chave da porta do ser, que n√£o tem porta,
E me possa abrir com raz√Ķes a intelig√™ncia do mundo?