Cita√ß√Ķes sobre Crocodilos

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Frases sobre crocodilos, poemas sobre crocodilos e outras cita√ß√Ķes sobre crocodilos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sonho Africano

Ei-lo em sua choupana. A l√Ęmpada, suspensa
Ao teto, oscila; a um canto, um velho e ervado fimbo;
Entrando, porta dentro, o sol forma-lhe um nimbo
Cor de cinábrio em torno à carapinha densa.

Estira-se no ch√£o… Tanta fadiga e doen√ßa!
Espregui√ßa, boceja… O apagado cachimbo
Na boca, nessa meia escurid√£o de limbo,
Mole, semicerrando os d√ļbios olhos, pensa…

Pensa na p√°tria, al√©m… As florestas gigantes
Se estendem sob o azul, onde, cheios de m√°goa,
Vivem negros reptis e enormes elefantes…

Calma em tudo. Dardeja o sol raios tranquilos…
Desce um rio, a cantar… Coalham-se √† tona d’√°gua
Em compacto apert√£o, os velhos crocodilos…

O Homem Congrega Todas as Espécies de Animais

H√° t√£o diversas esp√©cies de homens como h√° diversas esp√©cies de animais, e os homens s√£o, em rela√ß√£o aos outros homens, o que as diferentes esp√©cies de animais s√£o entre si e em rela√ß√£o umas √†s outras. Quantos homens n√£o vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre ferozes e sempre cru√©is, outros como le√Ķes, mantendo alguma apar√™ncia de generosidade, outros como ursos grosseiros e √°vidos, outros como lobos arrebatadores e impiedosos, outros ainda como raposas, que vivem de habilidades e cujo of√≠cio √© enganar!
Quantos homens n√£o se parecem com os c√£es! Destroem a sua esp√©cie; ca√ßam para o prazer de quem os alimenta; uns andam sempre atr√°s do dono; outros guardam-lhes a casa. H√° lebr√©us de trela que vivem do seu m√©rito, que se destinam √† guerra e possuem uma coragem cheia de nobreza, mas h√° tamb√©m dogues irasc√≠veis, cuja √ļnica qualidade √© a f√ļria; h√° c√£es mais ou menos in√ļteis, que ladram frequentemente e por vezes mordem, e h√° at√© c√£es de jardineiro. H√° macacos e macacas que agradam pelas suas maneiras, que t√™m esp√≠rito e que fazem sempre mal. H√° pav√Ķes que s√≥ t√™m beleza, que desagradam pelo seu canto e que destroem os lugares que habitam.

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A Seriedade é uma Doença

A seriedade √© uma doen√ßa, e o mais s√©rio dos animais √© o burro. Ningu√©m lhe tira, nem com afagos nem com a chibata aquele semblante cabido de m√°goas rec√īnditas que o ralam no seu peito. H√° nele a linha, o perfil do s√°bio refugado no concurso ao magist√©rio, do candidato √° camara baixa bigodeado pela perf√≠dia de eleitores que, saturados de genebra e Carta constitucional, desde a taberna at√© √† urna, fermentaram a cris√°lida de consci√™ncias novas. O burro √© assim triste por fora; mas √© feliz por dentro, e riria dos seus hom√≥nimos, se pudesse igual√°-os na faculdade de rir, que √© exclusiva do homem e da hiena, a qual ri com umas exulta√ß√Ķes ferozes t√£o aut√™nticas como as l√°grimas insidiosas do crocodilo.

Soneto III

A D. Fern√£o Martins Mascarenhas quando o fizeram Bispo.

Espanta crecer tanto o Crocodilo
Só por seu acanhado nascimento,
Que se maior nascera, mais isento
Estivera d’espanto o p√°trio Nilo.

Em v√£o levantar√° meu baixo estilo
Vosso Pontifical novo ornamento,
Pois no ventre o imortal merecimento
Vo-lo talhou, para despois visti-lo.

Tardou, mas veio, que a quem mais merece
Muito mais tarde vir o prémio é certo,
E sempre tarda, inda que venha cedo.

Os Céus, que do primeiro estão mais perto,
Mais devagar se movem; quem soubesse
Tr√°s d’aquele segredo, este segredo?

Escravocratas

Oh! tr√Ęnsfugas do bem que sob o manto r√©gio
Manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
Viveis sensualmente à luz dum privilégio
Na pose bestial dum c√°gado tranq√ľilo.

Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
Ardentes do olhar — formando uma vergasta
Dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
E vibro-vos a espinha — enquanto o grande basta

O basta gigantesco, imenso, extraordin√°rio —
Da branca consci√™ncia — o r√ļtilo sacr√°rio
No t√≠mpano do ouvido — audaz me n√£o soar.

Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
Vermelho, colossal, d’estr√©pito, gong√≥rico,
Castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!

Poema de Amor

A noite é cheia de vales e baías.
E do meu peito aberto um rio largo de sangue…
√Āguas densas, de correntes lentas,
serpentes mortas a arrastarem-se.
√Āguas?
√Āguas negras, pastosas, alcatr√£o rolante.
Mas √°guas puras, verde-claras, atraindo
a margem donde os crocodilos fogem mastigando.
√Āguas em transpar√™ncias lucilantes, para cima,
e as estrelas do mar, um polvo e um mefistófeles
ficam no ar sobre ilhéus e lodosos calhaus
que se descobrem.
Plantas brancas e ext√°ticas…
L√°grimas… nuvens… e a cabe√ßa, o perfil,
os olhos, todo o corpo da mulher amada, a prostituta
antes de virgem, que é bela e feia, velha e nova,
e n√£o conhece os filhos!

O fogo envolve essa mulher amada
e é um guindaste erguendo-a e atirando-a,
enquanto dispersas pelo chão brilham mandíbulas
naturalmente √† espera…