Cita√ß√Ķes sobre Eclipses

16 resultados
Frases sobre eclipses, poemas sobre eclipses e outras cita√ß√Ķes sobre eclipses para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√ď Meus Irm√£os Contr√°rios

√ď meus irm√£os contr√°rios que guardais nas vossas
[pupilas
A noite infusa e o seu horror
Onde vos deixei eu
Com vossas pesadas mãos no azeite preguiçoso
Dos vossos actos antigos
Com t√£o pouca esperan√ßa que’a morte tem raz√£o
√ď meus irm√£os perdidos
Eu vou para a vida tenho aparência de homem
Para provar que o mundo é feito à minha medida

E não estou só
Mil imagens de mim multiplicam a luz
Mil olhares semelhantes igualam a carne
√Č a ave √© a crian√ßa √© a rocha √© a plan√≠cie
Que se misturam a nós
O ouro desata a rir ao ver-se fora do abismo
A √°gua o fogo despem-se por uma √ļnica esta√ß√£o
J√° n√£o h√° eclipse na fronte do universo.

Tradução de António Ramos Rosa

O Dia Em Que Eu Nasci, Moura E Pereça

O dia em que eu nasci, moura e pereça,
n√£o o queira jamais o tempo dar,
n√£o torne mais ao mundo, e, se tornar,
eclipse nesse passo o sol padeça.

luz lhe falte, o sol se [lhe] escureça,
mostre o mundo sinais de se acabar,
nasçam-lhe monstros, sangue chova
o ar, a mãe ao próprio filho não conheça.

s pessoas pasmadas de ignorantes,
as l√°grimas no rosto, a cor perdida,
cuidem que o mundo j√° se destruiu.

√ď gente temerosa, n√£o te espantes,
que este dia deitou ao mundo a vida
mais desgraçada que jamais se viu!

Apocalipse

Porque a lua é branca e a noite
√© simples an√ļncio da aurora;
e porque o mar é o mar apenas
e a fonte n√£o canta nem chora;

e porque o sal se decomp√Ķe
e s√£o de √°gua e carv√£o as rosas,
e a luz é simples vibração
que excita células nervosas;

e porque o som fere os ouvidos
e o vento canta na harpa eólia;
e porque a terra gera os √°spides
entre a papoula e magnólia;

e porque o trem j√° vai partir
e o corvo nos diz never more;
e porque devemos sorrir
antes que o crep√ļsculo descore;

e porque ontem j√° n√£o existe
e o que h√° de vir n√£o mais vir√°,
e porque estamos num balé
sobre o estopim da Bomba H:

n√£o marcharemos contra o muro
das lamenta√ß√Ķes, prantear
a frustração de tudo o que
sonhamos ousar, sem ousar.

Títeres mudados em gnomos,
enfrentemos o Apocalipse
como pilotos da tormenta
entre o terremoto e o eclipse.

Vamos dançar sobre o convés
enquanto o barco n√£o aderna;

Continue lendo…

As Sem Raz√Ķes do Amor

Eu te amo porque te amo.
N√£o precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor n√£o se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicion√°rios
e a regulamentos v√°rios.

Eu te amo porque n√£o amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor n√£o se troca,
n√£o se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Pai

Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O c√©u desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Transl√ļcida, adormece um sono c√°lido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as √°rvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda c√° ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na m√°goa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto √© agora pouco para te conter. Agora, √©s o rio e as margens e a nascente; √©s o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; √©s o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as √°rvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim.

Continue lendo…

Soberanos mas Escravos

Os homens que est√£o em altos lugares s√£o escravos de tr√™s modos: escravos do soberano ou do Estado; escravos da reputa√ß√£o; e escravos dos neg√≥cios. N√£o gozam de liberdade, nem nas suas pessoas, nem nas suas ac√ß√Ķes, nem no seu tempo. Estranho desejo √© o de ganhar o poder e perder a liberdade, ou de buscar o poder sobre os outros para perder o poder sobre si-pr√≥prio. A ascens√£o √†s altas fun√ß√Ķes √© laboriosa; atrav√©s de canseiras chega o homem a maiores canseiras; a ascens√£o √© por vezes humilhante, e por meio de indignidades √© que o homem chega √†s dignidades. Manter-se √† altura √© dif√≠cil, e a descida √© uma queda vertical; ou pelo menos um eclipse, coisa melanc√≥lica.
Al√©m disso, os homens n√£o se podem retirar quando querem; nem querem quando seria razo√°vel; n√£o se compadecem com a aposenta√ß√£o por idade ou por doen√ßa, quando necessitam estar √† sombra; tais como os velhos das vilas e das aldeias que querem estar sentados √† porta de casa, expondo assim a velhice ao esc√°rnio dos outros. Certamente, as altas personalidades necessitam de pedir aos outros homens opini√Ķes que as fa√ßam felizes; porque a julgarem-se pelos pr√≥prios sentimentos jamais conseguir√£o a felicidade;

Continue lendo…

O dia em que nasci moura e pereça,

O dia em que nasci moura e pereça,
N√£o o queira jamais o tempo dar;
N√£o torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.

A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As l√°grimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo j√° se destruiu.

√ď gente temerosa, n√£o te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

A Verdade

A verdade é semelhante a uma adolescente
vibrante, flexível, em radiosa sombra.
Quando fala √© a noite transl√ļcida no mar
e a esfera germinal e os anéis da água.
Um apelo suave obstinado se adivinha.

Ela dorme t√£o perfeitamente despertada
que em si a verdade é o vazio. Ela aspira
à cegueira, ao eclipse, à travessia
dos espelhos at√© ao √ļltimo astro. Ela sabe
que o muro está em si. Ela é a sede

e o sopro, a falha e a sombra fascinante.
Ela funda uma arquitectura volante
em suspensas superfícies ondulantes.
Ela é a que solicita e separa, delimita
e dissemina as sílabas solidárias.

À Fragilidade da Vida Humana

Esse baixel nas praias derrotado
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.

Esse n√°car em cinzas desatado
Foi vistoso pav√£o de Abril florido;
Esse estio em ves√ļvios encendido
Foi Zéfiro suave em doce agrado.

Se a nau, o sol, a rosa, a Primavera
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,

Olha, cego imortal, e considera
Que és rosa, primavera, sol, baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.

Estar S√≥ √© Estar no √ćntimo do Mundo

Por vezes   cada objecto   se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim t√£o breve e t√£o profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos d√°
a cintilante subst√Ęncia do s√≠tio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre min√ļsculas luzes
E √© astro imediato de um l√ļcido sono
fluvial e um n√ļbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo

Esta Noite Morrer√°s

Esta noite morrer√°s.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
ter√°s partido do meu leito
e aquele que procurar a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
Esta noite morrer√°s.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
ter√°s partido do meu leito
e uma gota de sangue ressequido
é a marca dos teus passos.
No coração do tempo pulsa um maquinismo ínscio
e na casa do tempo a hora é adorno.
Quando a lua vier tocar-me o rosto a tua sombra extinta marca
o fim de um eclipse hor√°rio de uma partida iminente e o tempo
apaga a marca dos teus passos sobre o meu nome.
Constante.
O mar é isso.
A lua vir tocar-me o rosto e encontrar urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
O mar é tu morreste.
O mar é ser noite e vir a lua tocar-me o rosto quando tu par-
tiste e no meu leito crescem folhas sangue.
A febre é uma pira incompreensível como a aparição da lua
e a opacidade do mar.
No meu leito a lua vai tocar-me o rosto e a tua ausência é um
prisma,

Continue lendo…

O Amor n√£o Tem Nenhuma Parte Terrena

Por ser maior o cerco de ouro ardente
do sol que o globo opaco que é a terra,
e menor que este o que à lua encerra
as três caras que mostra diferente,

ora a vemos minguante, ora crescente,
ora na sombra o eclipse a enterra;
porém aos seis planetas não faz guerra,
nem uma estrela sua inj√ļria sente.

A fogueira do meu amor, cravada
no zénite do vasto firmamento,
n√£o baixa em sombras ou est√° eclipsada.

Manchas da terra n√£o as experimento:
que sua noite dista da sagrada
região onde minha fé tem seu assento.

Tradução de José Bento

A alma toma c√° um banho de pregui√ßa aromatizado pela saudade e pelo desejo. – √Č algo crepuscular, azulado e rosado; um sonho voluptuoso durante um eclipse.

Os Filhos S√£o Figuras Estremecidas

Os filhos s√£o figuras estremecidas
e, quando dormem, a felicidade
cerra-lhes as p√°lpebras, toca-lhes
os l√°bios, ama-os sobre as camas.
√Č por mim que chamam quando temem
o eclipse e o temporal. Trazem nos cabelos
o aroma do leite e da festa das rosas.
Voam-me por entre os dedos, por entre
as malhas da rede de espuma
que lanço a seus pés. Reinam
num sítio de penumbra onde não
me atrevo sequer a dizer quem sou.