Passagens sobre Efic√°cia

26 resultados
Frases sobre efic√°cia, poemas sobre efic√°cia e outras passagens sobre efic√°cia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Aptidão, Vontade, e Acção

No reino da Natureza dominam o movimento e o agir. No reino da liberdade dominam a aptid√£o e o querer. O movimento √© perp√©tuo e, sendo favor√°veis as circunst√Ęncias, manifesta-se necessariamente nos fen√≥menos. As aptid√Ķes, desenvolvendo-se embora em correspond√™ncia com a Natureza, t√™m contudo que ser postas em exerc√≠cio por parte da vontade para poderem elevar-se gradualmente. √Č por isso que nunca temos no exerc√≠cio livre da vontade a mesma certeza que temos na autonomia do agir natural; este √ļltimo √© qualquer coisa que se produz a si mesma enquanto que o primeiro √© produzido.
O exerc√≠cio da vontade, para ser perfeito e eficaz, tem que se adequar: no plano moral, √† consci√™ncia – a uma consci√™ncia sem erro -, e, no dom√≠nio das artes, √† regra – a uma regra que em nenhum lado est√° enunciada. A consci√™ncia n√£o precisa de nenhum patroc√≠nio, porque tem tudo o que lhe √© necess√°rio e porque s√≥ tem que ver com o mundo pessoal interior. O g√©nio tamb√©m n√£o precisaria de nenhuma regra, mas, uma vez que a sua efic√°cia se dirige para o exterior, est√° na depend√™ncia de m√ļltiplas conting√™ncias materiais e temporais, n√£o lhe sendo poss√≠vel escapar a erros que da√≠ decorrem.

Continue lendo…

O pa√≠s real quer coisas pr√°ticas, ver as quest√Ķes resolvidas com pragmatismo e efic√°cia. Quer o fim da total instabilidade que se verifica h√° uns anos na sociedade portuguesa.

O Acto de Produzir Levado ao Limite

Ao longo da vida, acontece muitas vezes que, em meio das nossas maiores certezas, notamos subitamente que estamos a ser v√≠timas de um erro e que fomos cativados por pessoas ou por coisas com as quais sonh√°mos uma rela√ß√£o que n√£o resiste ao olhar atento da vig√≠lia. E acontece tamb√©m que, apesar de tudo, n√£o somos capazes de nos desprender, como se f√īssemos retidos por uma for√ßa que nos parece inexplic√°vel. Mas por vezes atingimos uma consci√™ncia plena destas situa√ß√Ķes e compreendemos que, tanto quanto uma verdade, um erro pode motivar-nos e conduzir-nos a uma certa actividade.
E, como a ac√ß√£o comporta sempre decis√Ķes, um erro posto em ac√ß√£o pode muito bem dar origem a qualquer coisa de bom, se a efic√°cia desse fazer se estender at√© ao infinito. O acto de produzir √© sem d√ļvida o que temos de melhor, mas do que fica dito compreende-se que tamb√©m o acto de destruir n√£o deixa de ter consequ√™ncias ben√©ficas.

Tamb√©m a ‚Äėlei dos rem√©dios‚Äô √© falsa. Por isso, ela perder√° a sua efic√°cia quando a Imagem Verdadeira retornar √† sua casa (corpo). Por√©m, mesmo que a Imagem Verdadeira j√° esteja perto de sua casa, a ‚Äėlei dos rem√©dios‚Äô continuar√° atuando como se fosse o dono, enquanto o verdadeiro dono n√£o entrar na casa.

A Nulidade como Ideal

A nulidade exige ordem. Tem necessidade de uma hierarquia, de meios de press√£o, de agentes e de uma finalidade que se confunda consigo pr√≥pria. Para manter o ser humano no seu n√≠vel mais baixo, onde n√£o corre o risco de fazer ondas, nada melhor que uma organiza√ß√£o estruturada com n√≠veis de poder e pe√Ķes disciplinados capazes de os exercer. Qualquer estrutura deste tipo aguenta-se de p√© devido √† convic√ß√£o geral de que n√£o √© necess√°rio explicar para se ser obedecido, nem compreender para obedecer. A verdade difunde-se por si s√≥ de cima para baixo pelo mero efeito do ascensor hier√°riquico. A efic√°cia √© proporcional ao grau de complexidade gra√ßas ao qual √© mantida a ilus√£o de uma certa liberdade em todos os n√≠veis de comando.
Quanto mais insignificantes s√£o as engrenagens humanas, mais f√°cil √© convenc√™-las da sua falsa autonomia. As nulidades fornecem as melhores engrenagens, associando o m√°ximo de in√©rcia intelectual ao m√°ximo de aplica√ß√£o no exerc√≠cio de uma ditadura sobre a pequena por√ß√£o de poder que lhes cabe. Essas estruturas, onde todos t√™m raz√£o quando est√£o acima e n√£o a t√™m quando est√£o abaixo, realizam uma esp√©cie de ideal humano feito de equil√≠brio entre arrog√Ęncia e humildade.

Continue lendo…

O problema fundamental do casamento é que ele abala a confiança de um homem nele mesmo, e diminui grandemente sua competência e eficácia geral. Ele passa a pensar como um comandante que perdeu uma batalha decisiva e dramática e, desde então, nunca mais acredita inteiramente em si mesmo.

Revelação

II

Treva e fulgura√ß√£o; s√Ęnie e perfume;
Massa palpável e éter; desconforto
E ataraxia feto vivo e aborto. ..
– Tudo a unidade do meu ser resume!

Sou eu que, ateando da alma o occíduo lume,
Apreendo, em cisma abismadora absorto,
A potencialidade do que é morto
E a eficácia prolífica do estrume!

Ah! Sou eu que, transpondo a escarpa
Dos limites org√Ęnicos estreitos,
Dentro nos quais recalco em v√£o minha √Ęnsia,

Sinto bater na putrescível crusta
Do tegumento que me cobre os peitos
Toda a imortalidade da Subst√Ęncia!

Na cartomancia, por exemplo, o índice de acerto varia conforme a profundidade da oração do cartomante, embora o instrumento para decodificar a inspiração sejam as cartas de baralho. Também a eficácia da acupuntura, da moxibustão ou da massagem shiatsu varia dependendo de acertar ou não o local de aplicação, por uma diferença mínima.

Banho, n. Um tipo de cerimónia mística que substituiu o culto religioso, desconhecendo-se ainda a sua eficácia espiritual.

Os sonhos s√£o o melhor rem√©dio para curar frustra√ß√Ķes. Se s√≥lidos, eles podem ter mais efic√°cia do que anos de psicoterapia. Eles reeditam o filme do inconsciente e ampliam os horizontes do desanimado, fazendo renascer a motiva√ß√£o para recome√ßar tudo de novo.

Para que ame algu√©m a Humanidade, se sinta disposto a guiar os mais pequenos no caminho do futuro e n√£o duvide da efic√°cia do esfor√ßo, √© sobretudo preciso que possua a longa perspectiva que s√≥ d√° o conhecimento das grandes realiza√ß√Ķes humanas em todos os dom√≠nios.

Sexo, Poder e Dinheiro

A nossa sociedade gravita em torno de 3 eixos. Muito poucos s√£o os que n√£o se deixam cair em nenhuma das reais tenta√ß√Ķes do aparente.
O culto destas dimens√Ķes imediatas da identidade remete para planos secund√°rios todas as categorias interiores que a estruturam e consubstanciam, dispensando pondera√ß√£o e reflex√£o, abrem alas a uma pregui√ßa estranha que se contenta com o superficial. Quase uma animalidade consentida, mas sem sentido.
O sexo, fazendo parte da vida, n√£o √© contudo o mais importante. O h√°bito consome-se com tremenda rapidez, e o corpo √© apenas uma √≠nfima parte do que somos, o albergue tempor√°rio de uma interioridade composta por, tantas vezes, tenebrosas podrid√Ķes, vulgaridades comuns e, por vezes tamb√©m, belezas indescrit√≠veis. Felizmente, o ser humano √© capaz de ver para bem mais longe do que a vista alcan√ßa, e ver o outro atrav√©s do seu corpo.

O poder atrai e corrompe, muito antes de ser atingido. Promete o que há de melhor pela amplificação da liberdade, mas como não dá nunca o discernimento essencial às escolhas que determinam os passos que nos aproximam da felicidade, ilude enquanto afoga quem se julga por ele abraçado.

O dinheiro é o que parece mover com mais eficácia o mundo,

Continue lendo…

A Divinização do Utilitário

O grande conflito de hoje, no dom√≠nio socioecon√≥mico, por exemplo, e contra a previs√£o de um Marx, n√£o √© o que op√Ķe o Capital e o Trabalho, mas o que comanda a m√°quina e o que a serve (Fran√ßois Perroux). Mas o efeito mais vis√≠vel, porque mais extenso, da sua compacta presen√ßa, √© o que degrada os sonhos ao tang√≠vel e utilit√°rio que define a vituperada ¬ęsociedade de consumo¬Ľ. N√£o √© assim o √ļtil ou utili¬≠t√°rio que se condena: √© a sua diviniza√ß√£o. O que surpreende no mundo de hoje n√£o √© a sedu√ß√£o da comodidade, mas que ela esgote todas as sedu√ß√Ķes; n√£o √© o sonho de ¬ęviver bem¬Ľ, mas que s√≥ se viva bem com esse sonho. Decerto o viver bem foi sempre um sonho de quem teve por sorte o viver mal. Mas a realiza√ß√£o em massa dessa ambi√ß√£o instaura-se em plena for√ßa como modelo. E n√£o apenas por ser uma realiza√ß√£o em massa, mas porque aos ¬ęrespons√°veis¬Ľ nenhum valor se imp√Ķe para a esse imporem. O utilitarismo √© um valor negativo; mas con¬≠verte-se em positivo pela negatividade de quem poderia recus√°¬≠-lo. O que nos ¬ęirrespons√°veis¬Ľ √© uma ambi√ß√£o em positivo, √© nos ¬ęrespons√°veis¬Ľ uma aceita√ß√£o em negativo,

Continue lendo…

N√£o Julgues

N√£o julgues. A vida √© um mist√©rio, cada um obedece a leis diferentes. Conheces porventura a for√ßa das coisas que os conduziram, os sofrimentos e os desejos que cavaram o seu caminho? Supreendestes porventura a voz da sua consci√™ncia a revelar-lhes em voz baixa o segredo do seu destino? N√£o julgues; olha o lago puro e a √°gua tranquila onde v√™m quebrar-se as mil vagas que varrem o universo… √Č preciso que aconte√ßa tudo aquilo que v√™s.
Todas as ondas do oceano s√£o precisas para levar ao porto o navio da verdade. Acredita na efic√°cia da morte do que queres para participares do triunfo do que deve ser.

O Dinheiro Tem uma Qualidade Detergente

O dinheiro tem, entre outras incont√°veis virtudes, uma qualidade detergente. E m√ļltiplas qualidades nutricionais. Alegra-te os belos olhos, engorda-te as bochechas, permite-te esse modo de ocupares uma poltrona, de pernas bem esticadas e jornal nas m√£os. D√°-te essas m√£os impolutas que emergem dos punhos de algod√£o branco da camisa. J√° n√£o √©s tu quem vagueia √† noite. Podes contratar quem capture, degole e esfole as presas que constituem os ingredientes indispens√°veis do cozido ou da paella dos domingos. Assim se fez sempre nas casas das boas fam√≠lias.

N√£o √© o senhor da casa que desfere o golpe fatal ao coelho, n√£o √© a senhora que crava a faca no pesco√ßo da galinha e a depena, com o pote de barro entre as pernas, cheio de p√£o migado que o sangue h√° de empapar como deve ser, para o rico ensopado. Aos senhores os animais chegam sempre j√° cozinhados, servidos numa bandeja coberta por uma reluzente camp√Ęnula de prata, ou na ca√ßarola, guarnecidos, irreconhec√≠veis de t√£o desfigurados e, por isso mesmo, apetitosos na sua aparente inoc√™ncia. Assim se fez sempre, assim se continua a fazer; n√≥s pr√≥prios adquirimos em poucos anos esse privilegiado estatuto, a ilus√£o de sermos todos senhores: em remotos pavilh√Ķes industriais,

Continue lendo…

Estamos a Cair na Mediocridade Governativa

Estamos a cair na mediocridade porque estamos muito subservientes aos padr√Ķes de efic√°cia e da racionalidade europeia. Os tempos festivos da revolu√ß√£o passaram. Teriam naturalmente que passar, mas aplica-se a terap√™utica da racionaliza√ß√£o tecnocr√°tica e isso mata o sonho. Devia haver outras vias. Vias apropriadas √†quilo que somos. N√£o somos um Pa√≠s de grandes voos capitalistas. Se o quisermos ser ca√≠mos, inexoravelmente, nas garras do monopolismo. Portanto, dev√≠amos cultivar as pequenas e m√©dias empresas. Esta devia ser a l√≥gica da economia portuguesa. Devia dar-se grande valor √†s pequenas e m√©dias empresas e realmente deixarmo-nos de ambi√ß√Ķes que nos alcem aos grandes padr√Ķes europeus.

(…) Os (partidos pol√≠ticos t√™m) os mesmos defeitos e algumas qualidades em comum. Evidentemente que os partidos s√£o um defeito necess√°rio, porque dividem, mas √© uma divis√£o necess√°ria para agrupar, para reunir a ideia da democracia parlamentar que temos. Agora, o erro das pessoas √© adorn√°-los com m√©ritos extraordin√°rios, porque isso faz-nos cair numa partidolatria, impr√≥pria de esp√≠ritos livres! N√£o penso que a nossa classe pol√≠tica seja pior do que a classe pol√≠tica de outros pa√≠ses. Ponhamos as coisas neste p√©: as minhas exig√™ncias est√©ticas e √©ticas n√£o tornam muito f√°ceis as minhas rela√ß√Ķes com a classe pol√≠tica.

Continue lendo…

A Ideia de Moral Universal

Muito antes de o homem estar maduro para ser confrontado com uma atitude moral universal, o medo dos perigos da vida levaram-no a atribuir a v√°rios seres imagin√°rios, n√£o palp√°veis fisicamente, o poder de libertar as for√ßas naturais que temia ou talvez desejasse. E ele acreditava que esses seres, que dominavam toda a sua imagina√ß√£o, eram feitos fisicamente √† sua imagem, mas eram dotados de poderes sobre-humanos. Estes foram os precursores primitivos da ideia de Deus. Nascidos inicialmente dos medos que enchiam a vida di√°ria dos homens, a cren√ßa na exist√™ncia de tais seres, e nos seus poderes extraordin√°rios, teve uma influ√™ncia t√£o forte nos homens e na sua conduta que √© dif√≠cil de imaginar por n√≥s. Por isso, n√£o surpreende que aqueles que se empenharam em estabelecer a ideia de moral, abarcando igualmente todos os homens, o tenham feito associando-a intimamente √† religi√£o. E o facto de estas pretens√Ķes morais serem as mesmas para todos os homens pode ter tido muito a ver com o desenvolvimento da cultura religiosa da esp√©cie humana desde o polite√≠smo at√© ao monote√≠smo.
A ideia de moral universal deve, assim, a sua potência psicológica original àquela ligação com a religião. No entanto, noutro sentido,

Continue lendo…

As qualidades dos portugueses atingem um m√°ximo de efic√°cia em situa√ß√Ķes de confus√£o. Os nossos talentos, para o desenrascan√ßo, para o improviso, para a inven√ß√£o, pura e simplesmente s√≥ se exercem com proveito absoluto quando impera a confus√£o. Na nossa hist√≥ria vemos que foi s√≥ nas √©pocas de grande confus√£o e confusionismo que demos conta do recado. De resto n√£o.