Cita√ß√Ķes sobre Expans√£o

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Frases sobre expans√£o, poemas sobre expans√£o e outras cita√ß√Ķes sobre expans√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Spleen

Fora, na vasta noute, um vento de procela
Erra, aos saltos, uivando, em rajadas e em f√ļria;
E num rumor de choro, uma voz de lam√ļria,
Ouço a chuva a escorrer nos vidros da janela.

No desconforto do meu quarto de estudante,
Velo. Sinto-me como insulado da vida.
Eu imagino a morte assim, aborrecida
Solid√£o numa sombra infinita e constante…

Tu, que √©s forte, rebrame em f√ļria, natureza!
Eu, caído num fundo abismo de tristeza,
Invejo-te a expans√£o livre do temporal;

E, no tédio feroz que me assalta e me toma,
Sinto ansiarem-me n’alma instintos de chacal…
E compreendo Nero incendiando Roma.

Hino de Amor

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O bom Jesus,
O Deus Menino.

Eis sen√£o quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do Sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.
Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto,
Foge a serpente,
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
T√£o requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
T√£o repassado
De gratid√£o,
De uma alegria,
Uma expans√£o,
Uma veemência,
Uma express√£o,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!
Jesus caminha
No seu passeio,
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio
Enquanto o via;
De vez em quando
L√° lhe passava
A dianteira
E mal poisava,
N√£o afroixava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

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Sem este objetivo firme e permanente [de conhecer o interior in√≥spito], a Amaz√īnia, mais cedo ou mais tarde, se destacar√° do Brasil, naturalmente e irresistivelmente, como se despega um mundo de uma nebulosa ‚ÄĒ pela expans√£o centr√≠fuga do seu pr√≥prio movimento.

O amor!… diz bem… √Č bem triste record√°-lo; mas o rid√≠culo manda sufocar as expans√Ķes de um cora√ß√£o que n√£o envelheceu ainda. Dizem que os cabelos brancos s√£o vener√°veis. Se o s√£o, √© s√≥ nos patriarcas, nos profetas, e nos ap√≥stolos.

Um Clímax Duplo

Meu Amor,

Hoje vou buscar as minhas p√©rolas! Vou j√° √† loja de fotografias e terei os instant√Ęneos para ti amanh√£ √† noite. Estou livre amanh√£ √† noite. Onde queres que te encontre?

A mulher do Allendy teve uma atitude desesperada, e ele deu um pulo at√© √† Bretanha por uns tempos. Tivemos uma cena linda que te relatarei… Profundamente interessante… Aqui mesmo em Louveciennes, h√° uma hora. Ent√£o vou trabalhar noutras coisas. O teu livro incha dentro de mim como o meu pr√≥prio ‚ÄĒ mais jovialmente ainda do que o meu, porque o teu livro √© para mim uma fecunda√ß√£o, ao passo que o meu √© um acto de narcisismo. Eu digo: deixem uma mulher escrever livros, mas deixem-na acima de tudo permanecer fecund√°vel por outros livros!

Entendes-me? Regozijo nos teus planos imensos, nas tuas ideias… Essas nossas conversas, Henry, como ressaltam, s√£o t√£o firmes… Henry, nunca haver√° momentos mortos, porque em n√≥s ambos existe sempre movimento, renova√ß√£o, surpresas. Nunca conheci a estagna√ß√£o. Nem mesmo a introspec√ß√£o tem sido uma experi√™ncia est√°tica… Mesmo em nada leio maravilhas, e no mero acto de esburacar a terra, em vez de minas de ouro, consigo gerar entusiasmo.

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A Grandeza de Car√°cter

Obedecer aos pr√≥prios sentimentos? Arriscar a vida ao ceder a um sentimento generoso ou a um impulso de momento… Isso n√£o caracteriza um homem: todos s√£o capazes de faz√™-lo; neste ponto, um criminoso, um bandido, um corso certamente superam um homem honesto. O grau de superioridade √© vencer em si esse el√£ e realizar o acto her√≥ico, n√£o por um impulso, mas friamente, razoavelmente, sem a expans√£o de prazer que o acompanha. Outro tanto acontece com a piedade: ela h√°-de ser habitualmente filtrada pela raz√£o; caso contr√°rio, √© t√£o perigosa como qualquer outra emo√ß√£o. A docilidade cega perante uma emo√ß√£o – tanto importa que seja generosa ou piedosa como odienta – √© causa dos piores males. A grandeza de car√°cter n√£o consiste em n√£o experimentar emo√ß√Ķes; pelo contr√°rio, estas s√£o de ter no mais alto grau; a quest√£o √© control√°-las e, ainda assim, havendo prazer em model√°-las, em fun√ß√£o de algo mais.

Homem

In√ļtil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
s√£o gargantas deste grito.
Universo em expans√£o.
Pincelada de zarc√£o
desde mais infinito a menos infinito.

O Espectáculo é a Ideologia por Excelência

O espect√°culo (da sociedade de consumo) √© a ideologia por excel√™ncia, porque exp√Ķe e manifesta na sua plenitude a ess√™ncia de qualquer sistema ideol√≥gico: o empobrecimento, a submiss√£o e a nega√ß√£o da vida real. O espect√°culo √©, materialmente, ¬ęa express√£o da separa√ß√£o e do afastamento entre o homem e o homem¬Ľ. O ¬ęnovo poderio do embuste¬Ľ que se concentrou a√≠ tem a sua base na produ√ß√£o onde surge ¬ęcom a massa crescente de objectos… um novo dom√≠nio de seres estranhos aos quais o homem se submete¬Ľ. √Č grau supremo duma expans√£o que necessariamente se coloca contra a vida.

¬ęA necessidade de dinheiro √© portanto a verdadeira necessidade produzida pela economia pol√≠tica, e a √ļnica necessidade que ela produz¬Ľ (Manuscritos econ√≥mico-filos√≥ficos). O espect√°culo estende por toda a vida social o princ√≠pio que Hegel, na Realphilosophie de Iena, concebe quanto ao dinheiro; √© ¬ęa vida do que est√° morto movendo-se em si pr√≥pria¬Ľ.

A Civilização e o Horror ao Vácuo

A expans√£o imperialista das grandes pot√™ncias √© um facto de crescimento, o transbordar natural√≠ssimo de um excesso de vidas e de uma sobra de riquezas em que a conquista dos povos se torna simples variante da conquista de mercados. As lutas armadas que da√≠ resultam, perdido o encanto antigo, transformam-se, paradoxalmente, na fei√ß√£o ruidosa e acidental da energia pac√≠fica e formid√°vel das ind√ļstrias. Nada dos velhos atributos rom√Ęnticos do passado ou da preocupa√ß√£o retr√≥grada do hero√≠smo. As pr√≥prias vit√≥rias perderam o significado antigo. S√£o at√© dispens√°veis. (…) Est√£o fora dos lances de g√©nio dos generais felizes e do fortuito dos combates. Vagas humanas desencadeadas pelas for√ßas acumuladas de longas culturas e do pr√≥prio g√©nio de ra√ßa, podem golpe√°-las √† vontade os advers√°rios que as combatem e batem debatendo-se, e que se afogam. N√£o param. N√£o podem parar. Impele-as o fatalismo da pr√≥pria for√ßa. Diante da fragilidade dos pa√≠ses fracos, ou das ra√ßas incompetentes, elas recordam, na hist√≥ria, aquele horror ao v√°cuo, com que os velhos naturalistas explicavam os movimentos irresist√≠veis da mat√©ria. Revelam quase um fen√īmeno f√≠sico. Por isso mesmo nesta expans√£o irreprim√≠vel, n√£o √© do direito, nem da Moral com as mais imponentes mai√ļsculas, nem de alguma das maravilhas metaf√≠sicas de outrora que lhes despontam obst√°culos.

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O Amor pela Humanidade Começa

As paix√Ķes diminuem com a idade. O amor, que n√£o deve ser classificado entre as paix√Ķes, diminui da mesma maneira. O que perde por um lado recupera por outro. J√° n√£o √© severo para o objecto dos seus desejos, fazendo justi√ßa a si mesmo: a expans√£o √© aceite. Os sentidos j√° n√£o possuem o seu aguilh√£o para excitar os sexos da carne. O amor pela humanidade come√ßa. Nesses dias em que o homem sente que se torna um altar ornado pelas suas virtudes, feitas as contas de cada dor que se revelou, a alma, num rec√īndito do cora√ß√£o onde tudo parece ter origem, sente qualquer coisa que j√° n√£o palpita. Referi-me √† recorda√ß√£o.

Ironias do Desgosto

“Onde √© que te nasceu” – dizia-me ela √†s vezes –
“O horror calado e triste √†s coisas sepulcrais?
“Por que √© que n√£o possuis a verve dos franceses
“E aspiras, em sil√™ncio, os frascos dos meus sais?

“Por que √© que tens no olhar, moroso e persistente,
“As sombras dum jazigo e as fundas abstra√ß√Ķes,
“E abrigas tanto fel no peito, que n√£o sente
“O abalo feminil das minhas expans√Ķes?

“H√° quem te julgue um velho. O teu sorriso √© falso;
“Mas quando tentas rir parece ent√£o, meu bem,
“Que est√£o edificando um negro cadafalso
“E ou vai algu√©m morrer ou v√£o matar algu√©m!

“Eu vim – n√£o sabes tu? – para gozar em maio,
“No campo, a quieta√ß√£o banhada de prazer!
“N√£o v√™s, √≥ descorado, as vestes com que saio,
“E os j√ļbilos, que abril acaba de trazer?

“N√£o v√™s como a campina √© toda embalsamada
“E como nos alegra em cada nova flor?
“Ent√£o por que √© que tens na fronte consternada”
“Um n√£o-sei-qu√™ tocante e enternecedor?”

Eu s√≥ lhe respondia: ‚ÄĒ “Escuta-me.

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O poeta procura apenas a exaltação e a expansão, isto é, procura um mundo onde se possa distender. Pretende ele, simplesmente, enfiar a cabeça nos céus, ao passo que o lógico se esforça por enfiar os céus na cabeça. E é a cabeça que estala.

Natureza

Aos Poetas

Tudo por ti resplende e se constela,
Tudo por ti, suavíssimo, flameja;
√Čs o pulm√£o da racional peleja,
Sempre viril, consoladora e bela.

Teu coração de pérolas se estrela,
E o bom falerno d√°s a quem deseja
Vigor, sa√ļde a cren√ßa que floreja,
Que as expans√Ķes do c√©rebro revela.

Toda essa luz que bebe-se de um hausto
Nos livros s√£os, todo esse enorme fausto
Vem das verduras brandas que reluzem!

Esse da idéia esplêndido eletrismo,
O forte, o grande, audaz psicologismo,
Os organismos naturais produzem…

Escravizados ao Além

Acabar com a morte como agonia di√°ria da humanidade √© talvez o maior bem que se pode fazer hoje ao homem. O cristianismo transformou a vida numa cruz, porque lhe p√īs a consci√™ncia da morte √† cabeceira. E crentes e ateus vivem no mesmo terror. Ora a ideia terr√≠fica do fim n√£o √© uma condi√ß√£o fisiol√≥gica, nem mesmo intelectual do homem. Nem os Gregos, nem os Romanos, por exemplo, sentiam a morte com a irrepar√°vel ang√ļstia que nos r√≥i. √Č for√ßoso, pois, que se arranquem as ra√≠zes desta dor, custe o que custar. Escravizados ao al√©m, os nossos dias aqui n√£o podem ter liberdade nem alegria. Qualquer doutrina que nega ao homem o direito de ser pleno na sua f√≠sica dura√ß√£o, √© uma doutrina de castra√ß√£o e de aniquilamento. Ir buscar ao post-mortem as leis que devem limitar a expans√£o abusiva da personalidade, √© o artif√≠cio mais desgra√ßado que se podia inventar. Pregue-se e exija-se do indiv√≠duo medida e disciplina, mas que nas√ßam da sua pr√≥pria harmonia. Institua-se uma √©tica com ra√≠zes no mesmo ch√£o onde o homem caminha.

Os Palhaços

Heróis da gargalhada, ó nobres saltimbancos,
eu gosto de vocês,
porque amo as expans√Ķes dos grandes risos francos
e os gestos de entremez,

e prezo, sobretudo, as grandes ironias
das farsas joviais.
que em visagens cruéis, imperturbáveis, frias.
à turba arremessais!

Alegres histri√Ķes dos circos e das pra√ßas,
ah, sim, gosto de vos ver
nas grandes contor√ß√Ķes, a rir, a dizer gra√ßas
de o povo enlouquecer,

ungidos pela luta heróica, descambada,
de giz e de carmim,
nas mímicas sem par, heróis da bofetada,
tit√£s do trampolim!

Correi, subi, voai num turbilh√£o fant√°stico
por entre as sauda√ß√Ķes
da turba que festeja o semideus el√°stico
nas grandes ascens√Ķes,

e no curso veloz, vertiginoso, aéreo,
fazei por disparar
na face trivial do mundo egoísta e sério
a gargalhada alvar!

Depois, mais perto ainda, a voltear no espaço,
pregai-lhe, se podeis,
um pontapé furtivo, ó lívidos palhaços,
luzentes como reis!

Eu rio sempre, ao ver aquela majestade,
os trágicos desdéns
com que nos divertis, cobertos de alvaiade,

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Qu√°si

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul Рeu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d’asa…
Se ao menos eu permanecesse √†quem…

Assombro ou paz? Em v√£o… Tudo esva√≠do
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – √≥ d√īr! – qu√°si vivido…

Qu√°si o amor, qu√°si o triunfo e a chama,
Qu√°si o princ√≠pio e o fim – qu√°si a expans√£o…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um come√ßo… e tudo errou…
– Ai a d√īr de ser-qu√°si, dor sem fim… –
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elan√ßou mas n√£o voou…

Momentos d’alma que desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ansias que foram mas que n√£o fixei…

Se me vagueio, encontro s√≥ indicios…
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades s√ībre os precip√≠cios…

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A Acção é o Segredo da Felicidade

Felicidade √© a plena expans√£o dos instintos – e isso confunde-se com mocidade. Para a maioria dos homens, √© o √ļnico per√≠odo da vida em que realmente vivemos; depois dos quarenta anos tudo s√£o reminisc√™ncias, cinzas do que j√° foi chama. A trag√©dia da vida est√° em que s√≥ nos vem a sabedoria quando a mocidade se afasta.
A sa√ļde est√° na ac√ß√£o e portanto a sa√ļde enfeita a mocidade. Ocupar-se sem parar √© o segredo da gra√ßa e metade do segredo do contentamento. N√£o pe√ßas aos deuses riquezas – e sim coisas para fazer.
Na Utopia, disse Thoreau, cada criatura construir√° a sua pr√≥pria casa – e o canto brotar√° espont√Ęneo do cora√ß√£o do homem, como brota do p√°ssaro que constr√≥i o ninho. Mas se n√£o podemos construir a nossa casa, podemos, pelo menos, andar, pular, saltar, correr – velho √© quem apenas assiste a isso. Brinquemos √© t√£o bom como Rezemos – e de resultados mais seguros. Por isso a mocidade tem muita raz√£o em preferir os campos desportivos √†s salas de aula – e em colocar o futebol acima da filosofia.