Passagens sobre Feios

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Frases sobre feios, poemas sobre feios e outras passagens sobre feios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A amizade, entre um homem e uma mulher, √© (o leitor que escolha): um bico de obra; uma coisa muito linda; ainda mais complicado que o amor; absolutamente imposs√≠vel; amizade da parte da mulher e ast√ļcia da parte do homem; ast√ļcia da parte da mulher e amizade da parte do homem; s√≥ √© poss√≠vel se a mulher for forte e feia; imposs√≠vel se o homem for minimamente atraente; receita certa para a desgra√ßa; prel√ļdio certo para o romance; indescrit√≠vel; inenarr√°vel; sempre desej√°vel; o que Deus quiser; o diabo.

XXII

Neste √°lamo sombrio, aonde a escura
Noite produz a imagem do segredo;
Em que apenas distingue o próprio medo
Do feio assombro a hórrida figura;

Aqui, onde n√£o geme, nem murmura
Z√©firo brando em f√ļnebre arvoredo,
Sentado sabre o tosco de um penedo
Chorava Fido a sua desventura.

As l√°grimas a penha enternecida
Um rio fecundou, donde manava
D’√Ęnsia mortal a c√≥pia derretida:

A natureza em ambos se mudava;
Abalava-se a penha comovida;
Fido, est√°tua da dor, se congelava.

Profecia

Nem me disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade,
se filho amado ou rejeitado.
Mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
‚ÄĒ e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue…
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto,
sempre,
que n√£o posso recuar.

Hei-de ir contigo
bebendo fel, sorvendo pragas,
ultrajado e temido,
abandonado aos corvos,
com o pus dos bolores
e o fogo das lavas.
Hei-de assustar os rebanhos dos montes
ser bandoleiro de estradas.
‚ÄĒ Negro fado, feia sina,
mas n√£o sei trocar a minha sorte!

N√£o venham dizer-me
com frases adocicadas
(não venham que os não oiço)
que levo caminho errado,
que tenho os caminhos cerrados
à minha febre!
Hei-de gritar,
cair, sofrer
‚ÄĒ eu sei.
Mas n√£o quero ter outra lei,
outro fado, outro viver.
N√£o importa l√° chegar…

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Não há pai nem mãe a quem os seus filhos pareçam feios; nos que o são do entendimento ocorre mais vezes esse engano.

Dedicatória

Se acaso uma alma se fotografasse
de sorte que, nos mesmos negativos,
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face;

E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos… Se a emo√ß√£o que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse
Mesmo em ligeiros traços fugitivos;

Amigo! tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando – deste grupo bem no meio –

Que o mais belo, o mais forte, o mais ardente
Destes sujeitos é precisamente
O mais triste, o mais p√°lido, o mais feio.

Esta Palavra Saudade

Junto de um catre vil, grosseiro e feio,
por uma noite de luar saudoso,
Cam√Ķes, pendida a fronte sobre o seio,
cisma, embebido num pesar lutuoso…

Eis que na rua um c√Ęntico amoroso
subit√Ęneo se ouviu da noite em meio:
J√° se abrem as adufas com receio…
Noites de amores! Que trovar mimoso!

Cam√Ķes acorda e √† gelosia assoma;
e aquele canto, como um antigo aroma,
ressuscita-lhe os risos do passado.

Viu-se moço e feliz, e ah! nesse instante,
no azul viu perpassar, claro e distante,
de Nat√©rcia gentil o vulto amado…

Enfrente seu medo e o desafie, você vera que o mostro não é tão feio quanto você imagina

Torna-te capaz de reverenciar todas as pessoas e todas as coisas, imparcialmente. Se não consegues reverenciar imparcialmente a Imagem Verdadeira de todas as pessoas e coisas, então é preferível reconheceres o feio como feio, o bonito como bonito, o chiqueiro como lugar imundo e o palácio como local limpo e bonito. Assim, estarás sendo mais honesto contigo mesmo.

Com a Fortuna n√£o Perde o Ser de Besta

Na carreira veloz, a deusa cega
Lança às vezes a mão a um feio mono
E o sobe, num instante, a um coche, a um trono,
Onde a Virtude com trabalho chega.

Porém se, louca, num jumento pega,
Por mais que o erga n√£o lhe d√° abono:
Bem se vê que foi sonho de seu sono,
Quando a vara ou bast√£o ela lhe entrega.

Pouco importa adornar asno casmurro
Com jaezes reais, mantas de festa,
Se a conhecer se d√° no rouco zurro.

Quem, no berço, por vil se manifesta,
Quem nele baixo foi, quem nace burro,
Co’a Fortuna n√£o perde o ser de besta.

A mulher deve vestir-se e pentear-se com simplicidade quando é bela Рe quando é feia, para o ser menos.

Pode-se n√£o recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experi√™ncia, feia como uma cicatriz. E isso envelhece a alma, torna-a ruinosa e in√ļtil.

Esta inseguran√ßa √© irritante. Um homem pode ser amado por cem mulheres bonitas e no dia em que uma feia lhe vira a cara desaba-se-lhe a confian√ßa. Acha que as outras cem √© que estavam enganadas e que s√≥ esta percebeu finalmente que ele n√£o prestava para absolutamente nada. A uma mulher, em contrapartida, basta ser amada uma √ļnica vez para achar que os cem homens que a rejeitam s√£o simplesmente parvos que n√£o sabem o que perdem.

A Má Consciência

РLevanta-se sempre muito cedo, sr. Spinell Рdisse a mulher do sr. Kloterjahn. Por acaso, já o vi sair duas ou três vezes de casa às sete e meia da manhã.
РMuito cedo? Oh, é preciso distinguir! Se me levanto cedo é porque, no fundo, gosto de dormir até tarde.
РExplique-nos como é isso, sr. Spinell
A senhora conselheira Spatz também desejava ser elucidada.
– Ora… se algu√©m tem o costume de se levantar cedo, parece-me, em todo o caso, que n√£o precisa de ser t√£o matinal. A consic√™ncia, minha senhora, que coisa p√©ssima que √© a consci√™ncia! Eu e os meus semelhantes andamos toda a vida √†s turras com ela, e temos um trabalh√£o para a enganarmos de vez em quando e procurar-lhe umas satisfa√ß√Ķezinhas estultas. Somos criaturas in√ļteis, eu e os meus semelhantes; fora algumas breves horas satisfat√≥rias, arrastamo-nos na certeza da nossa inutilidade, at√© ficarmos a sangrar e doentes. Odiamos o que √© √ļtil, sabendo-o vulgar e feio, e defendemos esta verdade como se defendem as verdades absolutamente necess√°rias. E, contudo, estamos t√£o corro√≠dos pela nossa m√° consci√™ncia que n√£o achamos em n√≥s um ponto s√£o.
Além disso, a maneira como vivemos interiormente,

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Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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O Irracional no Amor

Se √© rid√≠culo beijar uma mulher feia, tamb√©m √© rid√≠culo dar um beijo a uma beleza. A presun√ß√£o de que amando de uma certa maneira se tem o direito de rir do vizinho que tem outra maneira de amar, n√£o vale mais do que a arrog√Ęncia de certo meio social. Tal soberba n√£o p√Ķe ningu√©m ao abrigo do c√≥mico universal, porque todos os homens se encontram na impossibilidade de explicar a praxe a que se submetem, a qual pretende ter um alcance universal, pretende significar que os amantes querem pertencer um ao outro por toda a eternidade, e, o que mais divertido √©, pretende tamb√©m convenc√™-los de que h√£o-de cumprir fielmente o juramento.
Que um homem rico, muito bem sentado na sua poltrona, acene com a cabe√ßa, ou volte a cara para a direita e para a esquerda, ou bata fortemente com um p√© no ch√£o, e que, uma vez perguntado pela raz√£o de tais actos, me responda: ¬ęn√£o sei; apeteceu-me de repente; foi um movimento involunt√°rio¬Ľ, compreendo isso muito bem. Mas se ele me respondesse o que costumam responder os amantes, quando lhes pedem que expliquem os seus gestos e as suas atitudes, se me dissesse que em tais actos consistia a sua maior felicidade,

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