Cita√ß√Ķes sobre Fingimento

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Frases sobre fingimento, poemas sobre fingimento e outras cita√ß√Ķes sobre fingimento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Com uma Estrela na Voz

Que voz é esta? De onde vem?
Que fantasmas antigos desperta
quando tudo o mais parece
ferido pela imobilidade de um sono de pedra?

Corres agora atr√°s das vozes
acantonadas nas arcas de Dezembro
e o que buscas é uma centelha de riso,
o fugaz cristal de uma l√°grima,
o aconchego de uma carícia
capaz de vergar a noite ao peso
imaterial de um instante de ternura.

√Č s√≥ isso que buscas, nada mais.
E tudo o que buscas
é uma lança que trespassa a morte
tantas vezes anunciada
no mudo sofrimento dos animais.

E se, buscando, é a luz que encontras,
ergue-a ent√£o como um estandarte
na hora de todos os fingimentos
e continua buscando até descobrires
que a voz que persegues e quase te enlouquece
é a tua própria voz soletrando nos portais
os nomes piedosos e límpidos
de quem chega um dia no rasto de uma estrela.

XLII

Morfeu doces cadeias estendia,
Com que os cansados membros me enlaçava;
E quanto mal o coração passava,
Em sonhos me debuxa a fantasia.

Lise presente vi, Lise, que um dia
Todo o meu pensamento arrebatava,
Lise, que na minha alma impressa estava,
Bem apesar da sua tirania.

Corro a prendê-la em amorosos laços
Buscando a sombra, que apertar intento;
Nada vejo (ai de mim!) perco os meus passos.

Ent√£o mais acredito o fingimento:
Que ao ver, que Lise foge de meus braços,
A crê pelo costume o pensamento.

Mais Vale ser Estimado que Amado

Rochefoucauld observou de maneira pertinente que √© dif√≠cil, ao mesmo tempo, ter em alta estima e amar muito a mesma pessoa. Ter√≠amos, ent√£o, de escolher entre querer ganhar o amor ou a estima dos homens. O seu amor √© sempre interesseiro, embora de maneiras bem diversas. Al√©m do mais, a condi√ß√£o que nos permite conquist√°-lo nem sempre √© apropriada para nos orgulharmos. Antes de mais nada, uma pessoa √© tanto mais amada quanto mais moderar as suas expectativas em rela√ß√£o ao esp√≠rito e ao cora√ß√£o dos outros; e tudo isso a s√©rio, sem fingimento, e n√£o apenas devido √† indulg√™ncia enraizada no desprezo. Recordemos aqui o dito verdadeiro de Helv√©cio: ¬ęO grau de esp√≠rito necess√°rio para nos agradar √© uma medida bastante exacta do grau de esp√≠rito que possu√≠mos¬Ľ. E assim chegamos √† conclus√£o iniciada pelas premissas. Por outro lado, quando se trata da estima dos homens, d√°-se o contr√°rio: esta s√≥ lhes √© arrancada contra a vontade; por isso, na maioria das vezes √© ocultada. Desse modo, ela proporciona-nos uma satisfa√ß√£o interior bem maior, pois est√° relacionada ao nosso valor, o que n√£o vale imediatamente para o amor dos homens, j√° que este √© subjectivo, enquanto a estima √© objectiva.

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Amar é arriscar. Tudo.

O amor é algo extraordinário e muito raro. Ao contrário do que se pensa não é universal, não está ao alcance de todos, muito poucos o mantêm aqui. Chama-se amor a muita coisa, desde todos os seus fingimentos até ao seu contrário: o egoísmo.

A banalidade do gosto de ti porque gostas de mim é uma aberração intelectual e um sentimento mesquinho. Negócio estranho de contabilidade organizada. Amar na verdade, amar, é algo que poucos aguentam, prefere-se mudar o conceito de amor a trocar as voltas à vida quando esta parece tão confortável.
Amar √© dar a vida a um outro. A sua. A √ļnica. Arriscar tudo. Tudo. A magn√≠fica beleza do amor reside na total aus√™ncia de planos de conting√™ncia. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente s√≥, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode t√£o pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim n√£o √© o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam.

Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos.

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A liberdade pol√≠tica sem igualdade econ√īmica √© um fingimento, uma fraude, uma mentira, e os trabalhadores n√£o querem mentiras.

Uma pessoa é tanto mais amada quanto mais moderar as suas expectativas em relação ao espírito e ao coração dos outros; e tudo isso a sério, sem fingimento, e não apenas devido à indulgência enraizada no desprezo.

Aqueles Claros Olhos Que Chorando

Aqueles claros olhos que chorando
ficavam quando deles me partia,
agora que far√£o? Quem mo diria?
Se porventura estar√£o em mim cuidando?

Se terão na memória, como ou quando
deles me vim t√£o longe de alegria?
Ou s’estar√£o aquele alegre dia
que torne a v√™-los, n’alma figurando?

Se contar√£o as horas e os momentos?
Se achar√£o num momento muitos anos?
Se falar√£o co as aves e cos ventos?

Oh! bem-aventurados fingimentos,
que, nesta ausência, tão doces enganos
sabeis fazer aos tristes pensamentos!

Embora na maioria das vezes o fingimento seja
criticado e dê indícios de espírito maldoso,
em muitas ocasi√Ķes, prova
ter feitos evidentes benefícios.

A Doença da Disciplina

Das fei√ß√Ķes de alma que caracterizam o povo portugu√™s, a mais irritante √©, sem d√ļvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excel√™ncia. Levamos a disciplina social √†quele ponto de excesso em que cousa nenhuma, por boa que seja ‚ÄĒ e eu n√£o creio que a disciplina seja boa ‚ÄĒ por for√ßa que h√°-de ser prejudicial.
Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército de que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.
Parecemo-nos muito com os alem√£es. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.
Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco.

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Quando A Suprema Dor Muito Me Aperta

Quando a suprema dor muito me aperta,
se digo que desejo esquecimento,
é força que se faz ao pensamento,
de que a vontade livre desconserta.

Assi, de erro t√£o grave me desperta
a luz do bem regido entendimento,
que mostra ser engano ou fingimento
dizer que em tal descanso mais se acerta.

Porque essa própria imagem, que na mente
me representa o bem de que careço,
faz-mo de um certo modo ser presente.

Ditosa é, logo, a pena que padeço,
pois que da causa dela em mim se sente
um bem que, inda sem ver-vos, reconheço.

O Poema √© uma √Ārvore de um S√≥ Fruto

Creio que nenhum de v√≥s h√°-de estranhar que eu diga que o poeta √© aquele que perdeu a palavra antes de a poder dizer; dito de outro modo. Ele √© o que fala ou escreve antes de conhecer o enunciado do que vai dizer. O grito, o sil√™ncio, a aridez da n√£o inspira√ß√£o determinam inicialmente a cria√ß√£o po√©tica; o poema nunca √© real, nunca se efectiva numa conclus√£o, ou num objectivo determinado. O poema nasce de um grito, de um assombro, de uma ruptura, da noite do nada e da disponibilidade da linguagem relacional; √© sempre a transposi√ß√£o de um referente real ou imagin√°rio para uma linguagem de equival√™ncia, mas necessariamente, livremente, distanciada da refer√™ncia. Esta linguagem √© a ¬ęcoer√™ncia da incoer√™ncia¬Ľ, ¬ęuma linguagem na linguagem¬Ľ, mantendo embora a voz mesma do existente ausente que √© o poeta, no ¬ęfingimento¬Ľ, na fic√ß√£o, na heteron√≠mia do poema. Longe de ser um astro fixo, o poema suspende o enunciado para fluir numa rela√ß√£o metam√≥rfica de palavras, de imagens, de sons e de rela√ß√Ķes que s√£o todos os elementos consonantes do poema; o poema √©, assim, um √©brio fluir de chamas, de estrelas, de possibilidades, de vibra√ß√Ķes, de sil√™ncios de uma respira√ß√£o errante em que a verdade nos escapa no mist√©rio da sua nostalgia,

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Estás Só

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada ‘speres que em ti j√° n√£o exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se h√° sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

Proposição das rimas do poeta

Incultas produ√ß√Ķes da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com m√°goa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e n√£o louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, l√°grimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela m√£o do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

LX

Valha-te Deus, cansada fantasia!
Que mais queres de mim? que mais pretendes?
Se quando na esperança mais te acendes,
Se desengana mais tua porfia!

Vagando regi√Ķes de dia em dia,
Novas conquistas, e troféus empreendes:
Ah que conheces mal, que mal entendes,
Onde chega do fado a tirania!

Trata de acomodar-te ao movimento
Dessa roda vol√ļvel, e descansa
Sobre t√£o fatigado pensamento.

E se inda crês no rosto da esperança,
Examina por dentro o fingimento;
E verás tempestade o que é bonança.