Cita√ß√Ķes sobre F√īlego

17 resultados
Frases sobre f√īlego, poemas sobre f√īlego e outras cita√ß√Ķes sobre f√īlego para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Objectivo e o Subjectivo

Representamos o objectivo e o subjectivo, a quantidade e a qualidade, o n√ļmero cardinal e o ordinal, a desordem corpuscular e a m√ļsica das esferas, a fatalidade e a liberdade. Representamos tudo isso, num cen√°rio s√≥lido, l√≠quido e gasoso. E, por isso, comemos, bebemos, e respiramos; – tr√™s virtudes do f√īlego animado, porque muda o que come, em sensa√ß√Ķes, o que bebe em sentimentos e o que respira em ideias claras ou obscuras, conforme √© l√≠mpido o ar ou enevoado… √Č de s√≥lida origem a sensa√ß√£o; o sentimento √© j√° de origem fluidica; e, ent√£o, o pensamento √© s√≥ cor azul ou imagem √≠ntima da luz.

Peso do Mundo

A poesia não é, nunca foi
uma enumeração ou composto
de exuber√Ęncia, bondade,
altitude, nem arado
ou d√°diva sobre ch√£o
prenhe de mortos.

Nem o arrependimento
de Deus por ter criado o homem
com o rosto da sua memória,
ao lado dos seus vermes.

T√£o-pouco f√īlego dos que amam
abrindo a porta límpida
do corpo e chovendo sobre a terra,
ou carregam como tartarugas
o peso do mundo.

Nem reverência por um tigre,
pela leveza maligna de todas as patas,
pela sonolência junto à estirpe
aprisionada também
na dureza de ser tigre.

√Č o milagre de uma arma
total, de uma só palavra
reduzindo o átomo à completa inocência.

Obra Suprema

√Č not√°vel que toda a obra de f√īlego, pela qual um indiv√≠duo se institui mestre na sua categoria, √©, ao mesmo tempo, obra de emo√ß√£o e de pensamento, cont√©m tanto uma forma de arte como uma f√≥rmula de filosofia.
Nascem as grandes obras da literatura com um carácter análogo ao das grandes crenças religiosas: nelas a um tempo se encontra, e numa mistura indestrinçável, a arte, a moral, e a metafísica.
Obra suprema √© aquela em que (a par, √© certo, da r√≠gida constru√ß√£o que assinala os mestres) pensamento original e emo√ß√£o individual se re√ļnem e se fundem…

A Cautela dos Espíritos Livres

Os homens de esp√≠rito livre, que vivem s√≥ para o conhecimento, em breve achar√£o ter alcan√ßado a sua definitiva posi√ß√£o relativamente √† sociedade e ao Estado e, por exemplo, dar-se-√£o de bom grado por satisfeitos com um pequeno emprego ou com uma fortuna que chega √† justa para viver; pois arranjar-se-√£o para viver de maneira que uma grande transforma√ß√£o dos bens materiais, at√© mesmo um derrube da ordem pol√≠tica, n√£o deite tamb√©m abaixo a sua vida. Em todas essas coisas eles gastam a menor energia poss√≠vel, de modo a poderem imergir, com todas as for√ßas reunidas e, por assim dizer, com um grande f√īlego, no elemento do conhecimento. Podem, assim, ter esperan√ßa de mergulhar profundamente e tamb√©m de, talvez, verem bem at√© ao fundo.
De um dado acontecimento, um tal esp√≠rito pegar√° de bom grado s√≥ numa ponta: ele n√£o gosta das coisas em toda a sua amplitude e superabund√Ęncia das suas pregas, pois n√£o se quer emaranhar nelas. Tamb√©m ele conhece os dias de semana da falta de liberdade, da depend√™ncia, da servid√£o. Mas, de tempos a tempos, tem de lhe aparecer um domingo de liberdade, sen√£o ele n√£o suportar√° a vida. √Č prov√°vel que mesmo o seu amor pelos seres humanos seja cauteloso e com pouco f√īlego,

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Sem outra Palavra para Mantimento

Sem outra palavra para mantimento
Sem outra força onde gerar a voz
Escada entre o poço que cavaste em mim e a sede
Que cavaste no meu canto, amo-te
Sou cítara para tocar as tuas mãos.
Podes dizer-me de um f√īlego
Frase em silêncio
Homem que visitas
√ď seiva aspergindo as part√≠culas do fogo
O lume em toda a casa e na paisagem
Fora da casa
Pedra do edifício aonde encontro
A porta para entrar
Candelabro que me vens cegando.
Sol
Que quando és nocturno ando
Com a noite em minhas m√£os para ter luz.

Ode ao Gato

Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois n√≥s temos f√īlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.

A criatividade √© uma inspira√ß√£o viva, com f√īlego, sempre renovada, que computador algum pode igualar. Porque n√£o tirar o m√°ximo partido disso? Pois o c√©rebro tem a miraculosa capacidade de dar tanto mais quanto mais lhe pedir.

Idílio

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum f√īlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;

Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de s√ļbito, emudeces!
N√£o sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a m√£o e empalideces

O vento e o mar murmuram ora√ß√Ķes,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos cora√ß√Ķes.

A vida n√£o √© medida pelo n√ļmero de vezes que voc√™ respirou, mas pelos momentos em que voc√™ perdeu o f√īlego.

Os Grandes Forjam-se na Adversidade

Todo o ambiente √© favor√°vel ao forte; de um modo ou de outro ele o ajuda a cumprir a miss√£o que se imp√īs e a conseguir ir porventura mais al√©m das barreiras marcadas. A derrota deve mais atribuir-se √† invalidez do impulso interior do que aos obst√°culos que lhe ponham diante, mais √† alma incapaz de se bater com vigor e tenazmente do que √†s resist√™ncias, √†s invejas e √†s dificuldades que o mundo possa levantar perante H√©rcules que luta.
O mal que se v√™ √© aguilh√£o para o bem que se deseja; e quanto mais duro, quanto mais agressivo, se bate em peito de a√ßo, tanto mais valioso auxiliar num caminho de progresso; o querer se apura, a vis√£o do futuro nos surge mais intensa a cada golpe novo; o contentamente e a mansa quietude s√£o estufa para homens; por a√≠ se habituaram a ser escravos de outros homens, ou da cega Natureza; e eu quero a terra povoada de rijos cora√ß√Ķes que seguem os calmos pensamentos e a mais nada se curvam.
Mais custa quebrar rochar do que escavar a terra; mais sólido, porém, o edifício que nela se firmou. A grandeza da obra é quase sempre devida à dificuldade que se encontra nos meios a empregar,

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N√≥s n√£o falamos em prosa. Falamos em verso. Falamos em verso sem rima nem ritmo. Fazemos pausas na conversa que na leitura da prosa se n√£o podem fazer. Falamos, sim, em verso, em verso natural – isto √©, em verso sem rima nem ritmo, com as pausas do nosso f√īlego e sentimento. Os meus versos s√£o naturais porque s√£o feitos assim.

√Č not√°vel que toda a obra de f√īlego, pelo qual um indiv√≠duo se institui mestre na sua categoria, √©, ao mesmo tempo, obra de emo√ß√£o e de pensamento, cont√©m tanto uma forma de arte como uma f√≥rmula de filosofia.

Como Realiza o Corpo este Exercício da Queda

Como realiza o corpo este exercício
da queda no s√ļbito conhecimento
do espanto, quando os olhos est√£o vencidos,
cerrados pela transparência e pela luz
ofuscante da alva? À medida que o corpo
seca e se aplacam os seus, outrora, am√°veis
dons, se ensombram os ossos, míseras as mãos
emagrecidas e se desnuda a carne
no fundo f√īlego das √°guas, aumenta
o assombro da claridade. Só a vida
gerou o tempo, eis que ausente, ao resplendor
inesperado da luz descida. Onde vai
o humilde corpo, se corpo resta ou se outro,
receber a miraculosa mudança
de nada existir a n√£o ser o profundo
bando do grito terrível de todos
os mortos? Ah, que estupor sela os m√ļsculos,
enrijece as unhas e aspira a voz,
resfria o suor e nos conduz, inertes
e cegos, ao n√ļcleo da luz deslumbrante?
√ď mar de que futuro, rumor vol√ļvel,
sopro claro, envolve-nos de compaix√£o!

Dan√ßa melhor quando estou cansado, se j√° perdi metade do f√īlego sei que vai sair tudo certo, os m√ļsculos responder√£o.

As Virtudes da Cidade

Amo o ru√≠do e a constante agita√ß√£o das grandes cidades. O movimento cont√≠nuo obriga √† observa√ß√£o dos costumes. O ladr√£o, por exemplo, ao ver toda a actividade humana, pensa involuntariamente que √© um patife, e esta imagem alegre em movimento pode vir a melhorar a sua natureza decadente e arruinada. O bo√©mio sente-se talvez mais modesto e pensativo quando v√™ todas as for√ßas produtivas, e o devasso diz possivelmente a si mesmo, quando lhe salta aos olhos a docilidade das massas, que n√£o √© mais do que um sujeito miser√°vel, est√ļpido e vaidoso, que s√≥ sabe ufanar-se com soberba. As grandes cidades ensinam, educam, e n√£o com doutrinas roubadas aos livros. N√£o h√° aqui nada de acad√©mico, o que √© lisonjeiro, pois o saber acumulado rouba-nos a coragem.
E depois h√° aqui tanto que incentiva, que sustenta e ajuda. Quase n√£o conseguimos diz√™-lo. √Č t√£o dif√≠cil dar uma express√£o viva ao que √© refinado e bom. Agradecemos as nossas vidas modestas, sentimo-nos sempre um pouco gratos quando somos empurrados, quando temos pressa. Quem tem tempo para esbanjar n√£o sabe o que o tempo significa, √© por natureza um ingrato. Nas grandes cidades qualquer mo√ßo de recados conhece o valor do tempo e nenhum ardina quer perder o seu tempo.

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