Cita√ß√Ķes sobre Frivolidade

12 resultados
Frases sobre frivolidade, poemas sobre frivolidade e outras cita√ß√Ķes sobre frivolidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nada Pior que a Frivolidade

A frivolidade, meu amigo, aniquila os homens que a ela se apegam; talvez n√£o haja v√≠cio que n√£o se deva preferir a ela, pois ainda √© melhor ser vicioso do que n√£o ser nada. O nada est√° abaixo do tudo, o nada √© o maior dos v√≠cios; e que n√£o me diga que √© ser alguma coisa o ser fr√≠volo: √© n√£o ser nem para a virtude, nem para a gl√≥ria, nem para a raz√£o, nem para os prazeres apaixonados. Direis talvez: gosto mais de um homem nulo para qualquer vitude do que daquele que s√≥ existe para o v√≠cio. Eu vos responderei: aquele que √© nulo para a virtude n√£o est√° por isso livre dos v√≠cios; ele pratica o mal por leviandade e por fraqueza; ele √© o instrumento dos maus que t√™m mais g√©nio. Ele √© menos perigoso do que um homem seriamente empenhado no mal, isso √© poss√≠vel; mas ser√° necess√°rio ser grato ao gavi√£o por ele s√≥ destruir os insectos e por ele n√£o destruir os rebanhos e os campos como os le√Ķes e as √°guias? Um homem corajoso e dotado de sabedoria n√£o teme um homem mau; mas n√£o pode impedir-se de desprezar um homem fr√≠volo.

Continue lendo…

A frivolidade é também uma forma de hipocrisia porque as pessoas não são aquilo. A pessoa, quanto mais frívola nos parece, mais esconde a sua natureza profunda.

Da Conversa

H√° quem, na conversa, prefira mostrar esp√≠rito brilhante, e ser capaz de sustentar todos os argumentos, a exercer o ju√≠zo no discernimento da verdade, como se houvesse maior m√©rito em saber o que pode ser dito, do que em conhecer o que deve ser pensado, alguns t√™m certos lugares comuns e certos temas em que se mostram bons conversadores, mas s√£o falhos na variedade; esta esp√©cie de indig√™ncia √© quase sempre aborrecida, e de vez em quando rid√≠cula; a parte mais honrosa do col√≥quio consiste em dar ocasi√£o a novo tema, e tamb√©m em moderar ou acelerar a transi√ß√£o para assunto diferente; √© bom variar, mesclando o assunto de que se est√° a conversar com argumentos, narrativas com discuss√Ķes, perguntas com respostas, jocosidades com seriedades; h√°, por√©m, assuntos que n√£o permitem brincadeira, nomeadamente a religi√£o, os neg√≥cios do Estado, as altas personalidades, todas as quest√Ķes de import√Ęncia para as pessoas presentes, enfim, todos os casos dignos de d√≥.
Aquele que muito interrogar muito aprenderá também, muito contentará também, especialmente se adaptar as suas perguntas aos conhecimentos daqueles que lhe podem responder, pois assim lhes dará ocasião de se comprazerem a falar, e ele próprio continuará a ganhar conhecimentos; se por vezes fingirdes ignorar o que consta que sabeis,

Continue lendo…

Homem que se furta um ou dois meses √† canseira dos livros, para amaciar a aridez do esp√≠rito nas frivolidades da vida – embora se preocupe imaginando belezas no amor, √ļnica frivolidade suport√°vel – tal homem o que faz √© enojar-se um ou dois meses para depois entrar na vida que deixou, abra√ßar a ci√™ncia, esposa leg√≠tima que desdenhara, e recordar com t√©dio as vulgaridades em que se amesquinhou. Este homem n√£o serve para mulher nenhuma. E nenhuma mulher serve para este homem.

Tenho sido muito curioso em reparar na maneira como se vestem alguns homens, que pretendem distinguir-se na sociedade, seja pelo que f√īr. Tive sempre para mim que a primeira condi√ß√£o de um homem banal, e sincerameute tolo, √© o cuidado com que ele comp√Ķe a gola do seu casaco, de modo que n√£o discrepe uma linha do talhe que o alfaiate lhe deu. Ha a√≠ muita frivolidade nesse espirito, que se considera tanto mais sublime, quanto pode manter-se direito entre os colarinhos da camisa, e verticalmente equilibrado entre as duas asas do la√ßo da sua gravata.

A Consciência

A consci√™ncia √© a √ļltima fase da evolu√ß√£o do sistema org√Ęnico, por consequ√™ncia tamb√©m aquilo que h√° de menos acabado e de menos forte neste sistema. √Č do consciente que prov√©m uma multid√£o de enganos que fazem com que um animal, um homem, pere√ßam mais cedo do que seria necess√°rio, ¬ęa despeito do destino¬Ľ, como dizia Homero.
Se o la√ßo dos instintos, este la√ßo conservador, n√£o fosse de tal modo mais poderoso do que a consci√™ncia, se n√£o desempenhasse, no conjunto, um papel de regulador, a humanidade sucumbiria fatalmente sob o peso dos seus ju√≠zos absurdos, das suas divaga√ß√Ķes, da sua frivolidade, da sua credulidade, numa palavra do seu consciente: ou antes, h√° muito tempo que teria deixado de existir sem ele!
Enquanto uma fun√ß√£o n√£o est√° madura enquanto n√£o atingiu o seu desenvolvimento perfeito, √© perigosa para o organismo: √© uma grande sorte que ela seja bem tiranizada! A consci√™ncia √©-o severamente, e n√£o √© ao orgulho que o deve menos. Pensa-se que este orgulho forma o n√ļcleo do ser humano; que √© o seu elemento duradoiro, eterno, supremo, primordial! Considera-se que o consciente √© uma constante! Nega-se o seu crescimento, as suas intermit√™ncias! √Č considerado como ¬ęa unidade do organismo¬Ľ!

Continue lendo…

A Vantagem da Frivolidade

O respeito que a tragédia inspira é muito mais perigoso do que a despreocupação de um chilrear de criança. Qual é a eterna condição das tragédias? A existência de ideias, cujo valor é considerado mais alto do que o da vida humana. E qual é a condição das guerras? A mesma coisa. Obrigam-te a morreres porque existe, dizem, alguma coisa que é superior à tua vida. A guerra só pode existir no mundo da tragédia; desde o começo da sua história, o homem apenas conheceu o mundo trágico e não é capaz de sair dele. A idade da tragédia só pode ser encerrada por uma revolta da frivolidade. As pessoas já só conhecem da Nona de Beethoven os quatro compassos do hino à alegria que acompanham a publicidade dos perfumes Bella. Isso não me escandaliza. A tragédia será banida do mundo como uma velha cabotina que, com a mão no peito, declama em voz áspera. A frivolidade é uma cura de emagrecimento radical. As coisas perderão noventa por cento do seu sentido e tornar-se-ão leves. Nessa atmosfera rarefeita, desaparecerá o fanatismo. A guerra passará a ser impossível.

A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

Continue lendo…

Política de Interesse

Em Portugal n√£o h√° ci√™ncia de governar nem h√° ci√™ncia de organizar oposi√ß√£o. Falta igualmente a aptid√£o, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento pol√≠tico das na√ß√Ķes.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A pol√≠tica √© uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contradit√≥rias; ali dominam as m√°s paix√Ķes; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali h√° a posterga√ß√£o dos princ√≠pios e o desprezo dos sentimentos; ali h√° a abdica√ß√£o de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores √°speros; h√° a tristeza e a mis√©ria; dentro h√° a corrup√ß√£o, o patrono, o privil√©gio. A refrega √© dura; combate-se, atrai√ßoa-se, brada-se, foge-se, destr√≥i-se, corrompe-se. Todos os desperd√≠cios, todas as viol√™ncias, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
√Ä escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena,

Continue lendo…