Passagens sobre Her贸is

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Frases sobre her贸is, poemas sobre her贸is e outras passagens sobre her贸is para ler e compartilhar. Leia as melhores cita莽玫es em Poetris.

Tudo Est谩 ao Nosso Alcance

A vida traz a cada um a sua tarefa e, seja qual for a ocupa莽茫o escolhida, 谩lgebra, pintura, arquitectura, poesia, com茅rcio, pol铆tica 鈥 todas est茫o ao nosso alcance, at茅 mesmo na realiza莽茫o de miraculosos triunfos, tudo na depend锚ncia da selec莽茫o daquilo para que temos aptid茫o: comece pelo come莽o, prossiga na ordem certa, passo a passo. 脡 t茫o f谩cil retorcer 芒ncoras de ferro e talhar canh玫es como entrela莽ar palha, t茫o f谩cil ferver granito como ferver 谩gua, se voc锚 fizer tudo na ordem correcta. Onde quer que haja insucesso 茅 porque houve titubeio, houve alguma supersti莽茫o sobre a sorte, algum passo omitido, que a natureza jamais perdoa. Condi莽玫es felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos. A atrac莽茫o que elas suscitam 茅 a promessa de que est茫o ao nosso alcance. As nossas preces s茫o profetas. 脡 preciso fidelidade; 茅 preciso ades茫o firme. Qu茫o respeit谩vel 茅 a vida que se aferra aos seus objectivos! As aspira莽玫es juvenis s茫o coisas belas, as suas teorias e planos de vida s茫o leg铆timos e recomend谩veis: mas voc锚 ser谩 fiel a eles? Nem um homem sequer, receio eu, naquele p谩tio repleto de gente, ou n茫o mais que um em mil. E, se tentar cobrar deles a trai莽茫o cometida,

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Nunca se Escreve para Si Mesmo

O escritor n茫o prev锚 nem conjectura: projecta. Acontece por vezes que espera por si mesmo, que espera pela inspira莽茫o, como se diz. Mas n茫o se espera por si mesmo como se espera pelos outros; se hesita, sabe que o futuro n茫o est谩 feito, que 茅 ele pr贸prio que o vai fazer, e, se n茫o sabe ainda o que acontecer谩 ao her贸i, isto quer simplesmente dizer que n茫o pensou nisso, que n茫o decidiu nada; ent茫o, o futuro 茅 uma p谩gina branca, ao passo que o futuro do leitor s茫o as duzentas p谩ginas sobrecarregadas de palavras que o separam do fim.

Assim, o escritor s贸 encontra por toda a parte o seu saber, a sua vontade, os seus projectos, em resumo, ele mesmo; atinge apenas a sua pr贸pria subjectividade; o objecto que cria est谩 fora de alcance; n茫o o cria para ele. Se rel锚 o que escreveu, j谩 茅 demasiado tarde; a sua frase nunca ser谩 a seus olhos exactamente uma coisa. Vai at茅 aos limites do subjectivo, mas sem o transpor; aprecia o efeito dum tra莽o, duma m谩xima, dum adjectivo bem colocado; mas 茅 o efeito que produzir茫o nos outros; pode avali谩-lo, mas n茫o senti-lo.
Proust nunca descobriu a homossexualidade de Charlus,

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Os Verdadeiros Problemas

Digo muitas vezes que n茫o s茫o necessariamente os homens e mulheres com t铆tulos, mas os homens e mulheres humildes que encontramos em todas as comunidades, mas que escolherem o mundo como o seu teatro de opera莽玫es, que sentem que os maiores desafios s茫o os problemas socioecon贸micos que o mundo defronta, por exemplo, a pobreza, a iliteracia, a doen莽a, a falta de casa, a impossibilidade de mandar os filhos 脿 escola. Esses s茫o os meus her贸is. O chefe de Estado que se classificar como um destes 茅 o meu her贸i.

O Apogeu do Cobarde

Havia num partido um homem, que era demasiado medroso e cobarde para, alguma vez, contradizer os seus camaradas: empregavam-no para todos os servi莽os, exigiam tudo dele, porque ele tinha mais medo da m谩 opini茫o dos seus camaradas que da morte; era um lament谩vel esp铆rito fraco. Eles reconheceram isso e fizeram dele, em virtude das circunst芒ncias mencionadas, um her贸i e, por fim, at茅 um m谩rtir. Embora o cobarde, interiormente, dissesse sempre n茫o, com os l谩bios pronunciava sempre sim, mesmo j谩 no cadafalso, ao morrer pelas ideias do seu partido: 茅 que, ao lado dele, estava um dos seus velhos camaradas, que o tiranizava tanto pela palavra e o olhar, que ele sofreu a morte realmente da maneira mais decente e, desde ent茫o, 茅 homenageado como m谩rtir e grande personalidade.

Pareceu-me e parece-me que o mais tosco verso de um livre 脿 mem贸ria de um her贸i [Tiradentes] esmaga o mais brilhante poema que se atira aos p茅s de um rei…

A Lusit芒nia

A terra mais ocidental de todas 茅 a Lusit芒nia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? N茫o; sen茫o porque ali v茫o morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento. Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz: sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas, sobem por sua ordem ao Z茅nite, d茫o volta ao globo do mundo resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusit芒nia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes.
E se isto sucede aos lumes celestes e imortais; que nos lastimamos, Senhores, de ler os mesmos exemplos nas nossas Hist贸rias? Que foi um Afonso de Albuquerque no Oriente? Que foi um Duarte Pacheco? Que foi um D. Jo茫o de Castro? Que foi um Nuno da Cunha, e tantos outros Her贸is famosos, sen茫o uns Astros e Planetas lucid铆ssimos, que assim como alumiaram com estupendo resplendor aquele glorioso s茅culo, assim escurecer茫o todos os passados?

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O Homem Que Confessa os Seus Pecados Nunca 茅 o Mesmo Que os Cometeu

Monstro, robot, escravo, ser maldito – pouco importa o termo utilizado para transmitir a imagem da nossa condi莽茫o desumanizada. Nunca a condi莽茫o da humanidade no seu conjunto foi t茫o ign贸bil como hoje. Estamos todos ligados uns aos outros por uma igniminiosa rela莽茫o de senhor e servo; todos presos no mesmo c铆rculo vicioso entre julgar e ser julgado; todos empenhados em destruir-nos mutuamente quando n茫o conseguimos impor a nossa vontade. Em vez de sentirmos respeito, toler芒ncia, bondade e considera莽茫o, para j谩 n茫o falar em amor, uns pelos outros, olhamo-nos com medo, suspeita, 贸dio, inveja, rivalidade e malevol锚ncia. O nosso mundo assenta na falsidade. Seja qual for a direc莽茫o em que nos aventuremos, a esfera de actividade humana em que nos embrenhemos, n茫o encontramos sen茫o enganos, fraudes, dissimula莽茫o e hipocrisia.
Conhecer do facto de que, por muito alto que estejam colocados, os homens n茫o conseguem, n茫o ousam, pensar livremente, independentemente, quase desespero de me fazer ouvir. E se falo ainda, se me arrisco a exprimir os meus pontos de vista sobre certas quest玫es fundamentais, 茅 porque estou convencido de que, por muito negro que seja o panorama, uma mudan莽a dr谩stica 茅, n茫o s贸 poss铆vel, mas at茅 inevit谩vel. Sinto que 茅 meu direito e meu dever de ser humano promover essa mudan莽a.

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Tirai ao g茅nero humano a sua vaidade e a sua ambi莽茫o, e acabareis de vez com os her贸is e com os patriotas.

A Morte que Trazemos no Cora莽茫o

脡 no cora莽茫o que morremos. 脡 a铆 que a morte habita.

Nem sempre nos damos conta que a carregamos connosco, mas, desde que somos vida, ela segue-nos de perto. Enquanto n茫o somos tomados pela nossa, vamos assistindo e sentindo, em ritmo crescente ao longo da vida, 脿s mortes de quem nos 茅 querido. A morte de um amigo 茅 como uma amputa莽茫o: perdemos uma parte de n贸s; uma fonte de amor; algu茅m que dava sentido 脿 nossa exist锚ncia… porque despertava o amor em n贸s.

Mas n茫o h谩 sabedoria alguma, cultura ou religi茫o, que n茫o parta do princ铆pio de que a realidade 茅 composta por dois mundos: um, a que temos acesso direto e, outro, que n茫o passa pelos sentidos, a ele se chega atrav茅s do cora莽茫o. Contudo, o vis铆vel e o invis铆vel misturam-se de forma misteriosa, ao ponto de se confundirem e, como alguns chegam a compreender, n茫o serem j谩 dois mundos, mas um s贸.
S贸 as pessoas que amamos morrem. S贸 a sua morte 茅 absoluta separa莽茫o. Os estranhos, com vidas com as quais n茫o nos cruzamos, n茫o morrem, porque, para n贸s, de facto, n茫o chegam sequer a ser.

S贸 as pessoas que amamos n茫o morrem.

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N茫o experimentei tudo. Nunca fui 脿 hero铆na, nunca me piquei. Foi o b谩sico: fumei, cheirei, tomei 谩cido. E larguei isso tudo. Na verdade, nunca fui um bom maconheiro. Posso eventualmente fumar aqui e ali, n茫o vejo muito mal. Mas n茫o sou adepto

Can莽茫o de Batalha

Que durmam, muito embora, os p谩lidos amantes,
Que andaram contemplando a Lua branca e fria…
Levantai-vos, her贸is, e despertai, gigantes!
J谩 canta pelo azul sereno a cotovia
E j谩 rasga o arado as terras fumegantes…

Entra-nos pelo peito em borbot玫es joviais
Este sangue de luz que a madrugada entorna!
Poetas, que somos n贸s? Ferreiros d’arsenais;
E bater, 茅 bater com alma na bigorna
As estrofes de bronze, as lan莽as e os punhais.

Acendei a fornalha enorme 鈥 a Inspira莽茫o.
Dai-lhe lenha 鈥 A Verdade, a Justi莽a, o Direito 鈥
E harmonia e pureza, e febre, e indigna莽茫o;
E p’ra que a labareda irrompa, abri o peito
E atirai ao braseiro, ardendo, o cora莽茫o!

H谩-de-nos devorar, talvez, o inc锚ndio; embora!
O poeta 茅 como o Sol: o fogo que ele encerra
脡 quem espalha a luz nessa amplid茫o sonora…
Queimemo-nos a n贸s, iluminando a Terra!
Somos lava, e a lava 茅 quem produz a aurora!

A Grande Literatura

Os romances nunca ser茫o totalmente imagin谩rios nem totalmente reais. Ler um romance 茅 confrontar-se tanto com a imagina莽茫o do autor quanto com o mundo real cuja superf铆cie arranhamos com uma curiosidade t茫o inquieta. Quando nos refugiamos num canto, nos deitamos numa cama, nos estendemos num div茫 com um romance nas m茫os, a nossa imagina莽茫o passa o tempo a navegar entre o mundo daquele romance e o mundo no qual ainda vivemos. O romance nas nossas m茫os pode-nos levar a um outro mundo onde nunca estivemos, que nunca vimos ou de que nunca tivemos not铆cia. Ou pode-nos levar at茅 脿s profundezas ocultas de um personagem que, na superf铆cie, parece-se 脿s pessoas que conhecemos melhor. Estou a chamar a aten莽茫o para cada uma dessas possibilidades isoladas porque h谩 uma vis茫o que acalento, de tempos a tempos, que abarca os dois extremos. 脌s vezes tento conjurar, um a um, uma multid茫o de leitores recolhidos num canto e aninhados nas suas poltronas com um romance nas m茫os; e tamb茅m tento imaginar a geografia de sua vida quotidiana. E ent茫o, diante dos meus olhos, milhares, dezenas de milhares de leitores v茫o tomando forma, distribu铆dos por todas as ruas da cidade, enquanto eles l锚em, sonham os sonhos do autor,

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Os Palha莽os

Her贸is da gargalhada, 贸 nobres saltimbancos,
eu gosto de voc锚s,
porque amo as expans玫es dos grandes risos francos
e os gestos de entremez,

e prezo, sobretudo, as grandes ironias
das farsas joviais.
que em visagens cru茅is, imperturb谩veis, frias.
脿 turba arremessais!

Alegres histri玫es dos circos e das pra莽as,
ah, sim, gosto de vos ver
nas grandes contor莽玫es, a rir, a dizer gra莽as
de o povo enlouquecer,

ungidos pela luta her贸ica, descambada,
de giz e de carmim,
nas m铆micas sem par, her贸is da bofetada,
tit茫s do trampolim!

Correi, subi, voai num turbilh茫o fant谩stico
por entre as sauda莽玫es
da turba que festeja o semideus el谩stico
nas grandes ascens玫es,

e no curso veloz, vertiginoso, a茅reo,
fazei por disparar
na face trivial do mundo ego铆sta e s茅rio
a gargalhada alvar!

Depois, mais perto ainda, a voltear no espa莽o,
pregai-lhe, se podeis,
um pontap茅 furtivo, 贸 l铆vidos palha莽os,
luzentes como reis!

Eu rio sempre, ao ver aquela majestade,
os tr谩gicos desd茅ns
com que nos divertis, cobertos de alvaiade,

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LXXXIII

Polir na guerra o b谩rbaro gentio,
Que as leis quase ignorou da natureza,
Romper de altos penhascos a rudeza,
Desentranhar o monte, abrir o rio;

Esta a virtude, a gl贸ria, o esfor莽o, o brio
Do Russiano Her贸i, esta a grandeza,
Que igualou de Alexandre a fortaleza,
Que venceu as desgra莽as de Dario:

Mas se a lei do hero铆smo se procura,
Se da virtude o esp铆rito se atende,
Outra id茅ia, outra m谩xima o segura:

L谩 vive, onde no ferro n茫o se acende;
Vive na paz dos povos, na brandura:
V贸s a ensinais, 贸 Rei; em v贸s se aprende.