Cita√ß√Ķes sobre Igreja

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Se fazer fosse tão fácil quanto saber o que seria bom fazer, as capelas seriam igrejas, e as choupanas dos pobres, palácios de príncipes.

A Inconsistência Humana

Que todos os homens s√£o iguais √© uma proposi√ß√£o √† qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma opera√ß√£o perigosa n√£o age sob a presun√ß√£o de que t√£o bom √© um m√©dico como outro qualquer. Os editores n√£o imprimem todas as obras que lhes chegam √†s m√£os. E quando s√£o precisos funcion√°rios p√ļblicos, at√© os governos mais democr√°ticos fazem uma selec√ß√£o cuidadosa entre os seus s√ļbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos Рo que na prática vem ser a mesma coisa Рprocedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens.
Identicamente, o piedoso fidalgo medieval que, na igreja acreditava em perdoar aos inimigos e oferecer a outra face, estava pronto, logo que mergia novamente à luz do dia, a desembainhar a sua espada à mínima provocação. A mente humana tem uma capacidade quase infinita para ser inconsistente.

Acendem-se as Luzes

Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.

Ainda h√° claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para l√° dos telhados
j√° meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho,
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e deste andar contente
que no fim do dia
leva para casa,
a paz das varandas,
o √°lcool das locandas,
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solid√£o povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.

Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.

Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende √© mais chuva a bater na vidra√ßa…

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidra√ßas da igreja vistas de fora s√£o o som da chuva ouvido por dentro …

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Atrav√©s da chuva que √© ouro t√£o solene na toalha do altar…

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a √°gua no fato de haver coro…

A missa é um automóvel que passa
Atrav√©s dos fi√©is que se ajoelham em hoje ser um dia triste…
S√ļbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de autom√≥vel…

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa …

O Novo Conhecimento

Quando fazemos amor com uma nova mulher, vimo-nos por causa da paix√£o. Quando fazemos amor com uma esposa, vimo-nos por causa da fric√ß√£o. A paix√£o √© lux√ļria idolatrada pelo fr√©mito. O fr√©mito no casamento √© reduzido a cinzas, e o que resta √© uma lux√ļria insignificante, uma contribui√ß√£o inevit√°vel √† fisiologia.
S√≥ depois do meu casamento √© que eu percebi at√© que ponto a paix√£o √© espiritual. A alma perde o fr√©mito, que s√≥ se obt√©m atrav√©s da novidade. Lutar pela novidade √© o mesmo que lutar pelo conhecimento, acerca do qual Deus nos advertiu. Se o conhecimento √© pecaminoso, ent√£o tudo o que √© novo √© pecaminoso. √Č por isso que a for√ßa dos la√ßos familiares se baseia na tradi√ß√£o e no costume antigo. A intrus√£o da novidade, do novo conhecimento no casamento, s√≥ o destr√≥i. Cada adult√©rio √© uma renova√ß√£o do pecado do conhecimento.
No casamento, a espiritualidade do frémito pela nossa mulher não desaparece, transforma-se em filhos, transforma-se na alma da criança. Talvez seja por isso que a Igreja Católica, embora ciente de que o frémito desaparece no casamento, considera a cópula pecaminosa se não tiver o objecitvo de engravidar. Esta proibição prolonga a vida da paixão,

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Miritiba

√Č o que me lembra: uma soturna vila
olhando um rio sem vapor nem ponte;
Na √°gua salobra, a canoada em fila…
Grandes redes ao sol, mangais defronte…

De um lado e de outro, fecha-se o horizonte…
Duas ruas somente… a √°gua tranq√ľila…
Botos no prea-mar… A igreja… A fonte
E as grandes dunas claras onde o sol cintila.

Eu, com seis anos, n√£o reflito, ou penso.
P√Ķem-me no barco mais veleiro, e, a bordo,
Minha m√£e, pela noite, agita um len√ßo…

Ao vir do sol, a √°gua do mar se alteia.
Range o mastro… Depois… s√≥ me recordo
Deste doido lutar por terra alheia!

O Intelecto Como Exagero

A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a a express√£o intelectual come√ßa. O intelecto √© j√° uma forma de exagero e destr√≥i a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos s√≥ nariz, ou s√≥ testa, ou uma coisa horr√≠vel do g√©nero. Olha para os homens bem sucedidos em qualquer das profiss√Ķes eruditas. Como s√£o perfeitamente hediondos! A n√£o ser, evidentemente, na Igreja. Mas a verdade √© que na Igreja eles n√£o pensam. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito e, por conseguinte, parece sempre perfeitamente encantador.

Londres

Vagueio por estas ruas violadas,
Do violado Tamisa ao derredor,
E noto em todas as faces encontradas
Sinais de fraqueza e sinais de dor.

Em toda a revolta do Homem que chora,
Na Criança que grita o pavor que sente,
Em todas as vozes na proibição da hora,
Escuto o som das algemas da mente.

Dos Limpa-chaminés o choro triste
As negras Igrejas atormenta;
E do pobre Soldado o suspiro que persiste
Escorre em sangue p’los Pal√°cios que sustenta.

Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais
√Č da jovem Prostituta o seu fad√°rio,
Maldiz do tenro Filho os tristes ais,
E do Matrimónio insulta o carro funerário.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

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Os Amantes

Os amantes
fecham-se
um no outro
(como os punhos
do bebé
que dorme
no berço
e no √ļtero
da m√£e
como as caras
dos ícones
no escuro
das igrejas)

O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo

Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e at√© junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma rela√ß√£o qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que √© que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substitu√≠do a f√© pela ci√™ncia, n√£o sofriam por isso mesmo moralmente? N√£o seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ci√™ncia proporciona a essas quest√Ķes perturbadoras? E punha-se ent√£o a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as solu√ß√Ķes t√£o desejadas.
(…) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos √ļltimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso √† aldeia, Plat√£o e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes fil√≥sofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele pr√≥prio encontrava ent√£o argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava – quer atrav√©s das leituras das suas obras, quer atrav√©s dos racioc√≠nios que estas lhe inspiravam – a solu√ß√£o do famoso problema,

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Poemas S√£o como Vitrais Pintados

Poemas s√£o como vitrais pintados!
Se olharmos da praça para a igreja,
Tudo é escuro e sombrio;
E é assim que o Senhor Burguês os vê.
Ficar√° agastado? ‚ÄĒ Que lhe preste!…
E agastado fique toda a vida!

Mas ‚ÄĒ vamos! ‚ÄĒ vinde v√≥s c√° para dentro,
Saudai a sagrada capela!
De repente tudo é claro de cores:
S√ļbito brilham hist√≥rias e ornatos;
Sente-se um press√°gio neste esplendor nobre;
Isto, sim, que é pra vós, filhos de Deus!
Edificai-vos, regalai os olhos!

Tradução de Paulo Quintela

Baladas Rom√Ęnticas – Azul…

Lembra-te bem! Azul-celeste
Era essa alcova em que te amei.
O √ļltimo beijo que me deste
Foi nessa alcova que o tomei!
√Č o firmamento que a reveste
Toda de um c√°lido fulgor:
– Um firmamento, em que puseste
Como uma estrela, o teu amor.

Lembras-te? Um dia me disseste:
“Tudo acabou!” E eu exclamei:
“Se vais partir, por que vieste?”
E √†s tuas plantas me arrastei…
Beijei a fimbria à tua veste,
Gritei de espanto, uivei de dor:
“Quem h√° que te ame e te requeste
Com febre igual ao meu amor?”

Por todo o mal que me fizeste,
Por todo o pranto que chorei,
– Como uma casa em que entra a peste,
Fecha essa casa em que fui rei!
Que nada mais perdure e reste
Desse passado embriagador:
E cubra a sombra de um cipreste
A sepultura deste amor!

Desbote-a o inverno! o est√£o a creste!
Abale-a o vento com fragor!
– Desabe a igreja azul-celeste
Em que oficiava o meu amor!

L√°grimas de Cera

Passou; viu a porta aberta.
Entrou; queria rezar.
A vela ardia no altar.
A igreja estava deserta.

Ajoelhou-se defronte
Para fazer a oração;
Curvou a p√°lida fronte
E p√īs os olhos no ch√£o.

Vinha trêmula e sentida.
Cometera um erro. A Cruz
√Č a √Ęncora da vida,
A esperança, a força, a luz.

Que rezou? N√£o sei. Benzeu-se
Rapidamente. Ajustou
O véu de rendas. Ergueu-se
E à pia se encaminhou.

Da vela benta que ardera,
Como tranq√ľilo fanal,
Umas l√°grimas de cera
Caíam no castiçal.

Ela porém não vertia
Uma l√°grima sequer.
Tinha a f√©, ‚ÄĒ a chama a arder, ‚ÄĒ
Chorar é que não podia.

O Sentimento de Poder

Ao fazer o bem e mal, exercemos o nosso poder sobre aqueles a quem se é forçado a fazê-lo sentir; porque o sofrimento é um meio muito mais sensível, para esse fim, do que o prazer: o sofrimento procura sempre a sua causa enquanto o prazer mostra inclinação para se bastar a si próprio e a não olhar para trás. Ao fazer bem ou ao desejarmos o bem exercemos o nosso poder sobre aqueles que, de uma maneira ou de outra, estão já na nossa dependência (quer dizer que se habituaram a pensar em nós como nas suas causas); queremos aumentar o seu poder porque assim aumentamos o nosso, ou queremos mostrar-lhes a vantagem que há em estar em nosso poder; ficarão mais satisfeitos com a sua situação e mais hostis aos inimigos do nosso poder, mais prontos a combatê-los. O facto de fazermos sacrifícios para fazer o bem ou o mal não altera em nada o valor definitivo dos nossos actos; mesmo se arriscarmos a nossa vida, como o mártir pela sua igreja, é um sacrifício que fazemos à nossa necessidade de poder, ou a fim de conservar o nosso sentimento de poder.

Luto pela Bondade

Quero viver num mundo sem excomungados. N√£o excomungarei ningu√©m. N√£o diria, amanh√£, a esse sacerdote: ¬ęVoc√™ n√£o pode baptizar ningu√©m porque √© anticomunista.¬Ľ N√£o diria ao outro: ¬ęN√£o publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque voc√™ √© anticomunista.¬Ľ Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais t√≠tulos al√©m desse, sem trazerem na cabe√ßa uma regra-, uma palavra r√≠gida, um r√≥tulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que n√£o esperem ningu√©m, nunca mais, √† porta do munic√≠pio para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da C√Ęmara Municipal. N√£o quero que ningu√©m fuja em g√īndola, que ningu√©m seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a √ļnica maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta sen√£o como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor sen√£o como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ub√≠qua, extensa, inexaur√≠vel. De tantos encontros entre a minha poesia e a pol√≠cia, de todos esses epis√≥dios e de outros que n√£o contarei porque repetidos,

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A Mentira Agrada Mais do Que a Verdade

O esp√≠rito do homem √© feito de maneira que lhe agrada muito mais a mentira do que a verdade. Fazei a experi√™ncia: ide √† igreja, quando a√≠ est√£o a pregar. Se o pregador trata de assuntos s√©rios, o audit√≥rio dormita, boceja e enfada-se, mas se, de repente, o zurrador (perd√£o, o pregador), como ali√°s √© frequente, come√ßa a contar uma hist√≥ria de comadres, toda a gente desperta e presta a maior das aten√ß√Ķes.
Como √© f√°cil essa felicidade! Os conhecimentos mais f√ļteis, como a gram√°tica por exemplo, adquirem-se √† custa de grande esfor√ßo, enquanto a opini√£o se forma com grande facilidade, contribuindo tanto ou talvez mais para a felicidade. Se um homem come toucinho ran√ßoso, de que outro nem o cheiro pode suportar, com o mesmo prazer com que comeria ambr√≥sia, que tem isso a ver com a felicidade? Se, pelo contr√°rio, o esturj√£o causa n√°useas a outro, que temos n√≥s com isso? Se uma mulher, horrivelmente feia, parece aos olhos do marido semelhante a V√©nus, para o marido √© o mesmo do que se ela fosse bela.