Passagens sobre Inj√ļria

79 resultados
Frases sobre inj√ļria, poemas sobre inj√ļria e outras passagens sobre inj√ļria para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Censura Amiga

A amizade penetra nos menores detalhes da nossa vida, o que torna frequentes as ocasi√Ķes de ofensas e melindres: o s√°bio deve evit√°-las, destru√≠-las ou suport√°-las quando necess√°rio for. A √ļnica ocasi√£o em que n√£o devemos deixar de ofender um amigo, √© quando se trata de lhe dizer a verdade e de lhe provar assim a nossa fidelidade. Porque n√£o devemos deixar de sobreavisar os nossos amigos, ainda quando se trate de os repreender. E n√≥s mesmos devemos levar isto em boa vontade, quando tais repreens√Ķes s√£o ditadas pelo bem querer.
Todavia, sou for√ßado a confess√°-lo, como disse o nosso Ter√™ncio no seu Adriana: ¬ęA benevol√™ncia gera a amizade; a verdade, o √≥dio¬Ľ. Sem d√ļvida a verdade √© molesta se produz o √≥dio, este veneno da amizade. Mas a magnanimidade √©-o ainda mais, porque para a indulg√™ncia culp√°vel, pelas faltas de um amigo, ela deixa-o precipitar-se nas suas ru√≠nas. Mas a falta mais grave √© a que despreza a verdade e se deixa conduzir ao mal pela adula√ß√£o. Este ponto reclama toda a nossa vigil√Ęncia e aten√ß√£o. Afastemos o √°cido das nossas advert√™ncias, a inj√ļria dos nossos reproches; que a nossa complac√™ncia (sirvo-me volunt√°rio da express√£o de Ter√™ncio) seja farta de urbanidade;

Continue lendo…

O Amor de Si Próprio

[Ferido por uma cr√≠tica adversa, um poeta busca consolo para a m√°goa relendo seus pr√≥prios versos.] Desgosto (…), mas desgosto curto. Ele ir√° dali remirar-se nos pr√≥prios livros. A justi√ßa que um atrevido lhe negou, n√£o lhe negar√£o as p√°ginas dele. Oh! a m√£e que gerou o filho, que o amamenta e acalenta, que p√Ķe nessa fr√°gil criaturinha o mais puro de todos os amores, essa m√£e √© Medeia, se a compararmos √†quele engenho, que se consola da inj√ļria, relendo-se; porque se o amor de m√£e √© a mais elevada forma de altru√≠smo, o dele √© a mais profunda forma de ego√≠smo, e s√≥ h√° uma coisa mais forte que o amor materno, √© o amor de si pr√≥prio.

A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas

Podemos distinguir duas esp√©cies de c√≥lera: uma que √© muito s√ļbita e se manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente ser apaziguada; e outra que inicialmente n√£o aparece tanto, por√©m corr√≥i mais o cora√ß√£o e tem efeitos mais perigosos. Os que t√™m muita bondade e muito amor s√£o mais sujeitos √† primeira. Pois ela n√£o prov√©m de um √≥dio profundo, e sim de uma s√ļbita avers√£o que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, t√£o logo acontece de forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso, mesmo que a coisa n√£o os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afei√ß√£o, interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim, o que para outra pessoa seria apenas motivo de indigna√ß√£o √© para eles um motivo de c√≥lera. E como a inclina√ß√£o que t√™m para amar faz que tenham muito calor e muito sangue no cora√ß√£o, a avers√£o que os surpreende n√£o pode impelir para este t√£o pouca bile que isso n√£o cause inicialmente uma grande emo√ß√£o no sangue. Mas tal emo√ß√£o pouco dura, porque a for√ßa da surpresa n√£o se prolonga e porque,

Continue lendo…

Saber Terminar uma Amizade Indesej√°vel

Sucede, tamb√©m, como por calamidade, que algumas vezes √© necess√°rio romper uma amizade: porque passo agora das amizades dos s√°bios √†s liga√ß√Ķes vulgares. Muitas vezes quando os v√≠cios se revelam num homem, os seus amigos s√£o as suas v√≠timas como todos os outros: contudo √© sobre eles que recai a vergonha. √Č preciso, pois, desligar-se de tais amizades ‚ÄĒ, afrouxando o la√ßo pouco a pouco e, como ouvi dizer a Cat√£o, √© necess√°rio descoser antes que despeda√ßar, a menos que se n√£o haja produzido um esc√Ęndalo de tal modo intoler√°vel, que n√£o fosse nem justo nem honesto, nem mesmo poss√≠vel, deixar de romper imediatamente.

Mas se o car√°cter e os gostos vierem a mudar, o que acontece muitas vezes; se algum dissentimento pol√≠tico separar dois amigos (n√£o falo mais, repito-o, das amizades dos s√°bios, mas das afei√ß√Ķes vulgares), √© preciso tomar cuidado em, desfazendo a amizade, n√£o a substituir logo pelo √≥dio. Nada mais vergonhoso, com efeito, que estar em guerra com aquele que se amou por muito tempo.
(…) Apliquemo-nos, pois, antes de tudo, em afastar toda a causa de ruptura: se contudo, acontecer alguma, que a amizade pare√ßa antes extinta do que estrangulada. Temamos sobretudo que ela n√£o se transforme em √≥dio violento,

Continue lendo…

O Ponto mais Alto da Moral Consiste na Gratid√£o

O ponto mais alto da moral consiste na gratid√£o. E esta verdade proclam√°-la-√£o todas as cidades, todos os povos, mesmo os oriundos das regi√Ķes b√°rbaras, neste ponto est√£o de acordo os bons e os maus. Haver√° quem aprecie sobre¬≠tudo o prazer, outros haver√° que julguem prefer√≠vel o esfor√ßo activo; uns consideram a dor como o sumo mal, para outros a dor n√£o ser√° sequer um mal; alguns inclui¬≠r√£o a riqueza no sumo bem, outros dir√£o que a riqueza foi inventada para o mal da humanidade e que o homem mais rico √© aquele a quem a fortuna nada encontra para dar; no meio desta diversidade de posi√ß√Ķes uma coisa h√° que todos afirmar√£o, como soe dizer-se, a uma s√≥ voz: que devemos gratid√£o √†queles que nos favorecem. Neste ponto toda esta multid√£o de opini√Ķes se mostra de acordo, mesmo quando por vezes pagamos favores com inj√ļrias; e a pri¬≠meira causa de ingratid√£o √© n√£o podermos ser suficiente¬≠mente gratos. A insensatez chegou ao ponto de se tornar perigos√≠ssimo fazer um grande benef√≠cio a algu√©m; como se considera uma vergonha n√£o pagar o benef√≠cio, julga-se prefer√≠vel n√£o existir ningu√©m que no-lo fa√ßa! Goza em paz o que de mim recebeste; n√£o to reclamo,

Continue lendo…

Natal Diferente

I

Catedrais de luz erguidas na cidade.
Neve artificial nas montras com brinquedos.
Soa um C√Ęntico antigo no vento da tarde
que arrefece. Em cada rosto, em cada olhar,
um não-sei-quê de pasmo nesta hora de Natal.

Não é serenidade o que se bebe pelas ruas.
Cinzenta é a cor do céu. Decerto vai chover.
No ambiente superficial
representam-se alegrias.
As notícias nos jornais agravam
o cepticismo deste Natal a haver.

Sinto-me vazio. Lasso. Sem vontade.
Uma grande ternura a boiar dentro de rnirn:
L√°stima, piedade, amor pelos humanos?
Mas de que serve comover-me assim?

Vou aceitar este Natal, tal como est√°.
Com √°lcool. Com prazer.
Embriagar-me de luz, de sons e de ilus√Ķes.
Ser como toda a gente. E possa o mundo arder!

II

Meu Menino Jesus que deves estar no Céu
vem tiritar nas cidades sem calor.
Vem dar realidade a este dia, vem!
‚ÄĒ Trinta e tr√™s anos e a consci√™ncia em flor.
Mas n√£o venhas de fraldas: a Estrela j√° brilhou.
Traz o corpo macerado,

Continue lendo…

A Vida Que Nos Escapa Entre os Dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E n√£o sem acerto, porque todas as coisas agrad√°veis devem ser tidas como inocentes, e at√© que se provem culpadas todas as presun√ß√Ķes pendem a seu favor. A vida j√° √© bastante penosa para que ainda a agravemos com proibi√ß√Ķes e obst√°culos aos seus deleites; t√£o arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente – e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito r√°pidamente todas as alegrias perdem a vivacidade – e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O pr√≥prio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a esta√ß√£o pr√≥pria – a velhice.
√Č este o grande drama do prazer; todas as coisas agrad√°veis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto √© mais retribu√≠do. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e inj√ļrias e demoramo-nos sobre as vit√≥rias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual s√≥ retemos na mem√≥ria o bom,

Continue lendo…

Retrato da Beleza Nova e Pura

Retrato da beleza nova e pura
Que com divina m√£o, divino engenho,
Amor retratou na alma, onde vos tenho
Das inj√ļrias do tempo mais segura,

N√£o mostreis aspereza em tal brandura,
Por vos vingar de mim, vendo que venho
a tanta confiança, que detenho
Os olhos em tamanha formosura.

O resplendor do Céu, sem dar mais pena
A quem olha seus raios em direito,
A vista só por breve espaço assombra,

Mas vossa luz mais clara, mais serena,
Juntamente me cega, e abrasa o peito:
Vede o Sol que far√°, de que sois sombra!

A Inj√ļria tem Sempre que ter Troco na mesma Medida

Os homens envergonham-se n√£o das inj√ļrias que fazem, mas das que recebem. Mas para se conseguir que os injuriadores sintam vergonha n√£o h√° outro meio sen√£o pagar-lhes na mesma moeda.

Uma Doen√ßa C√ļmplice

uma doen√ßa c√ļmplice, marcas p√ļrpura
dão ao teu rosto a expressão do exílio
a que te submetes, gemeste
toda a noite, soçobraste

à febre alta do final da tarde, uma prega,
vincada no teu rosto,
mantém-te inanimado
entre a vig√≠lia e a inj√ļria

que há no sacrifício
e te p√Ķe a carne em chaga.
uma doença altiva, a consistência

do silêncio é como aço e o transe
permanece, é superiormente excessiva
tanta ang√ļstia.

Essas inj√ļrias passavam despercebidas tanto pelo padre como pelo corcunda. Quas√≠modo era surdo demais e Cl√°udio pensador demais.

O Amor n√£o Tem Nenhuma Parte Terrena

Por ser maior o cerco de ouro ardente
do sol que o globo opaco que é a terra,
e menor que este o que à lua encerra
as três caras que mostra diferente,

ora a vemos minguante, ora crescente,
ora na sombra o eclipse a enterra;
porém aos seis planetas não faz guerra,
nem uma estrela sua inj√ļria sente.

A fogueira do meu amor, cravada
no zénite do vasto firmamento,
n√£o baixa em sombras ou est√° eclipsada.

Manchas da terra n√£o as experimento:
que sua noite dista da sagrada
região onde minha fé tem seu assento.

Tradução de José Bento

A vingan√ßa geralmente atinge dois objetivos: ou traz consolo a quem sofreu a inj√ļria, ou lhe traz seguran√ßa para o futuro.

Tu tens um nobre ideal em vista: mas ser√°s tu pr√≥prio feito de uma pedra suficientemente nobre para poder dela tirar a est√°tua do teu deus? E no caso negativo, nada do teu trabalho chegar√° a outro resultado que n√£o seja uma escultura b√°rbara? √Ä inj√ļria do teu ideal?

Deixa o que Seduz a Multid√£o

Se n√≥s nada fizermos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o, tamb√©m nada evitaremos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o. Se quiseres escutar a raz√£o, eis o que ela te dir√°: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multid√£o! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do esp√≠rito, que s√≥ servem para amolecer as energias; deixa a ambi√ß√£o que n√£o passa de uma coisa artificialmente empolada, in√ļtil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, t√£o interessada em n√£o ter superiores como em evitar at√© os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. V√™ como de facto √© infeliz quem, objecto de inveja ele pr√≥prio, tem inveja por outros.
N√£o est√°s a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para l√° entrares, teria de sujeitar-te a in√ļmeras inj√ļrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente √†s escadarias dos ricos senhores, aos seus √°trios suspensos como terra√ßos: se l√° puseres os p√©s ser√° como estares √† beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapi√™ncia,

Continue lendo…

√Č mais glorioso e honrado fugir de uma inj√ļria, calando, que venc√™-la, retrucando

√Č mais glorioso e honrado fugir de uma inj√ļria, calando, que venc√™-la, retrucando.