Passagens sobre Inj√ļria

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Frases sobre inj√ļria, poemas sobre inj√ļria e outras passagens sobre inj√ļria para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Tu tens um nobre ideal em vista: mas ser√°s tu pr√≥prio feito de uma pedra suficientemente nobre para poder dela tirar a est√°tua do teu deus? E no caso negativo, nada do teu trabalho chegar√° a outro resultado que n√£o seja uma escultura b√°rbara? √Ä inj√ļria do teu ideal?

Deixa o que Seduz a Multid√£o

Se n√≥s nada fizermos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o, tamb√©m nada evitaremos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o. Se quiseres escutar a raz√£o, eis o que ela te dir√°: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multid√£o! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do esp√≠rito, que s√≥ servem para amolecer as energias; deixa a ambi√ß√£o que n√£o passa de uma coisa artificialmente empolada, in√ļtil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, t√£o interessada em n√£o ter superiores como em evitar at√© os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. V√™ como de facto √© infeliz quem, objecto de inveja ele pr√≥prio, tem inveja por outros.
N√£o est√°s a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para l√° entrares, teria de sujeitar-te a in√ļmeras inj√ļrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente √†s escadarias dos ricos senhores, aos seus √°trios suspensos como terra√ßos: se l√° puseres os p√©s ser√° como estares √† beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapi√™ncia,

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√Č mais glorioso e honrado fugir de uma inj√ļria, calando, que venc√™-la, retrucando

√Č mais glorioso e honrado fugir de uma inj√ļria, calando, que venc√™-la, retrucando.

Arvore, Cujo Pomo, Belo E Brando

Arvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos v√£o, o teu inj√ļria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que est√° teu fruto debuxando;

que, pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,

se n√£o te celebrar como mereces,
cantando te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.

A paci√™ncia faz contra as ofensas o mesmo que as roupas fazem contra o frio; pois, se vestires mais roupas conforme o inverno aumenta, tal frio n√£o te poder√° afectar. De modo semelhante, a paci√™ncia deve crescer em rela√ß√£o √†s grandes ofensas; tais inj√ļrias n√£o poder√£o afectar a tua mente.

Os homens envergonham-se n√£o das inj√ļrias que cometem, mas daquelas que recebem . Por√©m, para fazer com que os ofensores se envergonhem, n√£o h√° outro caminho sen√£o o de devolver-lhes a ofensa.

Contemplo o mundo h√° quatro vezes sete anos, e desde que me tornei capaz de distinguir uma inj√ļria de um benef√≠cio, nunca encontrei um homem que soubesse como se amar a si pr√≥prio.

O Le√£o e o Porco

O rei dos animais, o rugidor le√£o,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empreg√°-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignor√Ęncia, o desmazelo, a inc√ļria,
Soltavam contra ele inj√ļria sobre inj√ļria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
¬ęOra o que o ber√ßo d√°, somente a cova o tira!¬Ľ
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
N√£o h√° poder algum que mude a natureza:
Um porco h√°-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

Dem√īnios

A l√≠ngua vil, ign√≠voma, purp√ļrea
Dos pecados mortais bava e braveja,
Com os seres impoluídos mercadeja,
Mordendo-os fundo inj√ļria por inj√ļria.

√Č um grito infernal de atroz lux√ļria,
Dor de danados, dor do Caos que almeja
A toda alma serena que viceja,
S√≥ f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria!

S√£o pecados mortais feitos hirsutos
Dem√īnios maus que os venenosos frutos
Morderam com vol√ļpia de quem ama…

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,
An√Ķes da Dor torcida e cancerosa,
Abortos de almas a sangrar na lama!

O Domínio da Ira

Querer extinguir inteiramente a cólera é pretensão louca dos estóicos. A cólera deve ser limitada e confinada, tanto na extensão como no tempo. Diremos em primeiro lugar como a inclinação natural e o hábito adquirido para se encolerizar podem ser temperados e acalmados. Diremos, em segundo lugar, como os movimentos particulares da cólera podem ser reprimidos, ou pelo menos refreados, para que não façam mal. Diremos, em terceiro lugar, como suscitar ou apaziguar a cólera nas outras pessoas.
Quanto ao primeiro ponto. N√£o h√° outro caminho sen√£o o de meditar e ruminar muito bem os efeitos da c√≥lera, de ver quanto ela perturba a vida humana. E a melhor ocasi√£o de fazer isso, ser√° depois de o acesso ter passado, reflectindo sobre as desvantagens da c√≥lera. S√©neca disse muito bem que ¬ęa c√≥lera √© como uma ru√≠na que se quebra contra o que derruba¬Ľ. (…) Deve o homem cuidar de temperar a c√≥lera mais pelo desd√©m do que pelo temor, para que assim possa estar acima da inj√ļria e n√£o abaixo dela: o que ser√° coisa f√°cil, para quem quiser obedecer a esta lei.
Quanto ao segundo ponto. Há três causas e motivos principais da cólera. Primeiro, ser demasiado sensível ao toque,

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Considera√ß√Ķes sobre a Vingan√ßa

A vingan√ßa √© uma esp√©cie de justi√ßa b√°rbara, de tal maneira que quanto mais a natureza humana se inclinar para ela, tanto mais a deve a lei extermin√°-la. Porque a primeira inj√ļria n√£o faz mais que ofender a lei, ao passo que a vingan√ßa da inj√ļria p√Ķe a lei fora do seu of√≠cio. De certo, ao exercer a vingan√ßa, o homem iguala-se ao inimigo; mas, passando sobre ela, √©-lhe superior; porque √© pr√≥prio do pr√≠ncipe perdoar. E tenho a certeza que Salom√£o disse: ¬ę√Č glorioso para um homem desdenhar uma ofensa¬Ľ. O que passou, passou, e √© irrevog√°vel; os homens prudentes j√° t√™m bastante que fazer com as coisas presentes e vindouras; n√£o devem, portanto, preocupar-se com bagatelas como o trabalhar em coisas pret√©ritas.
Não há homem que faça o mal pelo mal, mas apenas na perseguição do lucro, do prazer ou da honra, etc. Porque hei-de ficar ressentido com alguém, apenas pela razão de que ele mais ama a si próprio do que a mim? E se alguém me fez mal, apenas por pura maldade, então, esse é unicamente como a roseira e o cardo que picam e arranham apenas porque não podem de outra forma proceder. A espécie mais tolerável de vingança ainda é aquela que vai contra ofensas que na lei não encontram remédio;

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