Passagens sobre Luxo

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Frases sobre luxo, poemas sobre luxo e outras passagens sobre luxo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Uma Vida Exterior Simples e Modesta Só Pode Fazer Bem

Uma vida exterior simples e modesta s√≥ pode fazer bem, tanto ao corpo como ao esp√≠rito. N√£o creio de modo algum na liberdade do ser humano, no sentido filos√≥fico. Cada um age n√£o s√≥ sob press√£o exterior como tamb√©m de acordo com a sua necessidade interior. O pensamento de Schopenhauer: ¬ęO homem pode, na verdade, fazer o que quiser, mas n√£o pode querer o que quer¬Ľ, impressionou-me vivamente desde a juventude e tem sido para mim um consolo constante e uma fonte inesgot√°vel de toler√Ęncia. Esse conhecimento suaviza ben√©ficamente o sentimento de responsabilidade levemente inibit√≥rio e faz com que n√£o tomemos demasiado a s√©rio, para n√≥s e para os outros, uma concep√ß√£o de vida que justifica de modo especial a exist√™ncia do humor.
Do ponto de vista objectivo, pareceu-me sempre desprovido de senso querer-se indagar sobre o sentido ou a finalidade da própria existência ou da existência da criação. E, no entanto, cada homem tem certos ideais, que o orientam nos seus esforços e juízos. Neste sentido o bem-estar e a felicidade nunca me pareceram um fim em si (chamo a esta base ética o ideal da vara de porcos). Os ideais que me iluminavam e me encheram incessantemente de alegre coragem de viver foram sempre a bondade,

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A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas Рescrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.

Celeste

Aos cora√ß√Ķes ideais

Lembra-me ainda — ao lado de um repuxo,
Pela brancura de um luar de agosto,
O teu maninho, um loiro pequerrucho
Brincava, rindo, te afagando o rosto…

Lembra-me ainda — as sombras do sol posto,
Numa saleta sem bras√Ķes de luxo,
De alguns bordados de fineza e gosto
Delineavas o gentil debuxo…

E o g√°s que forte e cintilante ardia,
Te iluminava, te alagava… ria…
Da luz ficavas no imponente abrigo.

E agora… deixa que ao cair da noite,
Esta lembrança dentro de mim se acoite,
Como a andorinha no telhado amigo!

Quanto mais precisas para viver, mais tens de trabalhar e menos tempo tens para ti. O maior dos luxos é o tempo. O tempo é o meu maior património.

√Äs vezes ocorria-lhe aquele poema de Pessoa em que um homem se punha √† janela da sua meninice apenas para descobrir que nem ele era j√° o mesmo homem, nem a janela a mesma janela. A inf√Ęncia, dizia a si pr√≥prio, havia-se tornado um bem de demasiado valor. N√£o podia dar-se ao luxo de concluir que tamb√©m ela era mentira.

O Amor é um Exagerador

As coisas boas, como o amor e a sabedoria, n√£o trazem a felicidade pela simples raz√£o que as coisas boas t√™m, para ser boas, de ser ¬ęboas por si mesmas¬Ľ. N√£o podem ser boas por aquilo que trazem. Pelo contr√°rio, t√™m um pre√ßo. O mais das vezes, o pre√ßo do amor e da sabedoria, ambos artigos finos, artigos de luxo, coisas boas, √© a infelicidade. Quando se ama, ou quando se estuda muito, fica-se sujeito √†s vontades e √†s verdades mais alheias. Nada depende quase nada de n√≥s. E sofre-se. Irritam as pessoas que esperam que o amor traga a felicidade. √Č como esperar que os morangos tragam as natas. O amor n√£o √© um meio para atingir um fim ‚ÄĒ n√£o √© atrav√©s do amor que se chega √† felicidade. O amor √© um exagerador ‚ÄĒ exagera os √™xtases e as agonias, torna tudo o que n√£o lhe diz respeito (o mundo inteiro) numa coisa pequenina. Assim como a arte tem de ser pela arte e a ci√™ncia pela ci√™ncia (seria um horror ouvir algu√©m dizer ¬ęEu quero ser pintor ou bi√≥logo para ganhar muito dinheiro e ir a muitas festas e ter duas carrinhas Volvo com galgos do Afeganist√£o l√° dentro¬Ľ),

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A liberdade n√£o √© um luxo dos tempos de bonan√ßa; √©, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das institui√ß√Ķes.

J√° que ela n√£o era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada tivesse perdido. Ela n√£o sentiu desespero. Tamb√©m o que √© que ela podia fazer? Pois ela era cr√īnica. Tristeza era luxo.

Todos querem mais do que podem, nenhum se contenta com o necessário, todos aspiram ao supérfluo, e isto é o que se chama luxo.

A Pris√£o Dourada

Tenta fazer esta experi√™ncia, construindo um pal√°cio. Equipa-o com m√°rmore, quadros, ouro, p√°ssaros do para√≠so, jardins suspensos, todo o tipo de coisas… e entra l√° para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair da√≠. Talvez, de facto, nunca mais saisses de l√°. Est√° l√° tudo! “Estou muito bem aqui sozinho!”. Mas, de repente – uma ninharia! O teu castelo √© rodeado por muros, e √©-te dito: ‘Tudo isto √© teu! Desfruta-o! Apenas n√£o podes sair daqui!”. Ent√£o, acredita-me, nesse mesmo instante querer√°s deixar esse teu para√≠so e pular por cima do muro. Mais! Tudo esse luxo, toda essa plenitude, aumentar√° o teu sofrimento. Sentir-te-√°s insultado como resultado de todo esse luxo… Sim, apenas uma coisa te falta… um pouco de liberdade.

Supreender-se é Começar a Entender

Surpreender-se, estranhar, √© come√ßar a entender. √Č o desporto e o luxo espec√≠fico do intelectual. Por isso o seu gesto gremial consiste em olhar o mundo com os olhos dilatados pela estranheza. Tudo no mundo √© estranho e √© maravilhoso para um par de pupilas bem abertas.

Miser√°veis Macabros

√Č que n√£o foram t√£o poucas como isso as vezes que vi a piedade enganar-se. N√≥s, que governamos os homens, aprendemos a sondar-lhes os cora√ß√Ķes, para s√≥ ao objecto digno de estima dispensarmos a nossa solicitude. Mais n√£o fa√ßo do que negar essa piedade √†s feridas de exibi√ß√£o que comovem o cora√ß√£o das mulheres. Assim como tamb√©m a nego aos moribundos, e al√©m disso aos mortos. E sei bem porqu√™.
Houve uma altura da minha mocidade em que senti piedade pelos mendigos e pelas suas √ļlceras. At√© chegava a apalavrar curandeiros e a comprar b√°lsamos por causa deles. As caravanas traziam-me de uma ilha long√≠nqua unguentos derivados do ouro, que t√™m a virtude de voltar a compor a pele ao cimo da carne. Procedi assim at√© descobrir que eles tinham como artigo de luxo aquele insuport√°vel fedor. Surpreendi-os a co√ßar e a regar com bosta aquelas p√ļstulas, como quem estruma uma terra para dela extrair a flor cor de p√ļrpura. Mostravam orgulhosamente uns aos outros a sua podrid√£o e gabavam-se das esmolas recebidas.
Aquele que mais ganhara comparava-se a si pr√≥prio ao sumo sacerdote que exp√Ķe o √≠dolo mais prendado. Se consentiam em consultar o meu m√©dico, era na esperan√ßa de que o cancro deles o surpreendesse pela pestil√™ncia e pelas propor√ß√Ķes.

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A Auto-Destruição da Justiça

√Ä medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta d√° menos import√Ęncia √†s faltas dos seus membros, porque j√° lhes n√£o parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor j√° n√£o est√° reduzido ao estado de guerra, n√£o pode nele cevar-se a c√≥lera geral; mais ainda: defendem-no contra essa c√≥lera.
O aplacar a c√≥lera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar dist√ļrbios, e procurar equival√™ncias para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infrac√ß√£o como expi√°vel e isolar portanto o ulterior desenvolvimento do direito penal. √Ä medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consci√™ncia individual, vai-se suavizando o direito penal, e, pelo contr√°rio, enquanto se manifesta uma fraqueza ou um grande perigo, reaparecem a seguir os mais rigorosos castigos.

Isto √©, o credor humanizou-se conforme se foi enriquecendo; como que no fim, a sua riqueza mede-se pelo n√ļmero de preju√≠zos que pode suportar. E at√© se concebe uma sociedade com tal consci√™ncia do seu poderio, que se permite o luxo de deixar impunes os que a ofendem. ¬ęQue me importam a mim esses parasitas? Que vivam e que prosperem; eu sou forte bastante para me inquietar por causa deles…¬Ľ A justi√ßa,

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