Passagens sobre Misericórdia

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Deixemos que o convite de Isa√≠as – ¬ęConsolai, consolai o meu povo¬Ľ – ressoe no nosso cora√ß√£o. Hoje s√£o precisas pessoas que sejam testemunhos da miseric√≥rdia e da ternura do Senhor. A mensagem de Isa√≠as √© um b√°lsamo para as nossas feridas e um est√≠mulo a prepararmos com empenho a via do Senhor.

Ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus. A Igreja é a casa que aceita todos e não rejeita ninguém.

A misericórdia pode sarar as feridas e pode mudar a história. Abre o teu coração à misericórdia! A misericórdia divina é mais forte do que qualquer pecado dos homens.

Uma das consequ√™ncias do chamado ¬ębem-estar¬Ľ √© a de conduzir as pessoas a fecharem-se em si mesmas, tornando-as insens√≠veis √†s exig√™ncias dos outros. A realidade deve ser enfrentada com aquilo que √©, e muitas vezes faz-nos encontrar situa√ß√Ķes de necessidade urgente. √Č por isto que entre as obras de miseric√≥rdia se encontra a refer√™ncia √† fome e √† sede: dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

O perd√£o e a miseric√≥rdia n√£o t√™m muito espa√ßo no mundo que vimos construindo, na vida de todos os dias, nas rela√ß√Ķes entre pessoas, entre fam√≠lias, entre comunidades e povos diferentes. O Cristo da Cruz mostra-nos o cume humano do perd√£o: ¬ęPai, perdoa-lhes, porque n√£o sabem o que fazem¬Ľ (Lucas 23:34).

Se a Ciência é Vida, Sábio é só o Néscio

Pesa o decreto atroz do fim certeiro.
Pesa a sentença igual do juiz ignoto
Em cada cerviz n√©scia. √Č entrudo e riem.
Felizes, porque neles pensa e sente
A vida, que n√£o eles!

Se a ciência é vida, sábio é só o néscio.
Quão pouca diferença a mente interna
Do homem da dos brutos! Sus! Deixai
Brincar os moribundos!

De rosas, inda que de falsas teçam
Capelas veras. Breve e vão é o tempo
Que lhes é dado, e por misericórdia
Breve nem v√£o sentido.

Saudades Trágico-Marítimas

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
Na praia, de bruços,
fico sonhando, fico-me escutando
o que em mim sonha e lembra e chora alguém;
e oiço nesta alma minha
um longínquo rumor de ladainha,
e soluços,
de al√©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

São meus Avós rezando,
que andaram navegando e que se foram,
olhando todos os céus;
s√£o eles que em mim choram
seu fundo e longo adeus,
e rezam na √Ęnsia crua dos naufr√°gios;
choram de longe em mim, e eu oiço-os bem,
choram ao longe em mim sinas, press√°gios,
de al√©m, de al√©m…

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

Naufraguei cem vezes j√°…
Uma, foi na nau S. Bento,
e vi morrer, no tr√°gico tormento,
Dona Leonor de S√°:
vi-a nua, na praia √°spera e feia,
com os olhos implorando
– olhos de esposa e m√£e –
e vi-a, seus cabelos desatando,
cavar a sua cova e enterrar-se na areia.
– E sozinho me fui pela praia al√©m…

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Levantei-me. O tiro de misericórdia. Porque estou cansada de me defender. Sou inocente. Até ingênua porque me entrego sem garantias.

√Čs Feliz?

Só há uma forma de seres feliz: tens de fazer por isso.

√Čs feliz? Queres ser? Fazes alguma coisa por isso?

Se fores, maravilha, transportas a bel√≠ssima responsabilidade de inspirar os outros a s√™-lo tamb√©m. Se ainda n√£o √©s, mas queres s√™-lo, o que tens feito por isso? Andas a respeitar-te mais vezes? A lutar pela viv√™ncia das tuas vontades? Andas mais perto da natureza? J√° consegues dizer mais vezes aquilo que sentes e aquilo que pensas? J√° n√£o p√Ķes sempre os outros √† tua frente? Come√ßaste a cuidar do teu corpo e da tua alimenta√ß√£o? Reduziste os v√≠cios? Se sim, fant√°stico. Parab√©ns! Gosto muito de pessoas felizes, mas a minha admira√ß√£o vai toda para aqueles que, n√£o o sendo ainda, lutam todos os dias para o ser, pela autodescoberta que os far√° refer√™ncia na vida de todos aqueles que os rodeiam. Agora, e por outro lado, se n√£o tens andado a fazer nada disto nem nada semelhante, mais vale assumires que, afinal, ser feliz n√£o √© uma vontade tua. E est√° tudo bem na mesma. Apenas te pe√ßo, em nome da comunidade dos seres humanos que querem viver e desfrutar desta am√°vel oportunidade que nos foi dada de aqui estar,

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Se, por vezes, o juiz deixar vergar a vara da justiça, que não seja sob o peso das ofertas, mas sob o da misericórdia.

A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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Caminharemos de Olhos Deslumbrados

Caminharemos de olhos deslumbrados
E braços estendidos
E nos l√°bios incertos levaremos
O gosto a sol e a sangue dos sentidos.

Onde estivermos, h√°-de estar o vento
Cortado de perfumes e gemidos.
Onde vivermos, h√°-de ser o templo
Dos nossos jovens dentes devorando
Os frutos proibidos.

No ritual do ver√£o descobriremos
O segredo dos deuses interditos
E marcados na testa exaltaremos
Estátuas de heróis castrados e malditos.

√ď deus do sangue! deus de miseric√≥rdia!
√ď deus das virgens loucas
Dos amantes com cio,
Imp√Ķe-nos sobre o ventre as tuas m√£os de rosas,
Unge os nossos cabelos com o teu desvario!

Desce-nos sobre o corpo como um falus irado,
Fustiga-nos os membros como um l√°tego doido,
Numa chuva de fogo torna-nos sagrados,
Imola-nos os sexos a um arcanjo loiro.

Persegue-nos, estonteia-nos, degola-nos, castiga-nos,
Arranca-nos os olhos, violenta-nos as bocas,
Atapeta de flores a estrada que seguimos
E carrega de aromas a brisa que nos toca.

Nus e ensanguentados dançaremos a glória
Dos nossos esponsais eternos com o estio
E coroados de apupos teremos a vitória
De nos rirmos do mundo num leito vazio.

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Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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Pedra de Canto

Ainda ter√°s alento e pedra de canto,
Mito de Pégaso, patada de sangue da mentira,
Para cantar em sílabas ásperas o canto,
De rima em -anto, o pranto,
O amor, o apego, o sossego, a rima interna
Das almas calmas, isto e aquilo, o canto
Do pranto em pedra aparelhada a corpo e escopro,
O estupro de outrora, a triste vida dela, o canto,
Buraco onde te metes, duplamente: com falo,
Falas, f√°-la chorar e ganir, com falo o canto
No buraco de grilo onde anoiteces,
No buraco de falso eremita onde conheces
Teu nada, o dela, o buraco dela, o canto
De pedra, sim, canteiro por cantares e aparelhares
Com ela em rua e cama o falo f√°-la cheia,
Canteiro porque o falo a julga flores, o canto
√Āspero do canteiro de pedra e s√©men que tu √©s
(No buraco do falo falaste),
Tu, falaz√£o de amor, que a amas e conheces.
Amas a quem? Conheces quem? Pobre Hipocrene,
Apolo de pataco, Cam√Ķes binocular, poeta de merda,

Embora isso em sangue dessa pobre alma em ferida:
A dela,

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Mudar √© t√£o precioso como respirar e se n√£o o fizermos livremente, a vida encarregar-se-√° de o fazer por n√≥s, mas de uma forma mais violenta e sem miseric√≥rdia. √Č o pre√ßo a pagar por nos deixarmos morrer por dentro e desfalecer tudo o que est√° √† nossa volta h√° tanto tempo.

Salve! Rainha!

√ď sempre virgem Maria, concebida
sem pecado original, desde o
primeiro instante do teu ser…

Mãe de Misericórdia, sem pecado
Original, desde o primeiro instante!
Salve! Rainha da Mans√£o radiante,
Virgem do Firmamento constelado…

Teu coração de espadas lacerado,
Sangrando sangue e fel martirizante,
Escute a minha Dor, a torturante,
A Dor do meu soluço eternizado.

A minha Dor, a minha Dor suprema,
A Dor estranha que me prende, algema
Neste Vale de l√°grimas profundo…

Salve! Rainha! por quem brado e clamo
E brado e brado e com ang√ļstia chamo,
Chamo, atrav√©s das convuls√Ķes do mundo!…