Cita√ß√Ķes sobre Modernidade

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O Cidad√£o L√ļcido em Vez do Consumidor Irracional

J√° se sabe que n√£o somos um povo alegre (um franc√™s aproveitador de rimas f√°ceis √© que inventou aquela de que ¬ęles portugais sont toujours gais¬Ľ), mas a tristeza de agora, a que o Cam√Ķes, para n√£o ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente ¬ęapagada e vil¬Ľ, √© a de quem se v√™ sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as apar√™ncias dela ser√£o pagas bem caras num futuro que n√£o vem longe. E as alternativas, onde est√£o, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo n√£o serem previs√≠veis, t√£o cedo, alternativas nacionais pr√≥prias (torno a dizer: nacionais, n√£o nacionalistas), e que da crise profunda, crise econ√≥mica, mas tamb√©m crise √©tica, em que patinhamos, √© que poder√£o, talvez ‚ÄĒ contentemo-nos com um talvez ‚ÄĒ, vir a nascer as necess√°rias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem pr√©via defini√ß√£o condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidad√£o, um cidad√£o enfim l√ļcido e respons√°vel, no lugar que hoje est√° ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.

A natureza especializada da capacidade moderna contribuí diretamente para o caráter errático e descontrolado da modernidade.

O Provincianismo Português (I)

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza√ß√£o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela ‚ÄĒ em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina√ß√£o inconsciente e feliz. O s√≠ndroma provinciano compreende, pelo menos, tr√™s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira√ß√£o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira√ß√£o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se h√° caracter√≠stico que imediatamente distinga o provinciano, √© a admira√ß√£o pelos grandes meios. Um parisiense n√£o admira Paris; gosta de Paris. Como h√°-de admirar aquilo que √© parte dele? Ningu√©m se admira a si mesmo, salvo um paran√≥ico com o del√≠rio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a M√°rio de S√°-Carneiro: “V. √© europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. √© v√≠tima da educa√ß√£o portuguesa. V. admira Paris,

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Em nenhum outro pa√≠s os ricos demonstraram mais ostenta√ß√£o que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos s√£o pobres. S√£o pobres porque compram sofisticados autom√≥veis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos √īnibus de sub√ļrbio.

A modernidade não é uma porta apenas feita pelos outros. Nós somos também carpinteiros dessa construção e só nos interessa entrar numa modernidade de que sejamos também construtores.

Esta obra √©, na ess√™ncia, uma cr√≠tica √† modernidade ‚Äď n√£o exclu√≠das as ci√™ncias modernas, as artes modernas, e at√© a pol√≠tica moderna -, dando tamb√©m indica√ß√Ķes acerca de um tipo oposto, bem mais que moderno, um tipo nobre, afirmativo.