Passagens sobre Montes

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Ao Longo da Escrita deste Livro

No ano passado, em outubro, talvez a 27, sei que foi a uma ter√ßa-feira, a minha m√£e incentivou-me a dar um passeio. H√° muito que desistiu de me dissuadir dos livros, tanto l√™s que tresl√™s, mas mant√©m o h√°bito de, cuidadosa, depois de bater √† porta com pouca for√ßa, entrar no meu quarto e perguntar: n√£o te apetece dar um passeio? Na maioria das vezes, n√£o tenho disposi√ß√£o para lhe responder mas, nessa tarde, estava a meio de um cap√≠tulo altru√≠sta e decidi fazer-lhe a vontade. O volante do carro, as minhas m√£os a sentirem todas as pedras quase como se estivesse a desliz√°-las na estrada. Estacionei no campo, a pouca dist√Ęncia de um grupo de homens e mulheres, botas de borracha, que estavam a apanhar azeitona. Espalhavam uma gritaria animada que n√£o se alterou quando sa√≠ do carro e me aproximei, boa tarde. Uma vantagem do meu nome √© que dispenso alcunha. Olha o Livro, boa tarde. O sol estava a p√īr-se. Troquei gra√ßas, enquanto dois homens recolheram os pan√Ķes carregados debaixo da √ļltima oliveira e os levaram √†s costas.
N√£o esque√ßo o que vi a seguir. As mulheres dobraram os pan√Ķes vazios e dispuseram-nos na terra, em forma de corredor.

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Parto-me desses Olhos Graciosos

Bem pode, Sílvia minha, qualquer serra
tirar a estes meus olhos sua glória,
qualquer monte terá de mim vitória,
qualquer pequeno espaço, enfim, de terra.

Mas contra um pensamento fazem guerra,
que traz em si pintada vossa história,
e quanto mais contrastes, mais memória
conserva um coração que vos encerra.

Parto-me desses olhos graciosos,
mas por eles vos juro, que mudança
se n√£o veja nos meus eternamente,

Que a m√°goa de os ver ficar chorosos
estímulo será para a lembrança
de quem se vê de vós viver ausente.

Feliz Dia para Quem √Č

Feliz dia para quem é
O igual do dia,
E no exterior azul que vê
Simples confia!

Azul do céu faz pena a quem
N√£o pode ser
Na alma um azul do céu também
Com que viver

Ah, e se o verde com que est√£o
Os montes quedos
Pudesse haver no coração
E em seus segredos!

Mas vejo quem devia estar
Igual do dia
Insciente e sem querer passar.
Ah, a ironia

De só sentir a terra e o céu
T√£o belo ser
Quem de si sente que perdeu
A alma p’ra os ter!

Aquele Claro Sol

Aquele claro sol, que me mostrava
o caminho do céu mais chão, mais certo,
e com seu novo raio, ao longe, e ao perto,
toda a sombra mortal m’afugentava,

deixou a pris√£o triste, em que c√° estava.
Eu fiquei cego, e s√≥, c’o passo incerto,
perdido peregrino no deserto
a que faltou a guia que o levava.

Assi c’o esprito triste, o ju√≠zo escuro,
suas santas pisadas vou buscando
por vales, e por campos, e por montes.

Em toda parte a vejo, e a figuro.
Ela me toma a m√£o e vai guiando,
e meus olhos a seguem, feitos fontes.

De Onde é quase o Horizonte

De onde é quase o horizonte
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que p√°ra na dianteira.

E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios,
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.

Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? N√£o acredito.
A crença? Não sei viver.

As Dez Palavras come√ßam assim: ¬ęEu sou o Senhor teu Deus que te fez sair da terra do Egito, da condi√ß√£o servil¬Ľ (√äxodo 20:2). Porqu√™ esta proclama√ß√£o que Deus faz de Si e da liberta√ß√£o? Porque s√≥ se chega ao monte Sinai depois de haver atravessado o mar Vermelho: o Deus de Israel primeiro salva, depois pede confian√ßa. O Dec√°logo come√ßa pela generosidade de Deus. Deus nunca pede sem primeiro dar. Primeiro salva, primeiro d√°, depois pede.

XVII

Deixa, que por um pouco aquele monte
Escute a glória, que a meu peito assiste:
Porque nem sempre lastimoso, e triste
Hei de chorar à margem desta fonte.

Agora, que nem sombra h√° no horizonte,
Nem o álamo ao zéfiro resiste,
Aquela hora ditosa, em que me viste
Na posse de meu bem, deixa, que conte.

Mas que modo, que acento, que harmonia
Bastante pode ser, gentil pastora,
Para explicar afetos de alegria!

Que hei de dizer, se esta alma, que te adora,
Só costumada às vozes da agonia,
A frase do prazer ainda ignora!

√Ä solid√£o n√£o se op√Ķe a multid√£o, mas o amor. Aquilo de que algu√©m abandonado est√° √† procura √© de algu√©m pr√≥ximo, n√£o do aplauso de um monte de gente.

A m√ļsica em si vai-se tornar em algo como √°gua corrente ou electricidade. Assim, sendo, aproveita estes √ļltimos anos porque nada disto vai alguma vez acontecer de novo. √Č melhor estares preparado para fazeres um monte de digress√Ķes porque √© realmente a √ļnica situa√ß√£o que se vai manter.

Canção do Mar Aberto

Onde puseram teus olhos
A m√°goa do teu olhar?
Na curva larga dos montes
Ou na planura do mar?

De dia vivi este anseio;
De noite vem o luar,
Deixa uma estrada de prata
Aberta para eu passar.

Caminho por sobre as ondas
N√£o paro de caminhar.
O longe é sempre mais longe…
Ai de mim se me cansar!…

Morre o meu sonho comigo,
Sem te poder encontrar

Somente em Ser Mud√°vel Tem Firmeza

Todo animal da calma repousava,
Só Liso o ardor dela não sentia;
Que o repouso do fogo, em que ele ardia,
Consistia na Ninfa que buscava.

Os montes parecia que abalava
O triste som das m√°goas que dizia:
Mas nada o duro peito comovia,
Que na vontade de outro posto estava.

Cansado j√° de andar pela espessura,
No tronco de uma faia, por lembrança
Escreve estas palavras de tristeza:

Nunca ponha ninguém sua esperança
Em peito feminil, que de natura
Somente em ser mud√°vel tem firmeza.

Você pode conseguir muito na vida, se estiver preparado para desistir de um monte de coisas.

Alvorecer

A noite empalidece. Alvorecer…
Ouve-se mais o gargalhar da fonte…
Sobre a cidade muda, o horizonte
√Č uma orqu√≠dea estranha a florescer.

H√° andorinhas prontas a dizer
A missa d’alva, mal o sol desponte.
Gritos de galos soam monte em monte
Numa intensa alegria de viver.

Passos ao longe… um vulto que se esvai…
Em cada sombra Colombina trai…
Anda o sil√™ncio em volta a q’rer falar…

E o luar que desmaia, macerado,
Lembra, p√°lido, tonto, esfarrapado,
Um Pierrot, todo branco, a solu√ßar…

O Natal de Minha M√£e

A abstracção não precisa de mãe nem pai
nem t√£o pouco de t√£o tolo infante

mas o natal de minha mãe é ainda o meu natal
com restos de Beira Alta

ano após ano via surgir figura nova nesse
pres√©pio de vaca burro banda de m√ļsica

ribeiro com patos farrapos de algod√£o muito
musgo percorrido por ovelhas e pastores

multid√£o de gente judaizante estremenha pela
m√£o de meu pai descendo de montes contando

moedas azenhas movendo √°gua levada pela estrela
de Belém

um galo bate as asas um frade est√° de acordo
com a nossa circuncis√£o galinhas debicam milho

de mistura com um porco a que minha avó juntava
sempre um gato para dar sorte era preto

assim íamos todos naquela figuração animada
até ao dia de Reis aí estão

um de joelhos outro em pé
e o rei preto vinha sentado no

camelo. Era o mais bonito.
depois eram filhoses o acordar de prenda no

sapato tudo t√£o real como o abrir das lojas no dia
de feira

e eu ia ao Sanguinhal visitar a minha prima que
tinha um cavalo debaixo do quarto

subindo de vales descendo de montes
acompanhando a banda do carvalhal com ferrinhos

e roucas trompas o meu Natal é ainda o Natal de
minha m√£e com uns restos de canela e Beira Alta.

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O Maior Triunfo do Homem

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade Рo ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se Рsubmeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

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Na Bíblia, a montanha representa o lugar da proximidade com Deus e do encontro íntimo com Ele; o lugar da oração, onde sentir a presença do Senhor. Lá em cima, no monte, Jesus mostra-Se aos três discípulos, transfigurado, luminoso, belíssimo.

III

Pastores, que levais ao monte o gado,
Vêde lá como andais por essa serra;
Que para dar cont√°gio a toda a terra,
Basta ver se o meu rosto magoado:

Eu ando (vós me vêdes) tão pesado;
E a pastora infiel, que me faz guerra,
√Č a mesma, que em seu semblante encerra
A causa de um martírio tão cansado.

Se a quereis conhecer, vinde comigo,
Vereis a formosura, que eu adoro;
Mas n√£o; tanto n√£o sou vosso inimigo:

Deixai, n√£o a vejais; eu vo-lo imploro;
Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,
Chorareis, ó pastores, o que eu choro.

Precisamos de nos retirar para um lugar apartado, de subir ao monte, para um espaço de silêncio, para nos encontrarmos a nós mesmos e ouvir melhor a voz do Senhor.

√Č o que fazemos na ora√ß√£o.