Cita莽玫es sobre N贸doas

17 resultados
Frases sobre n贸doas, poemas sobre n贸doas e outras cita莽玫es sobre n贸doas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita莽玫es em Poetris.

Amizade

Ser-se amigo 茅 ser-se pai
( 鈥 Ou mais do que pai talvez…)
脡 p么r-se a boca onde cai
A n贸doa que nos desfez.

脡 dar sem receber nada,
Consciente da pris茫o,
Onde os nossos passos v茫o
Em linha por n贸s tra莽ada…

脡 saber que nos consome
A sede, e sentirmos bem
O C茅u, por na Terra, algu茅m
Rir, cantar e n茫o ter fome.

脡 aceitar a mentira
E ach谩-la formosa e humana
S贸 porque a gente respira
O ar de quem nos engana.

脡 curioso: sou um isolado que conhece meio mundo, um desclassificado que n茫o tem uma d铆vida, uma n贸doa – que todos consideram, e que entretanto em parte alguma 茅 adimitido…(…) Nos pr贸prios meios onde me tenho embrenhado, n茫o sei por que senti me sempre um estranho…

T茅dio

Ando 脿s vezes bo莽al e sinto-me incapaz
De encontrar uma rima ou produzir um verso;
Fazendo de mim mesmo a ideia de um perverso
Capaz de apunhalar 脿 luz do g谩s.

Incomoda-me a Cor, o sangue do Poente
– Waterloo rubro de que o sol 茅 Bonaparte -;
N茫o compreendo, Mulher, como inda posso amar-te
Se tenho raiva, muita raiva a toda a gente.

鈥楾茅 onde a vista alcan莽a alargo o meu olhar,
E creio quanto existe uma n贸doa escura
Que as l谩grimas do Choro h茫o de jamais lavar…

Estranha concep莽茫o! Abranjo o mundo todo
E em cada estrela vejo a mesma lama impura,
E em cada boca rubra o mesmo impuro lodo!

Anoitecer

Esbraseia o Ocidente na Agonia
O sol… Aves, em bandos destacados,
Por c茅us de ouro e de p煤rpuras raiados,
Fogem… Fecha-se a p谩lpebra do dia…

Delineiam-se, al茅m, da serrania
Os v茅rtices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia…

Um mundo de vapores no ar flutua…
Como uma informe n贸doa, avulta e cresce
A sombra, 谩 propor莽茫o que a luz recua…

A natureza ap谩tica esmaece…
Pouco a pouco, entre as 谩rvores, a lua
Surge tr锚mula, tr锚mula… Anoitece.

Algumas Horas Outras

1

algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes
谩cidos da lou莽a, n茫o ser茫o recordadas, ou quanto mais
as recordarmos, mais a ignor芒ncia deitar谩
os corpos no tapume de vidros, para que em torno
se conciliem as vontades singulares, as
particularidades de um impetuoso alarme.
ou seja: deixar茫o as esplanadas ba莽as, os garfos
encolhidos, para que um amplo destino os atravesse.
considerem, por exemplo, o paquete que ao meio-dia
igere as minuciosas palmeiras sobre a
alta insensatez dos aquedutos. ou ainda
a ilus茫o dos alicates ao lado da 谩gua, e o seu reflexo
do outro lado das vidra莽as: azul, n茫o 茅?
assim estas algumas outras horas: como esquec锚-las?

2

e ainda o sossego das interroga莽玫es n茫o se deixa
facilmente esborratar, ou a qualidade
das tintas, assim no meio do len莽ol,
o impediu at茅 agora. algumas
s茫o as horas do vasto almofad茫o transl煤cido
onde as janelas germinaram, e s茫o
as solenes sardinheiras ardidas
na boca do in铆cio. so莽obrando a m煤sica
produzimos os locais inamov铆veis, as persianas
corridas sobre o papel meticuloso das suas
amenas enseadas.

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Retrato do Povo de Lisboa

脡 da torre mais alta do meu pranto
que eu canto este meu sangue este meu povo.
Dessa torre maior em que apenas sou grande
por me cantar de novo.

Cantar como quem despe a ganga da tristeza
e p玫e a nu a esp谩dua da saudade
chama que nasce e cresce e morre acesa
em plena liberdade.

脡 da voz do meu povo uma crian莽a
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperan莽a
laranja de humildade
amarga lan莽a
at茅 que a voz me doa.

Mas nunca se d贸i s贸 quem a cantar magoa
d贸i-me o Tejo vazio d贸i-me a mis茅ria
apunhalada na garganta.
D贸i-me o sangue vencido a n贸doa negra
punhada no meu canto.

Interroga莽茫o

A Guido Batelli

Neste tormento in煤til, neste empenho
De tornar em sil锚ncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados 脿 garganta
Num clamor de loucura que contenho.

脫 alma de charneca sacrossanta,
Irm茫 da alma r煤tila que eu tenho,
Dize pra onde vou, donde 茅 que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Vis玫es de mundos novos, de infinitos,
Cad锚ncias de solu莽os e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que m茫o 茅 esta que me arrasta?
N贸doa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que 茅 que eu tenho sede e fome?!

脷ltimo Round

O vento que de verde tudo varre
n茫o varre esta floresta onde eu habito.
Espana roxas n贸doas de um esp谩rringue
que sou eu mesmo a rir por esses ringues.

Porradas que me dou? Mero detalhe,
de quem passou a vida sem ter sido
sendo, o sabido s煤dito do an谩rquico.
N茫o fui, n茫o sou, n茫o quero ser do铆do.

O menestrel choroso? Este n茫o vale,
perdeu-se pelos socos de outras divas
em noites desbotadas na paisagem.

Mas ent茫o, o que fica dessa trilha?
ora, amigo, nocautes dessa aragem
varrida nos cruzados descaminhos.

No Amor 茅 a Alma aquilo que Mais nos Toca

As mesmas paix玫es s茫o bastante diferentes nos homens. O mesmo objecto pode-lhes agradar por aspectos opostos; suponho que v谩rios homens podem prender-se a uma mesma mulher; uns a amam pelo seu esp铆rito, outros pela sua virtude, outros pelos seus defeitos, etc. E pode at茅 acontecer que todos a amem por coisas que ela n茫o tem, como quando se ama uma mulher leviana a quem se julga s茅ria. Pouco importa, a gente prende-se 脿 id茅ia que se tem prazer em fazer dela; e 茅 mesmo apenas essa id茅ia que se ama, n茫o 茅 a mulher leviana. Assim, n茫o 茅 o obje颅to das paix玫es que as degrada ou as enobrece, mas a ma颅neira como a gente o encara.
Ora, eu disse que era pos颅s铆vel que se buscasse no amor algo mais puro do que o interesse dos nossos sentidos. Eis o que me faz pensar assim. Vejo todos os dias no mundo que um homem cer颅cado de mulheres com as quais nunca falou, como na missa, no serm茫o, nem sempre se decide pela mais boni颅ta, ou mesmo pela que lhe pare莽a tal. Qual a raz茫o disso? 脡 que cada beleza exprime um car谩cter bem particular, e preferimos aquele que melhor se encaixa no nosso.

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Alegria

De passadas tristezas, desenganos
amarguras colhidas em trinta anos,
de velhas ilus玫es,
de pequenas trai莽玫es
que achei no meu caminho…,
de cada injusto mal, de cada espinho
que me deixou no peito a n贸doa escura

duma nova amargura…
De cada crueldade
que p么s de luto a minha mocidade…
De cada injusta pena
que um dia envenenou e ainda envenena
a minha alma que foi tranquila e forte…
De cada morte
que anda a viver comigo, a minha vida,
de cada cicatriz,
eu fiz
nem tristeza, nem dor, nem nostalgia
mas her贸ica alegria.

Alegria sem causa, alegria animal
que nenhum mal
pode vencer.
Doido prazer
de respirar!
Vol煤pia de encontrar
a terra honesta sob os p茅s descal莽os.

Prazer de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar
honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa de trincar
frutos e de cheirar rosas.

Alegria brutal e primitiva
de estar viva,
feliz ou infeliz
mas bem presa 脿 ra铆z.

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O militarismo 茅 uma esp茅cie de n贸doa nas grandes realiza莽玫es da civiliza莽茫o moderna. Hero铆smo encomendado, viol锚ncia regulamentada, patriotismo arrogante tornam vil e abomin谩vel qualquer guerra de agress茫o. Por minha parte preferia ser fuzilado a tomar parte numa luta desse tipo.

O Sentimento dum Ocidental

I

Av茅-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H谩 tal soturnidade, h谩 tal melancolia,
Que as sombras, o bul铆cio, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O c茅u parece baixo e de neblina,
O g谩s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edif铆cios, com as chamin茅s, e a turba
Toldam-se duma cor mon贸tona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando 脿 via-f茅rrea os que se v茫o. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi莽玫es, pa铆ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica莽玫es somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet茫o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir玫es, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, ent茫o, as cr贸nicas navais:
Mouros, baix茅is, her贸is, tudo ressuscitado!
Luta Cam玫es no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n茫o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

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De Quem 茅 o Olhar

De quem 茅 o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
N茫o os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo ?

脌s vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Por mim pr贸prio mesmo
Em alma mal existo,

Toma um outro sentido
Em mim o Universo 鈥
脡 uma n贸doa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha id茅ia das coisas.

Se acenderem as velas
E n茫o houver apenas
A vaga luz de fora 鈥
N茫o sei que candeeiro
Aceso onde na rua 鈥
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que 茅 minha vida agora!

Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espa莽o misterioso
Entre espa莽os desertos
Cujo sentido 茅 nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.