Cita√ß√Ķes sobre Pancada

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Frases sobre pancada, poemas sobre pancada e outras cita√ß√Ķes sobre pancada para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Memória

A mem√≥ria √© essa claridade fict√≠cia das sobreposi√ß√Ķes que se anulam. O significado √© essa esp√©cie de mapa das interpreta√ß√Ķes que se cruzam como cicatrizes de sucessivas pancadas. Os nossos sentimentos. A intensidade do sentir √© intoler√°vel. Do sentir ao sentido do sentido ao significado: o que resta √© impacto que substitui impacto ‚ÄĒ eis a inven√ß√£o.

Novembro

Quando o esbirro se aborrece, torna-se perigoso.
O céu constrói-se, em chamas.
Sinais de pancadas ouvem-se de cela em cela.
E do solo, coberto de neve, o espaço jorra.
Algumas pedras brilham como luas cheias.

Traducão de Luís Costa

M√°rio

Entre meditabundo e sonolento
Sobre a fofa delícia da almofada
Ele vai perseguindo na jornada
Através do Ottocento e o Novecento

N√£o o tires dali que d√° pancada
Todo o resto prá ele é sofrimento
Vai colhendo da flor do pensamento
Toda a filosofia desejada

Só abandona voluntário o élan
Para o banho de poço da manhã
“Mens sana…” disse Fran√ßois Leblon

E às vezes, Carnaval, diz na folia
E passeia porrado pela orgia
Sob o signo pag√£o do rei Mammon.

O Dinheiro Tem uma Qualidade Detergente

O dinheiro tem, entre outras incont√°veis virtudes, uma qualidade detergente. E m√ļltiplas qualidades nutricionais. Alegra-te os belos olhos, engorda-te as bochechas, permite-te esse modo de ocupares uma poltrona, de pernas bem esticadas e jornal nas m√£os. D√°-te essas m√£os impolutas que emergem dos punhos de algod√£o branco da camisa. J√° n√£o √©s tu quem vagueia √† noite. Podes contratar quem capture, degole e esfole as presas que constituem os ingredientes indispens√°veis do cozido ou da paella dos domingos. Assim se fez sempre nas casas das boas fam√≠lias.

N√£o √© o senhor da casa que desfere o golpe fatal ao coelho, n√£o √© a senhora que crava a faca no pesco√ßo da galinha e a depena, com o pote de barro entre as pernas, cheio de p√£o migado que o sangue h√° de empapar como deve ser, para o rico ensopado. Aos senhores os animais chegam sempre j√° cozinhados, servidos numa bandeja coberta por uma reluzente camp√Ęnula de prata, ou na ca√ßarola, guarnecidos, irreconhec√≠veis de t√£o desfigurados e, por isso mesmo, apetitosos na sua aparente inoc√™ncia. Assim se fez sempre, assim se continua a fazer; n√≥s pr√≥prios adquirimos em poucos anos esse privilegiado estatuto, a ilus√£o de sermos todos senhores: em remotos pavilh√Ķes industriais,

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Os Parceiros

Sonhar é acordar-se para dentro:
de s√ļbito me vejo em pleno sonho
e no jogo em que todo me concentro
mais uma carta sobre a mesa ponho.

Mais outra! √Č o jogo atroz do Tudo ou Nada!
E quase que escurece a chama triste…
E, a cada parada uma pancada,
o coração, exausto, ainda insiste.

Insiste em quê?Ganhar o quê? De quem?
O meu parceiro…eu vejo que ele tem
um riso silencioso a desenhar-se

numa velha caveira carcomida.
Mas eu bem sei que a morte √© seu disfarce…
Como também disfarce é a minha vida!

A Causa da Vontade

A nossa vida n√£o passaria de uma s√©rie de caprichos, se a nossa vontade se determinasse por si mesma e sem motivos. N√£o temos vontade que n√£o seja produzida por alguma reflex√£o ou por alguma paix√£o. Quando levanto a m√£o, √© para fazer uma experi√™ncia com a minha liberdade ou por alguma outra raz√£o. Quando me prop√Ķem um jogo de escolha entre par ou √≠mpar, durante o tempo em que as ideias de um e de outro se sucedem no meu esp√≠rito com rapidez, mescladas de esperan√ßa e temor, se escolho par, √© porque a necessidade de fazer uma escolha se apresenta ao meu pensamento no momento em que par est√° a√≠ presente. Proponha-se o exemplo que se quiser, demonstrarei a qualquer homem de boa-f√© que n√£o temos nenhuma vontade que n√£o seja precedida por algum sentimento ou por algum arrazoado que a faz nascer. √Č verdade que a vontade tem tamb√©m o poder de excitar as nossas ideias; mas √© necess√°rio que ela pr√≥pria seja antes determinada por alguma causa.
A vontade n√£o √© nunca o primeiro princ√≠pio das nossas ac√ß√Ķes, ela √© o seu √ļltimo m√≥bil; √© o ponteiro que marca as horas num rel√≥gio e que o leva a dar as pancadas sonoras.

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O Car√°cter n√£o se Revela no muito Consumir, mas no muito Criar

A primeira regra do car√°cter √© a unidade – ou, nas palavras de Goethe, ¬ęser um todo ou juntar-se a um todo¬Ľ. E a segunda, avan√ßar, nunca recuar. Essas duas regras tra√ßam uma linha de desenvolvimento em ascens√£o, da qual o homem de valor pode desviar-se numa certa medida, n√£o tanto, por√©m, que os desvios enublem a regra. No primeiro grupo de instintos, por exemplo, poder√° ser admitido o da limpeza, embora seja instinto com ra√≠zes no impulso negativo da repugn√Ęncia. ¬ęNa crian√ßa – diz Nietzsche – o senso da limpeza deve ser estimulado vivamente, porque mais tarde florir√° sobre aspectos novos at√© √†s alturas da virtude.¬Ľ O asseio est√° pr√≥ximo da devo√ß√£o; e como √©, se n√£o h√° deuses? Mas n√£o queremos chegar ao ascetismo de um banho frio perp√©tuo, nem que nos tornemos Apolos do cabelo bem penteado, nem v√≠tima das manicuras; e sentiremos sempre uma secreta inveja daquele estadista te√≥logo que n√£o deixava a sua ortodoxia interferir no seu apetite.
A mesma atitude tomaremos em relação à pugnacidade e à sua espora, o orgulho; temos aqui virtudes, não vícios Рque podamos para que se desenvolvam melhor. Nada de impetuosidade briguenta e de presunção; a presunção é o orgulho da vitória apenas imaginária,

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Liberdade e Eternidade

A liberdade que √†s vezes sentia n√£o vinha de reflex√Ķes n√≠tidas, mas de um estado como feito de percep√ß√Ķes por demais org√Ęnicas para serem formuladas em pensamentos. √Äs vezes no fundo da sensa√ß√£o tremulava uma ideia que lhe dava leve consci√™ncia de sua esp√©cie e de sua cor.

O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade. O pr√≥prio pensamento adquiria uma qualidade de eternidade. Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conte√ļdo e uma forma, mas sem dimens√Ķes tamb√©m. A impress√£o de que se conseguisse manter-se na sensa√ß√£o por mais uns instantes teria uma revela√ß√£o ‚ÄĒ facilmente, como enxergar o resto do mundo apenas inclinando-se da terra para o espa√ßo. Eternidade n√£o era s√≥ o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de n√£o poder cont√™-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e tamb√©m era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstracto. Sobretudo dava ideia de eternidade a impossibilidade de saber quantos seres humanos se sucederiam ap√≥s seu corpo, que um dia estaria distante do presente com a velocidade de um b√≥lido.

Definia eternidade e as explica√ß√Ķes nasciam fatais como as pancadas do cora√ß√£o. Delas n√£o mudaria um termo sequer,

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O Poeta Do Hediondo

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah! Certamente eu sou a mais hedionda
Generaliza√ß√£o do Desconforto…

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!

O Lamento Das Coisas

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ou√ßo, em sons subterr√Ęneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!

√Č a dor da For√ßa desaproveitada
РO cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milh√Ķes de mundos,
jazem ainda na est√°tica do Nada!

√Č o solu√ßo da forma ainda imprecisa…
Da transcend√™ncia que se n√£o realiza…
Da luz que n√£o chegou a ser lampejo…

E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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