Passagens sobre Papéis

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Frases sobre pap√©is, poemas sobre pap√©is e outras passagens sobre pap√©is para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A glória não é uma medalha, mas uma moeda: de um lado tem a Figura, do outro uma indicação de valor. Para os valores maiores não há moedas: são de papel, e esse valor é sempre pouco.

O Sexo Como Factor de Génio

O facto de o sexo desempenhar um maior ou menor papel na vida de algu√©m parece relativamente irrelevante. Algumas das maiores realiza√ß√Ķes de que temos not√≠cia foram empreendidas por indiv√≠duos cuja vida sexual foi reduzida ou nula. Em contrapartida, sabemos pela biografia de certos artistas – figuras de primeira grandeza – que as suas obras imponentes nunca teriam sido realizadas se eles n√£o tivessem vivido mergulhados em sexo. No caso de alguns poucos, os per√≠odos de criatividade excepcional coincidiram com per√≠odos de extrema licen√ßa sexual. Nem a abstin√™ncia nem a licen√ßa explicam seja o que for.
No campo do sexo como noutros campos, costumamos referir-nos a uma norma – mas a norma indica apenas o que √© estatisticamente verdade para a grande massa dos homens e das mulheres. Aquilo que pode ser normal, razo√°vel, salutar, para a grande maioria, n√£o nos fornece um crit√©rio de comportamento no caso do indiv√≠duo excepcional. O homem de g√©nio, quer pela sua obra, quer pelo seu exemplo pessoal, parece estar sempre a proclamar a verdade segundo a qual cada um √© a sua pr√≥pria lei, e o caminho para a realiza√ß√£o passa pelo reconhecimento e pela compreens√£o do facto de que todos somos √ļnicos.

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Comparando no seu conjunto homem e mulher pode dizer-se: a mulher n√£o teria engenho para se enfeitar se n√£o tivesse o instinto do papel ¬ęsecund√°rio¬Ľ que desempenha.

A Realidade e o Modo

N√£o basta a subst√Ęncia, requer-se tamb√©m a circunst√Ęncia. Um mau modo tudo estraga, at√© a justi√ßa e a raz√£o. O bom tudo supre; doura o n√£o, ado√ßa a verdade e enfeita at√© a velhice. √Č grande o papel do como nas coisas, e o bom jeito √© o essencial das coisas. O bel portar-se √© a gala do viver, desempe√ßo singular de todo o bom termo.

O Acto de Criação é de Natureza Obscura

O acto de cria√ß√£o √© de natureza obscura; nele √© imposs√≠vel destrin√ßar o que √© da raz√£o e o que √© do instinto, o que √© do mundo e o que √© da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse ¬ępastor do Ser¬Ľ, na t√£o bela express√£o de Heidegger, √©, como nenhum outro homem, nost√°lgico de uma antiga unidade. As mil e uma antinomias, t√£o escolarmente elaboradas, quando n√£o pervertem a primordial fonte do desejo, pecam sempre por cindir a inteireza que √© todo um homem. N√£o h√° vit√≥ria definitiva sem a reconcilia√ß√£o dos contr√°rios. √Č no mar crepuscular e materno da mem√≥ria, onde as √°guas ¬ęsuperiores¬Ľ n√£o foram ainda separadas das ¬ęinferiores¬Ľ, que as imagens do poeta sonham pela primeira vez com a prec√°ria e fugidia luz da terra.
Diante do papel, que ¬ęla blancheur d√©fend¬Ľ, o poeta √© uma longa e s√≥ hesita√ß√£o. Que Ifig√©nia ter√° de sacrificar para que o vento prop√≠cio se levante e as suas naves possam avistar os muros de Tr√≥ia? Que aug√ļrios escuta, que enigmas decifra naquele rumor de sangue em que se debru√ßa cheio de afli√ß√£o? Porque ao princ√≠pio √© o ritmo; um ritmo surdo, espesso, do cora√ß√£o ou do cosmos ‚ÄĒ quem sabe onde um come√ßa e o outro acaba?

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A nossa vida não é como um rascunho, a gente não pode simplesmente amassar o papel e começar tudo novamente.

O poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel.

As crianças de hoje são os líderes de amanhã, e a educação é uma arma muito importante para as preparar para os seus futuros papéis, enquanto líderes da comunidade.

Noiva

Ei-la toda de branco. Aos pés, o imenso véu
como em flocos de espuma, espalhado no ch√£o…
No ar, dentro do olhar, cabe inteirinho um céu,
e leva um c√©u maior dentro do cora√ß√£o…

Nos l√°bios… Ah! nos l√°bios o sabor do mel,
e uma carícia em flor se entreabre em cada mão,
Рe que tremor no braço, ao deixar no papel
o nome dela, o dele… os dois desde ent√£o…

Quem lhe falou da vida ? A vida é um sonho, a vida
é esse caminho azul, esse estranho embaraço
de sentir-se ao seu lado adorada e querida…

Aos seus p√©s, como nuvem branca, o imenso v√©u…
Quem dirá, que ao seguir apoiada ao seu braço
n√£o pensa que caminha em dire√ß√£o ao c√©u ?…

O processo de criação não é transparente. Em determinados momentos qualquer coisa em mim Рum ritmo, um marulhar de sílabas, imagens Рme leva a procurar o papel. De que parte de mim isto vem não sei, é uma necessidade do espírito que subitamente procura tomar expressão.

O advogado pouco vale nos tempos calmos; o seu grande papel é quando precisa arrostar o poder dos déspotas, apresentando perante os tribunais o caráter supremo dos povos livres.

Às Cambalhotas Sempre Anda a Través

Às cambalhotas sempre anda a través
O Mundo, sem poder-se endireitar.
Velho, bêbado e tonto, a cambalear,
Já não pode suster-se sobre os pés.

Tudo nele se vê hoje de invés
Pois seu eixo quebrou, anda a rolar
N√£o h√° homem que o possa consertar:
Só se for, do Arquitecto a mão que o fez.

Tornou-se num pi√£o: qualquer rapaz
O faz dar quatro voltas c’um cordel
E na palma da mão dançar o faz.

O que hoje fez de grande o seu papel,
Amanh√£ representa de Gil Bl√°s
Neste imenso teatro de Babel.

Escrevo como quem Quer Ser Escrito

escrevo como quem quer ser escrito

uma √°rvore ou uma pena no centro da frase
um espelho branco onde observo a palavra

e dos seus troncos brotam folhas, letras
inunda√ß√Ķes de verde no lago azul do c√©u
que caem, voando, asas de papel

como tu, também eu sussurro
lentas sílabas à leve melancolia que nos abraça