Cita√ß√Ķes sobre Particularidade

11 resultados
Frases sobre particularidade, poemas sobre particularidade e outras cita√ß√Ķes sobre particularidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Toda a obra escrita √© a express√£o dum conhecimento limitado. Mas todo o conhecimento limitado est√° aberto a novas particularidades, at√© que se apresente a s√ļbita vontade de n√£o ir mais longe.

Algumas Horas Outras

1

algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes
ácidos da louça, não serão recordadas, ou quanto mais
as recordarmos, mais a ignor√Ęncia deitar√°
os corpos no tapume de vidros, para que em torno
se conciliem as vontades singulares, as
particularidades de um impetuoso alarme.
ou seja: deixarão as esplanadas baças, os garfos
encolhidos, para que um amplo destino os atravesse.
considerem, por exemplo, o paquete que ao meio-dia
igere as minuciosas palmeiras sobre a
alta insensatez dos aquedutos. ou ainda
a ilus√£o dos alicates ao lado da √°gua, e o seu reflexo
do outro lado das vidraças: azul, não é?
assim estas algumas outras horas: como esquecê-las?

2

e ainda o sossego das interroga√ß√Ķes n√£o se deixa
facilmente esborratar, ou a qualidade
das tintas, assim no meio do lençol,
o impediu até agora. algumas
s√£o as horas do vasto almofad√£o transl√ļcido
onde as janelas germinaram, e s√£o
as solenes sardinheiras ardidas
na boca do in√≠cio. so√ßobrando a m√ļsica
produzimos os locais inamovíveis, as persianas
corridas sobre o papel meticuloso das suas
amenas enseadas.

Continue lendo…

O Amor Certo

Penso em tudo o que os homens sentem pelas mulheres que amam e tento dizer o que nos une nesse amor. Fora dos pormenores e das particularidades. Sei que as mulheres que nos amam não nos amam de maneira diferente mas, como nunca se sabe, deixei-as de fora, falando apenas pelo meu género: a malta.

Minha amada querida. O meu pai, logo depois de se ter apaixonado pela minha m√£e, disse-lhe, em pleno namoro (ela uma mulher inglesa casada, com uma filha pequena; ele um solteir√£o portugu√™s): ¬ęSe soubesses quanto eu te amava, destru√≠as-me j√°.¬Ľ E disse a verdade. Era tanto o amor e o ci√ļme que lhe tinha, que fez mal √† mulher que amava, minha m√£e, e mal ao homem que a amava: ele pr√≥prio, meu pai.

O amor é um castigo: é um desespero: é um medo. O amor vai contra todos os nossos instintos de sobrevivência. Instiga-nos a cometer loucuras. Instiga-nos a comprometermo-nos. Obriga-nos a cumprir promessas que não somos capazes de cumprir. Mas cumprimos.

Eu amo-te. E n√£o me custa. √Č um acto de ego√≠smo. Mesmo que tu me odiasses mas te odiasses tanto a ti pr√≥pria que n√£o te importasses de ficar comigo,

Continue lendo…

A Leitura √© a Mais Nobre das Distrac√ß√Ķes

Se o gosto pelos livros aumenta com a intelig√™ncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um esp√≠rito original sabe subordinar a leitura √† actividade pessoal. Ela √© para ele apenas a mais nobre das distra√ß√Ķes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, s√≥ a leitura e o saber conferem ¬ęas boas maneiras¬Ľ do esp√≠rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa intelig√™ncia, s√≥ o podemos desenvolver dentro de n√≥s pr√≥prios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas √© nesse contacto com os outros esp√≠ritos que a leitura √©, que se faz a educa√ß√£o das “maneiras” do esp√≠rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas not√°veis da intelig√™ncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ci√™ncia liter√°ria, ser√° sempre, mesmo num homem de g√©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distin√ß√£o e a nobreza consistem na ordem do pensamento tamb√©m, numa esp√©cie de franco-ma√ßonaria de costumes, e numa heran√ßa de tradi√ß√Ķes.

As feridas morais tem a particularidade de que se escondem, mas não se fecham; sempre dolorosas, sempre prontas a sangrar quando são tocadas, ficam vivas e abertas no coração.

Por um Mundo Escutador

N√£o existe alternativa: a globaliza√ß√£o come√ßou com o primeiro homem. O primeiro homem (se √© que alguma vez existiu ¬ęum primeiro¬Ľ homem) era j√° a humanidade inteira. Essa humanidade produziu infinitas respostas adaptativas. O que podemos fazer, nos dias de hoje, √© responder √† globaliza√ß√£o desumanizante com uma outra globaliza√ß√£o, feita √† nossa maneira e com os nossos prop√≥sitos. N√£o tanto para contrapor. Mas para criar um mundo plural em que todos possam mundializar e ser mundializados. Sem hegemonia, sem domina√ß√£o. Um mundo que escuta as vozes diversas, em que todos s√£o, em simult√Ęneo, centro e periferia.

S√≥ h√° um caminho. Que n√£o √© o da imposi√ß√£o. Mas o da sedu√ß√£o. Os outros necessitam conhecer-nos. Porque at√© aqui ¬ęeles¬Ľ conhecem uma miragem. O nosso retrato – o retrato feito pelos ¬ęoutros¬Ľ – foi produzido pela sedimenta√ß√£o de estere√≥tipos. Pior do que a ignor√Ęncia √© essa presun√ß√£o de saber. O que se globalizou foi, antes de mais, essa ignor√Ęncia disfar√ßada de arrog√Ęncia. N√£o √© o rosto mas a m√°scara que se veicula como retrato.
A questão é, portanto, a de um outro conhecimento. Se os outros nos conhecerem, se escutarem a nossa voz e, sobretudo, se encontrarem nessa descoberta um motivo de prazer,

Continue lendo…

Somos Todos Corruptíveis

A faculdade de se deixar corromper no sentido mais amplo do termo √© uma particularidade da esp√©cie humana em geral; mais ainda, as rela√ß√Ķes entre os homens s√≥ s√£o poss√≠veis porque somos todos corrupt√≠veis em maior ou menor grau. Cada vez que dependemos do amor, da benevol√™ncia, da simpatia ou simplesmente da delicadeza, estamos j√° no fundo corrompidos, e o nosso ju√≠zo nunca √©, por isso, verdadeiramente objectivo; e ele √©-o tanto menos quanto nos esfor√ßamos por permanecer incorrupt√≠veis.
A corruptibilidade est√° longe de se limitar √† estrita rela√ß√£o de pessoa a pessoa; uma obra, uma ac√ß√£o, um gesto pode lisonjear-nos confirmando o nosso amor pr√≥prio, as nossas opini√Ķes ou a nossa impress√£o sobre o mundo.
√Č apenas quando utilizamos conscientemente a corruptibilidade dos outros para nossa vantagem pessoal ou em detrimento de um terceiro, que ela √© um mal, mas a falta √© ent√£o mais nossa do que daquele cuja corruptibilidade nos beneficia.

A Melhoria dos Povos Melhora os seus Deuses

À medida que os povos se tornam melhores, os Deuses melhoram também. Mas como não se lhes pode eliminar, imediatamente, as particularidades humanas que tempos mais grosseiros lhes atribuiram, as pessoas sensatas têm durante um certo tempo ainda, muitas coisas como incompreensíveis ou explicam-nas por meio de símbolos.

As particularidades, como todos sabem, são favoráveis à virtude e à felicidade; as generalidades é que são, intelectualmente, males necessários. A espinha dorsal da sociedade não é composta de filósofos, mas de serradores de enfeites e de coleccionadores de selos.

Zele por este momento. Mergulhe em suas particularidades. Seja sens√≠vel a que voc√™ √©, ao seu desafio, √† sua realidade. Livre-se dos subterf√ļgios. Pare de criar problemas desnecess√°rios para si mesmo. Este √© o tempo de realmente viver; de se entregar por completo √† situa√ß√£o em que voc√™ est√° agora.