Que luta pela existência ou que terrível loucura vos levou a sujar vossas mãos com sangue – vós, repito, que sois nutridos por todas as benesses e confortos da vida? Por que ultrajais a face da boa terra, como se ela não fosse capaz de vos nutrir e satisfazer?.
Passagens de Plutarco
61 resultadosContentamento por Via da Ambição Moderada
Um sério obstáculo ao contentamento é a nossa falência em moderar a ambição, como um navegante riza as suas velas, de acordo com a energia disponível. As nossas expectativas são exageradas, e quando não alcançamos o esperado, culpamos a fortuna e o destino, em vez de culpar a nossa própria insensatez. Não é a má sorte que impede alguém de flechar com arado ou caçar coelhos com boi; não é uma deidade maligna que nos obsta a que peguemos veados ou ursos com vara de pescar; tentar o impossível é estupidez e tolice. O culpado é o egotismo, que impele os homens a ansiarem pela primazia e pela vitória em todos os campos, e a nutrirem o irreprimível desejo de se apoderar de todas as coisas. Eles não apenas reivindicam o direito de serem, a um tempo, ricos, amigos de reis e governantes de uma cidade, como se sentem frustrados se não possuem cães de raça, cavalos de puro-sangue, codormnizes e galos de escol.
Sócrates dizia que não era ateniense nem grego, mas um cidadão do mundo.
O tempo é o mais sábio dos conselheiros.
A mentira é um vício ignóbil, que toda a gente abomina, e que não deve perdoar-se ao mais ínfimo escravo.
A alegria extremada anuncia uma ventura medíocre e passageira.
Com a luz apagada, todas as mulheres são iguais.
Esquecimento Esvaziante
A variedade das nossas emoções torna claro que cada homem guarda dentro de si os celeiros do contentamento e do descontentamento: os jarros das coisas boas e más não estão depositados «na soleira de Zeus», mas na alma. O néscio negligencia e desdenha as coisas boas que lá estão porque a sua imaginação acha-se sempre voltada para o futuro; o sensato, porém, torna os factos pregressos vividamente presentes com recordá-los. O presente oferece-se ao toque da nossa mão apenas por um instante e logo nos ilude os sentidos; os tolos julgam que ele não é mais nosso, que não mais nos pertence.
Há a pintura de um cordoeiro no inferno, com um asno a engolir toda a corda feita por ele, à medida que ele a entretece; assim é a multidão acometida e dominada pelo esquecimento insensato e ingrato, que apaga cada acto, cada sucesso, cada experiência aprazível de bem-estar, de camaradagem e de deleite.
O esquecimento não consente à vida desenvolver-se unitariamente, o passado entretecido com o presente, mas separa o ontem do hoje, como se fossem de diferente substância, e o hoje do amanhã, como se não fossem o mesmo; transforma toda a ocorrência em não-ocorrência.
Eu não quero que minha mulher seja nem mesmo objeto de suspeita
Um exército de cervos comandado por um leão é muito mais temível que um exército de leões comandado por um cervo.
A mente é um fogo a ser aceso, não um vaso a preencher.
O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro.
O amor ensina-nos todas as virtudes.
As esplêndidas fortunas – como os ventos impetuosos – provocam grandes naufrágios.
O tempo acrescenta as honras moderadas e destrói as honras excessivas.
A alma mais forte e mais bem constituída é aquela que os sucessos não orgulham e que não se abate com os revezes.
Sem luta não há verdadeiro triunfo; de sorte que o nosso inimigo se converte no nosso principal auxiliar.
A guerra e a paz, nomes tão respeitáveis, são para os homens as duas espécies de moeda, de que usam segundo os seus interesses, e poucas vezes de harmonia com a justiça. Contudo, mais para louvar são os políticos quando fazem uma guerra aberta, e não quando disfarçam e mascaram com os nomes sagrados da justiça, da amizade e da paz o que na realidade é apenas uma trégua de inquietações e de crimes.
É preciso viver, não apenas existir.
Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade é continuar sempre na infância.