Cita√ß√Ķes sobre Tagarelice

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Frases sobre tagarelice, poemas sobre tagarelice e outras cita√ß√Ķes sobre tagarelice para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Regras de Conduta para Viver sem Sobressaltos

Vou indicar-te quais as regras de conduta a seguir para viveres sem sobressaltos. (…) Passa em revista quais as maneiras que podem incitar um homem a fazer o mal a outro homem: encontrar√°s a esperan√ßa, a inveja, o √≥dio, o medo, o desprezo. De todas elas a mais inofen¬≠siva √© o desprezo, tanto que muitas pessoas se t√™m sujeitado a ele como forma de passarem despercebidas. Quem despreza o outro calca-o aos p√©s, √© evidente, mas passa adiante; ningu√©m se afadiga teimosamente a fazer mal a algu√©m que despreza. √Č como na guerra: ningu√©m liga ao soldado ca√≠do, combate-se, sim, quem se ergue a fazer frente.
Quanto √†s esperan√ßas dos desonestos, bastar-te-√°, para evit√°-las, nada possu√≠res que possa suscitar a p√©rfida cobi√ßa dos outros, nada teres, em suma, que atraia as aten√ß√Ķes, porquanto qualquer objecto, ainda que pouco valioso, suscita desejos se for pouco usual, se for uma raridade. Para escapares √† inveja dever√°s n√£o dar nas vistas, n√£o gabares as tuas propriedades, saberes gozar discretamente aquilo que tens. Quanto ao √≥dio, ou derivar√° de alguma ofensa que tenhas feito (e, neste caso, bastar-te-√° n√£o lesares ningu√©m para o evitares), ou ser√° puramente gratuito, e ent√£o ser√° o senso comum quem te poder√° proteger.

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Toda esta tagarelice dos homens não constitui uma verdadeira palavra, suporto-a para poder gozar o silêncio que passa através dela.

Estado Frenético de Tagarelice

Assola o pa√≠s uma puls√£o coloquial que p√Ķe toda a gente em estado fren√©tico de tagarelice, numa multiplica√ß√£o ansiosa de duos, trios, ensembles, coros. Desde os p√≠ncaros de Castro Laboreiro ao Ilh√©u de Monchique fervem rumorejos, conversas, vozeios, brados que abafam e escamoteiam a paci√™ncia de alguns, os vagares de muitos e o bom senso de todos. O falat√≥rio √© causa de in√ļmeros despaut√©rios, frouxas produtividades e m√°s-cria√ß√Ķes.
Fala-se, fala-se, fala-se, em todos os sotaques, em todos os tons e décibeis, em todos os azimutes. O país fala, fala, desunha-se a falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O país não tem nada a dizer, a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de aturdimento mais à mão.
(…) Telefones m√≥veis! Soturna apoquenta√ß√£o! Um pa√≠s tagarela tem, de um momento para o outro, dez milh√Ķes de √≠ncolas a querer saber onde √© que os outros param, e a transmitir pensamentos √† dist√Ęncia.
Afortunados ventos que batem todas as altitudes e pontos cardeais e levam as mais das palavras, às vezes frases inteiras, parágrafos, grosas deleas, para as afogar no mar, embeber nos lameiros de Espanha, gelar nos confins da Sibéria,

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O Homem Certo

Hoje, numa √©poca em que se misturam todos os discursos, em que profetas e charlat√£es usam as mesmas f√≥rmulas com m√≠nimas diferen√ßas, cujo percurso nenhum homem ocupado tem tempo de seguir, num tempo em que as redac√ß√Ķes dos jornais s√£o constantemente incomodadas por gente que acha que √© um g√©nio, √© muito dif√≠cil ajuizar do valor de um homem ou de uma ideia. Temos de nos deixar guiar pelo ouvido para podermos perceber se os rumores, os sussurros e o raspar de p√©s diante da porta da redac√ß√£o s√£o suficientemente fortes para poderem ser admitidos como voz da polis. A partir desse momento, por√©m, o g√©nio passa a outra condi√ß√£o. Deixa de ser mat√©ria f√ļtil da cr√≠tica liter√°ria ou teatral, cujas contradi√ß√Ķes os leitores que qualquer jornal deseja ter levam t√£o pouco a s√©rio como a tagarelice de uma crian√ßa, para aceder ao estatuto de factos concretos, com todas as consequ√™ncias que isso tem.
Certos fan√°ticos insensatos ignoram a necessidade desesperada de idealismo que se esconde por detr√°s de tal situa√ß√£o. O mundo dos que escrevem porque t√™m de escrever est√° cheio de grandes palavras e conceitos que perderam a subst√Ęncia. Os atributos dos grandes homens e das grandes causas sobrevivem ao que quer que seja que lhes deu origem,

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Memória vs Recordação РAs Armas da Juventude e da Velhice

Recordar-se n√£o √© o mesmo que lembrar-se; n√£o s√£o de maneira nenhuma id√™nticos. A gente pode muito bem lembrar-se de um evento, rememor√°-lo com todos os pormenores, sem por isso dele ter a recorda√ß√£o. A mem√≥ria n√£o √© mais do que uma condi√ß√£o transit√≥ria da recorda√ß√£o: ela permite ao vivido que se apresente para consagrar a recorda√ß√£o. Esta distin√ß√£o torna-se manifesta ao exame das diversas idades da vida. O velho perde a mem√≥ria, que geralmente √© de todas as faculdades a primeira a desaparecer. No entanto, o velho tem algo de poeta; a imagina√ß√£o popular v√™ no velho um profeta, animado pelo esp√≠rito divino. Mas a recorda√ß√£o √© a sua melhor for√ßa, a consola√ß√£o que os sustenta, porque lhe d√° a vis√£o distante, a vis√£o de poeta. Ao inv√©s, o mo√ßo possui a mem√≥ria em alto grau, usa dela com facilidade, mas falta-lhe o m√≠nimo dom de se recordar. Em vez de dizer: ¬ęaprendido na mocidade, conservado na velhice¬Ľ, poder√≠amos propor: ¬ęmem√≥ria na mocidade, recorda√ß√£o na velhice¬Ľ. Os √≥culos dos velhos s√£o graduados para ver ao perto; mas o mo√ßo que tem de usar √≥culos, usa-os para ver ao longe; porque lhe falta o poder da recorda√ß√£o, que tem por efeito afastar,

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A Vantagem de Ter Pouca Memória

Não há outro homem a quem aventurar-se a falar de memória assente tão mal. Pois praticamente não reconheço em mim vestígio dela, e não creio que haja no mundo uma outra tão prodigiosa em insuficiência. Tenho banais e comuns todas as minhas outras qualidades. Mas nesta creio ser singular e muito raro, e digno de por ela ganhar nome e fama.
(…) Em certa medida, consolo-me. Em primeiro lugar porque esse √© um mal pelo qual encontrei principalmente o meio de corrigir um mal pior que poderia facilmente ter surgido em mim, ou seja, a ambi√ß√£o, pois √© uma falta (a falta de mem√≥ria) inadmiss√≠vel para quem se envolve nos neg√≥cios do mundo; e porque, como mostram v√°rios exemplos semelhantes do andamento da natureza, esta de bom grado fortaleceu em mim outras faculdades na medida em que aquela se enfraqueceu, e facilmente eu iria deitando e enlaguescendo o meu esp√≠rito e o meu discernimento sobre os rastros de outrem, como faz o mundo, sem exercer as suas pr√≥prias for√ßas, se as ideias e opini√Ķes alheias estivessem presentes em mim pelo benef√≠cio da mem√≥ria.
E porque as minhas falas são mais curtas, pois o armazém da memória costuma ser mais bem provido de matéria do que o da invenção;

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DEVE-SE FALAR somente quando não se pode calar e falar somente do que se superou: tudo o mais é tagarelice, literatura, falta de disciplina.