Textos sobre Punição

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Textos de punição escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Nao há Virtude sem Agitação Desordenada

Os choques e abalos que a nossa alma recebe pelas paix√Ķes corporais muito podem sobre ela; por√©m podem mais ainda as suas pr√≥prias, pelas quais est√° t√£o fortemente dominada que talvez possamos afirmar que n√£o tem nenhuma outra velocidade e movimento que n√£o os do sopro dos seus ventos, e que, sem a agita√ß√£o destes, ela permaneceria sem ac√ß√£o, como um navio em pleno mar e que os ventos deixassem sem ajuda. E quem sustentasse isso, seguindo o partido dos peripat√©ticos, n√£o nos causaria muito dano, pois √© sabido que a maior parte das mais belas ac√ß√Ķes da alma procedem desse impulso das paix√Ķes e necessitam dele. A valentia, diz-se, n√£o se pode cumprir sem a assist√™ncia da c√≥lera.

Ajax sempre foi valente, mas nunca o foi tanto como na sua loucura (Cícero)

Nem investimos contra os maus e os inimigos com tanto vigor se n√£o estivermos encolerizados; e pretende-se que o advogado inspire a c√≥lera nos ju√≠zes para deles obter justi√ßa. As paix√Ķes excitaram Tem√≠stocles, excitaram Dem√≥stenes e impeliram os fil√≥sofos para trabalhos, vig√≠lias e peregrina√ß√Ķes; conduzem-nos √† honra, √† ci√™ncia, √† sa√ļde – fins √ļteis. E essa falta de vigor da alma para suportar o sofrimento e os desgostos serve para alimentar na consci√™ncia a penit√™ncia e o arrependimento,

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Amamos os Nossos Defeitos

Consentimos que nos apontem os nossos defeitos, aceitamos as puni√ß√Ķes que deles decorrem, sofremos pacientemente por causa desses defeitos. Mas perdemos a paci√™ncia se nos obrigam a p√ī-los de lado. Certos defeitos s√£o imprescind√≠veis √† exist√™ncia dos indiv√≠duos. Ser-nos-ia desagrad√°vel ver amigos de longa data porem de lado alguns dos seus particularismos.

Regras Gerais da Arte da Guerra

Estou consciente de vos ter falado de muitas coisas que por vós mesmos haveis podido aprender e ponderar. Não obstante, fi-lo, como ainda hoje vos disse, para melhor vos poder mostrar, através delas, os aspectos formais desta matéria,e, ainda, para satisfazer aqueles Рse fosse esse o caso Рque não tivessem tido, como vós, a oportunidade de sobre elas tomar conhecimento. Parece-me que, agora, já só me resta falar-vos de algumas regras gerais, com as quais deveis estar perfeitamente identificados. São as seguintes:
– Tudo o que √© √ļtil ao inimigo √© prejudicial para ti, e, tudo o que te √© √ļtil prejudica o inimigo.
– Aquele que, na guerra, for mais vigilante a observar as inten√ß√Ķes do inimigo e mais empenho puser na prepara√ß√£o do seu ex√©rcito, menos perigos correr√° e mais poder√° aspirar √† vit√≥ria.
– Nunca leves os teus soldados para o campo de batalha sem, previamente, estares seguro do seu √Ęnimo e sem teres a certeza de que n√£o t√™m medo e est√£o disciplinados e convictos de que v√£o vencer.
– √Č prefer√≠vel vencer o inimigo pela fome do que pelas armas. A vit√≥ria pelas armas depende muito mais da fortuna do que da virtude.

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Considera√ß√Ķes sobre a Vingan√ßa

A vingan√ßa √© uma esp√©cie de justi√ßa b√°rbara, de tal maneira que quanto mais a natureza humana se inclinar para ela, tanto mais a deve a lei extermin√°-la. Porque a primeira inj√ļria n√£o faz mais que ofender a lei, ao passo que a vingan√ßa da inj√ļria p√Ķe a lei fora do seu of√≠cio. De certo, ao exercer a vingan√ßa, o homem iguala-se ao inimigo; mas, passando sobre ela, √©-lhe superior; porque √© pr√≥prio do pr√≠ncipe perdoar. E tenho a certeza que Salom√£o disse: ¬ę√Č glorioso para um homem desdenhar uma ofensa¬Ľ. O que passou, passou, e √© irrevog√°vel; os homens prudentes j√° t√™m bastante que fazer com as coisas presentes e vindouras; n√£o devem, portanto, preocupar-se com bagatelas como o trabalhar em coisas pret√©ritas.
Não há homem que faça o mal pelo mal, mas apenas na perseguição do lucro, do prazer ou da honra, etc. Porque hei-de ficar ressentido com alguém, apenas pela razão de que ele mais ama a si próprio do que a mim? E se alguém me fez mal, apenas por pura maldade, então, esse é unicamente como a roseira e o cardo que picam e arranham apenas porque não podem de outra forma proceder. A espécie mais tolerável de vingança ainda é aquela que vai contra ofensas que na lei não encontram remédio;

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Julgar sem Ira

Não há paixão que tanto abale a integridade dos julgamentos quanto a cólera. Ninguém hesitaria em punir de morte o juiz que, por cólera, houvesse condenado o seu criminoso; por que será mais permitido aos pais e aos professores açoitar as crianças e castigá-las estando encolerizados? Isso já não é correcção: é vingança. O castigo faz papel de remédio para as crianças; e toleraríamos um médico que estivesse animado e encolerizado contra o seu paciente?
N√≥s mesmos, para agir bem, n√£o dever√≠amos p√īr a m√£o nos nossos servi√ßais enquanto nos perdurar a c√≥lera. Enquanto o pulso nos bater e sentirmos emo√ß√£o, adiemos o acerto; as coisas na verdade v√£o parecer-nos diferentes quando estivermos calmos e arrefecidos: agora √© a paix√£o que comanda, √© a paix√£o que fala, n√£o somos n√≥s. Atrav√©s dela as faltas parecem-nos maiores, como os corpos no meio do nevoeiro. Quem tiver fome fa√ßa uso de alimento; mas quem quiser fazer uso do castigo n√£o deve sentir fome nem sede dele. E, al√©m disso, as puni√ß√Ķes que se fazem com pondera√ß√£o e discernimento s√£o muito mais bem aceites e com melhor proveito por quem as recebe. De outra forma, ele n√£o considera que foi condenado justamente,

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Todos os homens tremem ante a punição e todos os homens temem a morte; lembra-te que te assemelhas a eles, e portanto não mates nem contribuas para a matança.

N√£o Seremos Capazes de Modificar um √önico Homem

Deixemos pois de pensar mais em punir, em censurar e em querer melhorar! N√£o seremos capazes de modificar um √ļnico homem; e se alguma vez o consegu√≠ssemos seria talvez, para nosso espanto, para nos darmos tamb√©m conta de outra coisa: √© que ter√≠amos sido n√≥s pr√≥prios modificados por ele! Procuremos antes, por isso, que a nossa influ√™ncia se contraponha e ultrapasse a sua em tudo o que est√° para vir! N√£o lutemos em combate directo… qualquer puni√ß√£o, qualquer censura, qualquer tentativa de melhoria representa combate directo. Elevemo-nos, pelo contr√°rio, a n√≥s pr√≥prios muito mais alto. Fa√ßamos sempre brilhar de forma grandiosa o nosso exemplo. Obscure√ßamos o nosso vizinho com o fulgor da nossa luz. Recusemo-nos a nos tornar, a n√≥s pr√≥prios, mais sombrios por amor dele, como todos os castigadores e todos os descontentes! Escutemo-nos, antes, a n√≥s. Olhemos para outro lado.

Reclamar com Espalhafato

Pelo facto de uma situa√ß√£o de crise (por exemplo, os v√≠cios de uma administra√ß√£o, a corrup√ß√£o e o favoritismo em agremia√ß√Ķes pol√≠ticas ou eruditas) ser descrita com forte exagero, essa descri√ß√£o perde, na verdade, o seu efeito junto das pessoas sensatas, mas actua tanto mais fortemente sobre as que o n√£o s√£o (as quais teriam permanecido indiferentes ante uma exposi√ß√£o bem comedida). Como estas, por√©m, constituem uma significativa maioria e albergam em si uma maior for√ßa de vontade e um gosto mais impetuoso pela ac√ß√£o, esse exagero torna-se pretexto para inqu√©ritos, puni√ß√Ķes, promessas, reorganiza√ß√Ķes. √Č nessa medida que √© rent√°vel descrever situa√ß√Ķes cr√≠ticas em termos exagerados.

Vale Mais Ser Amado ou Temido?

Vale mais ser amado ou temido (na chefia)? O ideal √© ser as duas coisas, mas como √© dif√≠cil reunir as duas coisas, √© muito mais seguro – quando uma delas tiver que faltar – ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que s√£o ingratos, vol√ļveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, √°vidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, s√£o todos vossos e oferecem-vos a fam√≠lia, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra v√≥s se revoltam. E aquele pr√≠ncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do ser poder, encontrando-se desprovido de outras precau√ß√Ķes, est√° perdido. √Č que as amizades que se adquirem atrav√©s das riquezas, e n√£o com grandeza e nobreza de car√°cter, compram-se, mas n√£o se pode contar com elas nos momentos de adversidade. Os homens sentem menos inibi√ß√£o em ofender algu√©m que se fa√ßa amar do que outro que se fa√ßa temer, porque a amizade implica um v√≠nculo de obriga√ß√Ķes, o qual, devido √† maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveni√™ncias. O temor, por seu turno, implica o medo de uma puni√ß√£o,

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O Princípio da Simpatia e Antipatia

O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida. Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue Рpara seu desabono Рdos animais.
Por princ√≠pio de simpatia e antipatia entendo o princ√≠pio que aprova ou desaprova certas ac√ß√Ķes, n√£o na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que algu√©m se sente disposto a aprov√°-las ou reprov√°-las.Os partid√°rios deste princ√≠pio mant√™m que a aprova√ß√£o ou a reprova√ß√£o constituem uma raz√£o suficiente em si mesma,

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