Cita√ß√Ķes sobre V√°cuo

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Frases sobre v√°cuo, poemas sobre v√°cuo e outras cita√ß√Ķes sobre v√°cuo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Espiritualismo

I

Como um vento de morte e de ruína,
A D√ļvida soprou sobre o Universo.
Fez-se noite de s√ļbito, imerso
O mundo em densa e algida neblina.

Nem astro j√° reluz, nem ave trina,
Nem flor sorri no seu aéreo berço.
Um veneno subtil, vago, disperso,
Empeçonhou a criação divina.

E, no meio da noite monstruosa,
Do silêncio glacial, que paira e estende
O seu sud√°rio, d’onde a morte pende,

Só uma flor humilde, misteriosa,
Como um vago protesto da existência,
Desabroxa no fundo da Consciência.

II

Dorme entre os gelos, flor imaculada!
Luta, pedindo um ultimo clar√£o
Aos sóis que ruem pela imensidão,
Arrastando uma aur√©ola apagada…

Em v√£o! Do abismo a boca escancarada
Chama por ti na g√©lida amplid√£o…
Sobe do poço eterno, em turbilhão,
A treva primitiva conglobada…

Tu morrerás também. Um ai supremo,
Na noite universal que envolve o mundo,
Ha-de ecoar, e teu perfume extremo

No v√°cuo eterno se esvair√° disperso,
Como o alento final d’um moribundo,
Como o √ļltimo suspiro do Universo.

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O √ďpio

…Havia ruas inteiras dedicadas ao √≥pio… Os fumadores deitavam-se sobre baixas tarimbas… Eram os verdadeiros lugares religiosos da √ćndia… N√£o tinham nenhum luxo, nem tape√ßarias, nem coxins de seda… Era tudo madeira por pintar, cachimbos de bambu e almofadas de lou√ßa chinesa… Pairava ali uma atmosfera de dec√™ncia e austeridade que n√£o existia nos templos… Os homens adormecidos n√£o faziam movimento ou ru√≠do… Fumei um cachimbo… N√£o era nada… Era um fumo caliginoso, morno e leitoso… Fumei quatro cachimbos e estive cinco dias doente, com n√°useas que vinham da espinha dorsal, que me desciam do c√©rebro… E um √≥dio ao sol, √† exist√™ncia… O castigo do √≥pio… Mas aquilo n√£o podia ser tudo… Tanto se dissera, tanto se escrevera, tanto se vasculhara nas maletas e nas malas, tentando apanhar nas alf√Ęndegas o veneno, o famoso veneno sagrado… Era preciso vencer a repugn√Ęncia… Devia conhecer o √≥pio, provar o √≥pio, afim de dar o meu testemunho… Fumei muitos cachimbos, at√© que conheci… N√£o h√° sonhos, n√£o h√° imagens, n√£o h√° paroxismos… H√° um enfraquecimento met√≥dico, como se uma nota infinitamente suave se prolongasse na atmosfera… Um desvanecimento, um v√°cuo dentro de n√≥s… Qualquer movimento do cotovelo, da nuca, qualquer som distante de carruagem,

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O coração precisa encher-se de alegrias ou de dores. Tanto umas como outras o alimentam. O que este órgão não pode suportar é o vácuo.

Teu Só Sossego aqui Contigo Ausente

Teu só sossego aqui contigo ausente
Na casa que te veste à justa de paredes,
Tenho-te em móveis, nos perfumes, na semente
Dos cuidados que deixas ao partir,
A doce est√Ęncia toda povoada
Dos mínimos sinais, dos sapatos de plinto
Que te elevam, Terpsícore ou Mnemósine,
Como uma est√°tua fiel ao labirinto.
Aqui, androceu da flor, o c√°lice abre aromas,
Farmácia chamo à tua colecção de vidros
Onde, à margem de planos e de somas,
Tenho remédio para os meus alvidros.
O chá é forte e adstringente,
O leite grosso sabe à ordenha,
E até nos quadros vive gente
À espera que a dona venha.
Porque tudo nos tectos é coroa,
No ch√£o as tra√ģnes, os passinhos salpicados
Como o vento ainda longe de Lisboa
Escolheu a gaivota do balanço
Que no cais engolfado melhor voa:
Um v√°cuo, enfim, que o n√£o ser√° ‚ÄĒ t√£o logo
Chegues no ar medido e a aço propulso:
Por isso um pouco de fogo
Bate sanguíneo em meu pulso,
Pois o amor de quem espera
√Č uma gra√ßa a vencer.

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Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Silêncios

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, l√°grima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

√ď Sil√™ncios! √≥ c√Ęndidos desmaios,
V√°cuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais l√≠mpido cortejo…

Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inef√°veis
O glorioso esplendor de um grande beijo!

A Nossa Crise Mental

Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos Рpolítico, moral e intelectual?
A nossa crise prov√©m, essencialmente, do excesso de civiliza√ß√£o dos inciviliz√°veis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradi√ß√£o, n√£o envolve contradi√ß√£o nenhuma. Eu explico. Todo o povo se comp√Ķe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo √© um, esta aristocracia e este ele mesmo t√™m uma subst√Ęncia id√™ntica; manifestam-se, por√©m, diferentemente. A aristocracia manifesta-se como indiv√≠duos, incluindo alguns indiv√≠duos amadores; o povo revela-se como todo ele um indiv√≠duo s√≥. S√≥ colectivamente √© que o povo n√£o √© colectivo.
O povo portugu√™s √©, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro portugu√™s foi portugu√™s: foi sempre tudo. Ora ser tudo em um indiv√≠duo √© ser tudo; ser tudo em uma colectividade √© cada um dos indiv√≠duos n√£o ser nada. Quando a atmosfera da civiliza√ß√£o √© cosmopolita, como na Renascen√ßa, o portugu√™s pode ser portugu√™s, pode portanto ser indiv√≠duo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civiliza√ß√£o n√£o √© cosmopolita ‚ÄĒ como no tempo entre o fim da Renascen√ßa e o princ√≠pio, em que estamos, de uma Renascen√ßa nova ‚ÄĒ o portugu√™s deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser s√≥ portugueses. Passa a n√£o poder ter aristocracia.

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O Mundo é a Nossa Representação

O mundo √© a nossa representa√ß√£o. (…) H√° alguma coisa para al√©m da representa√ß√£o? √Č a consci√™ncia uma janela fiel dando para a realidade, ou, antes, um sistema de lentes embaciadas e riscadas pela hist√≥ria, que filtram s√≥ imagens falsas e sombras incertas da verdade? E h√° deveras qualquer coisa por tr√°s do conhecimento, ou apenas o nada, como por tr√°s da vida? Seria talvez apenas espelho de si mesmo, casca sem tronco e roupagem sobre o v√°cuo?
(…) O mundo √© representa√ß√£o, sim, mas eu n√£o sei doutras representa√ß√Ķes afora as minhas. As dos outros ignoro-as, ignoro a ess√™ncia dos fen√≥menos inanimados. As mentes alheias existem apenas como hip√≥tese da minha. O mundo √© pois a minha representa√ß√£o – o mundo √© a minha alma; – o mundo sou eu!
(…) O mundo inteiro era apenas uma parte do meu eu: de mim, dos meus sentidos, da minha mente dependia a sua exist√™ncia. Ao sabor das minhas voli√ß√Ķes as coisas apareciam ou desapareciam. Atentando, ressurgiam; abandonando-as, desfaziam-se de novo. Se eu fechava os olhos, todas as cores morriam; se tapava os ouvidos, nenhum som, ru√≠do ou harmonia rompia o sil√™ncio do espa√ßo. E, √ļltima consequ√™ncia: quando eu morresse o mundo inteiro seria aniquilado.

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Abismo

Olho o Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E s√ļbito isto me bate
De encontro ao devaneando ‚ÄĒ
O que é sério, e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Sinto de repente pouco,
V√°cuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente √© oco ‚ÄĒ
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo ‚ÄĒ eu e o mundo em redor ‚ÄĒ
Fica mais que exterior.

Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, √† terra e aos c√©us…

E s√ļbito encontro Deus.

Os Teus Olhos

Direi verde
do verde dos teus olhos

de um rugoso mais verde
e mais sedento

Daquele não só íntimo
ou só verde

daquele mais macio    mais ave
ou vento

Direi v√°cuo
volume
direi vidro

Direi dos olhos verdes
os teus olhos
e do verde dos teus olhos direi vício

Voragem mais veloz
mais verde
ou vinco
voragem mais crispada
ou precipício

Se te Queres Matar

Se te queres matar, por que n√£o te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, tamb√©m me mataria…
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de conven√ß√Ķes e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conhe√ßas finalmente…
Talvez, acabando, comeces…
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E n√£o cantes, como eu, a vida por bebedeira,
N√£o sa√ļdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? √ď sombra f√ļtil chamada gente!
Ningu√©m faz falta; n√£o fazes falta a ningu√©m…
Sem ti correr√° tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te…
Talvez peses mais durando, que deixando de durar…

A m√°goa dos outros?… Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorar√£o…
O impulso vital apaga as l√°grimas pouco a pouco,

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Subconsciente com Vida Própria

Quando o subconsciente √© abandonado a si pr√≥prio por um momento, ele come√ßa, muito simplesmente, a tecer uma trama. Cria uma identidade para si pr√≥prio, adapta-se ao meio e produz diligentemente novas formas de preencher o s√ļbito v√°cuo que se cria quando esquecemos a realidade imediata. Parece n√£o haver nada de que o subconsciente tenha tanto medo como a sensa√ß√£o de n√£o ser ningu√©m.

Fetichismo

Homem, da vida as sombras inclementes
Interrogas em vão: РQue céus habita
Deus? Onde essa regi√£o de luz bendita,
Para√≠so dos justos e dos crentes?…

Em v√£o tateiam tuas m√£os trementes
As entranhas da noite erma, infinita,
Onde a d√ļvida atroz blasfema e grita,
E onde h√° s√≥ queixas e ranger de dentes…

A essa abóbada escura, em vão elevas
Os braços para o Deus sonhado, e lutas
Por abarc√°-lo; √© tudo em torno trevas…

Somente o vácuo estreitas em teus braços;
E apenas, pávido, um ruído escutas,
Que √© o ru√≠do dos teus pr√≥prios passos!…

Quando é Grande o Poderio da Solidão

Quando é grande o poderio
da solid√£o, ao seu lado
estanca a aura exterior do brilho
que a fica aí preservando.
Às vezes, outra se avizinha. O sítio
da vizinhança contamina o espaço.
E uma como que luz que antecedesse o espírito
remove o v√°cuo,
de forma a ele se ir constituindo
espera de verbo. √āmbito
a iluminar-se recinto
aonde as solid√Ķes, aproximando-
-se a frequência aumentassem do alto poderio
e estancassem ao bordo granítico do canto.

Contemplação

Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre id√©ias e esp√≠ritos pairando…

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Vis√Ķes sem ser, fragmentos de exist√™ncias…
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre v√°cuo insond√°vel rastejando…

E d’entre a n√©voa e a sombra universais
S√≥ me chega um murm√ļrio, feito de ais…
√Č a queixa, o profund√≠ssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim s√≥ presentido…

A Civilização e o Horror ao Vácuo

A expans√£o imperialista das grandes pot√™ncias √© um facto de crescimento, o transbordar natural√≠ssimo de um excesso de vidas e de uma sobra de riquezas em que a conquista dos povos se torna simples variante da conquista de mercados. As lutas armadas que da√≠ resultam, perdido o encanto antigo, transformam-se, paradoxalmente, na fei√ß√£o ruidosa e acidental da energia pac√≠fica e formid√°vel das ind√ļstrias. Nada dos velhos atributos rom√Ęnticos do passado ou da preocupa√ß√£o retr√≥grada do hero√≠smo. As pr√≥prias vit√≥rias perderam o significado antigo. S√£o at√© dispens√°veis. (…) Est√£o fora dos lances de g√©nio dos generais felizes e do fortuito dos combates. Vagas humanas desencadeadas pelas for√ßas acumuladas de longas culturas e do pr√≥prio g√©nio de ra√ßa, podem golpe√°-las √† vontade os advers√°rios que as combatem e batem debatendo-se, e que se afogam. N√£o param. N√£o podem parar. Impele-as o fatalismo da pr√≥pria for√ßa. Diante da fragilidade dos pa√≠ses fracos, ou das ra√ßas incompetentes, elas recordam, na hist√≥ria, aquele horror ao v√°cuo, com que os velhos naturalistas explicavam os movimentos irresist√≠veis da mat√©ria. Revelam quase um fen√īmeno f√≠sico. Por isso mesmo nesta expans√£o irreprim√≠vel, n√£o √© do direito, nem da Moral com as mais imponentes mai√ļsculas, nem de alguma das maravilhas metaf√≠sicas de outrora que lhes despontam obst√°culos.

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Rodopio

Volteiam dentro de mim,
Em rodopio, em novelos,
Milagres, uivos, castelos,
Forcas de luz, pesadelos,
Altas t√īrres de marfim.

Ascendem h√©lices, rastros…
Mais longe coam-me sois;
Há promontórios, farois,
Upam-se est√°tuas de herois,
Ondeiam lanças e mastros.

Zebram-se armadas de c√īr,
Singram cortejos de luz,
Ruem-se braços de cruz,
E um espelho reproduz,
Em treva, todo o esplendor…

Cristais retinem de mêdo,
Precipitam-se estilhaços,
Chovem garras, manchas, la√ßos…
Planos, quebras e espaços
Vertiginam em segrêdo.

Luas de oiro se embebedam,
Rainhas desfolham lirios;
Contorcionam-se círios,
Enclavinham-se delírios.
Listas de som enveredam…

Virgulam-se aspas em vozes,
Letras de fogo e punhais;
H√° missas e bacanais,
Execu√ß√Ķes capitais,
Regressos, apoteoses.

Silvam madeixas ondeantes,
Pungem l√°bios esmagados,
H√° corpos emmaranhados,
Seios mordidos, golfados,
Sexos mortos de anseantes…

(H√° incenso de esponsais,
H√° m√£os brancas e sagradas,
H√° velhas cartas rasgadas,
H√° pobres coisas guardadas –
Um len√ßo, fitas, dedais…)

Há elmos, troféus, mortalhas,
Emana√ß√Ķes fugidias,

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Transcedentalismo

J√° sossega, depois de tanta luta,
Já me descansa em paz o coração.
Caí na conta, enfim, de quanto é vão
O bem que ao Mundo e à Sorte se disputa.

Penetrando, com fronte n√£o enxuta,
No sacr√°rio do templo da Ilus√£o,
Só encontrei, com dor e confusão,
Trevas e p√≥, uma mat√©ria bruta…

Não é no vasto Mundo Рpor imenso
Que ele pare√ßa √† nossa mocidade –
Que a alma sacia o seu desejo intenso…

Na esfera do invisível, do intangível,
Sobre desertos, v√°cuo, soledade,
Voa e paira o espírito impassível!

Aspiração

Sinto que h√° na minha alma um v√°cuo imenso e fundo,
E desta meia morte o frio olhar do mundo
Não vê o que há de triste e de real em mim;
Muita vez, ó poeta, a dor é casta assim;
Refolha-se, não diz no rosto o que ela é,
E nem que o revelasse, o vulgo n√£o p√Ķe f√©
Nas tristes como√ß√Ķes da verde mocidade,
E responde sorrindo à cruel realidade.

Não assim tu, ó alma, ó coração amigo;
Nu, como a consciência, abro-me aqui contigo;
Tu que corres, como eu, na vereda fatal
Em busca do mesmo alvo e do mesmo ideal.
Deixemos que ela ria, a turba ignara e v√£;
Nossas almas a sós, como irmã junto a irmã,
Em santa comunhão, sem cárcere, sem véus.
Conversarão no espaço e mais perto de Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida
Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
Tarja de luto a folha em que lhe deixa escritas
A suprema saudade e as dores infinitas.
Alma errante e perdida em um fatal desterro,

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