Cita√ß√Ķes sobre Valentia

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Frases sobre valentia, poemas sobre valentia e outras cita√ß√Ķes sobre valentia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ode à Amizade

Se depois do infort√ļnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de Cal√ļnias
Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
O tenebroso seio
A Divina Amizade n√£o viera
Com piedosa m√£o limpar o pranto,
Embotar com dulcíssono conforto
As lanças da Amargura;
O Sábio espedaçara os nós da vida
Mal que a Razão no espelho da Experiência
Lhe apontasse apinhados inimigos
C’o as cruas m√£os armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho ‚ÄĒ por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a n√£o doura, a n√£o afaga;
Se com mais fortes nós, que a Natureza,
Lhe n√£o ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
Nect√°rea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,

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Nao há Virtude sem Agitação Desordenada

Os choques e abalos que a nossa alma recebe pelas paix√Ķes corporais muito podem sobre ela; por√©m podem mais ainda as suas pr√≥prias, pelas quais est√° t√£o fortemente dominada que talvez possamos afirmar que n√£o tem nenhuma outra velocidade e movimento que n√£o os do sopro dos seus ventos, e que, sem a agita√ß√£o destes, ela permaneceria sem ac√ß√£o, como um navio em pleno mar e que os ventos deixassem sem ajuda. E quem sustentasse isso, seguindo o partido dos peripat√©ticos, n√£o nos causaria muito dano, pois √© sabido que a maior parte das mais belas ac√ß√Ķes da alma procedem desse impulso das paix√Ķes e necessitam dele. A valentia, diz-se, n√£o se pode cumprir sem a assist√™ncia da c√≥lera.

Ajax sempre foi valente, mas nunca o foi tanto como na sua loucura (Cícero)

Nem investimos contra os maus e os inimigos com tanto vigor se n√£o estivermos encolerizados; e pretende-se que o advogado inspire a c√≥lera nos ju√≠zes para deles obter justi√ßa. As paix√Ķes excitaram Tem√≠stocles, excitaram Dem√≥stenes e impeliram os fil√≥sofos para trabalhos, vig√≠lias e peregrina√ß√Ķes; conduzem-nos √† honra, √† ci√™ncia, √† sa√ļde – fins √ļteis. E essa falta de vigor da alma para suportar o sofrimento e os desgostos serve para alimentar na consci√™ncia a penit√™ncia e o arrependimento,

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O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espa√ßo de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Ver√£o e at√© Inverno. Mas Jos√© Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tens√£o alta dos her√≥is rom√Ęnticos e, em muitas circunst√Ęncias, dava por si a citar Thoreau:

‚ÄúFui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que n√£o era vida e para, quando morrer, n√£o descobrir que n√£o vivi.‚ÄĚ

Lamentava que Darwin ou Twain n√£o tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no s√©culo dezanove, ainda restavam outros para√≠sos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brand√£o, at√© Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. N√£o, ele n√£o estava louco. Havia uma sabedoria naquilo ‚ÄĒ havia ecos e refrac√ß√Ķes, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira,

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Um Silêncio Cauto e Prudente é o Cofre da Sensatez

– (…) V√≥s quereis tentar a sorte na grande cidade, e sabeis bem que √© l√° que deveis gastar essa aura de valentia que a longa inac√ß√£o dentro destas muralhas vos houver concedido. Procurareis tamb√©m a fortuna, e devereis ser h√°bil a obt√™-la. Se aqui aprendeste a escapar √† bala de um mosquete, l√° deveis aprender a saber escapar √† inveja, ao ci√ļme, √† rapacidade, batendo-vos com armas iguais com os vossos advers√°rios, ou seja, com todos. E portanto escutai-me. H√° meia hora que me interrompeis dizendo o que pensais, e com o ar de interrogar quereis mostrar-me que me engano. Nunca mais o fa√ßais, especialmente com os poderosos. √Äs vezes a confian√ßa na vossa arg√ļcia e o sentimento de dever testemunhar a verdade poderiam impelir-vos a dar um bom conselho a quem √© mais do que v√≥s. Nunca o fa√ßais. Toda a vit√≥ria produz √≥dio no vencido, e se se obtiver sobre o nosso pr√≥prio senhor, ou √© est√ļpida ou √© prejudicial. Os pr√≠ncipes desejam ser ajudados mas n√£o superados.
Mas sede prudente também com os vossos iguais. Não humilheis com as vossas virtudes. Nunca falei de vós mesmos: ou vos gabaríeis, que é vaidade, ou vos vituperaríeis,

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A Ocupação Militar

N√£o h√° ocupa√ß√£o t√£o agrad√°vel como a militar; ocupa√ß√£o tanto nobre na execu√ß√£o (pois a mais forte, generosa e magn√≠fica de todas as virtudes √© a valentia) quanto nobre na sua causa: n√£o h√° utilidade mais leg√≠tima nem mais geral do que a protec√ß√£o da tranquilidade e da grandeza do seu pa√≠s. Agrada-vos a companhia de tantos homens, nobres, jovens, activos, a vis√£o frequente de tantos espect√°culos tr√°gicos, a liberdade desse conv√≠vio sem artif√≠cios e uma forma de vida viril e sem cerim√≥nia, a variedade de mil actividades diversas, essa fogosa harmonia da m√ļsica guerreira que vos alimenta e aquece os ouvidos e a alma, a honra desse exerc√≠cio, mesmo a sua rudeza e dificuldade, que Plat√£o considera t√£o pouca que na sua rep√ļblica a reparte com as mulheres e as crian√ßas.
Oferecei-vos para os pap√©is e os riscos pessoais de acordo com o que julgais sobre o seu brilho e a sua import√Ęncia, soldado volunt√°rio, e vedes quando mesmo a vida √© justificadamente empregue neles, penso que √© belo morrer combatendo (Virg√≠lio). Temer os perigos gerais que envolvem uma multid√£o em que tantas pessoas incorrem, n√£o ousar o que tantas esp√©cies de indiv√≠duos ousam √© pr√≥prio de um √Ęnimo desmedidamente frouxo e inferior.

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Aspectos da Virtude

O que tomamos por virtudes muitas vezes n√£o passa de um conjunto de ac√ß√Ķes diversas e de diversos interesses que o acaso e a nossa ind√ļstria sabem ajustar; e nem sempre √© por valentia e por castidade que os homens s√£o valentes e as mulheres castas.
A virtude n√£o iria longe se a vaidade n√£o lhe fizesse companhia.
(…) Os v√≠cios entram na composi√ß√£o das virtudes como os venenos na dos rem√©dios. A prud√™ncia mistura-os, tempera-os, e serve-se deles eficazmente contra os males da vida.

Umas mulheres vence-as a gentileza, outras a valentia, outras o talento, outras o dinheiro, outras a estupidez, outras a bondade. Cecilia venceu-a o estilo.

A arte de um guerreiro nasce na sua capacidade de persistir, na inigualável perseverança e na valentia perante quaisquer que sejam as adversidades e os adversários.

Os Exemplos são Guias que nos Desencaminham com Frequência

Seja qual for a diferen√ßa que exista entre os bons e os maus exemplos, convenhamos que ambos d√£o mau resultado. Nem sequer sei se os crimes de Tib√©rio ou de Nero nos afastam mais dos v√≠cios do que os exemplos paradigm√°ticos dos grandes homens que supostamente nos encaminham para a virtude. Veja-se como a valentia de Alexandre produziu gabarolas! Veja-se at√© que ponto a gl√≥ria de C√©sar permitiu actos antip√°ticos! Repare-se como Roma e Esparta louvaram virtudes selvagens! Di√≥genes criou tantos fil√≥sofos importunos, C√≠cero citou tagarelas, Pomp√≥nio √Ātico citou pessoas med√≠ocres e pregui√ßosas, M√°rio e Sila, pessoas vingativas, Lucullus, pessoas voluptuosas, Alcib√≠ades e Ant√≥nio citaram debochados e Cap√£o citou pessoas teimosas! Todos estes famosos prot√≥tipos produziram um n√ļmero enorme de m√°s reprodu√ß√Ķes. As virtudes s√£o vizinhas dos v√≠cios. Os exemplos s√£o guias que nos desencaminham com frequ√™ncia e, como estamos t√£o cheios de mentiras, n√£o deixamos de us√°-las tanto para nos afastarmos do caminho da virtude como para segui-lo.

T√£o Grande Dor

“T√£o grande dor para t√£o pequeno povo” palavras de um timorense √† RTP
Timor fragilíssimo e distante
Do povo e da guerrilha
Evanescente nas brumas da montanha

“S√Ęndalo flor b√ļfalo montanha
Cantos danças ritos
E a pureza dos gestos ancestrais”

Em frente ao pasmo atento das crianças
Assim contava o poeta Rui Cinatti
Sentado no ch√£o
Naquela noite em que voltara da viagem

Timor
Dever que não foi cumprido e que por isso dói

Depois vieram notícias desgarradas
Raras e confusas
Violências mortes crueldade
E anos após ano
Ia crescendo sempre a atrocidade
E dia a dia – espanto prod√≠gio assombro –
Cresceu a valentia
Do povo e da guerrilha
Evanescente nas brumas da montanha

Timor cercado por um bruto silêncio
Mais pesado e mais espesso do que o muro
De Berlim que foi sempre falado
Porque n√£o era um muro mas um cerco
Que por segundo cerco era cercado

O cerco da surdez dos consumistas
Tão cheios de jornais e de notícias

Mas como se fosse o milagre pedido
Pelo rio da prece ao som das balas
As imagens do massacre foram salvas
As imagens romperam os cercos do silêncio
Irromperam nos écrans e os surdos viram
A evidência nua das imagens

O Orgulho de Ser Português

Aquelas qualidades que se revelaram e fixaram e fazem de n√≥s o que somos e n√£o outros; aquela do√ßura de sentimentos, aquela mod√©stia, aquele esp√≠rito de humanidade, t√£o raro hoje no mundo; aquela parte de espiritualidade que, mau grado tudo que a combate inspira ainda a vida portuguesa; o √Ęnimo sofredor; a valentia sem alardes; a facilidade de adapta√ß√£o e ao mesmo tempo a capacidade de imprimir no meio exterior os tra√ßos do modo de ser pr√≥prio; o apre√ßo dos valores morais; a f√© no direito, na justi√ßa, na igualdade dos homens e dos povos; tudo isso, que n√£o √© material nem lucrativo, constitui tra√ßos do car√°cter nacional. Se por outro lado contemplamos a Hist√≥ria maravilhosa deste pequeno povo, quase t√£o pobre hoje como antes de descobrir o mundo; as pegadas que deixou pela terra de novo conquistada ou descoberta; a beleza dos monumentos que ergueu; a l√≠ngua e literatura que criou; a vastid√£o dos dom√≠nios onde continua, com exemplar fidelidade √† sua Hist√≥ria e car√°cter, alta miss√£o civilizadora – concluiremos que Portugal vale bem o orgulho de se ser portugu√™s.

O Remorso

Cometi o pior desses pecados
Que podem cometer-se. N√£o fui sendo
Feliz. Que os glaciares do esquecimento
Me arrastem e me percam, despiedados.

Plos meus pais fui gerado para o jogo
Arriscado e tão belo que é a vida,
Para a terra e a √°gua, o ar, o fogo.
Defraudei-os. N√£o fui feliz. Cumprida

N√£o foi sua vontade. A minha mente
Aplicou-se às simétricas porfias
Da arte, que entretece ninharias.

Valentia eu herdei. N√£o fui valente.
N√£o me abandona. Est√° sempre ao meu lado
A sombra de ter sido um desgraçado.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Nada enternece mais uma mulher do que o rosto do amante, dormindo. Ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele lhe vinha dizendo ou dando a entender.

A Infelicidade do Desejo

Um desejo é sempre uma falta, carência ou necessidade. Um estado negativo que implica um impulso para a sua satisfação, um vazio com vontade de ser preenchido.

Toda a vida é, em si mesma, um constante fluxo de desejos. Gerir esta torrente é essencial a uma vida com sentido. Cada homem deve ser senhor de si mesmo e ordenar os seus desejos, interesses e valores, sob pena de levar uma vida vazia, imoderada e infeliz. Os desejos são inimigos sem valentia ou inteligência, dominam a partir da sua capacidade de nos cegar e atrair para o seu abismo.
A felicidade √©, por ess√™ncia, algo que se sente quando a realidade extravasa o que se espera. A supera√ß√£o das expectativas. Ser feliz √© exceder os limites preestabelecidos, assim se conclui que quanto mais e maiores forem os desejos de algu√©m, menores ser√£o as suas possibilidades de felicidade, pois ainda que a vida lhe traga muito… esse muito √© sempre pouco para lhe preencher os vazios que criou em si pr√≥prio.

Na sociedade de consumo em que vivemos há cada vez mais necessidades. As naturais e todas as que são produzidas artificialmente. Hoje, criam-se carências para que se possa vender o que as preenche e anula.

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