Passagens sobre Altos

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Frases sobre altos, poemas sobre altos e outras passagens sobre altos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Teu Amor, Bem Sei

o teu amor, bem sei, é uma palavra musical,
espalha-se por todos n√≥s com a mesma ignor√Ęncia,
o mesmo ar alheio com que fazes girar, suponho, os epiciclos;
ergues os ombros e dizes, hoje, amanh√£, nunca mais,
surpreende o vigor, a plenitude
das coxas masculinas, habituadas ao cansaço,
separamo-nos, à procura de sinais mais fixos,
e o circuito das chamas recomeça.

é um país subtil, o olho franco das mulheres,
h√° nos passeios garrafas com leite apenas cinzento,
os teus pais disseram: o melhor de tudo é ser engenheiro,
morrer de casaco, com todas as pir√Ęmides acesas,
viajar de navio de buenos aires a montevideu.
esta é a viagem que não faremos nunca, soltos
na minuciosa tarde dos l√°bios,
√°gil pobreza.

permanentemente floresce o horizonte em colinas,
os animais olham por dentro, cheios de vazio,
como um ladrão de pouca perícia a luz
desfaz devagarmente os corpos.
ele exclama: quando me libertar√°s da tosca voz dormida,
para que seja
alto e altivo o coração da coisas? até quando aguardarei,
no harmonioso beliche, que a tua vis√£o cesse?

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Prodígio!

Como o Rei Lear n√£o sentes a tormenta
Que te desaba na fatal cabeça!
(Que o c√©u d’estrelas todo resplande√ßa.)
A tua alma, na Dor, mais nobre aumenta.

A Desventura mais sanguinolenta
Sobre os teus ombros impiedosa desça,
Seja a treva mais funda e mais espessa,
Todo o teu ser em m√ļsicas rebenta.

Em m√ļsicas e em flores infinitas
De aromas e de formas esquisitas
E de um mist√©rio singular, nevoento…

Ah! só da Dor o alto farol supremo
Consegue iluminar, de extremo a extremo,
o estranho mar genial do Sentimento!

Que este Amor n√£o me Cegue

Que este amor n√£o me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar n√£o se perca nas tulipas
Pois formas t√£o perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

Da Vossa Vista a Minha Vida Pende

Da vossa vista a minha vida pende,
Maior bem para mim n√£o pode ser
Que ver-vos, mas n√£o ouso de vos ver;
Que vosso alto respeito mo defende.

O meu amor, que o vosso só pretende,
Receio que se venha a conhecer,
Nos olhos, que mal podem esconder
O desejo, dum peito que se rende.

Por vós a tal estremo d’Amor venho,
Que com força resisto a meu desejo,
Porque nada de mim vos descontente.

Mas neste mal, senhora, este bem tenho,
Que sempre tal, qual sois, n’alma vos pinto
Sem dar que ver, nem que falar à gente.

A Noite na Ilha

Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a √°gua.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

0 teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda n√£o existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
‚ÄĒ p√£o, vinho, amor e c√≥lera ‚ÄĒ
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,

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√Č nas almas simples que o amor √© mais puro e mais forte. O manancial de √°guas claras que na plan√≠cie vai matar sedes e reverdecer os campos, jorra do seio das duras pedras das montanhas em s√≠tios agrestes, longe e alto!

Extravio

Onde começo, onde acabo,
se o que est√° fora est√° dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?

Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.

Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.

Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que j√° n√£o ouvem nem falam.

Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.

Ah, ser somente o presente:
esta manh√£, esta sala.

Obscuro Domínio

Amar-te assim desvelado
entre barro fresco e ardor.
Sorver o rumor das luzes
entre os teus l√°bios fendidos.

Deslizar pela vertente
da garganta, ser m√ļsica
onde o silêncio aflui
e se concentra.

Irreprimível queimadura
ou vertigem desdobrada
beijo a beijo,
brancura dilacerada

Penetrar na doçura da areia
ou do lume,
na luz queimada
da pupila mais azul,

no oiro anoitecido
entre pétalas cerradas,
no alto e naveg√°vel
golfo do desejo,

onde o furor habita
crispado de agulhas,
onde faça sangrar
as tuas √°guas nuas.

Riqueza Ilimitada mas Mortal

Eu n√£o posso, pensando bem, descobrir como √© poss√≠vel a n√≥s, que demos tanta import√Ęncia √† riqueza ilimitada e que, para falar a verdade, a divinizamos, n√£o admitir nas nossas almas os males que crescem com ela. Acompanha, com efeito, a riqueza sem medida e sem cora√ß√£o, ligada a ela, e como se diz marchando no mesmo passo, a prodigalidade, e √† medida que a riqueza abre o acesso √†s cidades e √†s casas ela entra junto e coabita. Depois, com o tempo, segundo os s√°bios, esses seres fazem os seus ninhos nas vidas humanas e rapidamente engendram outros seres, no momento da procria√ß√£o, como a cupidez, o orgulho e a lux√ļria, que n√£o s√£o seus bastardos mas filhos leg√≠timos.
Mas se permitir que esses filhos da riqueza avancem na idade, logo para as almas eles engendrar√£o tiranos inexor√°veis, a viol√™ncia, a ilegalidade e a imprud√™ncia. Pois √© assim necessariamente; os homens n√£o olham mais para o alto e n√£o d√£o import√Ęncia ao renome na posteridade, mas a destrui√ß√£o das vidas (dos homens) completa-se pouco a pouco num tal ciclo e a grandeza das almas fenece, enfraquece e n√£o √© mais assunto de emula√ß√£o, quando se reserva a sua admira√ß√£o √†s partes mortais de si mesmo,

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Um Amor Verdadeiro

Admitamos: o amor é um assunto que já foi falado e voltado a falar, trivializado e dramatizado ao ponto de as pessoas não saberem já o que é e o que não é. A maioria de nós não consegue vê-lo porque temos as nossas ideias preconcebidas sobre o que é (é suposto ser mais forte do que nós e arrebatar-nos) e como aparece (num embrulho alto, magro, bem-humorado e charmoso). Por isso, se o amor não aparecer envolvido na nossa fantasia, não o conseguimos reconhecer.

Mas tenho a certeza do seguinte: o amor est√° em todo o lado. √Č poss√≠vel amar e ser amado independentemente do s√≠tio onde estamos. O amor existe sob todas as formas. √Äs vezes vou at√© ao jardim da minha casa e sinto o amor a vibrar em todas as minhas √°rvores. Est√° sempre dispon√≠vel.

J√° vi tantas mulheres (incluindo eu) confundidas pela ideia de um romance, acreditando que s√≥ ser√£o pessoas completas se encontrarem algu√©m que complete as suas vidas. Se pensarmos bem, n√£o √© uma ideia maluca? Voc√™, sozinho, tem de preencher com amor esses espa√ßos vazios e destru√≠dos. Como diz Ralph Waldo Emerson: ¬ęNada lhe poder√° dar paz a n√£o ser voc√™ mesmo.¬Ľ

Nunca esquecerei o momento em que estava a limpar uma gaveta e me deparei com doze p√°ginas que me obrigaram a parar.

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A Quimera da Felicidade

(…) do alto de uma montanha, inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, atrav√©s de um nevoeiro, uma cousa √ļnica. Imagina tu, leitor, uma redu√ß√£o dos s√©culos, e um desfilar de todos eles, as ra√ßas todas, todas as paix√Ķes, o tumulto dos imp√©rios, a guerra dos apetites e dos √≥dios, a destrui√ß√£o rec√≠proca dos seres e das cousas. Tal era o espect√°culo, acerbo e curioso espect√°culo. A hist√≥ria do homem e da terra tinha assim uma intensidade que n√£o lhe podiam dar nem a imagina√ß√£o nem a ci√™ncia, porque a ci√™ncia √© mais lenta e a imagina√ß√£o mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensa√ß√£o viva de todos os tempos. Para descrev√™-la seria preciso fixar o rel√Ęmpago. Os s√©culos desfilavam num turbilh√£o, e, n√£o obstante, porque os olhos do del√≠rio s√£o outros, eu via tudo o que passava diante de mim, – flagelos e del√≠cias, – desde essa cousa que se chama gl√≥ria at√© essa outra que se chama mis√©ria, e via o amor multiplicando a mis√©ria, e via a mis√©ria agravando a debilidade. A√≠ vinham a cobi√ßa que devora, a c√≥lera que inflama, a inveja que baba,

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Montanha

Sons sob a luz. Mosteiros,
torres sobrenaturais,
vibrando fluidamente no ar;
como? se o fluxo de mica,
os altos blocos de √°gua,
cintilam sem rumor.

Toda esta arquitectura,
lenta percuss√£o, perpassa;
sobre cerros sonoros;
com o seu contorno
infixo, fulgurando. Detenham-se
as estrelas quando
for noite; preguem-se
outros pregos de prata
fora do céu visível.
Sons j√° sem luz. Pastores
poisam as ocarinas, bebem;
entre colinas ocas;
o frio coalhado
pelas tetas das cabras.

Somos uma raça de acanhados homens-pássaros e em nossos voos intelectuais, elevamo-nos pouco mais alto do que as colunas dos jornais diários.

Cavador Do Infinito

Com a l√Ęmpada do Sonho desce aflito
E sobe aos mundos mais imponder√°veis,
Vai abafando as queixas implac√°veis,
Da alma o profundo e soluçado grito.

√ānsias, Desejos, tudo a fogo, escrito
Sente, em redor, nos astros inef√°veis.
Cava nas fundas eras insond√°veis
O cavador do tr√°gico Infinito.

E quanto mais pelo Infinito cava
mais o Infinito se transforma em lava
E o cavador se perde nas dist√Ęncias…

Alto levanta a l√Ęmpada do Sonho.
E como seu vulto p√°lido e tristonho
Cava os abismos das eternas √Ęnsias!

Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

A situa√ß√£o econ√≥mica tem-se agravado e tender√° a agravar-se. Tendo causas estruturais, as dificuldades da economia n√£o podem ser vencidas por medidas atrav√©s das quais o governo procura fazer face aos mais agudos problemas de conjuntura. O afrouxamento do ritmo de desenvolvimento, a baixa da produ√ß√£o agr√≠cola, os d√©fices sempre crescentes, do com√©rcio externo, a inflac√ß√£o, a acentua√ß√£o do atraso relativo da economia portuguesa em rela√ß√£o √†s economias dos outros pa√≠ses europeus, mostram a incapacidade do regime para promover o aproveitamento dos recursos nacionais, o fracasso da ¬ęreconvers√£o agr√≠cola¬Ľ e a asfixia da economia portuguesa pela domina√ß√£o monopolista, pelas limita√ß√Ķes do mercado interno provocadas pela pol√≠tica de explora√ß√£o e mis√©ria das massas e pela subjuga√ß√£o ao imperialismo estrangeiro. (…) O processo de integra√ß√£o europeia, dado o atraso da economia portuguesa, agravar√° a situa√ß√£o.

Os monop√≥lios dominantes e o seu governo procuram sair das contradi√ß√Ķes e dificuldades, assegurar altos lucros, apressar a acumula√ß√£o, conseguir uma capacidade competitiva no mercado internacional: 1) intensificando ainda mais a explora√ß√£o da classe oper√°ria e das massas trabalhadoras; 2) aumentando os impostos; 3) dando curso √† subida dos pre√ßos; 4) apressando a centraliza√ß√£o e a concentra√ß√£o; 5) pondo de forma crescente os recursos do Estado ao servi√ßo dos monop√≥lios;

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Soneto De Vinicius Dedicado A Neruda

Quantos caminhos n√£o fizemos juntos
Neruda, meu irm√£o, meu companheiro…
Mas este encontro s√ļbito, entre muitos
N√£o foi ele o mais belo e verdadeiro?

Canto maior, canto menor – dois cantos
Fazem-se agora ouvir sob o cruzeiro
E em seu recesso as cóleras e os prantos
Do homem chileno e do homem brasileiro

E o seu amor – o amor que hoje encontramos…
Por isso, ao se tocarem nossos ramos
Celebro-te ainda além, cantor geral

Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céu entoas
Teu furioso canto material!

A Sabedoria do Sofrimento

O sofrimento n√£o tem menos sabedoria do que o prazer: tal como este, faz parte em elevado grau das for√ßas que conservam a esp√©cie. Porque se fosse de outra maneira h√° muito que esta teria desaparecido; o facto de ela fazer mal n√£o √© um argumento contra ela, √© muito simplesmente a sua ess√™ncia. Ou√ßo nela a ordem do capit√£o: ¬ęAmainem as velas¬Ľ. O intr√©pido navegador homem deve treinar-se a dispor as suas de mil maneiras; de outro modo, n√£o tardaria a desaparecer, o oceano havia de o engolir depressa. √Č preciso que saibamos viver tamb√©m reduzindo a nossa energia; logo que o sofrimento d√° o seu sinal, √© chegado o momento; prepara-se um grande perigo, uma tempestade, e faremos bem em oferecer a menor ¬ęsuperf√≠cie¬Ľ poss√≠vel.
H√° homens, contudo, que, quando se aproxima o grande sofrimento, ouvem a ordem contr√°ria e nunca t√™m ar mais altivo, mais belicoso, mais feliz do que quando a borrasca chega, que digo eu! E a pr√≥pria tempestade que lhes d√° os seus mais altos momentos! S√£o os homens her√≥icos, os grandes ¬ępescadores da dor¬Ľ, esses raros, esses excepcionais de que √© necess√°rio fazer a mesma apologia que se faz para a pr√≥pria dor!

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Soneto I

Ao Duque

A glória do edifício, o louvor alto
Do que a √ļltima m√£o lhe p√Ķe, se dobra
Em desgraça daquele, e mágoa da obra,
Que no melhor lhe foi escasso e falto.

Este de letras, com que ao Céu me exalto
E que em mim vossa m√£o levanta e obra,
Se sua perfeição por vós não cobra,
A todos causa m√°goa e sobressalto.

Já que os andames da esperança minha
N√£o h√° quem desarm√°-los hoje possa,
Fazei com que este meu trabalho monte.

Vós sereis minha glória, eu glória vossa,
Ficando √† vista as que eu j√° n’alma tinha,
Vossas armas reais em minha fronte.

Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.

A Minha Família é a Minha Casa

A solid√£o absoluta √© n√£o ter ningu√©m a quem dizer um simples: ‚Äútenho vontade de chorar‚ÄĚ. N√£o precisamos de muito para viver bem ‚Äď para ser feliz basta uma fam√≠lia e pouco mais.

A fam√≠lia √© a casa e a paz. O ref√ļgio onde uma vontade de chorar n√£o √© motivo de julgamento, apenas e s√≥ uma necessidade s√ļbita de… fam√≠lia. De um equil√≠brio para o qual o outro √© essencial… assim tamb√©m se passa com a vontade de sorrir que, em fam√≠lia, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais dif√≠cil encontrar gente capaz de ser fam√≠lia. Os ego√≠smos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se n√£o houvesse espa√ßo para o amor. Dizem que amar √© arriscado, que √© coisa de loucos…
Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de n√≥s √© uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos tamb√©m est√°, de alguma forma, connosco. O amor √© o que existe entre n√≥s e nos enla√ßa os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar √© um sinal de que h√° algo em mim que √© maior do que eu…

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