Cita√ß√Ķes sobre Aqu√°rios

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Frases sobre aqu√°rios, poemas sobre aqu√°rios e outras cita√ß√Ķes sobre aqu√°rios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A vida √© fict√≠cia, as palavras perdem a realidade. E no entanto esta vida fict√≠cia √© a √ļnica que podemos suportar. Estamos aqui como peixes num aqu√°rio. E sentindo que h√° outra vida ao nosso lado, vamos at√© √† cova sem dar por ela. Estamos aqui a matar o tempo.

Tu? Eu?

N√£o morres satisfeito.
A vida te viveu
sem que vivesses nela.
E n√£o te convenceu
nem deu qualquer motivo
para haver o ser vivo.

A vida te venceu
em luta desigual.
Era todo o passado
presente presidente
na polpa do futuro
acuando-te no beco.
Se morres derrotado,
n√£o morres conformado.

Nem morres informado
dos termos da sentença
de tua morte, lida
antes de redigida.
Deram-te um defensor
cego surdo estrangeiro
que ora metia medo
ora extorquia amor.

Nem sabes se és culpado
de n√£o ter culpa. Sabes
que morres todo o tempo
no ensaiar errado
que vai a cada instante
desensinando a morte
quanto mais a soletras,
sem que, nascido, more
onde, vivendo, morres.

N√£o morres satisfeito
de trocar tua morte
por outra mais (?) perfeita.
N√£o aceitas teu
como aceitaste os muitos
fins em volta de ti.

Testemunhaste a morte
no privilégio de ouro
de a sentires em vida
através de um aquário.
Eras tu que morrias
nesse,

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O Desporto √© a Intelig√™ncia In√ļtil

O sport √© a intelig√™ncia in√ļtil manifestada nos movimentos do corpo. O que o paradoxo alegra no cont√°gio das almas, o sport aligeira na demonstra√ß√£o dos bonecos delas. A beleza existe, verdadeiramente, s√≥ nos altos pensamentos, nas grandes emo√ß√Ķes, nas vontades conseguidas. No sport – ludo, jogo, brincadeira – o que existe √© sup√©rfluo, como o que o gato faz antes de comer o rato que lhe h√°-de escapar. Ningu√©m pensa a s√©rio no resultado, e, enquanto dura o que desaparece, existe o que n√£o dura. H√° uma certa beleza nisso, como no domin√≥, e, quando o acaso proporciona o jogo acertado, a maravilha entesoura o corpo encostado do vencedor. Fica, no fim, e sempre virado para o in√ļtil, o inconseguido do jogo. Pueri ludunt, como no prim√°rio do latim…

Ao sol brilham, no seu breve movimento de gl√≥ria esp√ļria, os corpos juvenis que envelhecer√£o, os trajectos que, com o existirem, deixaram j√° de existir. Entardece no que vemos, como no que vimos. A Gr√©cia antiga n√£o nos afaga sen√£o intelectualmente. Ditosos os que naufragam no sacrif√≠cio da posse. S√£o comuns e verdadeiros. O sol das arenas faz suar os gestos dos outros. Os poetas cantam-nos antes que des√ßa todo o sol.

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Adeus

J√° gast√°mos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou n√£o chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gast√°mos os olhos com o sal das l√°grimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas in√ļteis.

Meto as m√£os nas algibeiras e n√£o encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aqu√°rio,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje s√£o apenas os meus olhos.
√Č pouco, mas √© verdade,
uns olhos como todos os outros.

J√° gast√°mos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
j√° se n√£o passa absolutamente nada.

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Jornalista é peixinho de aquário: colorido e faz gracinhas. O escritor é o peixe de mar profundo. O sol não entra, mas ele tem o oceano todo

Na Cadeia os Bandidos Presos!

Na cadeia os bandidos presos!
O seu ar de contemplativos!
Que é das flores de olhos acesos?!
Pobres dos seus olhos cativos.

Passeiam mudos entre as grades,
Parecem peixes num aqu√°rio.
_ Campo florido das Saudades,
Porque rebentas tumultu√°rio?

Serenos… Serenos… Serenos…
Trouxe-os algemados a escolta.
_ Estranha taça de venenos
Meu coração sempre em revolta.

Cora√ß√£o, quietinho… quietinho…
Porque te insurges e blasfemas?
Pschiu… N√£o batas… Devagarinho…
Olha os soldados, as algemas!

Ascens√£o

Nunca estive t√£o perto da verdade.
Sinto-a contra mim,
Sei que vou com ela.

Tantas vezes falei negando sempre,
esgotando todas as nega√ß√Ķes poss√≠veis,
conduzindo-as ao cerco da verdade,
que hoje, c√īncavo t√£o c√īncavo,

sou inteiramente liso interiormente,
sou um aqu√°rio dos mares,
sou apenas um bal√£o cheio dessa verdade do mundo.

Sei que vou com ela,
sinto-a contra mim, –
nunca estive t√£o perto da verdade.

N√£o h√° Dicas para Namorar e Casar

Nunca me ensinaram as coisas realmente √ļteis: como √© que um rapaz arranja uma noiva, que tipo de anel deve comprar, se pode continuar a sair para os copos com os amigos, se √© preciso pedir primeiro aos pais, se tem de usar anel tamb√©m. Palavra que fui um rapaz que estudou muito e nunca me souberam ensinar isto. Ensinaram-me tudo e mais alguma coisa sobre o sexo e a reprodu√ß√£o, sobre o prazer e a sedu√ß√£o, mas quanto ao namorar e casar, nada. E agora, como √© que eu fa√ßo?

Passei a pente fino as melhores livrarias de Lisboa e n√£o encontrei uma √ļnica obra que me elucidasse. Se quisesse fazer cozinha macrobi√≥tica, descobrir o ¬ęponto G¬Ľ da minha companheira para ajud√°-la a atingir um orgasmo mais recompensador, montar um aqu√°rio, criar m√≠scaros ou construir um tanque Sherman em casa, sim, existe toda uma vasta bibliografia. Para casar, nem um folheto. Nem um ¬ęd√©pliant¬Ľ. Nada. Nem um autocolante. Para apanhar SIDA sei exactamente o que devo fazer. Para apanhar a minha noiva n√£o fa√ßo a mais pequena ideia.

Porque √© que o Minist√©rio da Juventude, em vez de esbanjar fortunas com iniciativas patetas (como aquela piroseira fascist√≥ide dos Descobrimentos) e an√ļncios rid√≠culos (como aqueles ¬ęYa meu,

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