Cita√ß√Ķes sobre Ardor

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Frases sobre ardor, poemas sobre ardor e outras cita√ß√Ķes sobre ardor para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ignoto Deo

D. D. D.

Creio em Ti, Deus; a fé viva
De minha alma a Ti se eleva.
√Čs: – o que √©s n√£o sei. Deriva
Meu ser do Teu: luz… e treva,
Em que – indistintas! – se envolve
Este espírito agitado,
De Ti vem, a Ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o h√°-de tragar.
Só vive do eterno ardor
O que est√° sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és Tu, luz és Tu,
Verdade és Tu só. Não creio
Sen√£o em Ti; o olho nu
Do homem não vê na Terra
Mais que a d√ļvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência! a real beleza,
O puro amor – o prazer
Que n√£o fatiga e n√£o gasta…
Só por Ti os pode ver
O que, inspirado, se afasta,
Ignoto Deo, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas v√£s e grosseiras
Sua alma, raz√£o, sentidos,
A Ti se d√£o, em Ti vida,
E por Ti vida têm.

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Soneto De Luz E Treva

Ela tem uma graça de pantera
no andar bem comportado de menina
no molejo em que vem sempre se espera
que de repente ela lhe salte em cima

Mas s√ļbito renega a bela e a fera
prendeo cabelo, vai para a cozinha
e de um ovo estrelado na panela
ela com clara e gema faz o dia

Ela é de Capricórnio, eu sou de Libra
eu sou o Oxalá velho, ela é Inhansã
a mim me enerva o ardor com que ela vibra

E que a motiva desde de manh√£.
— Como √© que pode, digo-me com espanto
a luz e a treva se quererem tanto…

Se é Doce

Se é doce no recente, ameno Estio
Ver toucar-se a manhã de etéreas flores,
E, lambendo as areias e os verdores,
Mole e queixoso deslizar-se o rio;

Se é doce no inocente desafio
Ouvirem-se os vol√°teis amadores,
Seus versos modulando e seus ardores
Dentre os aromas de pomar sombrio;

Se é doce mares, céus ver anilados
Pela quadra gentil, de Amor querida,
Que esperta os cora√ß√Ķes, floreia os prados,

Mais doce é ver-te de meus ais vencida,
Dar-me em teus brandos olhos desmaiados.
Morte, morte de amor, melhor que a vida.

Deixai que a Vida sobre Vós Repouse

Deixai que a vida sobre vós repouse
qual como só de vós é consentida
enquanto em vós o que não sois não ouse

erguê-la ao nada a que regressa a vida.
Que √ļnica seja, e uma vez mais aquela
que nunca veio e nunca foi perdida.

Deixai-a ser a que se n√£o revela
sen√£o no ardor de n√£o supor iguais
seus olhos de pens√°-la outra mais bela.

Deixai-a ser a que n√£o volta mais,
a ansiosa, inadi√°vel, insegura,
a que se esquece dos sinais fatais,

a que é do tempo a ideada formosura,
a que se encontra se se n√£o procura.

Dos Mais Fermosos Olhos

Dos mais fermosos olhos, mais fermoso
Rosto, que entre nós há, do mais divino
Lume, mais branca neve, ouro mais fino,
Mais doce fala, riso mais gracioso:

Dum Angélico ar, de um amoroso
Meneio, de um esprito peregrino
Se acendeu em mim o fogo, de que indigno
Me sinto, e tanto mais assi ditoso.

Não cabe em mim tal bem-aventurança.
√Č pouco uma alma s√≥, pouco uma vida,
Quem tivesse que dar mais a tal fogo!

Contente a alma dos olhos água lança
Pelo em si mais deter, mas é vencida
Do doce ardor, que n√£o obedece a rogo.

Estamos ligados aos nossos actos como um fósforo à sua chama. Eles consomem-nos, é verdade, mas são eles que nos dão o nosso esplendor. E, se a nossa alma valeu alguma coisa, é porque ardeu com mais ardor do que outras.

Que Bem Sabe o Amor Constante

Até no carro te canto,
Fala a fala, seio a seio,
Espantado de um encanto
Que mais parece receio

De te perder à partida
Pra te ganhar à chegada,
Pois tu és a minha vida
Na ida e volta arriscada.

Vai o Godinho ao volante
Com seu ar de conde antigo
Que bem sabe o amor constante
Que me aparelha contigo.

Poupado na gasolina,
Discreto na confidência,
Navegador à bolina
Dos rumos da nossa ausência.

Leva-me à Embaixada, ao almoço:
Travou, mas n√£o sei que tenho:
Um resto de ardor de moço
Contigo no meu canhenho.

E o Amor…

E o amor é então todo o longínquo
ardor? O à espera eterno e a solidão
que nele nasce e dele vai até
mais n√£o ser que o relembrar anterior?

Ah, mas se o amor fosse tudo em si…
A l√°grima e o riso, o verbo e a carne,
se o amor sonhasse na claridade
e sem ela n√£o fosse um maior sonho…

Aí vem a névoa, aí vem o sopro
da vida a levantar o dolorido
princ√≠pio sem fim do talvez, do quase…

E o amor é então todo o longínquo
ardor, o eterno à espera e a solidão
que nele nasce e morre, nasce e morre.

A moderação não pode ter o mérito de combater a ambição nem de a submeter; elas nunca andam juntas. A moderação é a languidez e a preguiça da alma, tal como a ambição é a sua actividade e o seu ardor.

Toma l√° Cinco!

Encolhes os ombros, mas o tempo passa…
Ai, afinal, rapaz, o tempo passa!

Um dente que estava s√£o e agora n√£o,
Um cabelo que ainda ontem preto era,
Dentro do peito um outro, sempre mais velho coração.
E na cara uma ruga que n√£o espera, que n√£o espera…

No andar de cima, uma nova criança
Vai bater no teu cr√Ęnio os pequeninos p√©s.
Mas deixa lá, rapaz, tem esperança:
Este ano talvez venhas a ser o que n√£o √©s…

Talvez sejas de enredos f√°cil presa,
Eterno marido, amante de um s√≥ dia…
Com clorofila ficam os teus dentes que é uma beleza!
Mas n√£o rias, rapaz, que o ano s√≥ agora principia…

Talvez lances de amor um foguet√£o sincero
Para algum cora√ß√£o a milh√Ķes de anos-dor
Ou desesperado te resolvas por um mero
Tiro na boca, mas de alcance maior…

Grande asneira, rapaz, grande asneira seria
Errar a vida e n√£o errar a pontaria…

Talvez te deixes por uma vez de fitas,
De versos de mau h√°lito e mau sestro,
E acalmes nas feias o ardor pelas bonitas
(Como mulheres são mais fiéis,

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À Morte

Tu que mísero vives
no vão dos braços
em s√ļbito furor

Tu de m√£os cativas
senhor dos ombros
indefeso dador

Tu que os dedos secas
no liso peito
armado amador

Tu no c√°rcere vivo
das horas idas
impune rumor

Tu rendida palavra
√≠ntimo tr√Ęnsito
do barco raptor

Tu que na minha pele
t√°ctil ardor

am√°vel me esperas

As Influências no Estado de Espírito

Agora estou disposto a fazer tudo, agora a nada fazer; o que me √© um prazer neste momento em alguma outra vez me ser√° um esfor√ßo. Acontecem em mim mil agita√ß√Ķes desarrazoadas e acidentais. Ou o humor melanc√≥lico me domina, ou o col√©rico; e, com a sua autoridade pessoal, neste momento a tristeza predomina em mim, neste momento a alegria. Quando pego em livros, terei captado em determinada passagem qualidades excelentes e que ter√£o tocado a minha alma; quando uma outra vez volto a deparar com ela, por mais que a vire e revire, por mais que a dobre e apalpe, √© para mim uma massa desconhecida e informe.
Mesmo nos meus escritos nem sempre reencontro o sentido do meu pensamento anterior: n√£o sei o que quis dizer, e ami√ļde me esfalfo corrigindo e dando-lhe um novo sentido, por haver perdido o primeiro, que valia mais. N√£o fa√ßo mais que ir e vir: o meu julgamento nem sempre caminha para a frente; ele flutua, vagueia, Como um barquinho fr√°gil surpreendido no vasto mar por uma tempestade violenta (Catulo).
Muitas vezes (como habitualmente me advém fazer), tendo tomado para defender, por exercício e por diversão, uma opinião contrária à minha,

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Todo O Animal Da Calma Repousava

Todo o animal da calma repousava,
só Liso o ardor dela não sentia;
que o repouso do fogo em que ardia
consistia na Ninfa que buscava.

Os montes parecia que abalava
o triste som das m√°goas que dezia;
mas nada o duro peito comovia,
que na vontade d’outrem posto estava.

Cansado j√° de andar pela espessura,
no tronco d’√ľa faia, por lembran√ßa,
escreveu estas palavras de tristeza:

“Nunca ponha ningu√©m sua esperan√ßa
em peito feminil, que, de natura,
somente em ser mud√°vel tem firmeza”.

Amor fora de Controle

√Č propriedade do amor o ser violento; e √© propriedade da viol√™ncia o n√£o durar. O amor acaba-se em n√≥s, n√£o por nossa vontade, mas porque tem por natureza o acabar; e ainda que tudo h√°-de acabar connosco, nem tudo espera por n√≥s. Quando amamos, √© por for√ßa, porque a fermosura que nos inclina, nos vence; e tamb√©m √© por for√ßa quando n√£o amamos; porque uma vez rotos os la√ßos, ficamos de tal sorte livres, que ainda que queiramos, n√£o podemos tornar a eles; e assim n√£o est√° na nossa m√£o o n√£o amar, nem tamb√©m o amar; o cora√ß√£o por si mesmo se acende, e entibiece; n√≥s, n√£o o podemos inflamar, nem extinguir-lhe o ardor.

XXXV

Aquele, que enfermou de desgraçado,
N√£o espere encontrar ventura alguma:
Que o Céu ninguém consente, que presuma,
Que possa dominar seu duro fado.

Por mais, que gire o espírito cansado
Atr√°s de algum prazer, por mais em suma,
Que porfie, trabalhe, e se consuma,
Mudança não verá do triste estado.

N√£o basta algum valor, arte, ou engenho
A suspender o ardor, com que se move
A infausta roda do fatal despenho:

E bem que o peito humano as forças prove,
Que h√° de fazer o temer√°rio empenho,
Onde o raio é do Céu, a mão de Jove.

O Homem que Contempla

Vejo que as tempestades vêm aí
pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ou√ßo as dist√Ęncias dizerem coisas
que n√£o sei suportar sem um amigo,
que n√£o posso amar sem uma irm√£.

E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.

Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deix√°ssemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, ‚ÄĒ
chegaríamos longe e seríamos anónimos.

Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordin√°rio
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus advers√°rios
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.

Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta.

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Prudência é o Saber Acomodar

Espa√ßosa esfera √© a do entendimento para discorrer por todos os objectos, e contudo tem seus intervalos em que acha comodidades o corpo: n√£o descansa este no sil√™ncio da noite, sem que aquele se esconda no mais interior da alma. Ainda o discorrer demasiado, dando voltas ao entendimento, √© arriscar a que d√™ o entendimento uma volta; e como √© arriscado o discorrer sem termo, n√£o √© o menos perigoso o luzir sem pausa. Seus intervalos h√£o-de ter os luzimentos grandes, e nem por isso deixar√£o de ser l√ļcidos intervalos, quando o saber acomodar √© para melhor luzir; por isso o Sol √© o melhor dos planetas, porque sabe acomodar suas luzes √† dureza do diamante, como √† brandura da cera; e os mesmos raios que infundem a dureza no bronze, se acomodam aos melindres de uma flor. Prud√™ncia √© o saber acomodar, para melhor luzir e viver.
Brilhar com demasiado luzimento nas ac√ß√Ķes, mais estorva os aplausos do que os granjeia; porque, na opini√£o de S√©neca, n√£o sabem os homens aplaudir sen√£o aquilo que s√≥ podem imitar. Com ser a luz do Sol o mais agrad√°vel objecto √† vista, contudo, se √© grande o excesso de seus ardores,

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Uma Nação Sem Ideal Desaparece Rapidamente da História

Qualquer que seja a ra√ßa ou o tempo considerado, o objectivo constante da atividade humana foi sempre a pesquisa da felicidade, a qual consiste, em √ļltima an√°lise, ainda o repito, em procurar o prazer e evitar a dor. Sobre essa concep√ß√£o fundamental os homens estiveram constantemente de acordo; as suas diverg√™ncias aplicam-se somente √† id√©ia que se concebe da felicidade e aos meios de a conquistar.
As suas formas s√£o diversas, mas o termo que se tem em mira √© id√™ntico. Sonhos de amor, de riqueza, de ambi√ß√£o ou de f√© s√£o os possantes factores de ilus√Ķes que a natureza emprega para conduzir-nos aos seus fins. Realiza√ß√£o de um desejo presente ou simples esperan√ßa, a felicidade √© sempre um fen√≥meno subjectivo. Desde que os contornos do sonho se implantam um pouco no esp√≠rito, com ardor n√≥s tentamos obt√™-lo.
Mudar a concepção da felicidade de um indivíduo ou de um povo, isto é, o seu ideal, é mudar, ao mesmo tempo, a sua concepção da vida e, por conseguinte, o seu destino. A história não é mais do que a narração dos esforços empregues pelo homem para edificar um ideal e destruí-lo em seguida, quando, tendo-o atingido, descobre a sua fragilidade.

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A Fome E O Amor

A um monstro

Fome! E, na √Ęnsia voraz que, √°vida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as dana√ß√Ķes sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!

Saudação aos que Vão Ficar

Como ser√° o Brasil
no ano dois mil?
As crianças de hoje,
j√° velhinhas ent√£o,
lembrar√£o com saudade
deste antigo país,
desta velha cidade?
Que emoção, que saudade,
ter√° a juventude,
acabada a gravidade?
Respeitar√£o os papais
cheios de mocidade?
Que diferença haverá
entre o av√ī e o neto?
Que novas rela√ß√Ķes e enganos
inventar√£o entre si
os seres desumanos?
Que lei impedir√°,
libertada a molécula
que o homem, cheio de ardor,
atravesse paredes,
buscando seu amor?
Que lei de tr√°fego impedir√° um inquilino
– ante o lugar que vence –
de voar para lugar distante
na casa que n√£o lhe pertence?
Haver√° mais l√°grimas
ou mais sorrisos?
Mais loucura ou mais juízo?
E o que será loucura? E o que será juízo?
A propriedade, ser√° um roubo?
O roubo, o que ser√°?
Poderemos crescer todos bonitos?
E o belo n√£o passar√° ent√£o a ser feiura?
Haverá entre os povos uma proibição
de criar pessoas com mais de um metro e oitenta?
Mas a R√ļssia (v√° l√°,

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